Septímio Severo
Lúcio Septímio Severo (português europeu) ou Lúcio Sétimo Severo (português brasileiro) foi imperador romano de 193 a 211. Quando morreu foi proclamado Divus pelo senado.
Origens e cursus honorum
Severo era de origem berbere e púnico através do seu pai, Geta, que obteve a cidadania romana no século I. A sua mãe Fúlvia Pia descendia de uma família no que se combinavam, através de uma série de matrimônios, itálicos com habitantes do Norte da África. Ambos os ramos familiares estavam compostos por notáveis; o seu avô servira como prefeito de Léptis Magna antes que Tibério convertesse a cidade numa colônia governada por um duúnviro. Severo nasceu em Léptis Magna, onde mais tarde, quando se tornou imperador, ele construiu um palácio, como memorial da sua boa sorte. Contraiu matrimônio com Júlia Domna, uma mulher árabe da Síria. Dona era filha de Júlio Basiano, sumo sacerdote do Templo do Sol de Emèse. Fruto deste matrimônio nasceram duas crianças, Geta e Caracala.
Luta pelo trono: O ano dos cinco imperadores
A 31 de dezembro de 192, o imperador Cômodo foi declarado inimigo pelo senado e assassinado por um dos seus libertos, Narciso. Pertinax foi eleito pelo senado como novo imperador após ter pago um generoso donativum aos pretorianos. À sua chegada ao poder, o novo imperador apercebeu-se de que as arcas imperiais estavam vazias. A fim de revitalizar a economia, Pertinax decidiu eliminar despesas supérfluas, para o qual eliminou os pretorianos do poder e impôs uma disciplina mais severa. Três meses depois foi assassinado e sucedido por Dídio Juliano, que adquiriu o trono num leilão dirigido pelos pretorianos no que se impôs ao sogro de Pertinax, Tito Flávio Sulpiciano.
O seu reinado: aspectos militares
O reinado de Septímio Severo teve um marcado caráter militar, refletido em numerosas medidas tomadas pelo imperador, como a substituição dos pretorianos pelos legionários da Panônia. Entre 197 e 199, foram travadas com sucesso uma série de campanhas contra o Império Parta que derivaram no estabelecimento da nova província da Mesopotâmia. Após a conquista da cidade de Ctesifonte, em cujo assédio faleceram cerca de 100 000 pessoas, os romanos apoderaram-se dos tesouros dos partas. Severo dedicou os cinco anos posteriores a organizar a administração da nova província, cuja instituição foi vista pelo povo irani como uma usurpação do seu território, sendo motivo de discórdia com o Império.
O seu reinado: aspectos civis
Embora o caráter militar do imperador fosse inegável, observava-se uma consolidação do poder civil, dirigido através do seu séquito. De fato, o imperador estava rodeado de uma importante corte constituída por italianos, africanos da Tunísia, uns poucos marroquinos, argelinos bem como originários da Síria: Finalmente, em 203, o imperador regressou para Roma. Septímio Severo erigiu uma série de importantes construções: Septímio Severo modificou a estrutura da organização governamental do império:
Morte
A fim de consolidar a sua sucessão, Severo casou o seu filho Caracala com Fúlvia Plaucila, filha do prefeito do pretório Caio Fúlvio Plauciano. Porém, pronto as relações entre o casal se deterioraram. Plauciano foi acusado de traição pelos centuriões em 205, subornados provavelmente por Caracala. Severo fê-lo assassinar e Plaucila foi recluída na ilha de Lipari. Organizou uma expedição para a Britânia (207) para combater os caledônios, levando consigo a esposa e os dois filhos e lá permaneceu até sua morte (211), em York, após realizar com sucesso várias campanhas no norte, com o desejo de expandir o controle de Roma sobre toda a ilha. Ambos os exércitos travaram uma série de batalhas até 209 sem que se produzisse nenhuma vitória decisiva. A fim de assegurar a fronteira norte do Império, Severo reforçou o Muro de Adriano.


