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Arautos do Evangelho

Arautos do Evangelho são uma associação católica internacional de direito pontifício fundada no Brasil e reconhecida oficialmente pela Santa Sé em 2001. Tornou-se uma das mais visíveis expressões do catolicismo tradicionalista e é amplamente considerada ultraconservadora.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 20/07/2026
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História

Origem

A fundação dos Arautos, pelo Monsenhor João Scognamiglio Clá Dias, deu-se em 21 de setembro de 1999, mas sua aprovação e reconhecimento ante à Igreja Católica ocorreu em 22 de fevereiro de 2001, pelo Papa João Paulo II. Em 2009 foi elevada à condição de sociedade de vida apostólica, pelo Papa Bento XVI. Paulistano, filho de mãe italiana e pai espanhol, João Clá Dias foi secretário de Plinio Corrêa de Oliveira, na extinta Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade. Além de fundador, João Clá Dias foi Superior Geral dos Arautos desde a sua fundação até junho de 2017, quando, aos 77 anos, renunciou ao posto. Dois anos antes da fundação, em agosto de 1997, João Scognamiglio Clá Dias criou a Associação Cultural Nossa Senhora de Fátima (ACNSF), vista como embrionária dos Arautos, cuja proposta é a difusão da mensagem mariana de Fátima, tida como contra-revolucionária.

Consolidação

Presente em 78 países, a Ordem dos Arautos do Evangelho tem sua casa principal, a Basílica de Nossa Senhora do Rosário ou "Monte Thabor", sediada nas imediações da Serra da Cantareira, entre as cidades de Caieiras e Mairiporã, região metropolitana de São Paulo, e seu conjunto de edifícios, erigido com auxílio de doações, ocupa uma área de 107 km² de floresta, em terreno doado pelo proprietário de uma hípica desativada. Na casa principal funciona também um seminário, onde os alunos aprendem italiano, inglês, espanhol, hebraico, grego, com ensino médio e cursos superiores de filosofia e teologia, baseados no pensamento de Tomás de Aquino, além de ciências da religião e canto gregoriano.

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Organização

A autoridade suprema dos Arautos é a Assembleia Geral, a qual elege o Conselho Geral que assistirá o Presidente da associação. Conta também com conselhos regionais que administram os sodalícios nos diversos países em que atua. Além da organização interna, incluem-se também os colaboradores e membros honorários, os quais são pessoas e famílias que participam ativamente, seja contribuindo com a associação ou utilizando de seus ensinamentos e celebrações.

Ordens

Consagração: Os Arautos são consagrados a Jesus Cristo por meio de Nossa Senhora, segundo o método descrito por São Luís Maria Grignion de Montfort em seu livro Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria.

Virgo Flos Carmeli

A Sociedade Clerical Virgo Flos Carmeli é constituída por membros dos Arautos do Evangelho com vocação ao sacerdócio, após dezenas de anos de vida comunitária, estudos e muita dedicação, com o fim de melhor empreender a atividade evangelizadora, como se pode ler no art. 3.º de seus estatutos: A Sociedade nasce como expressão do carisma da Associação Arautos do Evangelho, com a especificidade da vocação sacerdotal, manifestando a vontade de atuar em comunhão de métodos e metas com a mencionada associação, e empenhando-se particularmente em que os fiéis que se sentem atraídos por este carisma tenham uma assistência ministerial, sobretudo, os que vivem em comunidade (PC 10).

Símbolos

Em seu medalhão estão contidos os três principais símbolos dos Arautos: as chaves de São Pedro (simbolizando o Papa), Maria Santíssima e a Santíssima Eucaristia. À cintura, uma corrente de ferro representa a fortíssima ligação de cada Arauto com Maria, ao ponto de se chamarem "Escravos de Jesus através de Maria". Pendente desta corrente está o Rosário, frequentemente recomendado por Maria em suas aparições. Os membros dos arautos, tanto homens quanto mulheres, usam uniforme de estilo militar medieval, com túnica bege, ornada com o desenho da cruz de Santiago, botas de cano longo e um rosário na cintura.

Igrejas

Os Arautos do Evangelho possuem duas igrejas principais, elevadas à categoria de Basílicas: A Basílica de Nossa Senhora do Rosário, inaugurada dia 24 de fevereiro de 2008, na Serra da Cantareira, município de Caieiras, Diocese de Bragança Paulista e a Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, em Cotia, Diocese de Campo Limpo, elevada no dia 31 de maio de 2014, pelo Vaticano, à categoria de Basílica Menor. Em 31 de maio de 2003, a Igreja de San Benedetto in Piscinula, localizada em Roma, foi entregue pela Diocese de Roma aos cuidados dos Arautos. Em 31 de março de 2008, a Igreja de Nossa Senhora da Encarnação localizada em Lima, Peru, foi entregue aos cuidados dos Arautos.

Coro e orquestra

Visando a divulgação, bem como a evangelização, da música sacra, os Arautos do Evangelho mantêm entre suas atividades o Coro e Orquestra Internacional dos Arautos do Evangelho. Tal projeto se apresenta durante as missas realizadas pelos Arautos ou em festividades católicas como o Natal e Páscoa, dentre outros eventos de caráter religioso e culturais. O Coro e Orquestra dos Arautos já gravou álbuns de músicas tradicionais natalinas, canto gregoriano, e obras de renomados compositores de música erudita, como a Ave Maria de Charles Gounod e a de Franz Schubert, até obras polifônicas como a Sicut Cervus de Giovanni Pierluigi da Palestrina. Além de já ter se apresentado ao papa São João Paulo II.

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Controvérsias

Viés político

A organização é herdeira ideológica da TFP, grupo que apoiou o golpe militar de 1964 e que historicamente se posicionou contra o comunismo e em defesa de valores conservadores. Embora os Arautos normalmente evitem apoiar candidatos ou partidos de forma explícita, abriram uma exceção em relação a Jair Bolsonaro quando alegaram que uma reportagem de 2019 do Fantástico com denúncias contra o grupo só foi veiculada pela TV Globo com o intuito de atingir o então presidente da República. Entre os exemplos da proximidade com o bolsonarismo, estão a participação dos Arautos na missa de sétimo dia da mãe de Bolsonaro, a presença de estudantes da organização em eventos realizados no Palácio do Planalto durante o Governo Bolsonaro e o apoio recebido de figuras ligadas ao bolsonarismo, como Olavo de Carvalho, mesmo após as denúncias envolvendo a entidade. O casamento da deputada Carla Zambelli, por exemplo, foi realizado em uma igreja dos Arautos.

Investigação pelo Vaticano

Em 2017, o Vaticano instituiu uma Visita Apostólica dos Arautos sob a direção da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica. Em 12 de junho de 2017, Monsenhor João Clá deixou o cargo de Superior Geral, mas continuou sendo "pai" dos Arautos. A visita encontrou "deficiências no estilo de governo, na vida dos membros do Conselho, no cuidado pastoral das vocações, na formação de novas vocações, na administração, na administração de obras e na captação de recursos". No dia 28 de setembro de 2019, o Papa Francisco nomeou o cardeal Raymundo Damasceno Assis como Comissário Pontifício para tratar com os Arautos, no entanto, em 19 de outubro, os Arautos declararam que não reconheciam a legalidade da instituição do Comissário.

Acusações de abusos físicos e psicológicos

Em outubro de 2019, uma investigação do Ministério Público (MP), movida por ex-membros descontentes da cidade de Caieiras, na região metropolitana de São Paulo, foi aberta após a divulgação de vídeos de supostos exorcismos e de João Clá, fundador da Associação, agredindo crianças. O MP constatou que os adolescentes não podem ter telefone celular pessoal e que todos usam um único aparelho, mas apenas para enviar mensagens por WhatsApp e que ficam visíveis a todos, o que, segundo os peritos, é uma violação do direito à privacidade dos jovens. Para ligar para as famílias, eles têm que usar telefones fixos. Os peritos também não encontraram livros sobre história do Brasil, literatura nacional ou livros didáticos, mas apenas enciclopédias antigas e livros escritos por João Clá. Para o MP, o ECA não é respeitado pelos Arautos.

Tentativa de censura de documentário da HBO Max

A tentativa de impedir a exibição do documentário "Escravos da Fé: Os Arautos do Evangelho", produzido para a HBO Max, ocorreu no contexto de uma disputa judicial em que o grupo religioso tentou barrar a divulgação da obra, alegando uso indevido de informações ligadas a um inquérito civil sob segredo de Justiça. Em dezembro de 2025, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) chegou a proibir a veiculação do conteúdo, o que levou a produtora Warner Bros. Discovery a recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF), argumentando que a medida configurava censura prévia e violava a liberdade de expressão. Em março de 2026, o ministro Flávio Dino derrubou a proibição e autorizou a exibição do documentário, afirmando que "é inadmissível, como regra, a imposição de censura prévia", destacando que impedir previamente a divulgação de uma obra caracteriza violação constitucional.

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Fontes consultadas

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