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Ara martinicus

Ara martinicus é uma espécie hipotética extinta de arara que pode ter sido endêmica da ilha Martinica, no Caribe. Foi nomeada cientificamente por Walter Rothschild em 1905, com base apenas numa breve descrição da década de 1630 feita pelo padre francês Jacques Bouton. O religioso mencionou araras de cor "azul e laranja". Nenhuma outra evidência concreta da existência da espécie é conhecida, mas ela pode ter sido retratada em antigas obras de arte, como em dois quadros do século XVII, pintados pelo holandês Roelant Savery. O que realmente o padre Bouton observou permanece um mistério e várias hipóteses foram levantadas. Alguns autores acham que o que ele viu em Martinica foram araras-canindé cativas oriundas da América do Sul.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 19/07/2026
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Taxonomia

A espécie foi descrita cientificamente pelo britânico Walter Rothschild em 1905 como uma nova integrante do gênero Anodorhynchus, sendo batizada como Anodorhynchus martinicus. O táxon foi baseado exclusivamente num relato da década de 1630, escrito pelo padre francês Jacques Bouton, que mencionava araras de cor azul e laranja na ilha caribenha de Martinica (daí o epíteto específico martinicus). Dois anos depois, em 1907, o próprio Rothschild reclassificou a espécie como Ara martinicus em seu livro Extinct Birds, que trouxe também uma ilustração da ave feita por John Gerrard Keulemans. Essa nova denominação gerou alguma confusão entre os cientistas, mesmo mais recentemente, a exemplo de Williams e Steadman que em 2001 presumiram que os dois nomes propostos se referem a aves diferentes. Em 2013, o paleontólogo Julian Hume publicou um artigo no qual afirma ser pouco provável que uma arara do gênero Anodorhynchus tenha alguma vez existido nas Índias Ocidentais, pois nenhuma ave desse tipo ocorre atualmente próxima ao Caribe. Além disso, toda a evidência disponível sugere que este gênero era raro, mesmo em tempos históricos, o que torna improvável que tais araras chegassem às Antilhas através do comércio. O especialista considera que tal classificação dentro dos Anodorhynchus é apenas fruto da imaginação de Rothschild. Em contraste, várias espécies de araras do gênero Ara ocorrem em regiões próximas das Américas do Sul e Central.

Parentes extintos do Caribe

Sabe-se hoje que araras eram transportadas entre as ilhas do Caribe e o continente sul-americano, tanto em tempos históricos por europeus e nativos, como em tempos pré-históricos por paleoamericanos. Os papagaios foram importantes na cultura dos indígenas caribenhos; eram comercializados entre as ilhas, e estavam entre os presentes oferecidos a Cristóvão Colombo quando ele chegou às Bahamas em 1492. Por conta disso é difícil determinar se os numerosos registros históricos mencionam espécies distintas de araras endêmicas, uma vez que podem ter sido indivíduos ou populações selvagens de araras exóticas transportadas de seu local de origem para diversas outras ilhas. Acredita-se que cerca de treze espécies de araras extintas viveram nas ilhas caribenhas até recentemente. Mas apenas três delas tiveram sua existência comprovada através de restos físicos: a arara-vermelha-de-cuba (Ara tricolor) é conhecida a partir de subfósseis e de dezenove peles que hoje estão em museus, a arara-de-santa-cruz (Ara autocthones) através de subfósseis, e a Ara guadeloupensis graças a relatos antigos e ossos subfósseis. Nenhuma arara endêmica do Caribe sobreviveu até os dias atuais; elas provavelmente foram levadas à extinção por seres humanos em tempos históricos e pré-históricos. Essas aves são particularmente sensíveis, e estão muitas vezes entre as primeiras espécies a serem exterminadas de uma determinada localidade, especialmente em ilhas.

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Descrições contemporâneas

Na década de 1630, o padre francês Jacques Bouton publicou a descrição original sobre as araras que foram depois batizadas como Ara martinicus. O trecho é reproduzido abaixo: As araras são duas ou três vezes maiores do que os outros papagaios, têm uma plumagem muito diferente na cor: as que tenho visto têm plumagem azul e laranja. Elas também aprendem a falar e têm um bom corpo.[nota 1] Em 1658, o pastor protestante Charles de Rochefort descreveu da seguinte forma a ave que depois foi batizada como "Ara erythrura", e que hoje é considerada sinônimo de Ara martinicus: Entre elas há algumas que têm a cabeça, a parte superior do pescoço, e a traseira com um tom azul cor do céu acetinado; a parte de baixo do pescoço, o ventre, e superfície inferior das asas, são amarelos, e a cauda inteiramente vermelha.[nota 2] Apesar do fato da cauda de "Ara erythrura" ter sido descrita como inteiramente vermelha, a gravura no livro Extinct Birds, de autoria de Rothschild, mostrava a extremidade das asas da cauda na cor azul. Este detalhe foi criticado por Charles Wallace Richmond, em sua resenha sobre o livro.

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Fontes consultadas

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