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Língua aquém

A língua aquém, também chamada de acuen ou akwen, é uma língua ou grupo de línguas pertencente ao tronco linguístico macro-jê. A língua se divide em três dialetos: xavante (ativo), xerente (ativo) e xakriabá. Apesar de ser falada pelos xavantes, ela se difere da Língua otí, falada pelos oti-xavantes. O número de falantes total é desconhecido, principalmente pela falta de estudos recentes e de dados sobre falantes do dialeto xakriabá, mas estima-se que possua 2,570 falantes do dialeto xerente e 19,000 falantes do xavante.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 21/07/2026
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Etimologia

Os povos xavantes, xerentes e xakriabás se autodenominam a'uwe (“gente”) e, a partir disso, acredita-se ter originado o nome da língua.

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Distribuição Geográfica

Atualmente, existem três povos que falam a língua aquém. Foi contabilizado, em 2020, mais de 22 mil pessoas abrigadas em Terras Indígenas localizadas na região compreendida pela Serra do Roncador e pelos vales dos rios das Mortes, Kuluene, Couto de Magalhães, Batovi e Garças, no leste matogrossense. Estima-se ter 19.000 falantes (2010). O território Xerente - composto pelas Terras Indígenas Xerente e Funil - localiza-se no cerrado do Estado do Tocantins, na banda leste do rio Tocantins, 70 km ao norte da capital, Palmas. Estima-se que a comunidade possua 3509 pessoas. Localizada em São João das Missões, município no norte de Minas Gerais, a Terra Indígena Xakriabá foi homologada em 1987, e posteriormente, em 2003, foi acrescentada em área contínua a TI Xakriabá Rancharia. Apesar da população estimada ser 8867 (Siasi/Sesai, 2014), é importante ressaltar que muitos xakriabás não falam a língua aquém fluentemente.

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História da Língua

A história sobre a divisão desses povos é repleta de divergências entre os autores. Oswaldo M. Ravagnani sugere que “Xerente e Xavante são subdivisões de um único grupo que no início do século XIX formavam dois grupos distintos, mas culturalmente muito próximos”. Segundo a versão mais aceita, o nome Xerente lhes foi atribuído por não-indígenas, visando sua diferenciação dos demais Akwe, particularmente, em relação aos Xavante. Essa denominação foi criada devido aos considerados Xavantes se recusarem ao contato com os não-indígenas e, por isso, sendo descritos como ferozes e bárbaros. Já os Xerentes se mantiveram em seu território, sendo, supostamente, favoráveis ao convívio e desejosos do contato com os não-indígenas. No caso do povo Xakriabá, seu nome originou devido ao fato de que eles eram conhecidos por serem exímios remadores: xakriabás significa “bons de remo”. Há algumas fontes que subdividem a língua aquém em línguas xavante, xerente e xakriabá. Outras consideram que é uma língua com três dialetos, em consonância ao modo como os próprios povos identificam sua língua: como sendo uma única língua, a língua aquém.

Língua oficial

Em abril de 2012, foi aprovada, na câmara de vereadores de Tocantínia, em Tocantins, a oficialização da língua indígena akwén xerente como a segunda língua oficial no município. Nesta cidade, estima-se que aproximadamente 50% de seus 6 598 habitantes sejam indígenas da etnia xerente. Com a aprovação, o município passou a ser o quarto do Brasil a ter línguas indígenas do Brasil como línguas oficiais. Na justificativa do projeto, os vereadores alegaram que ele, na prática, significa que a prestação de serviços públicos básicos na área de saúde, campanhas de prevenção de doenças e tratamentos, passaram a ser realizados em akwén e em português.

Dialetos

Como citado anteriormente, a língua aquém é dividida entre os três dialetos: xavante, xerente e xakriabá. Entretanto, como comentado no tópico anterior e percebido na tabela abaixo, algumas referências separam os dialetos como línguas independentes.

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Fonologia

Os dados abaixo se referem ao dialeto Xavante.

Vogais

Há doze fonemas vocálicos em xavante, quatro dos quais são nasalizados.

Consoantes

O Xavante tem onze fonemas consonantais e três fones. (William Alfred)

Tons

Existe algumas características específicas do tom no dialeto xavante. As locuções declarativas têm entonação cadente, ou seja, o tom ou nível da voz é mais baixo ao final da locução do que ao princípio. As locuções ativas descrevem uma configuração entonacional nível baixo-alto-baixo. Cai o nível no marcador interrogativo e em princípios da pergunta; depois sobe e finalmente desce progressivamente até ao fim da pergunta. Outro ponto é que, para fins enfáticos, prolonga-se a penúltima sílaba de uma locução. Quanto mais prolongada a sílaba, maior a ênfase. Tal característica não é indicada na grafia. Além disso, as vogais i, ĩ e u são pronunciadas com tom mais alto que as outras.

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Ortografia

A forma do alfabeto latino usada pela língua xavante tem as vogais i; ĩ; e; é; ẽ; â; a; ã; u; ô; o; õ, y e as consoantes p; b; m; t; d; n; s; z; nh; i; r; w; h; '. o: pronuncia-se como em ‘avó’ (Quando prolongada, esta vogal se fecha ligeiramente) y: pronuncia-se semelhantemente à vogal da palavra inglesa ‘just’ quando atônica â: pronuncia-se semelhantemente a vogal ‘a’ da locução inglesa 'a boy' Vogais com "~" são nasalizadas e todas elas possuem nasalizações bem definidas. Toda vogal após m, n, mr ou nh inicial na sílaba é nasalizada mesmo que a nasalização não se indique por escrito. p,t: quando iniciais na sílaba são mais aspirados que em português ': pronuncia-se como a interrupção na interjeição inglesa 'oh-oh' t,d: pronuncia-se com a mesma posição da língua que em português s: pronuncia-se como em português; em alguns ambientes com um pouco de fricção, por exemplo, antes da vogal i

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Gramática

Todas as informações abaixo são do dialeto xavante.

Pronomes

A língua Xavante possui dois pronomes pessoais (o de primeira pessoa "wa" e o de segunda pessoa "a"). Os demonstrativos õ, ta e õhõ, suprem a falta de pronomes pessoais para terceira pessoa. A partícula enfática hã é usada para marcar quando pronomes pessoais ocorrem como sujeito e como objeto direto. A norĩ wa'wa hã a'uwẽ 'vocês são Xavante' Wa zahuré a'uwẽ 'nós dois somos Xavante' A partícula 'e' é o indicador de desconhecimento dos fatos pelo falante.

Substantivos

Substantivos obrigatoriamente possuídos. Substantivos desta classe são prefixados com indicadores de pessoa. Substantivos opcionalmente possuídos. Substantivos desta classe, quando possuídos, são prefixados com os mesmos indicadores de pessoa que os da classe 1 acima, mais o afixo -nhib-. danhib'apito 'capitão de alguém / do povo' Os substantivos que expressam a ideia de "ação feita por" são formados de temas verbais transitivos, prefixados com -nhimi-, além dos indicadores de pessoa. ĩĩnhimi'upté 'a pintura feita por mim (minha pintura)' assimi'upté 'a pintura feita por você (sua pintura)' ĩsimi'upté 'a pintura feita por ele (pintura dele)' waanhimi'upté 'a pintura feita por nós (nossa pintura)'

Verbos

O dialeto xavante não possui marcadores de tempo nos verbos, por mais que possuam o conceito de eventos passados, presentes e futuros. Entretanto, alguns marcadores são usados para indicar a categoria temporal entre as ações. Marcadores: Za: Indica algo que irá acontecer amanhã, na semana que vem, etc. e também é usado também na narração de acontecimentos passados com referência às ações ainda por acontecerem dentro do contexto narrativo. Te: Indica ações atuais, por exemplo, mas serve também para contar acontecimentos já passados que conforme os critérios do narrador, se relacionam estreitamente no tempo ou no contexto. Ma: Indica resultado lógico ou esperado, a consequência infalível ou normal de alguma causa. Tal causa pode ser declarada no texto, ou simplesmente subentendida pelos ouvintes.

Sentença

O dialeto xavante apresenta duas possíveis ordens de constituintes, SOV e SVO, sendo a primeira predominante. Há casos com a ordem OSV que, neste caso, o objeto ocorre no início da oração pelo fato do sujeito estar apagado. homem + chuva + ouvir = ‘O homem ouve a chuva’ O dialeto xavante possui um alinhamento condicionado por vários fatores, i) a pessoa do sujeito ou do objeto (quem age sobre quem); ii) tipo da oração (independente ou dependente); iii) predicados negados ou afirmativos. Isso provoca dois padrões de alinhamento, o Padrão ergativo-absolutivo e o Padrão nominativo-acusativo. Ergativo-absolutivo: Definido por orações nominais, com predicados possuindo como núcleo nomes de ação derivados por meio do nominalizador de 'nome de ação' e correspondem a orações as quais possuem como núcleo verbos transitivos nominalizados por esse nominalizador (orações relativas, negadas e subordinadas).

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Vocabulário

Lista de Swadesh (Aquém-Xavante)

A lista abaixo se refere a lista final de Swadesh com 100 termos, publicada em 1971. Na divisão xavante-português os verbos são registrados na forma da terceira pessoa do singular, sendo que na língua xavante não se-encontra uma forma equivalente ao infinitivo do verbo em português. Por isso, os verbos na Lista de Swadesh abaixo estão conjugados na terceira pessoa do singular.

Expressões do dia-a-dia (Aquém-Xavante)

Exemplos retirados de Aspectos da língua xavante por Ruth McLeod e Valerie Mitchell (2003).

Numerais (Aquém-Xavante)

Os números empregados no sistema numérico xavante são: 1, 2, 3, 10, 20. Para nomear os numerais, são usados termos do dia-a-dia como é perceptível na tabela abaixo: Os números pares maiores que 2 podem ser chamados de mro pâ (com esposa). O conceito de 4 pode ser expresso de forma específica como maparane si'uiwa (dois com suas esposas). Os números ímpares acima de 1 são chamados ĩmro tõ (aquele que perdeu a esposa). O conceito de 3 pode ser expresso forma específica como si'ubdatõ (três).

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Fontes consultadas

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