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Aquele Abraço

"Aquele Abraço" é uma canção do cantor e compositor brasileiro Gilberto Gil, composta e lançada em 1969 como single.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 05/07/2026
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Contexto

Imagem: Lua Pramos · BY-SA · Openverse

Em 13 de dezembro de 1968, o governo militar que governava o Brasil edita o Ato Institucional nº 5, restringindo uma série de liberdades civis. Em 26 de dezembro, Gilberto Gil, Caetano Veloso e Os Mutantes fazem, na boate Sucata, no Rio de Janeiro, um espetáculo cercado de controvérsia devido à exposição, no palco, de uma imagem do artista plástico Hélio Oiticica, na qual um bandido chamado Cara de Cavalo aparece deitado no chão com a inscrição: “seja marginal, seja herói”. O local foi fechado, mas muitos boatos surgiram: primeiro, de que a imagem seria uma profanação da bandeira nacional; segundo, que os músicos teriam ainda cantado uma versão subversiva do Hino Nacional Brasileiro. Assim, na manhã de 27 de dezembro, Gil e Veloso são presos acusados de desrespeito à bandeira e ao hino nacional; durante este tempo de prisão, foram feitas mais investigações sobre as acusações. Durante o tempo de prisão, Gil compôs quatro canções e desenvolveu uma relação afetuosa com os militares carcereiros. As investigações das Forças Armadas indicaram a inocência dos músicos, mas apenas em 19 de fevereiro de 1969, uma quarta-feira de cinzas, Gil e Veloso são soltos sem uma acusação formal.

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Composição

Imagem: poperotico · BY-NC · Openverse

Após a reunião com os militares onde ficou decidido o seu exílio, Gil voltou a Salvador. Antes de ir, porém, visitou a casa de Mariah Costa, mãe de Gal Costa, no Rio de Janeiro. Ali, teve a ideia e começou a compor "Aquele Abraço", idealizada como uma canção de despedida do Brasil. A letra foi terminada no avião rumo a Salvador, escrevendo-a num guardanapo. A melodia foi mentalizada - para tanto, Gil optou por uma que fosse simples. A expressão "Alô, alô, Realengo: aquele abraço!" era um bordão utilizado pelo humorista Lilico no programa Balança Mas Não Cai, então exibido na Rede Globo desde 1968. Gil, porém, não teve contato com o humorista por não ter acesso a televisão. Porém, os soldados do quartel onde o cantor ficou preso o cumprimentavam falando "aquele abraço!". Embora alguns supunham que o trecho "alô, alô, Realengo" seja uma provocação aos militares por Gil ter sido eventualmente preso na Escola Militar do Realengo (hoje Comando da 9ª Brigada de Infantaria Motorizada), na verdade isto é uma inexatidão, pois o músico ficou preso num quartel na Vila Militar, bairro vizinho. Segundo o cantor, a escolha de Realengo não se deve ao bordão de Lilico ou ao lugar exato do quartel onde ficou preso, mas a uma escolha aleatória de um bairro do subúrbio do Rio que fosse marginal a uma linha de trem e representasse o lugar onde ficou preso.

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Gravação e lançamento

Imagem: Gonzak · BY-NC-ND · Openverse

A canção foi gravada junto do disco Gilberto Gil: entre abril e maio, Gil gravou voz e violão para todas as canções e, posteriormente, o produtor musical Manoel Barenbein e os arranjadores Rogério Duprat e Chiquinho de Moraes finalizaram o disco, gravando a banda que acompanha Gil em todas as músicas e mixando o álbum. Tendo já gravado o álbum e arrecadado fundos para a viagem, Gil parte para o exílio em julho de 1969. Em agosto de 1969, são lançados, simultaneamente, o single de "Aquele Abraço" e o álbum Gilberto Gil. A canção teve três diferentes edições. Enquanto, no álbum, a canção conta com 5'23", o single traz uma versão que sofre fade out mais cedo, aos 4'35". Em 1998, num relançamento do álbum em CD, foi incluída uma "versão integral", que tem 7'00"..

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Recepção

Imagem: ER's Eyes - Our planet is beautiful. · BY-NC-SA · Openverse

A canção se tornou uma das mais bem-sucedidas da carreira de Gilberto Gil. É sua canção mais executada; o segundo single mais bem vendida; e o terceiro a ficar mais tempo em primeiro lugar nas paradas de sucesso do Brasil, tendo ficado dois meses inteiros em 1º lugar em 1969. Os demais sucessos de Gil são "Não Chores Mais (No Woman, No Cry)", de 1979, e "Xodó (Só Quero um Xodó)", de 1973. Em agosto de 1970, o Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro premia a canção com o Golfinho de Ouro, como melhor música do último ano. Gil recusa o prêmio por meio do artigo "Recuso + Aceito = Receito", publicado na revista O Pasquim publicada em 24 de agosto de 1970, fazendo fortes críticas ao caráter autoritário do Museu:

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Legado

Imagem: PQz · BY-NC-SA · Openverse

A canção já alcançou um patamar de ícone da cultura popular brasileira e foi executada por Marisa Monte e Seu Jorge na cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos de Verão de 2012 em Londres, como parte da visualização dos Jogos Olímpicos de Verão de 2016 no Rio de Janeiro. A banda inglesa Bow Wow Wow, coordenada por Malcolm McLaren gravou, em 1981, uma versão em inglês da música, intitulada "Hello, Hello Daddy (I'll Sacrifice You)". Entre as pessoas que já regravaram a canção estão: "Arthur Moreira Lima", Arthur Moreira Lima, Elis Regina e Miele, Evandro Marinho, Evelyn, Ivo Meirelles e Funk'n'Lata, Leandro Sapucahy, Legião Urbana, Tim Maia e Quarteto em Cy.

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Faixas

Imagem: oijulia · BY-NC-SA · Openverse

Todas as faixas escritas por Gilberto Gil Observação: A Reforma Ortográfica de 1971 fez cair o acento então existente em "aquele". E, posteriormente, Gilberto Gil passou a grafar "O Má Iaô" como "Omã Iaô.

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