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Arthur Moreira Lima

Arthur Moreira Lima foi um pianista concertista brasileiro e um dos principais pianistas de sua geração no país. Chopin ocupou o centro de sua interpretação, mas a música brasileira esteve igualmente presente em seus concertos e gravações, sobretudo a obra de Ernesto Nazareth.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 19/07/2026
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Biografia

Infância e formação

Moreira Lima nasceu no Rio de Janeiro em 16 de julho de 1940. Seu pai morreu quando ele tinha três anos. Estudou inicialmente no Liceu Francês e depois ingressou no Colégio Militar do Rio de Janeiro. Começou a ter aulas de piano aos seis anos e tornou-se aluno de Lúcia Branco em 1948. No ano seguinte, aos nove anos, deu seu primeiro recital profissional no Theatro da Paz, em Belém. Branco o inscreveu no Concurso de Jovens Solistas da Orquestra Sinfônica Brasileira em 1949. Moreira Lima venceu por decisão unânime depois de tocar o Concerto para piano n.º 23, de Mozart, sob a regência de Eleazar de Carvalho. Em 1952, voltou a vencer, dessa vez com o Concerto para piano n.º 1, de Beethoven. A vitória levou-o ao Theatro Municipal do Rio de Janeiro, onde se apresentou sob a regência do maestro inglês Richard Austin.

Carreira internacional

Em 1965, enquanto estudava no Conservatório de Moscou, Moreira Lima foi escolhido por Rudolf Kehrer para participar do VII Concurso Internacional de Piano Frédéric Chopin, em Varsóvia. Chegou à final, tocou o Concerto para piano n.º 2, de Chopin, e conquistou o segundo lugar, atrás de Martha Argerich. Chopin permaneceu em seus programas de concerto pelo restante da carreira. Moreira Lima voltou a Moscou, concluiu os estudos e passou três anos como assistente de Kehrer. Durante uma visita ao Brasil em 1966, deu um recital no Theatro Municipal do Rio de Janeiro com obras de Schumann, Chopin e Prokofiev. Encerrou a apresentação com Batuque e Coração que sente, de Ernesto Nazareth.

Televisão e divulgação musical

Moreira Lima apresentou Um Toque de Classe na TV Manchete em 1985 e 1986. O programa reunia conversas e música ao vivo. Um mesmo episódio podia passar do repertório de concerto ao choro, ao samba ou à canção popular brasileira. César Camargo Mariano assumiu a apresentação depois da saída de Moreira Lima. Entre os convidados estavam Radamés Gnattali, Antônio Carlos Jobim, Paulinho da Viola, Raphael Rabello, Milton Nascimento, Ney Matogrosso, Moreira da Silva, João Nogueira e Nelson Gonçalves. Moreira Lima conversava com os convidados ao piano e frequentemente tocava com eles. Na década de 1990, Moreira Lima passou a realizar mais concertos fora do circuito habitual de recitais. Tocou na Mangueira, na Rocinha e em cidades do interior do estado do Rio de Janeiro. Para parte do público, essas apresentações foram a primeira oportunidade de ouvir pessoalmente um piano de cauda em concerto.

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Discografia

Imagem: Cristovam_Buarque_Arthur_Moreira_Lima.jpg: Elza Fiúza/ABr derivative work: Yanguas (talk) · BY · Openverse

As gravações de Moreira Lima abrangem o repertório romântico para piano, obras do século XX e música brasileira. Sua discografia contém concertos e peças solo de Chopin, Brahms, Mozart e Rachmaninoff, ao lado de obras brasileiras de Nazareth, Gnattali, Villa-Lobos, Brasílio Itiberê e Mignone. A discografia a seguir reúne álbuns completos, trabalhos colaborativos e lançamentos de arquivo.

Coleções de álbuns

Meu Piano, também comercializada como Três Séculos de Música para Piano, foi uma coleção de 41 discos lançada pela Editora Caras. A coleção reuniu gravações anteriores e programas dedicados a compositores ou repertórios específicos.

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Apresentações

Imagem: Helder Fontenele · BY-NC-SA · Openverse

Repertório e interpretação

Os programas de Moreira Lima reuniam compositores de diferentes períodos e países. Em um recital realizado em Curitiba em 1963, tocou a Partita n.º 1, de Bach, a Sonata Appassionata, de Beethoven, Excursions, de Barber, duas obras de Liszt e Festa no sertão, de Villa-Lobos. Estudou em Paris com Marguerite Long e em Moscou com Rudolf Kehrer. Long enfatizava a clareza e o controle. Kehrer trabalhava com ele o fraseado, a sonoridade e a capacidade de fazer o piano "cantar". O crítico musical Irineu Franco Perpetuo ouviu traços da escola francesa no uso da cor e do fraseado por Moreira Lima, e o peso da escola russa em sua sonoridade. Chopin permaneceu em seus programas desde o começo da carreira internacional. Moreira Lima tocava os concertos e as sonatas, além das baladas, scherzos, prelúdios, polonaises, mazurcas, noturnos e valsas. Seus recitais também continham obras de Schumann, Liszt, Brahms, Rachmaninoff, Mussorgsky e Prokofiev. Bach, Mozart e Beethoven igualmente faziam parte regular de seu repertório.

Recitais e colaborações selecionados

Moreira Lima estreou em Nova Iorque no Carnegie Hall, em novembro de 1962, com um programa de Bach, Beethoven e Chopin. John Gruen elogiou sua técnica em Bach e Beethoven no New York Herald Tribune e escreveu sobre seus "voos poéticos" em Chopin. Na década de 1970, deu recitais solo e tocou com orquestras na Europa e na União Soviética. Um recital realizado em Moscou em 1977 reuniu a Fantasia Cromática e Fuga, de Bach, peças de A Prole do Bebê, de Villa-Lobos, e a Sonata para piano n.º 3, de Chopin. Tocou concertos de Chopin, Brahms, Mozart, Rachmaninoff e Tchaikovski com orquestras de Varsóvia, Moscou, Leningrado, Berlim, Viena, Praga, Londres e Paris.

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Prêmios e honrarias

Imagem: André Koehne · BY-SA · Openverse

Prêmios em concursos

Moreira Lima começou a vencer concursos ainda criança. Em 1949, aos nove anos, ganhou por decisão unânime o Concurso de Jovens Solistas da Orquestra Sinfônica Brasileira. Tocou o Concerto para piano n.º 23, de Mozart, sob a regência de Eleazar de Carvalho. Três anos depois, voltou a vencer com o Concerto para piano n.º 1, de Beethoven. Em 1956, venceu o concurso da Rádio MEC e recebeu uma bolsa para estudar em Paris. Em 1960, ficou em primeiro lugar no Cours de Piano Supérieur da Académie Marguerite Long e recebeu uma menção honrosa no Concurso Marguerite Long-Jacques Thibaud. Em 1962, conquistou o terceiro lugar no terceiro Concurso Internacional de Piano do Rio de Janeiro e foi o único brasileiro entre os finalistas.

Prêmios fonográficos e honrarias públicas

Moreira Lima recebeu o Prêmio Sharp por suas gravações em 1989 e 1990. Em 2001, recebeu a Ordem do Mérito Cultural no grau de comendador. A Câmara Municipal de Florianópolis concedeu-lhe o título de cidadão honorário em 2003. Em 2007, o estado de Santa Catarina concedeu-lhe a Medalha do Mérito Cultural Cruz e Sousa. Em 2023, o Departamento de Instrumentos de Teclado da Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro propôs a concessão de um doutorado honorário a Moreira Lima. A congregação da escola aprovou a proposta em 6 de outubro. A universidade concedeu-lhe o título de doutor honoris causa em 24 de setembro de 2024. Moreira Lima participou da cerimônia por vídeo, a partir de sua casa. Seu neto, o pianista Francisco Moreira Lima Pereira Lira, compareceu em seu nome.

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Morte e recepção crítica

Doença e morte

Moreira Lima submeteu-se a tratamento contra um câncer intestinal a partir de 2023. Em 24 de setembro de 2024, participou por vídeo da cerimônia em que a Universidade Federal do Rio de Janeiro lhe concedeu um doutorado honorário. Seu neto, o pianista Francisco Moreira Lima Pereira Lira, compareceu ao campus em seu lugar. Moreira Lima morreu em sua casa, em Florianópolis, em 30 de outubro de 2024, aos 84 anos. Vivia na cidade havia cerca de trinta anos. Seu velório foi realizado no dia seguinte no Jardim da Paz, em Florianópolis.

Recepção crítica

Na estreia de Moreira Lima em Nova Iorque, realizada no Carnegie Recital Hall em 1962, John Gruen elogiou no New York Herald Tribune sua técnica em Bach e Beethoven. Em Chopin, encontrou um lado mais lírico e escreveu sobre os "voos poéticos" do jovem pianista. Moreira Lima recebeu uma resposta entusiasmada no VII Concurso Internacional de Piano Frédéric Chopin, realizado em Varsóvia em 1965. O público o chamou de volta ao palco treze vezes depois da apresentação da sonata, e o segundo lugar, atrás de Martha Argerich, foi seguido por uma longa ovação. Uma reportagem da Agence France-Presse reproduziu elogios da imprensa polonesa à sua técnica, à compreensão de Chopin e à sensibilidade de sua interpretação. Depois de um recital no Wigmore Hall, o The Daily Telegraph o chamou de pianista de "talento raro e inigualável".

Repertório brasileiro e imagem pública

Moreira Lima já reunia peças brasileiras e obras europeias de concerto em 1966. No Theatro Municipal do Rio de Janeiro, tocou Schumann, Chopin e Prokofiev, seguidos por Batuque e Coração que sente, de Ernesto Nazareth. Seu álbum duplo de 1975 dedicado a Nazareth foi seguido por outros discos, recitais e lançamentos voltados ao compositor. Moreira Lima tocou Nazareth na Biblioteca do Congresso em 1982. Ao analisar dois de seus álbuns dedicados ao compositor no The Washington Post, em 1984, Joseph McLellan chamou sua interpretação de "fluente, tecnicamente segura e inteiramente idiomática". McLellan ouviu a mesma facilidade técnica nas valsas de Chopin gravadas por Moreira Lima, mas preferiu os discos de Nazareth por considerar a música mais nova para o ouvinte.

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Fontes consultadas

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