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João, o Apóstolo

João, o Apóstolo foi um dos doze apóstolos de Jesus, conforme relatado no Novo Testamento, filho de Zebedeu e de Salomé, e irmão de Tiago, igualmente apóstolo. Exercendo inicialmente o ofício de pescador no mar da Galileia, João foi chamado por Jesus para segui-lo, abandonando tudo para participar intimamente de sua missão.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 18/07/2026
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Evangelista

A tradição católica afirma que João é o autor do Evangelho segundo João e de quatro outros livros do Novo Testamento — as três Epístolas de João e o Apocalipse. No Evangelho, a autoria é internamente creditada ao "discípulo amado" (em grego clássico: ὁ μαθητὴς ὃν ἠγάπα ὁ Ἰησοῦς; romaniz.: o mathētēs on ēgapa o Iēsous) em João 20:2 e João 21:24 afirma que o Evangelho segundo João é baseado no testemunho escrito do "discípulo amado". A autoria da literatura joanina tem sido debatida desde o ano 200 e sempre houve dúvidas se o houve de fato um indivíduo de nome "João" que escreveu todos estes livros. Seja como for, existe a noção de um "João Evangelista" e geralmente acredita-se que ele é o apóstolo João. Em sua "História Eclesiástica", Eusébio afirma que a Primeira Epístola de João e o Evangelho segundo João são amplamente creditados a ele. Porém, ele menciona que o consenso é que a segunda e a terceira epístolas de João não seriam dele e sim de um outro João. Além disso, ele se esforça para firmar ao leitor de que não um consenso geral sobre as "revelações de João", uma obra que, atualmente, acredita-se que só possa ser o "Apocalipse" (também chamado de "Revelações"). O Evangelho segundo João é consideravelmente diferente dos evangelhos sinóticos, provavelmente escritos muito antes dele. Os bispos da Ásia Menor teriam supostamente pedido que João escrevesse seu evangelho para enfrentarem os ebionitas, que defendiam que Cristo não teria existido antes de Maria. João provavelmente conhecia e certamente aprovava os evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas, mas estes relatavam a vida de Jesus focando primordialmente nos eventos posteriores à prisão e morte de João Batista. Por volta de 600, porém, Sofrônio de Jerusalém percebeu que "duas epístolas atribuídas a ele... são consideradas por alguns como sendo obra de um certo João, o Velho" e, depois de afirmar que o Apocalipse é obra de João de Patmos, ele teria sido "posteriormente traduzido por Justino Mártir e Ireneu", supostamente numa tentativa de reconciliar a tradição com as óbvias diferenças estilísticas no grego.

Apocalipse

O autor do Apocalipse (chamado também de "Revelações") identifica-se como "João" em Apocalipse 1. O escritor do início do século II, Justino Mártir, foi o primeiro a afirmar que ele seria a mesma pessoa que "João, o Apóstolo", porém, alguns estudiosos atualmente afirmam que os dois seriam pessoas distintas. João, o Presbítero, uma figura obscura do cristianismo primitivo, tem sido identificado como sendo o receptor das visões do Apocalipse por autores como Eusébio e São Jerônimo. Acredita-se que João teria sido exilado para a ilha grega de Patmos durante as perseguições do imperador Domiciano. O autor afirma ter escrito o livro ali: «Eu João, vosso irmão e companheiro na tribulação, no reino e na paciência em Jesus, estive na ilha que se chama Pátmos, por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho de Jesus.» (Apocalipse 1:9) Adela Yarbro Collins, uma biblista na Universidade de Teologia de Yale, afirma que:

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Referências a João no Novo Testamento

Filhos do trovão

João, o Apóstolo, era filho de Zebedeu e irmão mais novo de Tiago, filho de Zebedeu (tradicionalmente chamado de São Tiago Maior). Segundo a tradição, sua mãe era Salomé, uma conclusão obtida ao se comparar Mateus 27:56 com Marcos 15:40. Zebedeu e seus filhos eram pescadores do mar da Galileia e os irmãos foram primeiro discípulos de João Batista. Jesus chamou então Pedro, André e os dois para segui-lo. Jesus os chamava de "boanerges" ("filhos do trovão") uma referência ao fato que, apesar de ambos terem sido descritos como sendo calmos e gentis, os irmãos, quando levados ao limite, tornavam-se selvagens e barulhentos, o que os fazia se defender como uma tempestade: uma das histórias do evangelho conta como os irmãos queriam chamar o fogo dos céus contra uma cidade samaritana, mas Jesus os admoestou (Lucas 9:51–56).

Outras referências

Pedro, Tiago e João foram as únicas testemunhas da ressurreição da filha de Jairo. O três foram também as testemunhas da Transfiguração e da Agonia no Horto. João foi o discípulo que relatou a Jesus que eles haviam proibido um não-discípulo de expulsar demônios em nome de Jesus, o que resultou numa de suas mais famosas frases: «[...]:Não lho proibais; pois quem não é contra vós, é por vós.» (João 9:50) Jesus enviou apenas João e Pedro a Jerusalém para os preparativos finais para a ceia pascal (a Última Ceia). Durante a ceia, o "discípulo amado" sentou-se perto de Jesus e, como era o costume que as pessoas se deitassem em sofás durante as refeições, este discípulo se apoiou em Jesus. A tradição identifica-o como sendo São João (João 13:23–25). Depois da prisão de Jesus, Pedro e "o outro discípulo" (segundo a Santa Tradição) seguiram-no até a casa de Caifás, o sumo-sacerdote.

O discípulo que Jesus amava

A frase "discípulo que Jesus amava" (em grego: ὁ μαθητὴς ὃν ἠγάπα ὁ Ἰησοῦς; romaniz.: ho mathētēs hon ēgapā ho Iēsous) ou, em João 2:, o "discípulo amado" (em grego: ὃν ἐφίλει ὁ Ἰησοῦς; romaniz.: hon ephilei ho Iēsous) foi utilizada cinco vezes no Evangelho segundo João, mas nenhuma outra vez em nenhum dos demais evangelhos do Novo Testamento. Em Lucas 24:12, por exemplo, Pedro corre sozinho até o túmulo. Marcos, Mateus e Lucas não mencionam nenhum apóstolo testemunhando a crucificação.

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Tradições extra-bíblicas

A Bíblia não informa sobre a duração das atividades de João na Judeia. Segundo a tradição, ele e outros apóstolos permaneceram por cerca de doze anos na região, até que a perseguição de Herodes Agripa I levou à dispersão dos apóstolos por todas as províncias romanas (Atos 12:1–17). Uma comunidade messiânica existia em Éfeso antes das primeiras obras de Paulo na região (Atos 18:27) junto com Priscila e Áquila. Esta comunidade era liderada por Apolo (citado em I Coríntios 1:12), todos discípulos de João Batista convertidos por Áquila e Priscila. Segundo a tradição, depois da Assunção de Maria, João seguiu para Éfeso, de onde escreveu as três epístolas atribuídas a si. Foi depois banido pelas autoridades romanas para a ilha grega de Patmos, onde, segundo a tradição, escreveu o Apocalipse. Segundo Tertuliano, João foi banido (supostamente para Patmos) depois de ter sido lançado em óleo quente em Roma e ter escapado ileso (vide San Giovanni in Oleo), um milagre que teria convertido todos os presentes no Coliseu.

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Comemoração litúrgica

A festa litúrgica de São João na Igreja Católica, que o chama de de "São João, Apóstolo e Evangelista", na Comunhão Anglicana e nos calendários luteranos, que o chamam de "João, Apóstolo e Evangelista", é em 27 de dezembro. No Calendário Tridentino, ele era comemorado também nos dias seguintes até (e incluindo) 3 de janeiro, a oitava da festa de 27 de dezembro, que foi abolida pelo Papa Pio XII em 1955. Sua cor litúrgica tradicional é branca. Até 1960, outra festa aparecia no Calendário Geral Romano, a de "São João na Porta Latina", em 6 de maio, celebrando uma tradição recontada por São Jerônimo segundo a qual São João teria sido levado a Roma durante o reinado de Domiciano e atirado num caldeirão de óleo fervente, do qual emergiu milagrosamente ileso. Uma igreja (San Giovanni a Porta Latina e o oratório de San Giovanni in Oleo) foram construídos perto da Porta Latina, o local tradicional deste evento.

Islamismo

O Corão também cita os discípulos de Jesus, mas não menciona seus nomes, chamando-os de "ajudantes na obra de Deus". A exegese muçulmana e o comentário corânico, porém, os nomeia e inclui João entre os discípulos. Uma antiga tradição, que envolve a lenda de Habib, o Carpinteiro, menciona que João teria sido um dos três discípulos enviados para pregar em Antioquia.

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Fontes consultadas

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