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As Argonáuticas

As Argonáuticas é um poema épico em grego antigo de Apolónio de Rodes criado no século III a.C.. A obra está dividida em quatro livros, num total de 5 835 hexâmetros.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 11/07/2026
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Antecedente

O antecedente remoto, que Apolónio não expõe, é o mito dos irmãos Frixo e Hele, os filhos de Atamante, que para fugirem aos maltratos da madrasta, fugiram no dorso de um carneiro com o velo dourado que os levou pelo ar sobre o mar, e que na viagem Hele caiu e morreu no estreito que ficou com o nome dela (Helesponto). Quando chegou à Cólquida, Frixo decidiu imolar o animal e confiar a pele a um dragão.

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Resumo

Livro Primeiro

Na cidade de Iolcos, na Tessália, Pélias conquistou o poder derrubando o seu irmão Esão. Mas um oráculo avisou-o que ele deveria proteger-se de um rapaz que ia sem uma sandália, porque esse jovem irá usurpar-lhe a coroa. Jasão, o filho de Esão, que foi forçado a fugir para não ser morto por Pélias, retorna a Iolcos depois de atingir a idade de vinte anos. Chegando à margem do rio Anauro, encontra uma idosa que não consegue atravessá-lo e que lhe pede ajuda. Jasão toma-a nos braços e passa o rio, mas no meio do vau e na lama perde uma sandália. Quando Pélias vê Jasão, o rapaz sem uma sandália, decide livrar-se dele e encarrega-o de um empreendimento que considera impossível de atingir: ir à Cólquida e conquistar o Velo dourado.

Livro Segundo

Amico, rei dos bebrices, desafia para o pugilato todos os que chegam ao seu país. Pólux aceita o desafio, vence o combate e mata o rei. Os bebrices, para vingá-lo, enfrentam os argonautas numa batalha, mas são derrotados. Jasão e os Argonautas aportam à terra do adivinho Fineu. Os deuses lançaram uma maldição sobre o lugar: invejosos da capacidade extraordinária de Fineo em prever os acontecimentos futuros, puniram-no tornando-o gago e cego; além disso, derrubaram-lhe o palácio e enviaram para a sua mesa as monstruosas Harpias, que conspurcam os alimentos com os seus excrementos. Jasão e os seus companheiros em pouco tempo matam os monstros alados e obrigam o velho a prever as suas próximas etapas.

Livro Terceiro

Os Argonautas, chegados finalmente à Cólquida, abrigam-se num caniçal. As deusas Era e Atena convencem Afrodite a persuadir o seu filho Eros a que Medeia, a filha do rei Eetes, se apaixone por Jasão: as artes mágicas da moça poderão dar uma ajuda decisiva na conquista do velo de ouro. Os Argonautas decidem tentar convencer Eetes a entregar o velo de ouro indo com os filhos de Frisso, Telamone e Augia ao palácio dele. Eetes, furioso com o desafio de Jasão, obriga-o a uma prova dificílima: ter de dominar touros enormes com cascos de bronze que sopram fogo das narinas e da boca e com eles lavrar um terreno onde semeará dentes de dragão e de onde nascerão de imediato guerreiros gigantes que terá de os dominar. Para depois ter de ultrapassar o dragão que não dorme e que guarda o velo de ouro. Mas Jasão aceita o desafio.

Livro Quarto

Medeia com uma poção mágica poderosa adormece o dragão e jasão apodera-se do velo de ouro. A nau Argo zarpa com Medeia a bordo. Os Argonautas dirigem-se para Istro, mas os colcos liderados por Absirto, irmão de Medeia, conseguem chegar ao mar de Crono antes deles e cortam as rotas de fuga. Mas Jasão e Medeia enganam Absirto e atiram-no ao mar com presentes. O assassinato de Absirto necessita de purificação: Medeia e Jasão vão suplicar a Circe e são purificados, mas não podem lá permanecer. Quando retomam a navegação, os Argonautas vão defrontar numerosos perigos: as Sereias, Cila e Caríbdis, e as Planctas. Os Argonautas desembarcam na ilha dos Feácios, de Alcinoo, ao qual contam a história deles. Mas chega à ilha um outro grupo vindo da Cólquida que reclama a entrega de Medeia. Alcinoo não quer a guerra, mas decide que a moça deve ser entregue ao pai se ainda for virgem. Arete, esposa de Alcinoo, informa Jasão da decisão do marido. E para evitar que Medeia seja forçada a ir ter com o pai dela, celebra-se o casamento entre Jasão e Medeia. Isto acontece na caverna já habitada por Macride, filha de Aristeu, com a participação das ninfas e dos heróis.

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Aristóteles e a renovação da épica

As Argonáuticas de Apolónio refletem os cânones aristotélicos de unidade de ação (tratam apenas um tema), lugar (a história é narrada de início ao fim e também com a finalização do ciclo) e tempo. Este último ponto foi explicado por Aristóteles, que afirmava que uma narrativa épica deveria abordar uma matéria que pudesse ser dominada pela mente do leitor e, mais precisamente, devia ser tão longa quanto uma tetralogia trágica. Apolónio apresenta-se mais aristotélico do que o próprio Aristóteles, pois em 6000 versos engloba todos os eventos dos Argonautas e além disso subdivide-os em quatro livros seguindo o cânone aristotélico. A precisão com que Apolónio retoma as regras do "épico" clássico levou alguma análise tradicional a defini-lo como um dos mais brilhantes oponentes de Calímaco. De fato, os críticos modernos tendem a valorizar a qualidade artística e a posição de Apolónio na controvérsia de Alexandria. A sua obra, de fato, não é isenta de novidade: com um hábil labor limae, ele conseguiu retomar em 6 000 versos toda a saga dos Argonautas, fazendo do seu poema um exemplo de concisão e έκφρασις (ékfrasis, descrição detalhada) das regras de Calímaco. Mesmo Calímaco, o mestre de Apolónio, entendeu a inovação da estrutura narrativa da obra e isentou-o das críticas agudas e penosas dirigidas aos "Telquines", nos quais, segundo a escola florentina, não se incluia Apolónio.

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Tradição manuscrita e fortuna

As Argonáuticas foram muito admiradas na antiguidade e representam para nós o único poema épico grego completo composto na época dos poemas homéricos e da Eneida de Virgílio. A admiração e o sucesso do poema comprovam-se pelo número considerável de papiros (uma trintena desde o século III a.C. até ao I d.C.), e pelos manuscritos medievais (55 manuscritos produzidos entre o século X e o XVI), como pela retoma e reelaboração tanto no âmbito grego como em latim. Mas não é uma solução simples o problema das discrepâncias entre as versões em papiro (em especial o Papyrus Oxyrhynchus 2700 datado do século III a.C. e contendo I, 169-174; 202-243) em relação ao texto da tradição medieval. Em síntese, deve-se dizer que os manuscritos medievais estão divididos em três famílias m, w, k (sendo esta, de fato, uma subfamília de w). O manuscrito mais antigo de Apolónio pertencente à família m, é Laurentianus gr. 32.9 (960-980 d.C.), e contém também as sete tragédias dexcomentários sobre o poema.

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A língua

O idioma do poema tem características específicas que refletem a complexidade do poema e a pluralidade de modelos literários escolhidos pelo poeta. A base da língua do poema consiste essencialmente no dialeto épico homérico com as influências de Hesíodo e hinos homéricos, uma escolha indispensável para quem quisesse compor um poema épico. No entanto, o poeta não se limita a seguir o modelo homérico, ao inserir na estrutura linguística do texto lemas que, com base na nossa documentação da língua grega, não podem ser classificadas como termos épicos. Há, portanto, vocabulário da poesia lírica, do teatro ateniense (tragédia e comédia), da prosa herodotiana e ateniense, e lemas documentados unicamente no Período helenístico e que Apolónio compartilha com Calímaco, Teócrito, Arato e Licofrone. É notável também o número de Hápaxes, sejam lexicais ou morfológicos, aspecto que pode ser o reflexo tanto das escolhas linguísticas sofisticadas do poeta, quanto da presença de fontes e modelos que de outra forma se teriam perdido. Dado o carácter artificial das línguas literárias gregas, deve-se ressaltar que, para além das escolhas linguísticas de Apolónio, haverá que proceder à consulta do vocabulário (especialmente da linguagem homérica). Estes léxicos foram definidos como glossários, ou seja, recolha de termos raros e obsoletos. Importantes são também os pontos de contato entre Apolónio e os escólios D, um material exegético do texto homérico que remonta ao período clássico, sugerindo que Apolónio deve ter consultado compilações semelhantes a estes escólios.

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