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Fusão entre a Skydance Media e a Paramount Global

Em 7 de julho de 2024, as empresas americanas Skydance Media e Paramount Global anunciaram um acordo definitivo para se fundirem em uma transação avaliada em 8 bilhões de dólares, formando uma nova entidade denominada Paramount Skydance Corporation. A nova companhia foi avaliada em aproximadamente 28 bilhões de dólares.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 16/10/2026
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Contexto

A Paramount Global enfrentava sérias dificuldades financeiras, marcadas por perdas em seus serviços de streaming, queda de audiência nas redes a cabo e problemas significativos de endividamento. Em dezembro de 2023, Shari Redstone, presidente da National Amusements, manifestou interesse em vender sua participação majoritária na empresa para a Skydance Media. Redstone foi cautelosa quanto à preservação dos principais ativos da Paramount, em especial a CBS e a Paramount Pictures, enquanto o cenário do entretenimento se tornava cada vez mais competitivo diante de gigantes como Netflix, Amazon e The Walt Disney Company. No mesmo mês, em 20 de dezembro de 2023, Bob Bakish, então presidente e CEO da Paramount Global, reuniu-se com David Zaslav, CEO da Warner Bros. Discovery, para discutir a possibilidade de uma fusão. Embora representantes de ambas as empresas tenham afirmado que as conversas eram preliminares e sem garantia de acordo, fontes próximas revelaram que Zaslav “não estava em modo de negociação”.

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Histórico

Conversas iniciais

Em 10 de janeiro de 2024, relatos indicaram que a Skydance Media considerava apresentar uma oferta integral em dinheiro de US$ 2,5 bilhões pela Paramount Global, enquanto a National Amusements avaliava um acordo ou fusão. Pouco depois, em 27 de fevereiro, a Warner Bros. Discovery encerrou as negociações de fusão com a Paramount. Em 2 de abril, a Paramount e a National Amusements abordaram a Skydance sobre um acordo de exclusividade para aquisição, com David Ellison e Shari Redstone buscando estruturar uma fusão tripla entre as empresas. Duas semanas depois, em 18 de abril, a Sony Pictures Entertainment e a Apollo Global Management também demonstraram interesse em adquirir a Paramount.

Assinatura do acordo definitivo

Em 2 de julho de 2024, a Skydance Media renegociou os termos e firmou um acordo preliminar para adquirir a National Amusements e se fundir com a Paramount Global. O entendimento foi encaminhado pela National Amusements ao comitê especial da Paramount. Nesse contexto, a direção da Skydance aprovou a possível venda de ativos considerados não estratégicos, incluindo a BET e outras propriedades. Paralelamente, a Paramount iniciou negociações para vender a BET Networks por um valor estimado entre 1,6 e 1,7 bilhão de dólares a um grupo de compradores liderados pelo diretor executivo da empresa, Scott Mills. Em 7 de julho de 2024, o conselho da Paramount aprovou formalmente a fusão com a Skydance. O processo foi estruturado em duas etapas. Na primeira, um grupo de investidores da Skydance pagaria 2,4 bilhões de dólares em dinheiro para adquirir a National Amusements, controladora da Paramount Global. Na segunda, a Paramount distribuiria a seus acionistas das classes A e B um total de 4,5 bilhões de dólares em dinheiro e ações, além de reforçar seu balanço com 1,5 bilhão em capital primário. Essa fase incluiria a fusão integral entre a Skydance Media e a Paramount, avaliada em 4,75 bilhões de dólares. Como parte do acordo, os acionistas da Skydance receberiam 317 milhões de ações Classe B, cotadas a 15 dólares cada. A Paramount Global teria ainda um período de 45 dias para buscar propostas alternativas, estando sujeita ao pagamento de uma multa rescisória de 400 milhões de dólares à Skydance caso aceitasse uma oferta superior.

Questões regulatórias

Em 6 de outubro de 2024, o jornalista Bill Whitaker entrevistou a vice-presidente Kamala Harris durante a eleição presidencial de 2024, no programa 60 Minutes, produzido pela CBS News. Na ocasião, Whitaker abordou a relação dos Estados Unidos com Israel em meio ao então contínuo Conflito israelo-palestino, questionando se o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu estaria ouvindo a administração Biden-Harris. Um trecho da entrevista também foi exibido no programa Face the Nation. Em 16 de outubro de 2024, o Center for American Rights (CAR) apresentou uma queixa à Comissão Federal de Comunicações (FCC) durante o processo de renovação da licença da WCBS-TV, emissora própria da CBS em Nova Iorque, solicitando investigação sobre suposta “distorção jornalística” na edição da entrevista do 60 Minutes. O grupo alegava que a edição teria favorecido Harris, em possível violação das normas da FCC. A então comissária Jessica Rosenworcel rejeitou a denúncia, mas o novo presidente da FCC, Brendan Carr, reabriu o caso em janeiro de 2025, requisitando à CBS a entrega das gravações originais e da transcrição integral da entrevista. Em 31 de janeiro de 2025, a CBS anunciou que disponibilizaria publicamente o material solicitado.

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Ativos

Ativos fundidos

A Skydance Media e a Paramount Global têm colaborado em múltiplos filmes desde que assinaram uma parceria de cinco anos (desde então estendida) para coproduzir e cofinanciar filmes com a Paramount Pictures em 2009. Ambas as empresas possuem e produzem em conjunto inúmeras franquias, como Top Gun, Missão: Impossível, os direitos cinematográficos de Transformers (em co-propriedade com a Hasbro), e Star Trek. A Skydance visa integrar seu estúdio de animação, Skydance Animation, com as franquias da Paramount Animation e Nickelodeon, incluindo SpongeBob SquarePants (Bob Esponja Calça Quadrada) e Avatar: The Last Airbender (Avatar: A Lenda de Aang), para expandir as ofertas de conteúdo. Com a aquisição da Paramount, a Skydance entrará em múltiplos mercados, incluindo transmissão com o CBS Entertainment Group, a indústria da música com a Paramount Music, mídia para home entertainment com a Paramount Home Entertainment e serviços de streaming com o Paramount+. A Paramount também está entrando no mercado de videogames, com a Skydance Interactive.

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Recepção

Indústria do entretenimento

Houve oposição de produtores e criadores de Hollywood, como James Cameron, à possível venda da Paramount para a Sony Pictures. As principais preocupações concentravam-se na redução do número de estúdios produzindo conteúdo, o que poderia limitar oportunidades para roteiristas e produtores. O Writers Guild of America (WGA) também manifestou preocupação com a consolidação em Hollywood, argumentando que tal processo poderia resultar em menos opções e menor diversidade de produções. Posteriormente, o sindicato solicitou investigação sobre o cancelamento de The Late Show with Stephen Colbert, alegando "sérias preocupações" de que a decisão tivesse funcionado como suborno para garantir a aprovação do acordo por Donald Trump.

Política

A fusão provocou críticas intensas, sobretudo pelas condições em que foi aprovada e pelo momento em que ocorreu. Para os opositores, tratava-se de uma tentativa do governo Trump de exercer influência política sobre a imprensa. Nessa perspectiva, o acordo simbolizaria a capitulação da mídia diante da agenda pessoal de Donald Trump, enquanto a proximidade entre as negociações e a aprovação pela FCC configuraria uma intervenção inédita do governo nas operações editoriais da imprensa independente. A comissária da FCC, Anna Gomez, manifestou voto dissidente, alegando que a agência, até então reconhecida por sua independência, teria usado seu poder para pressionar a Paramount a aceitar um acordo legal privado. Segundo ela, a medida comprometia a liberdade de imprensa e estabelecia controles inéditos sobre decisões editoriais, em afronta à Primeira Emenda e à legislação vigente. A senadora democrata Elizabeth Warren também se posicionou contra a operação, argumentando que o pagamento de US$ 36 milhões a Donald Trump poderia ser interpretado como suborno, independentemente do ocupante da presidência.

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Fontes consultadas

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