Pirenópolis
Pirenópolis, carinhosamente conhecida como Piri pelos turistas, é um município brasileiro situado no estado de Goiás, a aproximadamente 120 km de Goiânia, a capital do estado, e a 150 km de Brasília, a capital federal. Reconhecida por sua rica história, belezas naturais e tradição cultural, a cidade é um importante destino turístico, atraindo visitantes pela exuberância do cerrado, por suas famosas cachoeiras, pela arquitetura colonial portuguesa e pelas festividades tradicionais, especialmente as Cavalhadas, que acontecem durante a Festa do Divino Espírito Santo, um dos eventos culturais mais emblemáticos da cidade.
Pyrenópolis (ortografia arcaica), posteriormente Pirenópolis, é o nome estabelecido pelo decreto estadual nº 18, de 27 de fevereiro de 1890, em substituição ao antigo Meia Ponte. A palavra foi criada pelo padre Antônio Justino Machado Taveira enquanto vereador em 1873, falecendo antes mesmo da aprovação estadual décadas seguintes. O nome Pirenópolis é uma homenagem à Serra dos Pireneus, que circunda a cidade, e portanto significa "a Cidade dos Pireneus". Segundo a tradição local, a serra recebeu este nome por haver na região imigrantes espanhóis, provavelmente catalães. Por saudosismo ou por encontrar alguma semelhança com os Pirenéus da Europa, cadeia de montanhas situada entre a Espanha e a França, deram então a esta serra o nome de Pyrenéus, mas devido à pronúncia na língua portuguesa no Brasil, surgiu a grafia sem y e acento.
Primeiros povos
Antes da chegada dos exploradores europeus ao continente americano, a região central do Brasil, Pirenópolis era habitada por diversos grupos indígenas integrantes do tronco linguístico macro-jê. Entre essas comunidades nativas, destacavam-se os acroás, xacriabás, xavantes, caiapós, javaés, e outros povos indígenas. O surgimento de centros urbanos em Goiás, especialmente durante o século XVIII, estava estreitamente vinculado à corrida do ouro, um atrativo que atraía aventureiros em busca de riquezas para as minas. Predominantemente, essas minas eram garimpos simples, desprovidos de qualquer infraestrutura, muitas vezes localizados em encostas de morros, às margens de córregos, ribeirões e rios, frequentemente em vales profundos, como observado nas proximidades do Rio das Almas.
Fundação
Nesse contexto desafiador, os bandeirantes desempenharam um papel crucial ao estabelecerem-se nas margens desse rio, fundando Minas de Nossa Senhora do Rosário de Meia Ponte, atualmente conhecida como Pirenópolis. Esta foi uma das quatro primeiras áreas de mineração em Goiás, contribuindo significativamente para a formação dos centros urbanos na região. Apesar das tentativas contínuas de estabelecer a ordem e promover comportamentos adequados nas comunidades recém-formadas, como exemplificado em Meia-Ponte, tais esforços eram muitas vezes coordenados pela Igreja e pelo Estado. No entanto, essas iniciativas nem sempre alcançavam os resultados desejados. Em determinadas situações, os garimpeiros resistiam à imposição do regime legal de tributação, desafiando as autoridades e as leis vigentes. Em alguns casos, arriscavam-se a apropriar-se das descobertas de ouro, considerando essa como a opção mais vantajosa.
O arraial minerador e seu apogeu
A ocupação inicial da região teve origem na descoberta de depósitos de ouro por bandeirantes portugueses e paulistas nas primeiras décadas do século XVIII, próximo ao Rio das Almas. Este fenômeno, comum nos períodos de mineração do ciclo do ouro, atraiu aventureiros em busca de riquezas. Com a inauguração da Capela Nossa Senhora do Rosário em 1732, erigida a partir de 1728 e elevada à categoria de Matriz em 1736, a reputação das vastas reservas de ouro contribuiu para a chegada de mais colonizadores portugueses, consolidando o local como o epicentro da região e sede do julgado. Adotando a prática comum nas cidades do período colonial brasileiro de erigir a Igreja Matriz como ponto focal, a Irmandade do Santíssimo Sacramento em Pirenópolis, associada à elite local, teve a participação notável de figuras influentes da época, incluindo o português Alexandre Pinto Lobo de Sá. A Igreja do Rosário, futura Matriz, envolveu a utilização de mão de obra escravizada africana, que empregou técnicas variadas, como taipa de pilão, cantaria de pedra e adobe. Ao longo das décadas subsequentes, a igreja foi enriquecida com ornamentações nos estilos barroco, rococó e neoclássico em seus altares. O entorno desse templo foi o epicentro do crescimento urbano da cidade, e ao longo dos séculos, a igreja tem sido o palco dos principais eventos religiosos e festivos locais, incluindo a tradicional Festa da Padroeira e as solenes celebrações da Semana Santa e Corpus Christi. Esses eventos, iniciados pela irmandade, constituem um valioso legado cultural que continua a marcar a identidade da cidade nos dias de hoje.
Declínio das Minas, agricultura e isolamento
A escassez do ouro a partir de 1775 marcou o declínio da atividade garimpeira em toda a Província de Goiás, resultando na cessação gradual da exploração aurífera. Nesse contexto, restaram apenas alguns faiscadores, persistentes na esperança de descobrir o lendário caldeirão do Anhanguera ou os míticos Martírios, locais associados à transformação da terra em metais preciosos. Com o esgotamento das minas auríferas, diversos antigos arraiais mineradores foram reduzidos a meras memórias e relatos históricos. Após o término do período áureo, sob a liderança do Comendador Joaquim Alves de Oliveira o povoado passou por transformações significativas, direcionando-se para atividades como agricultura e comércio como meios de subsistência. Essa transição evidencia a adaptação da comunidade à nova realidade econômica, marcando um capítulo importante em sua trajetória pós-garimpeira. Perante o aumento da população e o progresso intelectual no arraial de Meia-Ponte, foi considerada o berço da cultura Goiana, além de berço da música goiana e berço da imprensa em Goiás, o poeta Leo Lynce diz, nos seguintes versos decassílabos: Que mundo de emoções experimento,/ ao recordar-te gleba hospitaleira/ - berço da imprensa de Goiás -, primeira/ luz acesa no nosso pensamento.
Redescoberta e turismo
A construção de Goiânia na década de 1930 e a posterior construção de Brasília, iniciada na década de 1950, tiveram um impacto significativo na redescoberta de Pirenópolis e no crescimento do turismo na região. A nova capital federal, planejada para promover o desenvolvimento do interior do Brasil e descentralizar o poder político, trouxe um influxo considerável de visitantes e renovou o interesse pelo patrimônio histórico e cultural do país. Antes desses eventos, Pirenópolis era uma cidade tranquila e relativamente isolada. A proximidade com Brasília, situada a aproximadamente 120 quilômetros, fez com que a cidade passasse a atrair turistas e estudiosos interessados em sua herança colonial bem preservada.
Tombada como conjunto arquitetônico, urbanístico, paisagístico e histórico pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), em 1989, o município conta com um Centro Histórico ornado com casarões e igrejas do século XVIII, como a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário, construída pela Irmandade do Santíssimo Sacramento entre 1728 á 1732, a Igreja de Nossa Senhora do Carmo (1750-1754) e a Igreja de Nosso Senhor do Bonfim (1750-1754), ambas da Paróquia do Rosário, além de prédios de relevante beleza arquitetônica como o Teatro de Pirenópolis, de estilo híbrido entre o colonial e neoclássico, de 1899, e o Cine Teatro Pireneus, em estilo art-déco, de 1919 e a Casa de Câmara e Cadeia construído em 1919 como réplica idêntica do original de 1733.
Localiza-se a uma latitude 15º51'09" sul e a uma longitude 48º57'33" oeste, estando a sede a uma altitude de 770 metros. Possui uma área de 2 200,369 km² e sua população, conforme o Censo do IBGE de 2022, era de 26 690 habitantes. O município está localizado no planalto Central do Brasil e é cortado de norte a sul por uma formação de cuesta, onde a leste temos a borda dos altiplanos deste planalto, com altitudes médias acima dos 1 200 metros, de vegetação campestre e rochosa e cujos rios compõem a bacia do rio da Prata, e a oeste uma extensa depressão de altitude média de 700 metros, de vegetação mais densa e cujos rios compõem a bacia Araguaia-Tocantins. A sede do município está localizada próxima a um trecho conhecido como Serra dos Pireneus. Devido a essa topografia, é privilegiada no potencial turístico, possui clima agradável e a presença de centenas de cachoeiras, que agradam aos ecoturistas e amantes da natureza. Além do turismo, essas formações provêm matéria-prima para a exploração do mineral quartzito, rocha muito usada na construção civil, especialmente para pisos exteriores, conhecida comercialmente como Pedra de Pirenópolis, Pedra Goiana, Pedra Mineira ou Pedra de São Tomé (onde também é encontrada em São Tomé das Letras, um município de Minas Gerais que também explora esse mineral).
Hidrografia
Abaixo algumas cachoeiras próximas de Pirenópolis:
Clima
Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), desde fevereiro de 1977 a menor temperatura registrada em Pirenópolis foi de 4,1 °C em 18 de julho de 2000 e a maior atingiu 40,5 °C em 8 de outubro de 2020. O maior acumulado de precipitação em 24 horas atingiu 167,3 mm (milímetros) em 17 de dezembro de 1989, seguido por 153,3 mm em 21 de abril de 2007. Outros acumulados iguais ou superiores aos 100 mm foram: 126,2 mm em 2 de abril de 2010, 121,2 mm em 27 de fevereiro de 2007, 120,9 mm em 9 de fevereiro de 1992, 118,3 mm em 30 de janeiro de 1985, 108,4 mm em 17 de novembro de 1989, 107 mm em 10 de dezembro de 1989, 106,5 mm em 31 de janeiro de 2005, 106,1 mm em 18 de outubro de 1998, 103,4 mm em 20 de dezembro de 1989 e 101,2 mm em 17 de fevereiro de 2022. O menor índice de umidade relativa do ar foi registrado na tarde de 19 de setembro de 2019, de 10%.
Divisões
O município de Pirenópolis sedia ainda os seguintes distritos ou povoados: O município de Pirenópolis possui os seguintes aglomerados:
Pirenópolis preserva ainda em seu calendário cultural, fazeres, saberes, celebrações e manifestações passadas de geração em geração, perpetuadas e enraizadas na religiosidade, na vernácula indígena, no bandeirante colonizador, no negro escravizado, no homem do campo e com a vinda de novos moradores para a cidade, criando uma pluralidade cultural. Destacam-se dentre as celebrações de sociabilidade mais antigas do lugar, as manifestações do catolicismo popular, iniciados por Irmandades e confrarias leigas do século XVIII, tal como a Irmandade do Santíssimo, que junto a comunidade iniciou as celebrações da Festa do Rosário, a padroeira e Semana Santa, bem como as celebrações quaresmais, a Semana das Dores, Festa de Passos, Festa do Divino e Corpus Christi, declarados em 2019 como Patrimônio Cultural Imaterial pela Lei Municipal 885/2019, costumes estes que mantém a originalidade dos séculos passados, como o uso de imagens sacras, templos, ritos, a presença de Irmandades, da Banda de música, do Coro e Orquestra que entoam composições em latim, muitas delas de compositores locais, tradições que se realizaram mesmo durante a pandemia do COVID-19 em 2020 e 2021 , em formato adaptado as transmissões online, para que de casa, a comunidade acompanhasse e se sentisse participe.
Cercada de morros e de privilegiada localização geográfica, estando aos pés da Serra dos Pireneus, Pirenópolis se destaca por manter uma natureza preservada. É o município goiano que mais Unidades de conservação possui, são ao todo 8 UCs, entre Parque (Parque Estadual da Serra dos Pireneus), Monumento Natural (Monumento Natural Cidade de Pedra), Área de Preservação Ambiental (APA dos Pireneus) e 5 RPPNs (Fazenda Arruda, Reserva Ecológica Vargem Grande, Fazenda Vagafog, Santuário Flor das Águas e Santuário Gabriel). O Cerrado é a vegetação predominante. Por possuir, em seu território diversas altitudes, como a do Pico dos Pireneus que se encontra a 1385 m, é possível observar todas as diversas fito-fisionomias (formações vegetais) do Cerrado.
A cidade conta com cinco agências bancárias sendo: Banco do Brasil, Itaú, Sicoob, Bradesco, Caixa Econômica Federal. Além das agências, a cidade conta com uma casa lotérica e uma conveniência do banco BRB.
Turismo
Atividade de grande relevância principalmente no âmbito urbano e que emprega boa parte desta população. Os dados estatísticos oficiais são muito subdimensionados, ou mesmo nulos, devido ao grande índice de informalidade. Em épocas de feriados, o aquecimento da economia é visível devido ao grande fluxo de visitantes, estendendo-se direta e indiretamente a todo o município e aos municípios vizinhos como Corumbá de Goiás e Cocalzinho de Goiás. Para visitar os roteiros turísticos, o visitante dispõe de uma infraestrutura bem montada, com um CAT - Centro de Apoio ao Turista, diversas agências, restaurantes, pousadas, lojas, fazendas de ecoturismo e guias de turismo. Os principais atrativos são as cachoeiras e reservas naturais. Mas o município encanta com seu visual limpo e o horizonte cercado de morros. À noite, há bares e restaurante com música ao vivo na Rua do Lazer e o folclore e a cultura popular são ricas e encantadoras. Em suma, Pirenópolis ainda é um município de interior com povo pacato, hospitaleiro e festivo, onde se pode caminhar por ruas de pedras a cumprimentar a todos e a se estender numa prosa boa.
Mineração
Destaca-se como uma das principais atividades do município a mineração do quartzito. Com um Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 93,953 milhões em 2002, de acordo com dados da Secretaria de Planejamento do Estado de Goiás, o município tem cerca de 70% de sua economia ligada à extração do quartzito, o que representa movimentação de R$ 65,76 milhões por ano. Há também, em menor escala, a exploração de calcários, pedras ornamentais, argila e areia.
Pecuária
O maior número de produtores rurais trabalha com a pecuária de corte nos moldes tradicionais e extensivos. Há também a produção de leite e derivados.
Agricultura
Destaca-se o plantio de tomate, milho, mandioca, soja, seringueira, maracujá, tangerina e banana, sendo esta última a principal atividade na fruticultura.
Comércio
O comércio se resume a produtos básicos para a população local e o comércio turístico, como artesanatos, roupas e lembranças, e se concentra no núcleo urbano.
Arte e artesanato
O artesanato típico de Pirenópolis provém da produção de bens de consumo básicos da população, como os tecidos rústicos feitos em teares de madeira e a cerâmica utilitária. Nas artes, destaca-se a talha dos altares barroco e do rococó das antigas igrejas e capelas. Desenhos de Antônio da Costa Nascimento (Tonico do Padre), Francisco Herculano de Pina e Ignácio Fragoso de Albuquerque, responsáveis pela pintura do forro da Capela-mor da Igreja Matriz no século XIX; poesias e pinturas em óleo sobre tela, em especial os contemporâneos Pérsio Forzani, José Inácio Santeiro e Sérgio Pompêo. Na década de 1980, foi introduzida por hippies o artesanato de joias de prata, que se difundiu no município e formou dezenas de ateliês. Pelo incremento do turismo, diversos artistas e artesãos vieram a se estabelecer em Pirenópolis, o que aumentou consideravelmente a diversidade e a produção artística do município. Ainda na parte artística a cidade possui a mais antiga Coro e Orquestra em atuação no estado o Coro e Orquestra Nossa Senhora do Rosário fundado em conjunto com a Banda Phoenix, em 23 de julho de 1893 pelo maestro Joaquim Propício de Pina, ambos atuantes e presentes na cultura da cidade.
Aeroporto
O Aeroporto de Pirenópolis (ICAO: SNMH), inaugurado oficialmente em 2005, foi homologado pelas autoridades aeronáuticas:
Educação
Pirenópolis possui 24 escolas no qual compõe o sistema público de ensino primário e secundário, 1 Centro Municipal de Educação Infantil e 1 Complexo Educacional de Educação Infantil além de uma escola particular. No ensino Superior, a cidade possui um campus da Universidade Estadual de Goiás.


