Belém (Pará)
Belém, também chamada de Belém do Pará, é um município brasileiro e capital do estado do Pará. Localizada na Região Norte do país, às margens da baía do Guajará e a cerca de 2 120 quilômetros de Brasília, sua população é de 1 303 403 habitantes, segundo o Censo 2022, sendo o município mais populoso do estado, o segundo da Região Norte e o décimo segundo do país. Com uma área total de 1 059,458 quilômetros quadrados, a cidade abrange quarenta e duas ilhas que representam 65% de seu território, e apresenta clima equatorial quente e úmido, sendo a capital mais chuvosa do Brasil. Classificada entre os municípios com melhor qualidade de vida da Região Norte, possui um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,746 (alto), ocupando a 22.ª posição entre as capitais brasileiras.
O topônimo Belém tem origem no hebraico Beit Lehem, que significa "Casa do Pão". Inicialmente, a cidade foi denominada "Santa Maria de Belém do Pará" ou "Nossa Senhora de Belém do Grão-Pará" (posteriormente abreviado para Belém do Pará), por ordem do rei Filipe III de Espanha, em referência ao Natal — período em que Francisco Caldeira Castelo Branco, então capitão-mor da Capitania do Rio Grande, partiu de São Luís, em 1615, com suas tropas, para conquistar as terras do Pará.
Primórdios e colonização europeia
A região onde atualmente se encontra Belém do Pará, era, originalmente, o território indígena de Mairi, habitado pelos tupinambás e Pacajás, sob o comando do cacique Guaimiaba, durante o período do Brasil Colônia (ou América Portuguesa). O local funcionava como um entreposto comercial do cacicado marajoara, quando, em 1580, os portugueses chegaram à região por meio da expedição militar "Feliz Lusitânia", comandada pelo capitão Francisco Caldeira Castelo Branco. Em 12 de janeiro de 1616, na foz do igarapé Piry (também conhecido como Bixios do Pirizal), foi fundado o povoado colonial português denominado Feliz Lusitânia, por ordem do rei da União Ibérica (Dinastia Filipina), Manuel I. Na ocasião, construiu-se um fortim de madeira, o Forte do Presépio, com uma capela dedicada à padroeira Santa Maria de Belém — atual Catedral Metropolitana.
Século XIX
O processo de ruptura política e a guerra entre o Reino do Brasil e o Reino de Portugal, em 1822, criaram uma situação indefinida na região amazônica, devido à distância dos núcleos decisórios do novo governo em formação no Brasil. Belém, ainda fortemente ligada a Portugal, reconheceu a Independência do Brasil apenas em 15 de agosto de 1823 — quase um ano após a proclamação. Isso levou a então Província do Grão-Pará à irrelevância política, ao aumento da pobreza e à proliferação de surtos de doenças. Esse cenário de instabilidade gerou um descontentamento popular que culminou na Revolta da Cabanagem, ocorrida entre 1835 e 1840, liderada por Félix Clemente Malcher, Antônio Vinagre, Francisco Pedro Vinagre, Eduardo Angelim e Vicente Ferreira de Paula, sob influência dos ideais da Revolução Francesa.
Século XX
A partir de 1897, a renda gerada com a comercialização do látex foi fundamental para a reestruturação urbana e modernização de Belém, influenciada pelo estilo arquitetônico de Paris, especialmente o art déco da belle époque européia. Durante o governo do intendente Antônio Lemos, foi implementado o projeto Paris n'América (em francês: Petit Paris) marcando o período conhecido como "Belle Époque de Belém" ou "Período Áureo da Borracha". Em 1902, esse projeto foi concluído com a construção de diversos palacetes, uma bolsa de valores, grandes teatros, igrejas, um necrotério, praças com lagos e chafarizes, além de infraestrutura sanitária moderna. Também houve o calçamento de quilômetros de vias com pedras importadas da Europa, a construção de redes de esgoto nos principais bairros, o aterramento de rios e córregos, o alargamento de ruas e a criação de avenidas e boulevards. As vias foram arborizadas com centenas de mudas de mangueiras indianas, com o objetivo de formar túneis sombreados.
Belém é a primeira capital da Região Norte do Brasil, situando-se a uma latitude 01º27'21" sul e longitude 48º30'16" oeste. Está a 2 120 quilômetros da capital federal Brasília. Possui uma altitude de dez metros ao nível médio do mar, com um relevo predominantemente plano. Seu território é o décimo terceiro maior entre as capitais brasileiras, com área de 1 059,458 km², dividida entre uma porção continental e outra insular, composta por quarenta e duas ilhas, que correspondem a 65% do território municipal, entre elas Mosqueiro, Cotijuba, Caratateua e Combu. Segundo a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária e Imediata de Belém. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Belém, que por sua vez estava incluída na mesorregião Metropolitana de Belém. Belém é a metrópole mais influente da Região Norte, exercendo influência sobre todo o Pará e o Amapá, e parcialmente sobre o Maranhão e o Tocantins, de acordo com o estudo "Regiões de Influência das Cidades 2018" (REGIC 2018), divulgado pelo IBGE. Sua rede urbana é mais complexa que a de Manaus, e a população sob sua área de influência é de 9,3 milhões de habitantes.
Geologia
Belém apresenta solos de textura média, semelhantes aos encontrados na região Bragantina, com ocorrência de latossolos distróficos e solos concrecionários lateríticos.:17 O município é cercado por terrenos alagadiços e igarapés, com forte atuação de processos intempéricos, que favorecem a formação de perfis lateríticos. A topografia é predominantemente baixa, com altitude média de quinze metros. O ponto mais alto atinge 25 metros na ilha de Mosqueiro, enquanto boa parte da área urbana está abaixo de quatro metros, sendo suscetível à influência das marés altas. As unidades litoestratigráficas (camadas rochosas) pertencem ao Grupo Barreiras, composto por oito fácies litológicas, além dos sedimentos Pós-Barreiras e da Unidade de Cobertura Detrítica-Laterítica. O Grupo Barreiras apresenta argilitos, siltitos e intercalações de lentes de arenitos; os sedimentos Pós-Barreiras consistem em depósitos inconsolidados (solos) de cor amarelada, formados por grãos de quartzo arredondados e de granulação fina, sobrepostos às rochas do Grupo Barreiras, mas lateritizados; já a Unidade de Cobertura Detrítica-Laterítica é geralmente recoberta por latossolos amarelados.
Hidrografia
Belém é banhada pelas águas da baía do Guajará e do rio Guamá, sendo entrecortada por uma extensa rede de rios e igarapés que delimitam áreas conhecidas como "terras altas" e "terras baixas". O município possui quatorze microbacias hidrográficas. Os principais cursos d'água da região são os rios Guamá e Maguari. Situado no nordeste do Pará, o rio Guamá possui uma bacia hidrográfica com área de drenagem de 87 389,54 quilômetros quadrados, abrangendo vários municípios além da capital paraense. A baía do Guajará é formada pelo encontro das fozes dos rios Guamá e Acará, que também banha o município de Barcarena. Embora a rede de abastecimento de água atenda a cerca de 80% das residências, apenas 6,5% do esgoto domiciliar está conectado à rede coletora, o que resulta no despejo inadequado de dejetos em quatorze bacias hidrográficas, onze delas ligadas ao rio Guamá.
Meio ambiente e ecologia
Belém está inserida no bioma Amazônia e abriga uma expressiva diversidade ambiental, marcada por extensas áreas de várzeas (manguezais e alagadas) e terras firmes, especialmente em sua região insular. A cobertura vegetal do município é composta predominantemente por florestas secundárias que substituíram a antiga floresta densa dos baixos platôs, ainda presentes em partes das ilhas de Mosqueiro, Outeiro e outras com menor ação humana. Nas margens dos rios e zonas estuarinas predominam manguezais, enquanto a floresta ombrófila caracteriza os trechos marginais dos cursos d’água e baixadas, formando ecossistemas de elevada biodiversidade que sustentam atividades como pesca, agricultura familiar e extrativismo vegetal.:17,18
Clima
Com clima tipicamente equatorial (Af, segundo Köppen-Geiger), Belém apresenta um dos maiores índices pluviométricos do país e o maior entre as capitais brasileiras, superando os 3 mil milímetros anuais. As chuvas são abundantes durante todo o ano, sendo mais frequentes entre dezembro e maio, com maior ocorrência no período da tarde. A cidade registra mais de 2 200 horas anuais de insolação ao ano e apresenta elevados índices de umidade relativa do ar, mantendo o calor constante ao longo do ano, com temperaturas que podem chegar a 33 graus nos meses mais quentes. Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), de 1931 a 1964 e a partir de 1967, a menor temperatura já registrada em Belém ocorreu em 26 de agosto de 1984, quando os termômetros marcaram 18,5 graus. Por outro lado, a maior temperatura foi registrada em 1.º de dezembro de 2015, com máxima chegou de 38,5 °C.
A população do município é de 1 303 403 habitantes, de acordo com o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sendo o município mais populoso do Pará, o segundo da Região Norte e o décimo segundo do Brasil, apresentando uma densidade demográfica de 1 230,25 habitantes por quilômetro quadrado e taxa de urbanização de 99,14%. Em comparação com a década anterior, houve uma queda populacional de 6,5%. Em 2025, a estimativa era de 1 397 315 habitantes. Da população total, 610 777 habitantes são do sexo masculino (46,86%) e 692 626 do sexo feminino (53,14%), com uma razão sexual de 88,18. Quanto à faixa etária, 57 589 são crianças de 0 a 4 anos (4,41%), 80 003 de 5 a 9 anos (6,14%), 84 509 de 10 a 14 anos (6,48%), 297 715 jovens de 15 a 29 anos (22,83%), 402 543 adultos de 30 a 49 anos (30,88%), 278 538 de 50 a 69 anos (21,37%) e 89 470 idosos de 70 anos ou mais (6,86%). A idade mediana é de 36 anos, com um índice de envelhecimento de 59,5, o maior entre os municípios do estado. O índice de alfabetização é de 97,5%.
Composição étnica
Segundo o Censo 2022, cerca de 61,8% (806 103 pessoas) dos belenenses se declaram pardos, 26,3% (342 476) brancos, 11,5% (149 395) pretos e 0,3% (3 298) amarelos. A capital abriga ainda 2 125 indígenas (0,16% da população) e 1 361 pessoas (0,10%) que se declaram quilombolas. Na Região Metropolitana de Belém (RMB), residem 3 389 moradores indígenas, sendo 57% em Belém e 15% em Ananindeua, e cerca de 10 600 quilombolas, dos quais 51% em Barcarena e 21% em Santa Isabel do Pará. Um estudo genético de 2013 apontou que a ancestralidade da população de Belém é composta por 53,7% de contribuição europeia, 29,5% indígena e 16,8% africana.
Religião
Segundo o Censo 2022, a população de Belém é predominantemente católica, com 55,25% de adeptos, seguida por 33,43% de evangélicos ou protestantes; 1,27% espíritas; 0,81% umbandistas ou candomblecistas; 0,01% seguidores de religiões tradicionais; 3,41% de outras religiões; 5,72% sem religião; 0,02% desconhecidos e 0,08% não declarados. Em 2010, Belém tinha 1 346 judeus, de acordo com o Censo daquele ano. A cidade também possui uma comunidade muçulmana, representada pelo Centro Islâmico Cultural do Pará, que mantém uma mesquita. O Círio de Nazaré, realizado anualmente durante o mês de outubro, é a maior manifestação religiosa do Brasil e a maior procissão católica do mundo, reunindo cerca de dois milhões de devotos de Nossa Senhora de Nazaré.
Pobreza e desigualdade social
Um estudo do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) em 2021, aponta que a Região Metropolitana de Belém (RMB) tem cerca de 816 923 pessoas vivendo em situação de pobreza, apresentando o quinto maior nível de desigualdade social entre as regiões metropolitanas, com um índice de Gini de 0,582, usado para medir a concentração de renda entre os indivíduos da população. Na capital paraense, aproximadamente 197 780 pessoas vivem em situação de extrema pobreza, com renda mensal de até 160 reais. Segundo um levantamento do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas para Pessoas em Situação de Rua em 2025, Belém registrou um aumento de 500% no número de pessoas vivendo em situação de rua nos últimos oito anos, totalizando 1 952 indivíduos nessa condição. Dados do Instituto Cidades Sustentáveis mostram que Belém tem a terceira pior taxa de mortalidade entre as capitais (15,52%) e a segunda pior taxa de desnutrição infantil (2,19%). No Mapa da Desigualdade, a cidade ocupa a 24.ª posição, com uma pontuação de 393, ficando atrás de outras capitais estaduais da Região Norte, como Manaus, Rio Branco, Macapá e Boa Vista.
Segurança pública e criminalidade
Em 2018, Belém foi apontada como a capital brasileira com a maior taxa de homicídios violentos, com 77 casos por 100 mil habitantes, e já figurou entre as 50 cidades mais violentas do mundo: em 2017 estava na décima posição e em 2018 na décima segunda, de acordo com levantamentos internacionais sobre criminalidade urbana. Em 2014, o município tinha taxas entre 40,0 e 49,3 homicídios por 100 mil habitantes, especialmente entre a população jovem (15 a 28 anos), refletindo fatores urbanos e contextos sociopolíticos locais. Estudos recentes indicam que Belém registrou queda de 73% nos homicídios expressiva no número absoluto de homicídios, de 877 casos em 2017 para 245 em 2022.
Belém nasceu já com foros de cidade, porém a data e o ato de criação perderam-se devido à deficiência de documentação e arquivamento, assim como os nomes das primeiras autoridades que integraram a fase inicial da administração municipal. Conforme aponta Palma Muniz, há indícios da existência de um Senado da Câmara desde 1625, o qual deliberava sobre questões relacionadas aos povos indígenas, como a administração das aldeias. Em 1655, possivelmente ocorreu a elevação do povoado à categoria de cidade (segundo ofício de 1733), quando os oficiais da Câmara comunicaram ao Governo da Capitania que o rei os deixara sem privilégios por 78 anos, reivindicando, assim, os mesmos direitos da cidade do Porto. A vereação mais antiga de que se tem registro data de 1661, composta pelos vereadores Bernardino de Carvalho, Manoel Álvares da Cunha, Gaspar da Rocha Porto Carneiro, Braz da Silva e Manoel Braz.
Cidades-irmãs
A política de cidades-irmãs de Belém tem tratado de firmar acordos com cidades com semelhanças culturais ou históricas, com o intuito de promover cooperação, intercâmbio de informação e, eventualmente, ações que possam beneficiar a cidade. Belém possui as seguintes cidades-irmãs:
Com base no Plano Diretor Municipal de Belém (Lei n.º 8 655), que estabelece o ordenamento territorial do município, a cidade está organizada em oito unidades básicas de planejamento, denominadas Distritos Administrativos de Belém (DABEL), Benguí (DABEN), Entroncamento (DAENT), Guamá (DAGUA), Icoaraci (DAICO), Mosqueiro (DAMOS), Outeiro (DAOUT) e Sacramenta (DASAC), com 72 bairros oficiais definidos conforme a Lei n.º 7 806/1996 e Lei Municipal n.º 9 453/2019.
Em 2021, o produto interno bruto (PIB) de Belém era de 33 467 126 mil de reais, representando cerca de 12,7% do PIB estadual, enquanto a renda per capita era de 22 216,33. O setor de serviços dominou a economia municipal, contribuindo com 86,6% do total, seguido pela indústria com 13,1% e a agropecuária com 0,4%. Em 2024, o mercado imobiliário de Belém e Ananindeua registrou um Valor Geral de Vendas (VGV) de 1,5 bilhão de reais, representando um crescimento de 34,3% em relação ao ano anterior. No primeiro trimestre de 2025, o setor manteve o ritmo de expansão, alcançando 418 milhões de reais em VGV, um aumento de 11% em comparação com o mesmo período de 2024. Ainda em 2024, o setor de hotelaria registrou um desempenho recorde, com taxa de ocupação de 85%, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis no Pará (ABIH‑PA). Na época colonial, a atividade econômica iniciou-se com a lavoura de cana-de-açúcar, que não prosperou devido às dificuldades naturais da mata e dos rios. Com o declínio das plantações, a economia voltou-se para a exploração das drogas do sertão (plantas medicinais e aromáticas, cacau, canela, cipós, raízes, etc). Na segunda metade do século XIX, Belém começou a se consolidar economicamente com a intensificação da extração de borracha, implantando diversos serviços urbanos, como bondes eletrificados, iluminação pública, esgoto, limpeza urbana, forno crematório, corpo de bombeiros e calçamento de ruas.
Turismo
Conhecida como a "porta de entrada da Amazônia" e "cidade das mangueiras", Belém é um dos principais destinos de turismo esportivo e de negócios na Região Norte do Brasil, liderando o ranking de "Destinos Emergentes" na preferência dos viajantes brasileiros, segundo o Anuário Braztoa 2025. É a segunda cidade mais visitada da Amazônia no setor turístico e combina diversidade cultural, gastronomia premiada, patrimônio histórico e natureza exuberante, estando entre as dez melhores cidades gastronômicas do mundo, segundo a revista Lonely Planet. Em 2015, Belém foi eleita Cidade Criativa da Gastronomia pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), tornando-se referência mundial em gastronomia.
Requalificação urbana
A partir de 1995, iniciou-se o Movimento Orla Livre, que discute a ocupação irregular das margens do rio Guamá e da baía do Guajará — uma faixa de trinta quilômetros de extensão que, desde o ciclo da borracha, foi sendo apropriada por inúmeros portos, estâncias e palafitas. O movimento luta pelo usufruto dessas áreas pela população, por meio de projetos urbanísticos voltados a espaços de lazer, cultura, turismo, valorização do patrimônio histórico e habitação sustentável, visando à requalificação do ambiente urbano e à modernização portuária, conforme previsto no Plano de Gestão Integrada da Orla de Belém, no Plano Diretor Urbano, nas Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS) e nas Áreas de Preservação Permanente (APP).
Transportes
Conforme o Plano Diretor Urbano de Belém (Lei n.º 8 655), uma subdivisão do bairro Universitário foi classificada como Zona Especial de Interesse Social (ZEIS). Essa área, estabelecida a partir da década de 1960 com a expansão urbana em direção à periferia, foi preparada para receber ações de urbanização e regularização fundiária. A partir de 2013, a região passou a receber intervenções do Programa Proinveste, com melhorias no ordenamento espacial e na mobilidade urbana. Entre as ações implementadas, destacam-se o prolongamento e a duplicação das avenidas Independência, João Paulo II e Perimetral da Ciência, que ligam o centro da cidade aos municípios do interior.
Saúde
A Secretaria Municipal de Saúde de Belém (SESMA) é a gestora do Sistema Único de Saúde (SUS) em âmbito municipal, sendo responsável por elaborar, executar, monitorar e avaliar as políticas públicas de saúde, com cobertura nos oito distritos administrativos, em articulação com os governos estadual e federal. O Plano Municipal de Saúde (PMS), juntamente com o Plano Plurianual de Governo (PPA), é o instrumento norteador das ações e serviços locais de saúde, organizados nas Programações Anuais de Saúde (PAS). Desde 2020, a rede básica de saúde do SUS Municipal conta com dois hospitais de pronto-socorro, um hospital de retaguarda, um hospital geral no distrito de Mosqueiro, atendimento domiciliar com equipes do EMAD e EMAP, cinco Unidades de Pronto Atendimento (UPA), 107 equipes de Saúde da Família (ESF), onze Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF), 54 Unidades de Saúde da Família (USF) e 29 Unidades Básicas de Saúde (UBS), sendo nove delas com serviço de urgência. A rede de atendimento a doenças crônicas é composta pelos hospitais Ophir Loiola, Universitário João de Barros Barreto, Santa Casa de Misericórdia do Pará, Gaspar Viana, Dom Luiz e a Casa do Idoso.
Educação e ciência
Um estudo publicado pela revista Exame/Macroplan aponta Belém como a quarta pior capital do Brasil quando em indicadores de educação. O levantamento baseia-se nos dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), que mede a habilidade dos estudantes em matemática, ciências e leitura. Entre as capitais estaduais, Belém ocupa a 23.ª posição, com um índice de educação de 0,369, ficando à frente apenas de Macapá, Porto Velho e Maceió. Em relação ao ensino superior, a Universidade Federal do Pará (UFPA) foi eleita a melhor universidade do estado e da região Norte em 2013, segundo o Índice Geral de Cursos. Há seis universidades públicas ou institutos sediados em Belém, a saber: Centro de Instrução Almirante Braz de Aguiar (CIABA), Instituto Federal do Pará (IFPA), Universidade do Estado do Pará (UEPA), Universidade Federal do Pará (UFPA) e Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA).
Comunicação
Na área de telefonia, a cidade é identificada no serviço de Discagem direta a distância (DDD) pelo código de área 91. O setor de comunicação em Belém e no Pará é dominado principalmente por dois grupos empresariais de origem familiar (formando um duopólio), a saber: a família Maiorana, proprietária do conglomerado de mídia Grupo Liberal, que inclui a emissora de televisão TV Liberal (afiliada da TV Globo), os rádios Liberal AM e FM, os jornais impressos O Liberal e Amazônia e a empresa de eventos Bis Entretenimento; e a família Barbalho, proprietária do Grupo RBA de Comunicação, que reúne a emissora RBA TV (afiliada da Band), as rádios Clube do Pará, 99 FM e Diário FM, além do jornal impresso Diário do Pará. Também circulam na cidade outros jornais de menor tiragem, como A Província do Pará, de publicação quinzenal e pertencente ao Grupo Marajoara (de propriedade do radialista e empresário Carlos Santos), e o independente Jornal Pessoal, editado pelo jornalista Lúcio Flávio Pinto.
Os feriados municipais de Belém incluem o dia 8 de dezembro que celebra a padroeira Nossa Senhora da Conceição (Lei 6 306/1967). Além dos feriados, há também o ponto facultativo para os servidores dos órgãos públicos municipais no dia 12 de janeiro, em comemoração ao aniversário de fundação do município.
Música e dança
Devido à sua posição geográfica estratégica, Belém foi rota de muitas companhias de navegação internacionais durante o ciclo da borracha. Na década de 1950, formou-se uma "rede de difusão cultural transatlântica", que levou ao surgimento das aparelhagens sonoras, das festas de gafieira e dos cabarés. Esses fatores contribuíram para a chegada da música afro-latino-caribenha (boleros e merengues) e para o início do circuito bregueiro na cidade. Os ritmos mais populares são o calypso, brega paraense, o tecnobrega, o carimbó e a guitarrada. O movimento se fortaleceu na década de 1970, quando as rádios populares de Belém começaram a captar sinais de países como Suriname, Guianas e Bolívia, difundindo cúmbia, merengue, salsa e zouk, e consolidando a lambada e o brega como gêneros próprios.
Atrações e eventos
O início do carnaval paraense data de 1695 a 1844, marcado pela celebração do entrudo trazido pelos colonizadores portugueses. Em seguida, ocorreu o período pós-entrudo ou era do samba, de 1844 a 1934, caracterizado pelos bailes de máscaras, batalhas de confetes e corso carnavalesco. Ao contrário dos grandes centros urbanos brasileiros, Belém não possui uma tradição de desfiles de agremiações. Assim, para não coincidir com o calendário do Sudeste do país, os desfiles locais são realizados antes da data nacional, na Aldeia de Cultura Amazônica Davi Miguel, em formato semelhante aos carnavais de Vitória e Santos. Durante o carnaval, a cidade costuma esvaziar-se, pois grande parte da população se desloca para o interior do do Pará para participar dos blocos carnavalescos, com destaque para os municípios de Abaetetuba, Cametá, Colares, Curuçá, Vigia e Tucuruí. Em contrapartida, o festejo carnavalesco em Belém inicia-se já na primeira semana de janeiro, com o Pré-Carnaval da Cidade Velha, uma realização da Liga dos Blocos da Cidade Velha (LBCV), que promove o circuito de blocos guiados por trios elétricos, concentrados na Avenida Almirante Tamandaré. Em 2020, seis produtoras locais se uniram para realizar o Circuito Mangueirosa, um projeto de entretenimento criado para resgatar o carnaval paraense durante o pré-carnaval e divulgar a diversidade musical da região, O evento contou com 50 atrações, divididas em três etapas diárias: iniciando com a etapa Pitiú, com apresentações em palco aberto; seguida pelo cortejo guiado por trio elétrico, chamado Revoada; e finalizando com o Banzeiro, um festejo indoor pago.
Patrimônio arquitetônico e espaços culturais
Em 1940, ocorreram os primeiros tombamentos do patrimônio arquitetônico de valor histórico-cultural realizados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), reconhecendo a Coleção Arqueológica e Etnográfica do Museu Paraense Emílio Goeldi, que reúne aspectos sobre a ocupação pré-colonial da Amazônia Oriental. Em 1941, seguindo a proposta modernista de construção de uma identidade nacional, foram escolhidos os períodos colonial e barroco como representes da arte e arquitetura brasileiras, sendo tombadas, nesse contexto, as seguintes igrejas: Sé, Carmo, São João Batista, Mercedários e Santo Alexandre. Nas décadas de 1970 e 1980, os tombamentos passaram a incluir alguns conjuntos arquitetônicos dos séculos XIX e XX, como o Palacete Pinho; as avenidas José Malcher e Nazaré, formadas por sobrados azulejados, um tipo de moradia mais modesta; e o Ver-o-Peso e suas áreas adjacentes, incluindo os mercados municipais e as praças Pedro II e do Relógio, esta última com um relógio inglês inaugurado em 1930 em homenagem a Antônio de Silveira Campos, revolucionário do Forte de Copacabana.
Pintura
Uma tradição familiar tipicamente ribeirinha enriquece a cultura e embeleza os barcos da região por meio do trabalho dos artistas tipográficos conhecidos como Abridores de Letras, que batizam as embarcações pintando seus nomes com letras coloridas e ornamentadas justamente para chamar a atenção. Em 2014, foi criado o projeto "Letras que Flutuam" na Universidade Federal do Pará, por meio do edital Amazônia Cultural, que identificou 41 pintores nos municípios de Belém, Barcarena, Abaetetuba e Igarapé-Miri. O objetivo é conscientizar a nova geração a preservar essa tradição, que vem se enfraquecendo, e expandi-la para outras áreas. A origem dessa arte tipográfica está ligada a um intercâmbio gráfico entre os municípios ribeirinhos, em que o abridor de letras era influenciado ao observar a pintura de outros artistas durante as navegações.
Culinária
A Belém gastronômica é um verdadeiro caldeirão de misturas étnicas. Segundo o filósofo José Arthur Gianotti, reúne sabores africanos, portugueses, alemães, japoneses, libaneses, sírios, judeus, ingleses, barbadianos, espanhóis, franceses e italianos, que, ao chegarem à capital, se encantaram com a cozinha nativa indígena — considerada genuinamente brasileira — e, aos poucos, foram incorporando seus ingredientes. A forte influência indígena deu origem a pratos típicos como pato no tucupi, tacacá, maniçoba, tucunaré cozido e caruru, normalmente acompanhados de jambu e farinha d’água, além de delícias como o famoso açaí. Diz-se que o sabor dos peixes e das frutas da região é realmente único. Os elementos locais formam a base dos pratos e também das sobremesas, enriquecendo a mesa paraense. Destacam-se ingredientes como açaí, bacaba, cupuaçu, castanha-do-pará, bacuri, pupunha, tucumã, muruci, piquiá e taperebá. Aproveitando essa diversidade, a cidade promove sua culinária com eventos como o Festival Ver-o-Peso da Cozinha Paraense e o Festival Internacional do Chocolate e Cacau Amazônia.
Esportes
Em Belém estão sediados os três principais clubes de futebol do Pará: Paysandu, Remo e Tuna Luso, conhecidos por sua intensa rivalidade. Juntos, somam seis títulos nacionais, sendo: o Paysandu possui dois títulos do Campeonato Brasileiro - Série B, uma Copa dos Campeões (2002), uma Copa Norte e uma Copa Verde; o Remo tem um título do Campeonato Brasileiro - Série C, três Copa Norte e um Campeonato Nacional Norte-Nordeste (1971); e a Tuna Luso conquistou um título da Série B e outro da Série C do Campeonato Brasileiro. O Estádio Olímpico do Pará, conhecido como Mangueirão, projetado pelo arquiteto Alcyr Meira, já recebeu cinco jogos da Seleção Brasileira (1990, 1997, 2005, 2011 e 2023). Em 1999, registrou um público recorde de 65 mil pessoas na final do Campeonato Paraense, entre Remo e Paysandu.


