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Antropoentomofagia

Antropoentomofagia é o consumo direto de insetos ou de seus produtos pelo ser humano.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 24/07/2026
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O consumo de insetos entre os nativos das Américas

Os europeus quando iniciaram a colonização do Novo Mundo ficaram abismados com a quantidade de povos que nele habitavam e por vários de seus costumes, entre os quais seus tipos de alimentação. Um dos ítens que mais causou impacto foi o disseminado consumo de insetos e de outros animais invertebrados. Os grilos são insetos da Subordem Ensifera, Ordem Orthoptera, compreendendo mais de 900 espécies. Os Nishinam da Califórnia ingeriam grilos grelhados. Os Washo da fronteira entre Califórnia e Nevada, Os Shoshoni de Nevada, Califórnia e Montana e os Southern Paiute do Arizona, Utah e sudeste da Califórnia e Nevada também apreciavam grilos. Os Cahuilla do sul da Califórnia davam preferência às pupas, que eram ingeridas grelhadas. Quando havia grandes quantidades eram grelhadas, secas e armazenadas. Índios do oeste norte-americano comiam também o mormon cricket, Anabrus simplex (Orthoptera: Tettigoniidae), que não é bem um grilo, mas taxonomicamente está a ele relacionado. Em determinadas épocas do ano surgiam em bandos de quase dois quilômetros de largura e vários de comprimento. Para capturá-los os índios cavavam valas de dez a quinze metros de comprimento, enchiam-nas de capim seco e forçavam os insetos a caírem nelas. Depois era só colocar fogo no capim e recolher cestos e mais cestos de insetos tostados. Estes eram também secos e transformados em farinha que podia ser guardada por muito tempo. Era usada para fazer pão.

Abelhas

Insetos pertencentes à Ordem Hymenoptera, existem a mais de 40.000 anos, além de serem talvez os insetos que mais auxiliam na polinização das flores, também produz o mel, a cera, própolis e geleia real. O gênero é Apis spp. proveniente do Velho Mundo, enquanto a maioria das nativas das Américas, da tribo Meliponini, não possuem ferrão. O mel de abelhas faz parte da dieta humana desde os primórdios da civilização. A maioria dos indígenas das Américas recolhia tanto os insetos como seus produtos (mel e cera) dos ninhos nas florestas. Larvas e pupas eram assadas com o favo e ingeridas puras ou com farinha de mandioca pelos indígenas Pankararé, da Bahia. Os Tapirapé do Mato Grosso gostavam de mel. Os Panará, povo indígena do Mato Grosso, coletavam o mel e o ingeriam com açaí ou diluído em água. Já os Paresi, do Mato Grosso, eram uns dos poucos povos da América do Sul que domesticavam abelhas. Mantinham-nas em cuias com duas aberturas, uma para a entrada dos insetos e outra, bloqueada com cera, por onde eram retirados os favos.

Besouros

Besouros são insetos pertencentes à Ordem Coleoptera, com mais de 350 mil espécies, sendo o grupo animal mais diversificado do planeta. A maioria se alimenta de plantas, podendo se tornar pragas como os besouros-da-cana, enquanto outros são úteis como as joaninhas, vorazes devoradoras de pulgões. Os Tucano do rio Uaupés, no Amazonas comemoravam com muita festa e ingestão de bebida alcoólica o surgimento de besouros na região, de agosto a dezembro. Os insetos eram torrados e guardados para consumo pelos meses seguintes. Os Kalapalo do rio Xingu também consumiam besouros. Povos indígenas do rio Uaupés, no Amazonas, consumiam besouros vivos ou torrados e os Athabascan do Alasca tostavam besouros e os comiam.

Cigarras

A cigarra pertence à Superfamília Cicadoidea da Ordem Hemiptera, compreendendo mais de 1500 espécies. Os Cahuilla do sul da Califórnia, USA, grelhavam as cigarras para comê-las. O que sobrava era seco e guardado para ser depois consumido puro ou acompanhando papas. Os Shoshoni de Idaho, Nevada, Califórnia e Utah coletavam os insetos pela manhã, quando estava frio, grelhava-os para queimar as pernas e asas e depois os triturava. Os Paiute de Nevada, Califórnia, Oregon e Idaho coletavam os insetos pela manhã e pelo fim da tarde e os assavam em um pequeno buraco no solo. No processo as pernas e asas eram queimadas e depois os insetos eram armazenados para consumo nos meses de inverno

Cupins ou Térmitas

O cupim ou térmita pertence à Ordem Isoptera, com 2.800 espécies catalogadas. Prestam grande serviço à natureza, reciclando os componentes da madeira de árvores mortas. Pelo mesmo motivo podem se tornar pragas, quando atacam madeiras em construções feitas pelo homem. Indígenas do noroeste amazônico incluíam em suas dietas os cupins. Os cupins também eram adicionados aos seus alimentos e desempenham o papel de sal, uma vez que apresentam sabor salgado. Os índios Desâna e outras etnias, das margens do rio Uaupés e seus afluentes, coletavam os insetos enfiando um funil feito de folha de bananeira-brava (Heliconia spp.) no orifício do cupinzeiro. Muito apreciados eram uns cupins amarelos que eram comidos vivos ou assados após saírem dos buracos em dias de chuva. Outro tipo, sem asas, era ingerido de maneira semelhante.

Formigas

“... a estas formigas comem os índios torradas sobre o fogo, e fazem-lhe muita festa...”. As formigas habitam a terra há mais de 100 milhões de anos, sendo consideradas o grupo com maior número de indivíduos entre os insetos. Pertencem à Família Formicidae, da Ordem Hymenoptera e já foram descritas mais de 12.000 espécies, distribuídas por todas as regiões do globo, menos nos pólos. Nas Américas causam enormes prejuízos às plantações, fato registrado por inúmeros viajantes desde a chegada dos europeus. Muitas tribos as utilizavam como alimento. Jesuítas enviados para catequizar os índios adotaram a prática indígena de comer formigas. Não só a adotaram como difundiram esta prática, ao menos entre os paulistas, com o objetivo de combater esta praga da lavoura. Na São Paulo do século XIX forasteiros ficavam escandalizados quando viam as tanajuras sendo vendidas em tabuleiros das pretas ao lado das comidas tradicionais como biscoito de polvilho, pé-de-moleque, furrundum de cidra, cuscuz de bagre e de camarão, pinhão quente, batata assada no forno e cará cozido.

Gafanhotos

Pertencem à Ordem Orthoptera, Subordem Caelifera. Alimentam- se de folhas de inúmeras plantas e algumas espécies juntam-se aos milhares formando a nuvem de gafanhotos e destroem imensas áreas plantadas. O consumo de gafanhotos é muito antigo e na Bíblia, no Evangelho de Marcos, há a informação que o apóstolo João comia gafanhoto e mel. Índios de Cartagena coletavam e secavam gafanhotos que serviam de moeda de troca no comércio com povos do interior. Os índios de Tucuman (Argentina) apreciavam estes insetos como alimento, o mesmo acontecendo com os Makuxi da região dos Rio Branco e Rio Rupununi, compreendendo Brasil e Guiana e com os Xavante do Mato Grosso. Índios de Roraima eram outros adeptos do consumo de gafanhotos, assim como os habitantes da região do rio Uaupés, da Amazônia e os Quiapêr de Rondônia.

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