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Antoine Joseph Santerre

Antoine-Joseph Santerre, nascido no dia 16 de Março de 1752 em Paris, França, onde morre em 6 de Fevereiro de 1809, é um político francês pertencente ao Movimento Hebertista no período da Revolução Francesa.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 27/07/2026
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Um industrial, filho de industrial

Imagem: Rijksmuseum · CC0 · Openverse

Filho de Antoine Santerre, industrial, rico cervejeiro de Cambrésis, que se estabelece em Paris em 1747, e de Marie-Claire Santerre, Antoine-Joseph Santerre nasceu na Rua du Noir - atual Rua Gracieuse - num dos imóveis da família. Seu pai havia se tornado proprietário de uma primeira cervejaria, dita "de la Magdeleine", à Rua d’Orléans Saint-Marcel, e, unindo-se por casamento a uma prima ricamente dotada, aumentou seu patrimônio adquirindo uma segunda cervejaria, esta situada na Rua Censier nº17. O futuro general perde seus pais ainda criança e, como seus outros irmãos e irmãs, é criado por sua irmã mais velha, Marguerite, auxiliada por seus tios, Jean-Baptiste Santerre e Marie-Marguerite Durand. Pertencendo à rica burguesia parisiense, Antoine-Joseph é admitido no Colégio des Grassins, apaixona-se pela química e, uma vez emancipado, exerce por sua vez a profissão lucrativa do pai, cervejeiro. Em 1772, adquire a cervejaria do Senhor Aclocque em Reuilly e, a partir dessa época, torna-se o principal fornecedor de cerveja de Paris e região. Nos anos 1780, ele e o irmão, Jean-François Santerre de la Fontinelle, criam um laboratório de pesquisas químicas em Sèvres, para desenvolver técnicas de fabricação industrial trazidas da Inglaterra. Santerre foi um dos primeiros a se servir, para a dessecação da cevada, do coque, ainda tão pouco empregado na época que nem possuía nome em francês. Paternalista e jovial, Santerre, que seu operários chamavam de "Pai Gordo", possuía na aldeia de Bercy, onde se localizava a parte essencial de sua atividade industrial, reputação de bom patrão. Michelet escreveu a seu respeito : "Era uma espécie de Golias, sem espírito, sem talento, tendo a aparência de coragem, bom coração e bonomia".

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1789 : um agente provocador ?

Está provado que Santerre fazia distribuições maciças e gratuitas de cerveja no Faubourg Saint-Antoine à época das jornadas revolucionárias. Existem pedidos de reembolso indo de 1789 a 1792. Tendo tomado parte da Jornada de 14 de Julho de 1789, ele informa, desde o dia seguinte (15), ter sido nomeado pelo povo comandante geral do Faubourg Saint-Antoine e, liderando quatrocentos homens, ter participado de todos os acontecimentos durante o "Cerco à Bastilha". Ele declara também que, se fosse preciso, "a teria incendiado com óleo de cravo e cobra, inflamado com fósforo, injetados através de bombas ao incêndio que aconteciam. Ele conseguiu, não sem risco para si, salvar a vida de um inválido que a multidão queria enforcar. O comitê permanente aplaudiu o zelo e a humanidade de M. Santerre. Ele confirmou os poderes a ele dados pelo povo e convidou-o a redobrar seus cuidados, se isso fosse possível, para levar a ordem e a calma ao Faubourg Saint-Antoine, cuja tranquilidade tem tanta influência sobre a tranquilidade de toda a cidade.". Este poder que Santerre possuía sobre os habitantes do faubourg é indicado claramente desde essa época. Todas as vezes que isto se tornar necessário, Santerre terá a faculdade "de instrumentar" o "povo dos faubourgs" para quem, não só tonéis de cerveja, mas também somas em dinheiro de 50.000 ou 60.000 libras serão diversas vezes postos à disposição.

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Seu papel no Caso de Vincennes

Imagem: Rijksmuseum · CC0 · Openverse

Os "Cavaleiros do Punhal", uma centena de cavalheiros armados de estiletes, desejando conseguir a liberdade de Luís XVI à força, tentaram entrar no Palácio das Tulherias para raptá-lo e, presumivelmente, afastá-lo de Paris ; simultaneamente, uma rebelião, supostamente destinada a criar uma distração, estourou em Vincennes (aldeia situada à leste da capital) e as tropas de LaFayette, obstáculo aos projetos dos conselheiros de Luís XVI (notadamente o Conde de La Marck) para lá se dirigiram, deixando o campo livre para os "Cavaleiros do Punhal". Na confusão em Vincennes, Santerre atirou em direção à La Fayette, talvez com a intenção de matá-lo, atingindo o segundo em comando, Desmottes.

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O Caso do Campo de Marte

Em 17 de Julho de 1791, os parisienses reuniram-se no Campo de Marte, ao redor de um "altar da Pátria" erguido para as comemorações do segundo aniversário da Queda da Bastilha, no intuito de assinar uma petição reclamando a queda do Rei Luís XVI e a instalação da República na França. Enganada por relatórios inexatos dando conta de desordens graves, a Assembléia Constituinte pede pela manhã à Jean-Sylvain Bailly, prefeito de Paris, e ao Marquês de La Fayette, comandante da Guarda Nacional Francesa, que se ponham em posição no local e que restabeleçam a ordem. Segundo o Conde de Lavitonnière, Santerre havia recebido 20.000 libras do Conde de La Marck, agente secreto da Corte, para a montagem dessa provocação. Seu cúmplice, o italiano Jean-Baptiste Rotondo, recrutado para este golpe pelos senhores Cavallanti e Giles, dissimulado nas proximidades do altar da Pátria, onde "uma multidão de testemunhas" o reconheceu, devia, no momento oportuno, atirar em direção a La Fayette. A seguir, Santerre, comandante de batalhão, daria a ordem de contra-atacar na direção de onde partiria o tiro, ou seja, da multidão. Esta provocação de Rotondo, já conhecido por haver participado a soldo de todos os "golpes tortos" da Revolução, levou ao famoso contra-ataque calculado por Santerre, seguido por uma carnificina imortalizada por um desenho de David. Santerre, apesar de suas negações, foi acusado de haver deliberadamente atirado contra a multidão e sua prisão foi decretada. Ele escondeu-se e depois, contando com apoios poderosos, conseguiu ser absolvido das acusações.

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Santerre e o dinheiro das Tulherias

No Palais Royal, onde reaparece, Santerre frequenta o « 129 », dirigido por seu cunhado, Jacques-Bon Pelletier Descarrières, um antigo oficial da casa do Rei, assistido pela rechonchuda Mademoiselle la Bacante, sua amante. Este estabelecimento de jogo é um dos mais célebres do bairro e reúne todos os inimigos dos deputados que Lamartine nomeou « Girondinos », ou seja, os futuros membros da Comuna de Paris surgida dos eventos do "10 de Agosto" , membros do Clube dos Cordeliers e dos futuros convencionais, membros mas tarde da Montanha. Na maior parte são compradores de bens nacionais em proporções variáveis e a Casa Descarrières passa por ser o quartel general dos afiliados à « Banda Negra ». Lá também se podiam encontrar aristocratas estrangeiros, muitas vezes financistas (como o conde de origem espanhola Andres Maria de Guzman) e especuladores (como o Marquês de Travanet), ou ainda homens ligados às finanças internacionais (como o Conde de Pestre de Séneffe). São inclusive estes três personagens que, com alguns outros, fazem a vez de « banqueiros » do « 129 ». Esta casa de jogo, muitas vezes denunciada como covil dos inimigos da Revolução, resistirá atodas as intempéries e ainda estará em funcionamento sob o Diretório, quando foi asilo dos membros do partido « clychiste ». É neste lugar, ao abrigo de olhares indiscretos, que revolucionários "da gema", como era Santerre, que cultivava pelos faubourgs sua imagem de patriota, encontravam-se, por exemplo, com Maximilien Radix de Sainte-Foix e seu sobrinho Omer Talon, ambos conselheiros secretos de Luís XVI e despenseiros pródigos da Lista Civil. Maximilien Radix de Sainte-Foix recrutou assim um certo número de indivíduos para quem a Revolução foi, antes de mais nada, uma lucrativa oportunidade. A descoberta dos papéis dissimulados dentro do Armário de Ferro, cofre particular de Luís XVI que revelou a venalidade de alguns, foi certamente uma catástrofe para eles, ao menos temperada pelo fato que as principais testemunhas dessas transações secretas foram executadas durante os Massacres de Setembro (2 de Setembro de 1792), onde se mataram pessoas de todos os tipos, com o pretexto de dar o troco.

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Papel durante os Massacres de Setembro de 1792

Diversas cartas, como as do prefeito de Paris, Jérôme Pétion, provam que foi dada ordem ao comandante da Guarda Nacional Santerre de se interpor entre os responsáveis pelo massacre e os prisioneiros desarmados, tanto na Abadia, quanto na Prisão de la Force, no Châtelet, na Salpêtrière, nos Carmos e nas casas de detenção visadas. Mesmo tendo o prefeito Pétion escrito uma primeira vez para que Santerre cessasse os massacres, este argumentou estar aguardando ordens que o Ministro do Interior Jean-Marie Roland também lhe havia transmitido. Pétion escreve-lhe de novo : "Eu vos escrevo, Senhor Comissário Geral, com relação à Prisão de la Force. Eu vos solicitei estabelecer um número de homens tão impressionante para que não se tentasse continuar os excessos que nós acabamos de deplorar. Vós não me respondestes. Ignoro se satisfizestes à minha requisição, mas eu a reitero esta manhã. Como prestei contas à Assembléia Nacional, ignoro o que poderei lhe dizer sobre o estado desta prisão…"

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O envolvimento presumível com a Inglaterra

Imagem: Rijksmuseum · CC0 · Openverse

Desde o início da Revolução Francesa, Santerre era o promotor do exagero revolucionário, como pode ser constatado a partir de 14 de Julho de 1789 até os Massacres de Setembro de 1792, que ele permite acontecer sem se mexer, como constatam as cartas do Ministro do Interior Roland. Santerre estava presente à execução de Luís XVI, em Janeiro de 1793, o "ribombo geral" (alusão ao ribombo dos tambores, ordenado por Santerre para cobrir a voz de Luís XVI aos pés da guilhotina) e em todas as outras jornadas revolucionárias : movimento popular de Outubro de 1789, complô dito dos "Cavaleiros do Punhal", Massacre do Campo de Marte, invasão das Tulherias (20 de Junho), Assalto de 10 de Agosto, etc. Em sua obra intitulada "L’Urne des Stuarts" ("A Urna dos Stuarts"), Louis Ange Pitou, que esteve envolvido de perto nos acontecimentos de 1792 e 1793, estabeleceu com Santerre um paralelo perturbador : "Santerre era realista por dentro, e a ambição pelo poder fez com que aceitasse o posto do Coronel Pride, cervejeiro como ele, e, como ele, chefe da milícia que conduziu Carlos I ao cadafalso".

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Santerre e suas aquisições revolucionárias

Imagem: Ecole anglaise, graveur · CC0 · Openverse

Durante a Revolução Francesa, o General Santerre adquiriu "uma quantidades de bens nacionais", diversas vezes através de nomes falsos ou no nome de Adélaide Deleinte, sua mulher, de quem iria divorciar-se no 26 Nivoso do Ano VI, seus filhos e sobrinhos. Tornou-se comprador de bens nacionais em Paris e região e, notadamente, no vale de Montmorency, ao norte de Paris. Quando M. Dumetz de Rosnay, eliminado das [[Emigrações francesas (1789-1815) |Listas de Emigração]] em 1804, tentou recuperar suas propriedades e, entre elas, o Castelo d'Eve, em Ermenonville, descobriu que ele era uma das aquisições de Santerre. As terras de La Houssaye, situadas não muito longe, também lhe pertenciam. Ele ainda possuía domínios em Cateau-Cambrésis e possuía em seu nome o domínio de Latour-Morouard, em Bauchery, próximo à Provins, que revende em 28 Messidor do Ano XIII, á um preço sub-avaliado, para Théodore-François Santerre.

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Prisão

Imagem: ubleipzig · PDM · Openverse

Santerre era ameaçado por Maximilien de Robespierre que devia ter conhecimento, no momento do processo contra os "Exagerados", de suas manobras contra-revolucionárias que seus protetores dentro da Comuna de Paris não conseguiam mais dissimular. Porém Santerre foi eficazmente protegido por Bertrand Barère de Vieuzac e Jean-Marie Collot d'Herbois que, para subtraí-lo de perigos certos, o fizeram encarcerar e proteger como foi feito também com o antigo prefeito de Paris, Jean-Nicolas Pache, e os seus. Pela força das coisas, seus papéis haviam sido oficialmente colocados sob sequestro, porém volatilizaram-se em seguida, já que o dossier de Santerre estava vazio. O antigo agente do Comitê de Segurança Geral Sénart, ator e testemunha dessas manobras policiais, afirma que os papéis de Santerre, que teve sob os olhos, revelavam suas ligações com o governo britânico. Ange Pitou, também bem informado, apesar de ser de uma corrente política diferente de Sénart, diz que o General Ribombo "foi encarcerado por seus partidários". Para salvá-lo, seus cúmplices controlaram sua prisão de maneira competente e seu dossier foi cuidadosamente expurgado das peças comprometedoras que continha. Santerre esperou assim pacientemente sua libertação da Prisão des Carmes, sem jamais ser "listado" nos quadros das pretensas conspirações.

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Seus processos

À saída de sua prisão, apresentado como arruinado e abandonado pela esposa, ele viverá "pequenamente" do comércio de cavalos para o exército : pelo acordo que fez em 1792 com o Estado, ele foi obrigado a reembolsar 672.500 libras. Continuou a especular com os Bens Nacionais. Tomou parte do Estado-Maior de Augereau, seu amigo de infância, e é certo que seus interesses pessoais o engajaram a desejar a derrubada do Diretório, apesar de não figurar entre as personalidades visivelmente envolvidas. Amigo do diretor Jean-François Moulin, foi preso após o 18 de Brumário e novamente solto graças à Fouché. Morreu, por assim dizer "arruinado", como muitos revolucionários que, como Bertrand Barère e bom número de regicidas, haviam transmitido o conjunto de seus bens para seus próximos. Uma placa à Rue de Reuilly nº9, no 12º arrondissement de Paris e, a partir de 1905, também na Rue Santerre, no mesmo arrondissement, comemoram seu nome.

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