Antissemitismo no Brasil
O antissemitismo no Brasil compõe-se das manifestações racistas, de cunho religioso, ideológico e/ou político, contra o povo judeu, ocorridas ao longo da história brasileira, e histórica e intimamente ligadas a figuras conspiracionistas das Forças Armadas do Brasil.
Imagem: Senado Federal · BY · Openverse
Na década de 1920 o católico radical Jackson de Figueiredo inicia a propaganda antissemita na sua associação Centro Dom Vital e veiculada na revista A Ordem; esse discurso originalmente de base religiosa ganha maior proporção após o Levante Comunista de 1935. Ganha destaque então a narrativa de Gustavo Barroso, que disputava o poder com Plínio Salgado dentro do Integralismo e com ele divergia ideologicamente, tomava como verdadeiros Os Protocolos dos Sábios de Sião, uma invenção do serviço secreto do czar Alexandre III da Rússia, no qual seria exposto um plano judeu para a dominação do mundo através da destruição de valores da família cristã de moldes europeus, criando o caos social; emprestando uma veracidade ao "documento" fictício, Barroso principia sua obra Brasil – Colônia de Banqueiros de 1934 com os dizeres que resumem seu pensamento: "“Trotski e Rothschild marcam a amplitude das oscilações do espírito judaico; estes dois extremos abrangem toda a sociedade, toda a civilização do século XX” — demonstrando assim seguir as ideias de Hitler ao estabelecer a ligação entre judaísmo e comunismo, ou seja "um antissemitismo de base nazista" que irão nortear todo o seu pensamento.
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Denunciado criminalmente pelo crime de racismo por suas obras em 1992, Siegfried Ellwanger Castan foi condenado em 1996 a uma pena dois anos com sursis, passados portanto mais de quatro anos do início do caso; contra essa decisão foi interposto um Habeas Corpus (HC) junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), ao argumento de que o caso não envolvia racismo (que pela Constituição é imprescritível), uma vez que o povo semita não seria uma "raça", isso baseado no que diziam autores judeus. Negado o recurso pelo STJ, foi então impetrado um HC junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo em liminar a desconsideração dessa condição de imprescritibilidade; o então Procurador-Geral da República, Cláudio Lemos Fonteles manifestou-se contrário à concessão do remédio legal, baseando-se no fato de que a lei 7.716/1989, que regulamenta o dispositivo constitucional em seu artigo vinte, não se limitar apenas ao termo "raça".[nota 1]
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Na edição de 1998 da Bienal do Livro do Rio de Janeiro a justiça mandou apreender os livros da editora antissemita Revisão, de Siegfried Ellwanger Castan, antissemita confesso e defensor do Nazismo, falecido em 2010; as obras entretanto fizeram parte da edição do ano 2000 da Feira do Livro de Porto Alegre, apesar dos protestos e disputa judicial; os livros discriminatórios da editora foram mais tarde proibidos, embora não tenham sido apreendidos. No ano de 2020 teve repercussão o questionamento feito por repórter do The Intercept, durante a primeira entrevista da vice-governadora do estado de Santa Catarina Daniela Reinehr, quando esta assumia interinamente o governo, sobre qual seu posicionamento em relação às opiniões de cunho neo-nazistas e negacionistas do Holocausto defendidas por seu pai, quando a mesma evitara "responder diretamente" e só com a repercussão do fato veio a emitir uma nota onde se declarou contrária ao nazismo.
Ações anti-Israel e antissemitismo
A invasão e destruição na Faixa de Gaza no conflito contra os palestino ocasionou um episódio na cidade baiana de Arraial d'Ajuda, onde uma comerciante judia sofreu injúrias raciais por uma chilena que quebrou itens de sua loja e a chamou de "sionista assassina". Mais tarde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva proferiu um discurso no encontro da União Africana, na Etiópia, onde comparou a represália de Israel ao Holocausto, ensejando o uso de bandeiras de Israel pela extrema-direita brasileira em ato realizado em São Paulo. A postura de condenação ao ataque levou, em maio de 2024, o país a retirar seu embaixador em Israel, e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, junto ao grupo Hamas, foi condenado por crime contra a humanidade na Corte Penal Internacional em Haia, além de crimes de guerra, tendo contra si emitido um mandado de prisão.
Antissemitismo na imprensa
No dia 20 de junho de 2025, durante comentário sobre os conflitos no Oriente Médio, na Guerra Irã-Israel, no programa da Globo News, a jornalista Eliane Cantanhêde, demonstrou-se inconformada porque poucos israelenses estariam morrendo nos ataques de mísseis pelo Irã. "Por que os mísseis do Irã caem em Israel e não matam ninguém?" "Tem uma mortezinha aqui, outra ali. Uns 23 feridos aqui, 40 ali. Feridos!" "Eu não consigo entender por que o Irã atinge o alvo e não mata ninguém." (risos). A fala da jornalista gerou revolta nas redes socais. A fala foi amplamente repudiada e considerado por alguns como antissemita. No dia 22 de junho, Eliane e a GloboNews se retrataram num pedido de desculpas. O pedido foi lido ao vivo na programação do canal na manhã. No mesmo dia, O major Rafael Rozenszajn, porta-voz das Forças de Defesa de Israel nascido no Brasil, respondeu Cantanhêde em vídeo em rede social, sobre a razão de morrerem poucos civis israelenses.


