Liberalismo
Liberalismo é uma corrente política e moral baseada na liberdade, no consentimento dos governados e igualdade perante a lei. Os liberais defendem uma ampla gama de pontos de vista, dependendo da sua compreensão desses princípios, mas, em geral, apoiam ideias como um governo limitado em seus poderes, direitos individuais, livre mercado, democracia, secularismo, igualdade de gênero, igualdade racial, internacionalismo, liberdade de expressão, liberdade de imprensa e liberdade religiosa. O Amarelo é a cor política mais comumente associada com o liberalismo.
Palavras como "liberal", "liberdade", "libertário" e "libertino" têm a sua origem no latim liber, que significa "livre". Uma das primeiras instâncias registradas da palavra "liberal" ocorreu em 1375, quando foi usada para descrever as artes liberais no contexto de uma educação desejável para um homem nascido livre. A ligação inicial da palavra com a educação clássica de universidades medievais logo deu lugar a uma proliferação de diferentes denotações e conotações. "Liberal" poderia se referir àquele "livre na concessão" inicialmente em 1387, "feito sem restrição" em 1433, "livremente permitido" em 1530 e "livre de restrição" — muitas vezes como uma observação pejorativa — nos séculos XVI e XVII. Na Inglaterra do século XVI, as palavras relacionadas poderiam ter atributos positivos ou negativos, podendo se referir à generosidade ou indiscrição de alguém. Em Muito Barulho por Nada, William Shakespeare escreveu sobre "uma vilania liberal" que "confessa [...] seus encontros vis". Com a ascensão do Iluminismo, a palavra adquiriu decisivamente mais tons positivos, sendo definida como "livre de preconceitos estreitos" em 1781 e "livre do fanatismo" em 1823. Em 1815, o primeiro uso da palavra "liberalismo" apareceu em inglês. Na Espanha, os liberales, o primeiro grupo a usar o rótulo liberal em um contexto político, lutaram por décadas para a implementação da Constituição de 1812. De 1820 a 1823, durante o Triênio Liberal, o rei Fernando VII foi forçado pelos liberais a jurar defender a Constituição. Em meados do século XIX, o termo liberal foi usado de forma politizada para partidos e movimentos em todo o mundo.
Correntes isoladas de pensamento liberal existem na filosofia ocidental desde os gregos antigos e na filosofia oriental desde os períodos Song e Ming. Essas ideias foram inicialmente reunidas e sistematizadas como uma ideologia distinta pelo filósofo inglês John Locke, geralmente considerado o pai do liberalismo moderno. Os primeiros grandes sinais da política liberal surgiram nos tempos modernos. Essas ideias começaram a se fundir na época da Guerra Civil Inglesa. Os Levellers, um movimento político minoritário amplamente ignorado que consistia principalmente de Puritanos, Presbiterianos e Quakers, pedia liberdade de religião, convocação frequente do parlamento e igualdade perante a lei. A Revolução Gloriosa de 1688 consagrou a soberania parlamentar e o direito de revolução na Grã-Bretanha e foi referida pelo autor Steven Pincus como a "primeira revolução liberal moderna". O desenvolvimento do liberalismo continuou ao longo do século 18 com os florescentes ideais iluministas da época. Este período de profunda vitalidade intelectual questionou velhas tradições e influenciou várias Monarquias europeias ao longo do século XVIII. A tensão política entre a Inglaterra e suas Colônias americanas cresceu após 1765 e a Guerra dos Sete Anos sobre a questão de tributação sem representação, culminando na Guerra Revolucionária Americana e, eventualmente, a Declaração de Independência. Após a guerra, os líderes debateram sobre como seguir em frente. Os Artigos da Confederação, escritos em 1776, agora pareciam inadequados para fornecer segurança ou mesmo um governo funcional. O Congresso da Confederação convocou uma Convenção Constitucional em 1787, que resultou na redação de uma nova Constituição dos Estados Unidos estabelecendo um governo federal. No contexto da época, a Constituição era um documento republicano e liberal.
Os elementos fundamentais da sociedade contemporânea têm raízes liberais. As primeiras ondas do liberalismo popularizaram o individualismo econômico, ao mesmo tempo em que expandiam os governos constitucionais e a autoridade parlamentar. Um dos maiores triunfos liberais envolveu a substituição da natureza caprichosa dos governos monárquicos e absolutistas por um processo de tomada de decisão codificado em leis escritas. Liberais procuraram e estabeleceram de fato uma ordem constitucional que prezava pelas liberdades individuais, como a liberdade de expressão e a de associação, um Poder Judiciário independente e o julgamento por um júri público, além da abolição dos privilégios aristocráticos. Estas mudanças radicais na autoridade política marcaram a transição do absolutismo para a ordem constitucional. A expansão e promoção dos mercados livres foi outra grande conquista liberal. Antes que eles pudessem estabelecer novas estruturas de mercado, no entanto, os liberais tiveram que destruir as antigas estruturas econômicas do mundo. Nesse sentido, os liberais acabaram com as políticas mercantilistas, monopólios reais e diversas outras restrições sobre as atividades econômicas. Eles também tentaram abolir as barreiras internas ao comércio, eliminando as guildas, tarifas locais e as proibições sobre a venda de terras.
O liberalismo atraiu críticas e apoios em sua história de diversos grupos ideológicos. O menos amigável aos objetivos do liberalismo foi o conservadorismo. Edmund Burke, considerado por alguns como o primeiro grande proponente do pensamento conservador moderno, ofereceu uma crítica violenta da Revolução Francesa que atacava as pretensões liberais ao poder da racionalidade e à igualdade natural de todos os seres humanos. Há certa confusão sobre a relação entre o liberalismo social e socialismo, apesar do fato de que muitas variantes do socialismo se distinguem marcadamente do liberalismo devido ao fato de se opor ao capitalismo, à hierarquia e à propriedade privada. O socialismo faz parte de um grupo de ideologias divergentes ao liberalismo no século XIX, assim como o socialismo cristão, comunismo (com os escritos de Karl Marx) e o anarquismo (com os escritos de Mikhail Bakunin), os dois últimos influenciados pela Comuna de Paris. Essas ideologias — assim como o liberalismo e o conservadorismo — foram divididos em vários movimentos maiores e menores nas décadas seguintes. Marx rejeitou os aspectos fundamentais da teoria liberal, na esperança de destruir o Estado e a distinção liberal entre a sociedade e o indivíduo juntando os dois em um trabalho coletivo projetado para derrubar a ordem capitalista em desenvolvimento do século XIX. Hoje, os partidos e ideias socialistas continuam sendo uma força política com diferentes graus de poder e influência em todos os continentes, liderando os governos nacionais em muitos países.


