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Antijudaísmo

Antijudaísmo é uma oposição ou hostilidade ao judaísmo e seus praticantes. Ele é distinto do antissemitismo por ser baseado no repúdio, religioso ou de outro motivo, a práticas ou crenças da religião judaica, e não em supostos fatores raciais.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 11/07/2026
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Antijudaísmo no Império Romano pré-cristão

Imagem: Angélica Martínez · BY-SA · Openverse

No Império Romano, a religião era uma parte integrante do governo civil. Os imperadores romanos proclamaram-se como deuses na Terra, e exigiam ser assim venerados. Isso criava dificuldades, não apenas para os judeus, mas também para os seguidores de Mitra, Sabázio, e os primeiros cristãos, que eram proibidos por suas crenças de venerar deuses de outras. A Crise sob Calígula (37-41) é tida como a "primeira ruptura aberta entre Roma e os judeus", apesar de os problemas já serem evidentes durante o Censo de Públio Sulpício Quirino em 6 e sob Sejano (antes de 31). Após a Guerra judaico-romana (66-135), Adriano mudou o nome da província da Judeia para Síria Palestina, e Jerusalém para Élia Capitolina, na tentativa de apagar os laços históricos dos judeus com a região. Além disso, após 70, os judeus só eram autorizados a praticar a sua religião se pagassem o Fisco Judaico (imposto judaico), e depois de 135 foram impedidos de entrar em Jerusalém, exceto no dia do Tisha B'Av.

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História do antijudaísmo cristão

Imagem: Angélica Martínez · BY-SA · Openverse

Cristianismo primitivo e os judaizantes

O cristianismo iniciou a sua existência no século I como uma seita dentro do judaísmo, o chamados cristianismo judaico. Era visto como tal pelos primeiros cristãos, assim como pelos judeus em geral. A administração romana provavelmente também não teria visto qualquer distinção. É discutido entre os historiadores se o governo romano distinguia ou não entre cristãos e judeus antes que Nerva realizasse sua modificação do imposto judaico em 96. A partir de então, os judeus praticantes pagavam o imposto, mas os cristãos não. O principal ponto de divergência entre a comunidade cristã primitiva e suas raízes judaicas era a crença cristã de que Jesus era o tão esperado Messias. Outro ponto de divergência foi o questionamento por parte da comunidade cristã da aplicabilidade contínua da Lei de Moisés (a Torá), embora o "Decreto Apostólico" da era apostólica do cristianismo parece fazer paralelo com as Leis de Noé do judaísmo. As duas questões vieram a ser ligadas a uma discussão teológica dentro da comunidade cristã, sobre se a vinda do Messias poderia anular algumas ou todas as leis bíblicas anteriores.

Polêmica antijudaica

Obras antijudaicas deste período incluem De Adversus Iudeaos por Tertuliano, Octavius por Marcus Minucius Felix, De Catholicae Ecclesiae Unitate por Cipriano de Cartago, e Instructiones Adversus Gentium Deos por Lactâncio. A hipótese tradicional sustenta que o antijudaísmo destes primeiros pais da Igreja foi herdado da tradição cristã da exegese bíblica, embora uma segunda hipótese sustenta que o antijudaísmo dos primeiros cristãos foi herdado do mundo pagão. Taylor observou que o antijudaísmo cristão teológico "emerge a partir de esforços da Igreja para resolver as contradições inerentes a sua apropriação simultânea e rejeição de diferentes elementos da tradição judaica".

De Constantino até ao século VIII

Quando Constantino e Licínio emitiram o Édito de Milão, a influência do judaísmo estava desaparecendo na terra de Israel em favor do cristianismo, mas se ampliando fora do Império Romano, na Babilônia. Até o século III as heresias judaizantes estavam quase extintas no cristianismo. O Concílio de Niceia proibiu a celebração da Páscoa entre os cristãos. Após derrotar Licínio, em 323 dC, Constantino mostrou clara preferência política pelos cristãos. Ele reprimiu o proselitismo judaico, e proibiu os judeus de circuncidar seus escravos. Os judeus foram impedidos de entrar em Jerusalém, exceto no Tisha B'Av (dia do aniversário da destruição do Segundo Templo) e somente depois de pagar um imposto especial (provavelmente o Fiscus Judaicus) em prata. Ele também promulgou uma lei que condenava à morte na fogueira os judeus que perseguiram seus apóstatas por apedrejamento. O cristianismo se tornou a religião oficial do Império Romano (ver: cristianização). "Mal se armou, [a Igreja] esqueceu seus mais elementares princípios e dirigiu seu braço secular contra os seus inimigos".

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Comparação com o antissemitismo

Imagem: Angélica Martínez · BY-SA · Openverse

No livro In Toward a Definition of Antisemitism, o historiador Gavin I. Langmuir estabeleceu uma diferenciação entre o antijudaísmo medieval, em que o judeu era detestado pelos cristãos por seguir um sistema de crenças concorrente, do antissemitismo medieval, em que o judeu era visto como uma criatura irreal e demoníaca, um monstro criado por rumores. No século VI, no Reino Visigótico, as injustas coacções e imprudências que foram praticadas contra a comunidade judaica hispânica para forçá-los a abraçar a fé cristã levou à criação de um "problema judaico", que muito perturbou a vida desse reino.

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