Antigo Palácio de Verão
O Antigo Palácio de Verão, conhecido na China como os "Jardins da Perfeita Claridade", e originalmente chamado de "Jardins Imperiais", foi um complexo de palácios e jardins situados 8 km a noroeste das muralhas de Pequim, construído no século XVIII e início do século XIX, onde os imperadores da Dinastia Qing residiam e tratavam de assuntos governamentais(a Cidade Proibida, dentro de Pequim, era usada apenas para cerimónias formais).
A construção inicial teve início em 1707, durante o reinado do Imperador Kangxi, e tinha uma escala muito menor. Foi pensado como um presente para o seu quarto filho, mais tarde Imperador Yongzheng. Em 1725, já durante o reinado do Imperador Yongzheng, os Jardins Imperiais foram fortemente expandidos. Yongzheng introduziu os trabalhos de água dos jardins, os quais criaram alguns dos lagos, riachos e tanques que complementaram, em grande medida, as colinas ondulantes e os campos. Yongzheng também deu nome a 28 lugares cénicos dentro do jardim. Na época do reinado do Imperador Qianlong, a segunda expansão foi bem encaminhada. Qianlong, pessoalmente, teve interesse e dirigiu os trabalhos de ampliação. Este imperador também fez aumentar, para 40, o número de lugares cenográficos nos jardins. Em meados do século XIX, os Jardins Imperiais tinham sofrido expansões, de uma forma ou de outra, por mais de 150 anos.
Os Jardins Imperiais eram constituídos por três jardins: o próprio Jardim do perfeito Brilho, o Jardim da Primavera Eterna (em chinês tradicional: 綺春園; em chinês simplificado: 长春园; em pinyin: Chángchūn Yuán) e o Elegante Jardim de Primavera (em chinês tradicional: 長春園; em chinês simplificado: 绮春园; em pinyin: Qǐchūn Yuán); juntos, cobriam uma área de 3,5 km² (865 acres). Tinham quase cinco vezes o tamanho da Cidade Proibida e oito vezes o da Cidade do Vaticano. Possuíam centenas de vestíbulos, pavilhões, templos, galerias, jardins e lagos. Várias paisagens famosas do sul da China foram reproduzidas nos Jardins Imperiais, centenas de valiosas antiguidades e obras primas da arte chinesa foram guardadas nas suas salas, fazendo dos Jardins Imperiais um dos maiores museus do mundo. Algumas cópias únicas de obras literárias e compilações foram, igualmente, conservadas dentro dos Jardins Imperiais.
Em 1860, durante a Segunda Guerra do Ópio, forças expedicionárias britânicas e francesas, tendo marchado para o interior a partir da costa, atingiram Pequim. Na noite de 6 para 7 de Outubro as forças francesas desviaram-se da força de ataque principal em direcção ao Antigo Palácio de Verão. Apesar do comandante francês, Montauban, ter assegurado ao comandante inglês, Grant, que "nada havia sido tocado", tiveram lugar extensas pilhagens, também empreendidas por britânicos e chineses. O Antigo Palácio de Verão estava ocupado, apenas, por alguns eunucos, uma vez que o Imperador Xianfeng havia fugido. Não houve uma resistência significativa por parte dos chineses, apesar de muitos dos soldados imperiais chineses estarem nas redondezas. No dia 18 de Outubro de 1860, o Alto Comissário Britânico para a China, Lord Elgin, decidiu destruir o Antigo Palácio de Verão como uma forma de punir o Imperador Xianfeng sem prejudicar a população geral, ou destruir a própria Pequim, pela autorização de tortura e execução de quase vinte prisioneiros ocidentais, incluindo dois enviados britânicos e um jornalista pelo The Times.
Críticas
Para a maioria dos chineses, o acto de queimar o palácio é percepcionado como bárbaro e impiedoso. Franceses contemporâneos, como Victor Hugo, desaprovaram as acções dos britânicos e franceses. na sua "Expédition de Chine", ele descreveu o saque como, "Dois ladrões entraram neste museu, devastando, saqueando e queimando, e partiram rindo e de mãos dadas com os seus sacos cheios de tesouros; um dos ladrões é chamado França e o outro Britânia". Na sua carta, Hugo esperava que a França um dia pudesse sentir culpa e devolvesse o que havia pilhado à China.
Consequências
Depois desta catástrofe cultural, a corte imperial foi forçada a deslocar-se para a velha e austera Cidade Proibida, onde permaneceria até 1924, quando o Último Imperador foi expulso por um exército republicano. A venerável imperatriz Cixi construiu o Yiheyuan (em chinês tradicional: 頤和園; em chinês simplificado: 颐和园; em Pinyin:Yíhé Yuán - o "Jardim da Harmonia Cultivada") próximo do Antigo Palácio de Verão, mas numa escala muito menor que a deste. Apenas os palácios de estilo europeu sobreviveram ao incêndio - ao contrário das estruturas em estilo chinês - uma vez que eram feitos de pedra. Algumas pedras das ruínas destes edifícios europeus ainda se erguem no local actualmente. Talvez seja por este facto que, por vezes, os visitantes assumem erradamente que o Antigo Palácio de Verão era constituído apenas por edifícios em estilo europeu.
Existem actualmente alguns projectos na China para reconstruir os Jardins Imperiais, mas alguns movimentos opuseram-se no terreno alegando que isso destruiria uma importante relíquia da história chinesa moderna. O governo chinês decidiu manter o sítio arruinado para testemunhar junto das futuras gerações chinesas o preço de ser dominado e humilhado pelos poderes estrangeiros da Europa. Além disso, qualquer reconstrução seria um empreendimento colossal, não tendo sido aprovada a reconstrução de qualquer estrutura acima do solo. No entanto, os lagos e vias aquáticas da metade oriental dos jardins têm sido, novamente, escavados e enchidos com água, enquanto as colinas à volta dos lagos têm sido limpas dos matagais, recriando vistas há muito esquecidas. Em Fevereiro de 2005, foram empreendidos trabalhos para reduzir a perda de água dos lagos e canais no Antigo Palácio de Verão, através da cobertura duma área total de 1,33 quilómetros quadrados dos seus leitos com uma membrana para reduzir a ruptura. A administração do parque alegou que a prevenção da perda de água salvaria o dinheiro do parque, uma vez que a água teria que ser acrescentada aos lagos apenas uma vez por ano em vez de três vezes. No entanto, oponentes ao projecto, como o Professor Zhengchun Zhang da Universidade de Lanzhou, temeram que a medida destruiria a ecologia do parque, a qual depende da perda de água dos lagos, das ligações entre eles e dos sistemas de água subterrâneos. Também se temeu que ao reduzir essas rupturas, os lagos iriam perturbar o sistema de água subterrâneo de Pequim, o qual ainda sofre de esgotamento.


