Anti-histamínico
Os anti-histamínicos são fármacos que neutralizam os efeitos da histamina no corpo, como em quadros de alergias e doenças gastrointestinais. São medicamentos que podem ser comprado sem receita médica e proporcionam alívio da congestão nasal, espirros ou urticária causados por pólen, ácaros ou alergia a animais ou refluxo gastroesofágico, a depender da classe. Os anti-histamínicos costumam ser indicados para tratamentos de curto prazo.
A histamina torna os vasos sanguíneos mais permeáveis (permeabilidade vascular), fazendo com que o fluido escape dos capilares para os tecidos, o que leva aos sintomas clássicos de uma reação alérgica — coriza e olhos lacrimejantes. A histamina também promove a angiogênese. Os anti-histamínicos suprimem a resposta de pápula (inchaço) e a resposta de eritema (vasodilatação) induzidas pela histamina bloqueando a ligação da histamina aos seus receptores ou reduzindo a atividade do receptor de histamina nos nervos, músculo liso vascular, células glandulares, endotélio e mastócitos. Os anti-histamínicos também podem ajudar a corrigir a disfunção da Trompa de Eustáquio, ajudando assim a melhorar problemas como audição abafada, sensação de plenitude no ouvido e até mesmo zumbido. A coceira, os espirros e as respostas inflamatórias são suprimidos por anti-histamínicos que atuam nos receptores H1. Em 2014, anti-histamínicos como a desloratadina mostraram-se eficazes como adjuvantes no tratamento padronizado da acne devido às suas propriedades anti-inflamatórias e à sua capacidade de suprimir a produção de sebo.
Anti-histamínicos H1
Os anti-histamínicos H1 referem-se a compostos que inibem a atividade do receptor H1. Como o receptor H1 exibe atividade constitutiva, os anti-histamínicos H1 podem ser antagonistas de receptor neutros ou agonistas inversos. Normalmente, a histamina liga-se ao receptor H1 e aumenta sua atividade; os antagonistas do receptor atuam ligando-se ao receptor e bloqueando a ativação deste pela histamina; em comparação, os agonistas inversos ligam-se ao receptor e não apenas bloqueiam a ligação da histamina, mas também reduzem sua atividade constitutiva, um efeito oposto ao da histamina. A maioria dos anti-histamínicos atua como agonistas inversos no receptor H1, mas anteriormente pensava-se que eram antagonistas.
Anti-histamínicos H2
Os anti-histamínicos H2, assim como os H1, existem como agonistas inversos e antagonistas neutros. Eles atuam nos receptores de histamina H2 encontrados principalmente nas células parietais da mucosa gástrica, que fazem parte da via de sinalização endógena para a secreção de ácido gástrico. Normalmente, a histamina atua no H2 para estimular a secreção de ácido; fármacos que inibem a sinalização H2 reduzem assim a secreção de ácido gástrico. Os anti-histamínicos H2 estão entre as terapias de primeira linha para o tratamento de doenças gastrointestinais, incluindo úlceras pépticas e doença do refluxo gastroesofágico. Algumas formulações estão disponíveis sem receita médica. A maioria dos efeitos colaterais é devida à reatividade cruzada com receptores indesejados. A cimetidina, por exemplo, é notória por antagonizar os receptores androgênicos de testosterona e DHT em altas doses.
Anti-histamínicos H3
Um anti-histamínico H3 é uma classe de fármacos usada para inibir a ação da histamina no receptor H3. Os receptores H3 são encontrados principalmente no cérebro e são autorreceptores inibitórios localizados nos terminais nervosos histaminérgicos, que modulam a liberação de histamina. A liberação de histamina no cérebro desencadeia a liberação secundária de neurotransmissores excitatórios, como o glutamato e a acetilcolina, através da estimulação dos receptores H1 no córtex cerebral. Consequentemente, ao contrário dos anti-histamínicos H1 que são sedativos, os anti-histamínicos H3 possuem efeitos estimulantes e moduladores da cognição. Exemplos de anti-histamínicos H3 seletivos incluem:
Anti-histamínicos H4
Os anti-histamínicos H4 inibem a atividade do receptor H4. Exemplos incluem:
Anti-histamínicos H1
Os anti-histamínicos H1 são usados principalmente para tratar alergias ou outros tipos de processos inflamatórios relacionados à produção de IgE. A maioria dos fármacos dessa classe atua como agonistas inversos da histamina e não como antagonistas neutros, o que significa que diminuem a atividade constitutiva do receptor de histamina para níveis inferiores à sua atividade basal. Essa atividade está intimamente relacionada à estrutura química geral dos anti-histamínicos H1: A partir daí, é possível classificar quase todos os anti-histamínicos H1 de primeira geração:
Inibidores da histidina descarboxilase
Inibem a ação da histidina descarboxilase:
Estabilizadores de mastócitos
Os estabilizadores de mastócitos são fármacos que previnem a degranulação dos mastócitos. Exemplos incluem:
Os primeiros antagonistas do receptor H1 foram descobertos na década de 1930 e comercializados na década de 1940. O piperoxano foi descoberto em 1933 e foi o primeiro composto com efeitos anti-histamínicos a ser identificado. O piperoxano e seus análogos estruturais eram demasiado tóxicos para serem usados em humanos. A fenbenzamina (Antergan) foi o primeiro anti-histamínico clinicamente útil e foi introduzido para uso médico em 1942. Subsequentemente, muitos outros anti-histamínicos foram desenvolvidos e comercializados. A difenidramina (Benadryl) foi sintetizada em 1943, a tripelennamina (Pyribenzamine) foi patenteada em 1946 e a prometazina (Fenergan) foi sintetizada em 1947 e lançada em 1949. Em 1950, pelo menos 20 anti-histamínicos já haviam sido comercializados. A clorfeniramina (Piriton), um anti-histamínico menos sedativo, foi sintetizada em 1951, e a hidroxizina (Atarax, Vistaril), um anti-histamínico usado especificamente como sedativo e tranquilizante, foi desenvolvida em 1956. O primeiro anti-histamínico não sedativo foi a terfenadina (Seldane), desenvolvida em 1973. Em seguida, outros anti-histamínicos não sedativos como a loratadina (Claritin), a cetirizina (Zyrtec) e a fexofenadina (Allegra) foram desenvolvidos e introduzidos.
O governo dos Estados Unidos retirou dois anti-histamínicos de segunda geração, a terfenadina e o astemizol, do mercado baseando-se em evidências de que poderiam causar problemas cardíacos.
Não há muitas pesquisas publicadas que comparem a eficácia e segurança dos vários anti-histamínicos disponíveis. A pesquisa existente consiste principalmente em estudos de curto prazo ou estudos que analisam um número reduzido de pessoas para permitir conclusões gerais. Outra lacuna nas pesquisas reside nas informações sobre os efeitos à saúde em indivíduos com alergias de longo prazo que tomam anti-histamínicos por longos períodos. Os anti-histamínicos mais recentes têm demonstrado ser eficazes no tratamento da urticária. No entanto, não há pesquisas que comparem a eficácia relativa desses fármacos entre si.
Populações especiais
Em 2020, o National Health Service do Reino Unido escreveu que "[a] maioria das pessoas pode tomar anti-histamínicos com segurança", mas que "[a]lguns anti-histamínicos podem não ser adequados" para crianças pequenas, grávidas ou lactantes, para aqueles que tomam outros medicamentos ou pessoas com condições "como doença cardíaca, doença hepática, doença renal ou epilepsia". A maioria dos estudos sobre anti-histamínicos analisou pessoas mais jovens, de modo que os efeitos em pessoas com mais de 65 anos não são tão bem compreendidos. Indivíduos mais velhos têm maior probabilidade de sentir sonolência com o uso de anti-histamínicos em comparação aos mais jovens. O uso contínuo e/ou cumulativo de medicamentos anticolinérgicos, incluindo anti-histamínicos de primeira geração, está associado a um risco maior de declínio cognitivo e demência em idosos.
Potenciais usos estudados
Pesquisas sobre os efeitos de medicamentos comumente usados sobre certas terapias contra o câncer sugeriram que, quando consumidos em conjunto com inibidores de checkpoint imunológico, alguns podem influenciar a resposta dos indivíduos a esse tratamento em particular, cujas funções de células T estavam falhando na atividade antitumoral. Ao estudar os registros em testes com camundongos associados a 40 medicamentos comuns, desde antibióticos, anti-histamínicos, aspirina e hidrocortisona, observou-se que, para indivíduos com melanoma e câncer de pulmão, a fexofenadina, junto com a loratadina e a cetirizina (que têm como alvo o receptor de histamina H1 - HRH1), demonstrou taxas de sobrevivência significativamente maiores e restaurou a atividade antitumoral das células T, inibindo em última instância o crescimento tumoral nos animais testados. Tais resultados encorajam a continuação dos estudos para verificar se os resultados em humanos são semelhantes no combate à resistência à imunoterapia.


