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Reino da Croácia (Idade Média)

O Reino da Croácia, também conhecido como Reino dos Croatas, foi um reino medieval que abrangia a maior parte dos territórios da moderna Croácia e também, de forma intermitente, da Bósnia e Herzegovina, nos Balcãs.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 22/07/2026
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Primeiros estados croatas

Chegada dos croatas

Nenhuma fonte literária sobre a migração sobreviveu, especialmente uma que trate dos eventos de forma abrangente e também da região especificamente. Por conta disso, os historiadores contam apenas com registros escritos séculos depois dos eventos e que podem ter se baseado em tradições orais. Os croatas eram uma tribo eslava que migraram para os Balcãs vindo de uma região na Polônia e proximidades ou da Ucrânia ocidental. A maior parte dos estudiosos modernos acredita que os primeiros croatas, assim como outros povos eslavos mais antigos, eram populações agrícolas governadas por alanos, um povo nômade de língua iraniana. Não se sabe se eles contribuíram muito mais além de uma casta governante e uma classe guerreira; as evidências sobre isso são majoritariamente filológicas e etimológicas.

Cristianização

O mais antigo registro de contato entre o papa e os croatas data de meados do século VII, uma entrada no Liber Pontificalis. O papa João IV (João, o Dálmata; (r. 640–642) enviou um abade chamado Martinho para a Dalmácia e a Ístria para pagar o resgate de alguns prisioneiros que levavam os restos de antigos mártires cristãos. O relato afirma que este abade viajou pela Dalmácia com a ajuda dos líderes croatas e estabeleceu as fundações para as futuras relações entre o papa e os croatas. A cristianização dos croatas começou depois logo depois da migração, provavelmente ainda no século VII, e foi muito influenciada pela proximidade das antigas cidades bizantinas na Dalmácia. O processo já estava completo no norte no início do século IX. Estes primeiros anos também são disputados nas fontes históricas: os textos bizantinos falam de um duque Porin, que começou o processo a pedido de Heráclio, e depois de um príncipe Porga, que teria cristianizado a maior parte da população depois de ser influenciado por missionários de Roma. Por outro lado, a tradição nacional croata relembra a cristianização durante o reinado do príncipe dálmata Borna. É possível que que estes nomes todos façam referência a uma mesma pessoa.

Ascensão dos croatas

As terras croatas durante a Idade Média estavam localizadas entre três grandes estados: o Império Bizantino, que queria o controle das cidades-estado e ilhas dálmatas; os francos, que queriam o controle dos territórios ao norte e noroeste; e, finalmente, o Grão-Canato Avar, dominado depois pelos magiares, e outros estados de curta duração no nordeste. Um quarto grupo importante, não tão poderoso em relação às suas relações com a Croácia, eram os eslavos no sudeste: os sérvios e os búlgaros. O norte foi subjugado pelo Império Carolíngio depois que, em 796, um príncipe da Croácia Panônia, Voinomir, trocou sua aliança com os ávaros por uma com os francos. Eles consolidaram seu domínio sobre as regiões entre os rios Sava, Drava e Danúbio, governada pelo marquês de Friul. O Patriarcado de Aquileia recebeu então permissão para cristianizar os demais eslavos da região. Carlos Magno invadiu a porção croata da Dalmácia em 799, contestando a suserania bizantina e, depois de uma longa guerra, conquistou a região em 803. O príncipe que liderava os croatas no sul na época era Višeslav.

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Reino independente

Fundação

A Croácia foi elevada ao status de reino por volta de 925, quando o rei Tomislau I recebeu a coroa de um legado papal depois de unir os eslavos da Dalmácia e da Panônia sob seu comando. O estado de Tomislau se estendia do mar Adriático até o rio Drava e do rio Raša até o Drina. Sob seu comando, a Croácia se tornou um dos mais poderosos reinos do Balcãs. É importante notar, porém, que a extensão geográfica do reino de Tomislau não é bem esclarecida e é um tema controverso na historiografia da região. Em algum momento entre 923 e 928, Tomislav foi coroado no campo de Duvno (a cidade central na região é ainda hoje chamada Tomislavgrad - "cidade de Tomislau" - em sua homenagem). A principal evidência deste evento é uma carta datada de 925, sobrevivente apenas em cópias do século XVI, na qual o papa João X chama Tomislau de rex Chroatorum. Ele administrava seu reino como um grupo de onze condados (zupanias) e um "banato" (Banovina). Cada uma destas regiões tinha uma cidade real fortificada.

Século X

A sociedade croata passou por grandes mudanças no século X. Os líderes locais, os zupanos (župani), foram substituídos por aliados do rei que tomaram as terras de seus antigos donos, essencialmente criando um sistema feudal. Os camponeses, antes livres, tornaram-se servos e não mais eram obrigados a servir no exército, o que levou ao enfraquecimento militar da Croácia. Tomislau foi sucedido por Trepimiro II (r. 928–935) e Cresimiro I (Krešimir; (r. 935–945), que consolidara o reino e mantiveram boas relações com os bizantinos e com o papa. Este período, no geral, porém, é obscuro. Miroslau (r. 945–949) foi morto pelo seu bano, Pribina, durante uma disputa interna de poder e a Croácia novamente perdeu as ilhas de Brač, Hvar e Vis para os duques da Pagânia. As cidades-estado dálmatas e o Ducado da Bósnia foram perdidos para o Império Bizantino e a Eslavônia oriental e Sírmia foram tomados pelos magiares.

Século XI

Logo que Estêvão Dirzislau morreu, em 997, seus três filhos, Esvetoslau (r. 997–1000), Cresimiro III (Krešimir; (r. 1000–1030) e Goislau (r. 1000–1020), iniciaram uma violenta disputa pelo trono, enfraquecendo o estado e permitindo que os venezianos, liderados por Pedro II Orseolo, e os búlgaros, comandados pelo imperador Samuel, tomassem as terras croatas ao longo da costa do Adriático. Em 1000, Orseolo liderou a frota veneziana até a região e gradualmente foi conquistando-a toda, primeiro as ilhas do golfo de Kvarner e Zadar, depois Trogir e Split, seguido de uma vitoriosa batalha naval contra os narentinos, depois da qual ele também assumiu o controle de Korčula e Lastovo, e reivindicou para si o título de dux Dalmatiæ. Cresimiro III tentou recuperar as cidades dálmatas e conseguiu alguns sucessos até 1018, quando foi derrotado por Veneza e seus aliados lombardos. Seu filho, Estêvão I (Stjepan; (r. 1030–1058), conseguiu apenas que o duque dos narentinos se tornasse seu vassalo em 1050.

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Declínio e guerra

Demétrio Zvonimir (r. 1075–1089) foi o rei da Croácia do ramo Svetoslavić da Casa de Trpimirović. Ele começou como bano da Eslavônia a serviço do rei Estêvão I e depois como duque da Croácia sob o rei Pedro Cresimiro IV. Pedro declarou-o herdeiro e, no final de 1074 ou início de 1075, Demétrio finalmente ascendeu ao trono. Ele havia se casado em 1063 com sua parente distante, Jelena Lijepa ("Helena, a Bela"). A rainha Helena era uma princesa húngara, filha do rei Béla I da dinastia Árpád e era irmã do futuro rei Ladislau I. O casal teve um filho, Radovan, que morreu com mais ou menos vinte anos de idade. Ele foi seguido por Demétrio, que morreu em 1089. Sem herdeiros para sucedê-lo, Estêvão II (r. 1089–1091), do ramo principal dos Trpimirović, ascendeu ao trono já bestante idoso e reinou por apenas dois anos. Esta sucessão foi contestada por uma facção de nobres da região norte do reino (Panônia), que ofereceu a coroa ao rei Ladislau I da Hungria, que imediatamente reivindicou a coroa croata para sua irmã, a rainha Helena, viúva de Zvonimir. A rainha exercia uma considerável influência no norte e, aparentemente, a usou para reforçar a reivindicação do irmão.

Controvérsia da unificação

Os eventos que cercam a união da Croácia e Hungria são a origem de uma grande controvérsia histórica. Historiadores croatas argumentam que a união foi de natureza pessoal, um rei compartilhado, enquanto que os húngaros insistem que a Croácia foi conquistada. A importância do debate reside na defesa croata de uma herança ininterrupta de um estado histórico dos croatas que é claramente comprometida pelo argumento húngaro. A alegação húngara foi feita no século XIX durante o despertar nacional húngaro ao passo que o mesmo argumento pode ser feito sobre a união pessoal ter sido articulado pela primeira vez no século XIV. A verdadeira natureza da relação é impossível de ser explicada em termos modernos por que ela variou de tempos em tempos. A Croácia atuou tanto como um agente independente quanto como um vassalo da Hungria. Porém, é fato que a Croácia manteve-se em grande medida independente internamente, com o grau de autonomia flutuando ao longo dos séculos conforme mudavam as suas fronteiras.

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Período de união com a Hungria

Os sucessores de Colomano continuaram a se coroar como reis da Croácia separadamente em Biograd na Moru até a época de Béla IV. No século XIV, um novo termo surgiu para descrever a coleção de estados independentes de jure sob o domínio do rei da Hungria: Archiregnum Hungaricum (as "Terras da Coroa de Santo Estêvão").

Feudalismo

O rei húngaro também introduziu uma variação do sistema feudal. Grandes feudos foram concedidos a indivíduos dispostos a defendê-los contra invasões estrangeiras, criando assim um sistema de defesa para todo o estado. Porém, ao permitir que a nobreza acumulasse mais poder econômico e militar, o reino em si perdeu influência em relação às famílias nobres dos Frankopan, Šubić, Lacković, Nelipčić, Kačić, Kurjaković, Drašković, Babonić e outras. Durante este período, os Cavaleiros Templários e os Cavaleiros Hospitalários também se apoderaram de vastas propriedades na Croácia. Os últimos reis buscaram restaurar a influência do monarca ao conceder alguns privilégios às cidades, tornando-as cidades reais livres, que os reis defendiam dos senhores feudais em troca de apoio.

Guerras otomanas

Quando a invasão turca da Europa começou, a Croácia novamente se tornou uma região de fronteira entre duas grandes forças nos Balcãs. Apesar de os croatas, liderados pelo padre franciscano italiano fra João Capistrano e pelo generalíssimo húngaro João Hunyadi (János), ter contribuído para a vitória cristã sobre os otomanos no Cerco de Belgrado, eles sofreram uma pesada derrota na Batalha do Campo de Krbava (em Lika, na moderna Croácia) em 1493 e gradualmente foram perdendo partes cada vez maiores de seu território para o Império Otomano. O papa Leão X chamou a Croácia de "anteparo do cristianismo" (Antemurale Christianitatis) em 1519, um reconhecimento da importante contribuição dos soldados croatas para a luta contra os turcos muçulmanos. Entre eles estava o bano Pedro Berislavić (Petar), que venceu em Dubica, às margens do rio Una, em 1513; o capitão de Senj e o príncipe de Klis, Pedro Kružić, que defendeu a Fortaleza de Klis por quase 25 anos; o capitão Nikola Jurišić, que deteve uma força turca muito maior e que estava à caminho de Viena em 1532; e finalmente o bano Nikola Šubić Zrinski, que ajudou a salvar Peste da ocupação em 1542 e lutou na Batalha de Szigetvar em 1566.

União depois de 1526

A Batalha de Mohács e a morte de Luís II terminaram o domínio da Hungria sobre a Croácia. Em 1526, o parlamento húngaro elegeu János Szapolya como novo rei da Hungria, mas um outro grupo elegeu o imperador Fernando I. O parlamento croata, reunido em Cetin, elegeu de forma unânime Fernando como rei da Croácia em 1 de janeiro de 1527, unindo ambos os reinos sob o controle da Casa de Habsburgo. O Império Otomano, enquanto isso, se expandiu ainda mais e, no século XVI, já abarcava a maior parte da Eslavônia, a Bósnia ocidental e Lika. A Croácia havia se tornado tão fraca que seu parlamento permitiu que Ferdinando realocasse grandes porções da Croácia e da Eslavônia, adjacentes ao Império Otomano, criando a Krajuna Croata (Vojna Krajina, em alemão: Militärgrenze - "Fronteira Militar Croata"), que foi governada diretamente a partir do quartel-general em Viena. A região, porém, foi desertada e acabou sendo posteriormente populada por sérvios, valáquios, croatas, germânicos e outros. Como resultado de um serviço militar compulsório à Monarquia de Habsburgo durante as guerras contra os otomanos, esta "Fronteira Militar" tornou-se uma terra livre da servidão e passou a gozar de uma grande autonomia política, ao contrário das demais regiões governadas pelo monarca.

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Fontes consultadas

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