Anselmo de Andrade
Anselmo José Franco de Assis de Andrade, conhecido por Anselmo de Andrade, foi um economista, grande proprietário agrícola, investigador, escritor, jornalista e político português. Foi ministro dos Negócios da fazenda de Portugal, no governo de Hintze Ribeiro (1900) e no último governo da Monarquia, presidido por António Teixeira de Sousa (1910).
Anselmo de Andrade formou-se em Direito na Universidade de Coimbra. Iniciou a sua actividade como escritor em 1866 com a obra Epopeias da História. Paralelamente, trabalhou com Eça de Queirós num projecto jornalístico que daría origem a As Farpas, publicações mensais feitas por Ramalho Ortigão e Eça. Anselmo de Andrade fez parte da Geração de 70, juntamente com Antero de Quental, Eça de Queirós, de Oliveira Martins e outros outros intelectuais que pretendiam revolucionar várias dimensões da cultura portuguesa, da política à literatura. Em 1875, mudou-se para Beja, onde abriu um escritório de advocacia e administrou as vastas propriedades herdadas dos seus tios. Exerceu o cargo de presidente da Câmara Municipal de Beja. Seguindo paralelamente uma carreira de escritor e investigador, elaborou extensa obra dedicada à paleontologia e publicou Populações Lacustres (1882). Ainda em Beja, publicou Viagens na Espanha, obra em que recolhe as impressões de viagens no país vizinho.
Carreira política
Em 1885, já em Lisboa, filiou-se no Partido Progressista e assumiu, a direcção do órgão oficial do partido, o Correio da Noite, anteriormente dirigido por Emídio Navarro. Também colaborou em diversas publicações periódicas como as revistas Atlântida (1915-1920) e Brasil-Portugal (1899-1914). Dois anos depois, em 1887, foi eleito deputado às Cortes, sendo, daí em diante, reeleito para várias legislaturas até 1905. Em 1893 foi co-fundador da Companhia da Ilha do Príncipe. Em 1898, publicou um trabalho de conteúdo financeiro e económico, A Terra – Economia Nacional e Comparada, sendo-lhe reconhecido grande prestígio científico. Este reconhecimento foi concretizado pelo convite que lhe foi feito por Hintze Ribeiro, para integrar o seu governo como ministro dos Negócios da fazenda entre 25 de Junho e 30 de Novembro de 1900. A curta duração deste cargo deveu-se ao facto de lhe ter sido negada a aprovação da criação de um banco emissor do Estado, tendo por essa razão sido apodado de "socialista de Estado".


