Anonymous
Anonymous é um grupo coletivo que surgiu em 2003. Representa o conceito de muitos usuários de comunidades online existindo simultaneamente como um cérebro global. O termo Anonymous também é comum entre os membros de certas subculturas da Internet como sendo uma forma de se referir às ações de pessoas em um ambiente onde suas verdadeiras identidades são desconhecidas.
Conceito
O nome Anonymous foi inspirado no anonimato sob o qual os usuários publicam imagens e comentários na Internet. O uso do termo Anonymous no sentido de uma identidade iniciou-se nos imageboards. Uma etiqueta de "anônimo" é dada aos visitantes que deixam comentários sem identificar quem originou o conteúdo. Usuários de imageboards algumas vezes brincavam de fingir como se Anonymous fosse uma pessoa real. Enquanto a popularidade dos imageboards crescia, a ideia de Anonymous como um grupo de indivíduos sem nome se tornou um meme da internet. Anonymous representa amplamente o conceito de qualquer e todas as pessoas como um grupo sem nome. Como um nome de uso múltiplo, indivíduos que compartilham o apelido Anonymous também adotam uma identidade online compartilhada, caracterizada como hedonista e desinibida. Isso é uma adoção intencional, satírica e consciente do efeito de desinibição online.
Composição
— Chris Landers. Baltimore City Paper, 2 de Abril de 2008. Anonymous, em grande parte, consiste de usuários de múltiplos imageboards e fóruns da internet. Além disso, várias wikis e redes de Internet Relay Chat são mantidas para superar as limitações dos imageboards tradicionais. Esses modos de comunicação são o meio pelo qual os manifestantes do Anonymous que participaram no Projeto Chanology se comunicaram e organizaram os protestos. Uma "livre coalizão de habitantes da internet", o grupo se uniu pela internet, através de sites como 4chan, 711chan, Encyclopedia Dramatica, canais do IRC e YouTube. Redes sociais virtuais, como Facebook, são usadas para criação de grupos que mobilizam os protestos no mundo real.
Em 25 de fevereiro de 2022, contas do twitter associadas ao Anonymous declararam que haviam lançado "operações cibernéticas" contra a Rússia, em retaliação à invasão à Ucrânia ordenada pelo presidente russo Vladimir Putin. Mais tarde, o grupo desativou temporariamente sites como RT.com e o site do Ministério da Defesa Russa, juntamente com outros sites estatais. No mesmo dia, o grupo vazou 200 GB de documentos e e-mails pertencentes ao Ministério da Defesa russo. Também vazaram 200 GB de e-mails da fabricante de armas bielorrussa Tetraedr, que forneceu apoio logístico para a Rússia na invasão à Ucrânia. Além disso, o Anonymous também invadiu canais de TV russos e tocou músicas ucranianas. Em fevereiro de 2023, ocorreu uma operação histórica no combate ao conteúdo ilegal envolvendo crianças na internet. Nessa ocasião, um hacker brasileiro chamado Ghost e o maior grupo de hackers do mundo, os Anonymous, uniram suas habilidades em segurança digital para derrubar um grande site de conteúdo infantil ilegal, que vinha operando na internet.
Atividades em 2006–2020
Em 7 de dezembro de 2007, o jornal canadense Toronto Sun jornal publicou um relatório sobre a detenção do predador sexual Chris Forcand. Forcand, de 53 anos, foi acusado de seduzir uma criança menor de 14 anos de idade. O relatório afirma que Forcand estava sendo monitorado pelo "cyber-vigilantes", que procuravam por pessoas que apresentam interesse sexual em crianças. Um relatório da Global Television Network identificou o grupo responsável pela prisão de Forcand como "um grupo de vigilantes da internet autointitulado Anonymous" que contactaram a polícia depois que alguns membros receberam "propostas sexuais" de Forcand. O relatório também afirmou que esta é a primeira vez que um predador sexual da internet foi detido como resultado da acção de um grupo de vigilantes.
Atividades em 2011
Os websites do governo da Tunísia foram alvos do Anonymous devido à censura dos documentos da WikiLeaks e da Revolução da Tunísia. Houve relatos de tunisianos ajudando os ataques DDoS lançados pelo Anonymous. O papel do Anonymous nos ataques DDoS contra os sites do governo da Tunísia levaram a um aumento significativo no ativismo por parte dos tunisianos contra o seu governo. Uma figura associada ao Anonymous lançou uma mensagem online denunciando a repressão do governo sobre os recentes protestos e a colocou no site do governo tunisiano. O Anonymous nomeou seus ataques como "Operação Tunísia", e realizou ataques DDoS com sucesso em oito websites do governo, que respondeu tornando suas páginas inacessíveis para acessos de fora do país. A polícia tunisiana prendeu ativistas online e bloggers de dentro do país, e os interrogaram sobre os ataques. O website do Anonymous sofreu um ataque DDoS em 5 de Janeiro.
Atividades em 2012
Em solidariedade com o Occupy Nigéria, o Anonymous juntou forças com o grupo "Frente Popular de Libertação" e o "Naija Cyber Hacktivists of Nigeria". Anonymous prometeu "um assalto implacável e devastador sobre os bens da web do governo da Nigéria". Isso foi em protesto à remoção do subsídio de combustível, do qual a maioria da população pobre nigeriana dependia para sobreviver. Como consequência da ação, o preço do combustível e do transporte subiu muito, causando extrema dificuldade para a maioria dos nigerianos. Em 13 de Janeiro, o website da Comissão de Crimes Financeiros e Econômicos da Nigéria foi hackeado. Em 19 de janeiro de 2012, o Megaupload, um site que fornecia serviços de compartilhamento de arquivos, foi tirado do ar pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos e o FBI. Isso levou ao que Anonymous chamou de "o maior ataque da história da Internet". Barret Brown, descrito como um porta-voz do grupo Anonymous pela RT, disse que o momento do ataque "não poderia ter vindo numa pior hora, em termos do ponto de vista do governo". Com o protesto contra a SOPA tendo acontecido no dia anterior, foi alegado que usuários da internet estavam "muito bem preparados para defender uma internet livre".
Atividades em 2013
Estes eventos antecederam a Revolta dos 20 Centavos, mas foram primordiais para a explosão de revoltas populares em junho de 2013 no Brasil. No início de maio de 2013, na cidade de Goiânia, houve uma paralisação dos motoristas de ônibus e todos os usuários ficaram muito prejudicados. Poucos dias depois foi anunciado o reajuste. A tarifa do transporte coletivo em Goiânia aumentou de R$ 2,70 para R$ 3,00 no dia 22 de maio de 2013, um acréscimo de 11%. O reajuste e a demora nos ônibus resultaram em protestos na capital. No dia 28 de maio aconteceu um protesto na cidade organizado através das redes sociais com participação de diversos grupos, incluindo a Anonymous. Essa manifestação foi respondida de forma violenta e truculenta pela Polícia Militar, que atirou balas de borracha e bombas de efeito moral nos manifestantes. Nesse mesmo período ocorria o congresso mundial de transportes em Genebra, na Suíça. Goiânia sediava o Encontro da União Nacional de Estudantes - UNE, reunindo estudantes do país inteiro. Todos ficaram sensibilizados com o ocorrido, e encerrado o encontro voltaram para suas respectivas cidades e se depararam com aumentos nas tarifas de ônibus também. No dia 10 de junho de 2013 uma liminar da justiça suspendeu o reajuste da tarifa em Goiânia, a primeira vitória dos manifestantes.
Atividades em 2014
No início do ano de 2014, o Anonymous divulgou para a imprensa seus planos de protestos a ações hackativistas a serem realizados durante a Copa do Mundo FIFA. Os hackers ameaçaram explicitamente os patrocinadores do evento, o que ocasionou grande repercussão na imprensa mundial. Trazendo à tona reivindicações sociais e expondo ao mundo todas as injustiças cometidas pela organização do evento, as operações #OpHackingCup e #OpWorldCup buscavam atrelar as grandes corporações que patrocinavam o evento aos abusos cometidos pelo governo brasileiro para realização dos jogos. Empresas especializadas em segurança digital emitiram diversos alertas quanto à ações de hackers durante o mundial, principalmente para as empresas diretamente envolvidas com o evento, mas no final, tudo não passou de um jogada, ou um blefe. Com o início dos jogos, os hackers passaram a efetuar ataques massivos em escala mundial quase que exclusivamente focados em sites e servidores governamentais, justamente o ponto fraco de segurança digital e longe dos holofotes da imprensa que eles mesmos direcionaram. Os ataques de escala global atingiram cerca de 145 sites dos mais diversos fins. Além do ataque de negação de serviço, houve desfigurações de páginas iniciais e vazamento de informações confidenciais. As correspondências eletrônicas do Itamaraty foram violadas, sites e serviços considerados essenciais pelo governo brasileiro foram retirados do ar - como o da ABIN - assim como interromperam uma entrevista ao-vivo com o então goleiro da seleção brasileira Júlio César no site da CBF.
2020
Após o assassinato de George Floyd, um homem negro que foi morto por um policial branco e gerou uma onda de protestos nos Estados Unidos, passaram a circular vídeos nas redes sociais com críticas a polícia e ao caso que seriam do Anonymous. De acordo com o Bloomberg, o vídeo foi publicado inicialmente em uma página do Facebook não confirmada do Anonymous, no dia 28 de maio. De acordo com a BBC News, essa mesma página do Facebook não tinha notoriedade e publicava vídeos de conteúdo duvidoso ligados a OVNIs e o "plano da China para dominar o mundo". Ela ganhou repercussão após o vídeo sobre George Floyd ser publicado e o site da polícia de Minneapolis, que é responsável pelo policial, ter ficado fora do ar. Mais tarde, o governador do estado de Minnesota, Tim Walz, disse que todos os computadores da região sofreram um ataque sofisticado. Segundo a BBC News, o ataque feito ao site da polícia com uso de DDoS (Distributed Denial of Service) não foi sofisticado.
Charlie Hebdo
Em janeiro de 2015, o Estado Islâmico fez um atentado contra o jornal satírico Charlie Hebdo, resultando na morte de 12 pessoas e ferindo 5 gravemente, e ainda matando um policial na periferia de Paris e uma invasão em um supermercado, em que foram feitos reféns e quatro deles morrendo. O Anonymous logo responderam, declarando guerra contra o EI e contra o terrorismo, caçando e divulgando nomes, contas e localizações de possíveis membros do grupo terrorista.
Ataques de Novembro de 2015
Mais uma vez em 2015, o Estado Islâmico agiu na França, matando mais de 120 pessoas em ataques terroristas por toda Paris e deixando centenas de feridos. Desta vez, o grupo Anonymous lançou um vídeo mais comprido, jurando justiça ao povo francês e prometendo que irá começar uma caça sem misericórdia aos terroristas do grupo. Também prestaram suas condolências aos franceses e divulgaram novos nomes da organização terrorista.
Operação conjunta de Hacker Brasileiro Ghost e Anonymous resulta no desmantelamento de grande site de conteúdo ilegal infantil
Em fevereiro de 2023, ocorreu uma operação histórica no combate ao conteúdo ilegal envolvendo crianças na internet. Nessa ocasião, um hacker brasileiro chamado Ghost e o maior grupo de hackers do mundo, os Anonymous, uniram suas habilidades em segurança digital para derrubar um grande site de conteúdo infantil ilegal, que vinha operando internet. A operação apelidade de #oppedohunter que culminou no fechamento do site de conteúdo ilegal infantil foi resultado de uma colaboração cuidadosamente planejada entre Ghost e grupo de hackers, que uniram esforços para utilizar suas habilidades técnicas em prol de uma causa humanitária. A ação conjunta enviou uma mensagem clara aos criminosos cibernéticos e reforçou a necessidade de vigilância contínua para garantir a proteção das crianças vulneráveis contra a exploração online. Segundo o portal Terra. O site ilegal, foi retirado do ar e suas atividades nefastas foram encerradas.


