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Anna Politkovskaia

Anna Stepanovna Politkovskaia, em russo: Анна Степановна Политковская, foi uma jornalista e humanitária russa. Tornou-se conhecida pela cobertura da Segunda Guerra da Chechênia (1999-2005), em que denunciou o governo de Vladmir Putin por corrupção e violações de direitos humanos, especialmente as más ações das autoridades russas no conflito.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 26/07/2026
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Biografia e carreira

Imagem: Chabe01 · BY-SA · Openverse

Filha de diplomatas de origem ucraniana que estavam em missão na ONU, ela nasceu na cidade de Nova Iorque, mas posteriormente foi para a Rússia, onde realizou seus estudos. Em 1980, formou-se em Jornalismo pela Universidade Estatal de Moscovo e iniciou sua carreira no jornal diário de alcance nacional Izvestiya. Em 1999, tornou-se jornalista do Novaya Gazeta, bissemanário independente russo, e logo depois começou a relatar a guerra na Chechênia, ficando mundialmente famosa. Politkovskaia cobriu a falta de sentimentalismo, os excessos de ambos os lados beligerantes e costumava ser a única porta-voz das vítimas das guerras chechenas. Ela revelou a história sobre o mistério em torno de uma vala comum descoberta perto de uma base militar russa; os corpos eram possivelmente vítimas civis, e posteriormente minas terrestres foram plantadas para impedir de recuperá-los. A partir dos anos 2000, Anna recebeu inúmeros prêmios internacionais pelo seu trabalho jornalístico e humanitário. Entretanto, devido ao seu jornalismo investigativo, foi atacada por pessoas que a viam como inimiga: em fevereiro de 2001, foi detida no sul da Chechênia pelo exército russo sob acusação de espionar em favor do líder beligerante checheno Shamil Basayev. Durante três dias, foi mantida em cárcere sem comida e sem água. Oito meses depois, refugiou-se em Viena, depois de receber várias ameaças de um policial russo que ela havia denunciado por abusos cometidos. Em outubro de 2002, mediou a crise do teatro Dubrovka. Em setembro de 2004, tentou mediar o caso da escola de Beslan, mas foi envenenada enquanto voava de Moscovo para Rostov-on-Don, necessitando ser hospitalizada; nesse mesmo ano publicou - no exterior, mas não na Rússia - seu terceiro livro Putin's Russia: Life in a Failing Democracy.

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Ativismo

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Reportagens sobre a Chechênia

Em 1997, após o reconhecimento da Chechênia como uma república independente, devido a pressão pública sobre o então presidente russo Boris Yeltsin, alimentada pelas novas liberdades de imprensa disponíveis para meios de comunicação como o Obshchaya Gazeta, as tropas russas retiraram-se do território checheno e assinou-se o acordo de paz. No ano seguinte, como representante desse jornal, Anna visitou a Chechênia pela primeira vez. Ela ganhou vários prêmios por seu Jornalismo investigativo e usou cada uma das ocasiões em que recebeu prêmios internacionais para exigir maior preocupação e responsabilidade dos governos ocidentais que, após os ataques de 11 de setembro aos Estados Unidos, saudaram a contribuição de Putin para a "Guerra ao Terror". Ela conversou com oficiais, militares e policiais e também visitou freqüentemente hospitais e campos de refugiados na Chechênia e na vizinha Inguchétia para entrevistar os feridos pelos novos combates.

Críticas ao governo russo

No livro Putin's Russia: Life in a Failing Democracy, ela acusou o Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB) de sufocar todas as liberdades civis para estabelecer uma ditadura no estilo soviético. Após o 11 de setembro, a Rússia reformulou o conflito checheno como parte da "guerra ao terrorismo", devido à especulação dos laços chechenos com a Al Qaeda e aos bombardeios de um shopping center e de vários prédios de apartamentos na Rússia. Ela tentou demonstrar os efeitos da guerra nas pessoas comuns que torna-se análoga ao que se passa no Afeganistão. Em maio de 2007, a Random House publicou postumamente um diário russo de Politkovskaya, contendo trechos de seu caderno e outros escritos. Com o subtítulo O relato final de uma jornalista sobre a vida, a corrupção e a morte na Rússia de Putin, o livro dá conta do período de dezembro de 2003 a agosto de 2005, incluindo o que ela descreveu como "a morte da democracia parlamentar russa", a crise dos reféns na escola de Beslan e o "inverno e verão do descontentamento" de janeiro a agosto de 2005.

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Assassinato

Anna Politkovskaia foi assassinada com cinco tiros de pistola em 7 de outubro de 2006, em Moscovo. O seu corpo foi descoberto por uma vizinha no elevador do prédio no qual habitava. Ela levou dois tiros no peito, um no ombro e outro na cabeça à queima-roupa. O assassinato, que aconteceu no 54º aniversário de Vladimir Putin e dois dias após as comemorações do 30º aniversário de Ramzan Kadyrov, levantou suspeitas de que alguém lhes tinham dado um presente não solicitado. Houve uma reação internacional generalizada ao assassinato. Em 30 de agosto de 2011, o ex-coronel russo Dmítri Pavliutchenkov foi preso sob a acusação de ser o mandante e arquiteto do crime: teria recebido o equivalente a 81 mil euros ou 350 mil reais pela sua atuação no assassinato. A investigação definiu que os executores do assassinato foram os quatro irmãos Makhmudov. Três deles – Djabrail, Ibraguím e Tamerlan – foram julgados no tribunal em fevereiro de 2009, mas a condenação foi anulada; Rustam fugiu, mas foi preso na Chechênia este ano. O ex-coronel deu aos irmãos as armas e a informação sobre o cotidiano de Anna. Dmítri Pavliutchenkov entrou num acordo judicial para testemunhar contra outros cinco suspeitos dentre eles os irmãos Makhmudov e em 14 de dezembro de 2012, foi condenado a 11 anos em um presídio de segurança máxima e o pagamento de uma quantia equivalente a 53 mil euros aos filhos de Anna, após ter confessado a participação no crime.

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Prêmios e homenagens

Imagem: horitzons inesperats · BY-NC-SA · Openverse

Em 2016, o perfil de Anna Politkovskaia foi incluído na primeira edição do livro Histórias de Ninar para Garotas Rebeldes: Cem fábulas sobre mulheres extraordinárias, como uma das cem mulheres mais influentes.

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Fontes consultadas

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