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Angkor Wat

Angkor Wat é um templo situado 5,5 km a norte da cidade de Siem Reap, na província homônima do Camboja. É o maior e mais bem preservado templo dos que integram o assentamento de Angkor. É também o único que restou com significado religioso importante — inicialmente hindu, e depois budista — desde a sua fundação. O templo é o ponto máximo do estilo clássico da arquitetura Khmer. É considerado como a maior estrutura religiosa já construída em termos de área, e um dos tesouros arqueológicos mais importantes do mundo. Tornou-se símbolo do Camboja, aparecendo em sua bandeira e sendo sua principal atração turística. Em 14 de dezembro de 1992 foi declarado pela UNESCO Patrimônio da Humanidade.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 05/07/2026
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História

Angkor Wat é o expoente máximo da arquitetura do Império khmer, cujos primeiros templos remontam ao século VI. O promotor deste gigantesco monte-templo foi Suryavarman II, que reinou de 1113 até 1150 d.C. Suryavarman II alcançou o poder após assassinar o então rei Dharanindravarman, saltando sobre ele enquanto o monarca passeava no seu elefante, pelo qual alguns historiadores opinam que as colossais dimensões deste templo estão motivadas em parte pelo desejo de contra-arrestar a aparente ilegitimidade do seu reinado. Segundo conta a lenda, o rei quis situar o templo num local do agrado dos deuses, pelo qual soltou um boi na planície e resolveu construir o templo onde o animal tombasse. Seja certa a lenda ou não, Suryavarman II estabeleceu o templo junto à antiga cidade de Yashodharapura (que em sânscrito significa "cidade sagra"), situada a escassos quilômetros da atual cidade de Siem Reap, e assim como os seus predecessores, dispôs o palácio dentro do recinto murado do complexo. Os trabalhos no templo foram interrompidos pela morte do rei e não foram continuados, de modo que a construção do complexo durou unicamente 37 anos.

Descobrimento no ocidente

Após o seu abandono no final do século XVI, Angkor foi tomada pela selva, com a única exceção do templo de Angkor Wat, que permaneceu habitado por monges budistas. Ainda persiste a lenda de que Angkor Wat caiu no esquecimento até ser redescoberto pelo naturalista francês Henri Mouhot no final do século XIX, encontrando o templo acidentalmente enquanto caçava borboletas. Esta história é um mito, pois Mouhot não foi o primeiro ocidental a visitar o templo, e este nunca foi completamente abandonado, permanecendo na memória coletiva do povo khmer e até mesmo transcendendo as fronteiras do seu império. A primeira visita documentada de um ocidental a Angkor Wat aconteceu em 1586 e foi realizada pelo frei capuchinho português António da Madalena. As impressões do frei foram recolhidas por um historiador e funcionário público chamado Diogo do Couto, que deixou-as por escrito:

Restauração

Em 1898 foi fundada a École Française d'Extrême-Orient visando estudar o patrimônio artístico da Indochina sob domínio francês. Em 1907 o Sião (a atual Tailândia) cedeu vários territórios ao Camboja, entre os quais se encontra a zona de Angkor. A partir deste fato a conservação dos monumentos passou a ser responsabilidade da École, a qual, um ano depois, iniciou os trabalhos de conservação. A tarefa foi encomendada a um militar e administrativo francês chamado Jean Commaille, que entre 1908 e 1910 decidiu concentrar os esforços em Angkor Wat. Após o assassinato de Commaille em 1916, este foi sucedido pelo arquiteto Henri Marchal, já um verdadeiro técnico, que levou a Angkor o método da anastilose, aprendido dos holandeses durante uma viagem a Java na década de 1930. Marchal foi sucedido por Maurice Glaize em 1937 e por outros mais tarde, até os trabalhos de restauração da École serem interrompidos na década de 1970 pela devastadora revolução dos Khmer Vermelho.

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Arquitetura

Dum ponto de vista estético, o templo é enquadrado no chamado "estilo angkoriano", que é a etapa artística mais madura e refinada na evolução da arquitetura khmer, bem como a última de influência puramente hinduísta. Os templos khmer não eram concebidos como locais para a reunião dos fiéis mas para morada dos deuses, pelo qual apenas a elite religiosa e política do país tinha acesso aos recintos centrais. Angkor Wat apresenta a particularidade de ser um templo cuja finalidade última era servir de tumba para o rei. Esta concepção dos templos khmer ocasiona que as suas zonas mais sagradas careçam de grandes entradas ou espaços cerimoniais, para que a atenção seja focada na percepção exterior do templo. Tanto os terraços quanto as torres de Angkor Wat foram desenhadas para serem percebidas harmoniosamente do exterior, as suas alturas e modulação têm em conta os efeitos da perspectiva. Nos prasat foram empregues estratégias como a de reduzir paulatinamente a altura dos sucessivos terraços ou o tamanho dos pormenores na torre à medida que a construção se eleva: isto produz no observador a sensação de se encontrar perante uma construção mais alta do que é realmente. Também a relação entre a distância e altura das torres de Angkor Wat foi calculada para apresentar uma encenação homogênea desde a entrada do templo, sem que os elementos mais próximos cheguem a ocultar os mais afastados.

Recinto exterior

O recinto exterior, rodeado pelo lago, tem dimensões de 1025 x 800 m, ocupando 82 hectares. O perímetro do lago, que tem um comprimento total de 5,5 km, está escalonado com várias fieiras de pedra. Duas passarelas de 12 m de largura e enfeitadas com uma balaustrada com a típica forma de Naga (serpente mítica de 5 ou 7 cabeças), cruzam o lago de leste e a oeste, permitindo a entrada e saída do templo. O recinto é fechado por um muro de laterita de 5 m de altura sobre o qual se assenta um pórtico de 235 m de comprimento que possui um corredor colunado na sua parte exterior. No pórtico destacam-se três torres marcando as suas respectivas entradas: a principal consiste numa gopura ou pavilhão de entrada, precedida por um pequeno vestíbulo, ladeado por duas entradas menores, habilitadas aparentemente para permitir o passo dos elefantes e das carruagens.

Templo central

O núcleo de Angkor Wat, ou o templo principal, é denominado Bakan. Este sofreu uma transformação em finais do século XVI para se acomodar aos requisitos das estupas budistas. O templo apoia-se sobre uma grande plataforma, e é dividido em três recintos de altura crescente, delimitados por corredores de colunas e com pavilhões nos extremos: o terceiro recinto, ou recinto exterior, carece de torres, e os seus relevos estão dedicados ao rei construtor do templo, Suryavarman II. Os recintos segundo e terceiro possuem torres sobre os seus pavilhões. O recinto segundo carece de baixo-relevos, enquanto os relevos do primeiro estão dedicados ao deus Vixnu.

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Decoração

A maior parte das paredes do templo estão decoradas com frisos em baixo-relevo de grande tamanho e bom feitio. Os baixo-relevos do recinto exterior, que enfeitam o corredor colunado perimetral (ou talvez para cujo visionado foi habilitado o corredor perimetral), possuem dois metros de altura, e ocupam uma extensão total de mais de 1 000 m². A parte nordeste do recinto exterior ficou sem esculpir à morte de Suryavarman II, sendo finalizada no século XVI com baixo-relevos de qualidade artística inferior. Com a exceção do muro sul, dedicado ao rei, os relevos narram histórias dos livros épicos hindus Ramayana e Mahabharata e pelo menos desde o século XVI estiveram policromados, e até mesmo puderam receber algum tipo de verniz protetor. Atualmente somente se apreciam restos parciais de cor em zonas pontuais: foram identificadas três cores: vermelho, preto e dourado. Entre as esculturas destaca-se a abundância de figuras femininas: algumas fontes falam de devatas, ou deusas femininas hindus, cerca de 1500 em todo o templo, e outras de apsarás ou dançarinas celestiais, cerca de 2000.

Baixo-relevos exteriores

Os baixo-relevos do recinto exterior dividem-se em oito enormes cenas principais (duas cenas por muro) e várias cenas menores, situadas nos pavilhões dos cantos. Desde a entrada principal e em sentido anti-horário, as cenas principais denominam-se:

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Construção

Embora o muro exterior fosse construído com laterita, e algumas fontes falam também de usos esporádicos de limonita, o templo está edificado quase na íntegra em pedra arenito. Os blocos, que chegavam a pesar 4 toneladas, eram transportados, por canais, de uma canteira situada a 40 km a nordeste do templo. Acredita-se que a pedra utilizada (5 milhões de toneladas) é equivalente à empregada para a construção da pirâmide de Quéfren, em Giza, a qual necessitou milhares de trabalhadores. Um engenheiro contemporâneo estimou que a construção de Angkor Wat atualmente requiriria 300 anos, enquanto o templo real foi construído em menos de 40. As peças de arenito eram cuidadosamente lavradas para encaixar perfeitamente, pois na maior parte da construção não se empregou nenhum tipo de argamassa, utilizando ocasionalmente até mesmo sistemas de encaixe do tipo caixa e espiga. Nos pontos nos quais se usaram de pastas de união puderam ter-se empregado resinas.

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Turismo

Após a relativa normalização da situação política no Camboja, Angkor e o seu templo principal, Angkor Wat, tornaram-se num importante destino turístico: o complexo recebeu 561 000 turistas em 2004, 677 000 em 2005, e cerca de um milhão em 2008. Para evitar o desgaste produzido pela massiva afluência de turistas, bem como com objetivo de previr o vandalismo, estão começando a proteger e adaptar algumas zonas do templo particularmente delicadas. Contudo, poucos monumentos atualmente podem ser observados tão livremente como os de Angkor. Entre as iniciativas que permitam diminuir a pressão de visitantes no templo se estão avaliando opções como estabelecer diferentes percursos alternativos, ou iluminar o templo com luz artificial para poder prolongar o horário de visita depois do pôr-do-sol. Embora 28% da renda por turismo reverta em trabalhos de conservação e restauração, ainda a maior parte dos trabalhos de manutenção são financiados com fundos estrangeiros.

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Fontes consultadas

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