Anemaritas
Anemaritas ou Banu Anemar eram um agrupamento tribal árabe tradicionalmente associado aos árabes setentrionais e considerado ancestral dos bajilaítas e catamitas. Segundo uma das principais tradições genealógicas árabes, seu ancestral epônimo, Anemar, era filho de Nizar ibne Maade ibne Adenane e irmão de Modar, Rebia e Iade, ancestrais de outros importantes agrupamentos tribais. A ascendência de Anemar e de seus descendentes, contudo, foi objeto de tradições divergentes. Algumas genealogias faziam Anemar filho do próprio Maade, e não de Nizar, enquanto a prolongada associação de seus descendentes com o sul da Arábia levou parte dos genealogistas a classificá-los entre os catanitas.
Na sistematização genealógica que fazia de Anemar um dos filhos de Nizar, sua mãe era Jadala binte Ualane, pertencente aos jurumitas, que também teria sido mãe de Rebia; Modar e Iade, por sua vez, eram atribuídos à união de Nizar com Sauda binte Aque ibne Adenane. A posição dos anemaritas entre os descendentes de Nizar, entretanto, não permaneceu uniforme nas genealogias árabes. Embora Anemar fosse incluído entre os quatro filhos tradicionalmente atribuídos a Nizar, ao lado de Modar, Rebia e Iade, algumas tradições consideravam Anemar e Iade filhos de Maade e, consequentemente, irmãos de Nizar. Além disso, na prática, a designação coletiva de nizaritas esteve associada sobretudo aos descendentes de Modar e Rebia, enquanto as tribos que reivindicavam descendência de Anemar e Iade raramente eram incluídas sob esse nome. As tradições preservadas sobre os primeiros territórios dos descendentes de Maade situam os anemaritas inicialmente na Arábia ocidental. Segundo Hixame ibne Alcalbi, conforme transmitido por Albacri, os agrupamentos maaditas teriam dividido entre si a Tiama, cabendo aos anemaritas e aos iaditas as terras compreendidas entre os limites dos territórios dos modaritas e Najrã. Outras tradições associam posteriormente Anemar e seus descendentes ao sul da península. Segundo o relato preservado acerca dos bajilaítas, Anemar teria deixado o Hejaz após um conflito com seu irmão Modar e se estabelecido entre os catanitas do Iêmem. Ibne Abede Albar igualmente registra que anemaritas e iaditas migraram para o Iêmem e passaram a ser contados entre os habitantes da região.
Os dois principais agrupamentos tradicionalmente relacionados a Anemar eram os bajilaítas e os catamitas. Ambos aparecem associados às regiões montanhosas do sudoeste da Arábia. Os bajilaítas e catamitas estabeleceram-se nas montanhas de Sarate, e sua área de presença estendeu-se posteriormente pela região compreendida entre Tabala e as montanhas do Iêmem. A proximidade entre os dois grupos também se manifestava no âmbito religioso durante o período pré-islâmico: estavam entre as tribos que cultuavam o santuário de Dulcalaça, situado em Tabala. A trajetória posterior dos descendentes de Anemar ocorreu sobretudo por meio desses dois agrupamentos, que conservaram identidades tribais próprias. Os bajilaítas fragmentaram-se em diversos ramos, alguns dos quais foram incorporados a outras confederações árabes, enquanto outros permaneceram em Sarate. Os catamitas, por sua vez, estavam estabelecidos pelo menos desde o século VI nas regiões de Turuba, Bixa, Tabala e Juraxe, entre Najrã e Taife. Com o advento do islã, membros de ambos os grupos acabaram aderindo à nova religião e participaram das primeiras conquistas muçulmanas, mas sua história nesse período pertence principalmente às trajetórias particulares dos bajilaítas e catamitas.


