Dioicia
Dioicia, também por vezes gonocorismo no caso de animais, é a designação dada em botânica e micologia às espécies em que os sexos se encontram separados em indivíduos diferentes, como na maior parte dos vertebrados. Estes indivíduos dizem-se unissexuados. Note que os termos "monoico" e "dioico" aplicam-se unicamente à espécie. Os organismos e as estruturas reprodutoras são: bissexuados (hermafroditas) ou unissexuados. Ainda que erradamente, as estruturas reprodutoras também recebem, por vezes, essas denominações.
Secundariamente, muitas vezes por razões teratogénicas, alguns indivíduos duma espécie dioica podem apresentar, em maior ou menor grau, órgãos sexuais dos dois sexos, são hermafroditas. As plantas verdes são geralmente bissexuadas ou hermafroditas, ou seja, o mesmo indivíduo apresenta órgãos sexuais dos dois sexos, mas existem muitas espécies dioicas. Um exemplo de espécie dioica é Welwitschia, uma gnetófita adaptada a habitats desérticos, com plantas masculinas e plantas femininas. A dioicia facilita variabilidade genética, ao exigir que a reprodução se faça entre indivíduos diferentes.
Na zoologia, a dioecia significa que um animal é macho ou fêmea, caso em que o sinônimo gonocorismo é usado com mais frequência. A maioria das espécies animais é gonocórica, quase todas as espécies de vertebrados são gonocóricas, e todas as espécies de aves e mamíferos são gonocóricas. A dioecia também pode descrever colônias dentro de uma espécie animal, como as colônias de Siphonophorae (caravela-portuguesa), que podem ser dioicas ou monoicas.
As plantas terrestres (embriófitas) diferem dos animais porque seu ciclo de vida envolve a alternância de gerações. Nos animais, tipicamente um indivíduo produz gametas de um tipo, seja espermatozoide ou óvulos. Os gametas têm metade do número de cromossomos do indivíduo que os produz, sendo, portanto, haploides. Sem nova divisão, um espermatozoide e um óvulo fundem-se para formar um zigoto que se desenvolve num novo indivíduo. Nas plantas terrestres, por contraste, uma geração – a geração esporofítica – consiste em indivíduos que produzem esporos haploides em vez de gametas haploides. Os esporos não se fundem, mas germinam dividindo-se repetidamente por mitose para dar origem a indivíduos haploides multicelulares, os gametófitos, que produzem gametas. Um gameta masculino e um feminino fundem-se então para produzir um novo esporófito diploide.Mauseth, James D. (2014). Botany: An Introduction to Plant Biology. [S.l.]: Jones & Bartlett Publishers. pp. 204–205. ISBN 978-1-4496-6580-7
Evolução da dioecia
Nas plantas, a dioecia evoluiu de forma independente múltiplas vezes, seja a partir de espécies hermafroditas ou de espécies monoicas. Uma hipótese é que este sistema reduz a endogamia; a dioecia tem demonstrado estar associada a um aumento da diversidade genética e a uma maior proteção contra mutações deletérias. Independentemente da via evolutiva, os estados intermédios precisam de ter vantagens de aptidão em comparação com as flores cossexuais para sobreviverem. A dioecia evolui devido à esterilidade masculina ou feminina, embora seja improvável que mutações para esterilidade masculina e feminina tenham ocorrido ao mesmo tempo. Nas angiospermas, as flores unissexuais evoluem a partir de bissexuais. A dioecia ocorre em quase metade das famílias de plantas, mas apenas numa minoria de géneros, sugerindo uma evolução recente. Para as 160 famílias que possuem espécies dioicas, estima-se que a dioecia tenha evoluído mais de 100 vezes.
Pouquíssimos fungos dioicos foram descobertos. A monoecia e a dioecia em fungos referem-se aos papéis de doador e receptor no acasalamento, onde um núcleo é transferido de uma hifa haploide para outra, e os dois núcleos então presentes na mesma célula fundem-se por cariogamia para formar um zigoto. A definição evita a referência a estruturas reprodutivas masculinas e femininas, que são raras em fungos. Um indivíduo de uma espécie de fungo dioica não apenas requer um parceiro para o acasalamento, mas desempenha apenas um dos papéis na transferência nuclear, seja como doador ou como receptor. Uma espécie de fungo monoica pode desempenhar ambos os papéis, mas pode não ser autocompatível.


