Andrew Garfield
Andrew Russell Garfield é um ator anglo-americano. Nascido em Los Angeles, mudou-se a Epsom, no Reino Unido, quando tinha três anos. Após ter concluído o curso de teatro na Royal Central School of Speech and Drama em 2004, iniciou sua carreira em produções teatrais e televisivas, como na peça Kes, pela qual ganhou o Prêmio Manchester Evening News Theatre de Melhor Revelação, e no seriado Sugar Rush (2005). Realizou sua participação no cinema com filme Lions for Lambs (2007) e, ainda naquele ano, seu desempenho em Boy A rendeu-lhe o prêmio BAFTA de Melhor Ator em Televisão. Ele logrou atenção do publico e da crítica em 2010 pelos papéis coadjuvantes nos filmes The Social Network, no qual interpretou o brasileiro Eduardo Saverin e pelo qual recebeu indicações aos prêmios BAFTA, Globo de Ouro, Satellite e Screen Actors Guild, e em Never Let Me Go, que lhe rendeu nomeações aos prêmios British Independent Film, London Film Critics' Circle, dentre outros, e vitórias no Hollywood Film Festival e no Prêmio Saturno.
Andrew Russell Garfield nasceu em Los Angeles, Califórnia. Oriundo de uma família de classe média, é filho de Lynn (sobrenome de solteira: Hillman), natural de Essex, Inglaterra, e Richard Garfield, nascido na Califórnia, e tem um irmão mais velho, Ben Garfield, cuja profissão é médico. Seus avós paternos, Samuel Garfield e Doris May Savage, cujo sobrenome era originalmente "Garfinkel", eram provenientes de famílias de imigrantes judeus que se mudaram de Londres à Europa Oriental (Polônia, Rússia e Romênia). Do lado materno, seus avós chamavam-se Peter Hillman e Florence A. Luckens, nativa de Londres. Seus pais mudaram-se de Los Angeles para Epsom, na Inglaterra, quando ele tinha três anos. Garfield teve uma educação secular e referiu-se a si mesmo como um "panteísta agnóstico", embora judeu. Seus progenitores tiveram uma pequena empresa de design de interiores, mas, mais tarde, Richard tornou-se o primeiro treinador do Clube de Natação da cidade de Guildford e sua mãe, professora assistente em uma creche.
2004–2011: Primeiros trabalhos e reconhecimento
Garfield começou a ter aulas de teatro aos nove anos, na cidade de Guildford, em Surrey, onde apareceu em uma produção teatral do musical Bugsy Malone (1976). Posteriormente, juntou-se a um pequeno grupo de teatro de Epsom e tomou aulas de interpretação nível A antes de estudar por mais três anos na Royal Central School of Speech and Drama, no Reino Unido. Após ter se formado em 2004, ele começou a trabalhar principalmente em atuação de palco. Naquele mesmo ano, ganhou o Prêmio Manchester Evening News Theatre de Melhor Revelação em reconhecimento à sua atuação na peça Kes, realizada na Royal Exchange Theatre de Manchester (onde também interpretou Romeu em Romeo e Julieta), e, em 2006, recebeu o Prêmio Evening Standard Theatre de Melhor Novato.
2012–2016: Spider-Man e chegada ao estrelato
Não obstante ter sido altamente elogiado por suas habilidades de atuação, Garfield não havia encontrado filmes que apelassem a um público amplo; contudo, alcançou reconhecimento internacional ao ter conseguido o papel de Homem-Aranha/Peter Parker no filme The Amazing Spider-Man (2012), a reinicialização da série de filmes Homem-Aranha, em que contracenou com Emma Stone, a qual interpretou Gwen Stacy. O ator viu sua escalação como um "enorme desafio em muitos aspectos", uma vez que teve de representar um personagem "autêntico" e "viver de uma nova maneira", e descreveu Peter como alguém com quem ele podia se relacionar e afirmou que o personagem lhe tinha sido uma influência importante desde que era criança. Para o papel, o artista estudou os movimentos de atletas e aranhas, de modo que pudesse incorporá-los, além de ter praticado ioga e pilates. Seu comprometimento impressionou o diretor, Marc Webb, que declarou: "Ele estava tão comprometido com a dimensão física do personagem, como se realmente estivesse focado em sentir que uma aranha estava tomando conta dele e mantendo esse DNA vivo e, toda vez em que eu o via, ele estava incorporando: parecia que realmente estava sendo possuído por uma aranha". No que concerne à sua escalação, Avi Arad, um dos produtores do filme, expôs: "Na tradição do Homem-Aranha, estávamos à procura de um novo Peter Parker, inteligente, sensível e legal que pudesse nos inspirar e nos fazer rir, chorar e aplaudi-lo. Acreditamos que encontramos a escolha perfeita para assumir esse papel e nos levar para o futuro". Depois de Stone ter sido escalada, o diretor notou que a química entre os atores foi a escolha certa.
2017–presente: Sucesso no teatro e projetos futuros
No espaço dos meses de abril a agosto de 2017, Garfield desempenhou o papel de Prior Walter na peça teatral dividida em duas partes Angels in America, no Royal National Theatre, em Londres, a qual foi transmitida ao vivo para salas de todo o mundo no verão daquele ano por intermédio do National Theatre Live. A direção da produção ficou por conta de Marianne Elliott, ao passo que Nathan Lane, James McArdle, Russell Tovey e Denise Gough estrelaram como personagens coadjuvantes. A representação do ator foi muito bem recebida. Em sua resenha, Paul T Davis, do The British Theatre Guide, escreveu que Garfield é "transformador e irreconhecível em alguns momentos, encarnando perfeitamente o lacônico, amedrontado e totalmente amável Prior Walter". A revista Time Out descreveu-o como "excepcional" e finalizou: "o ator entra no papel com sagacidade selvagem, intensidade ardente e compromisso total — é uma função estranha, exigente e hilariante, e ele é o dono, a melhor coisa da peça, [e dá] uma das atuações do ano." O crítico de teatro Dominic Cavendish, do The Daily Telegraph, concordou e complementou: "o talentoso Andrew Garfield dá uma das [melhores] interpretações de sua carreira". O papel lhe rendeu uma nomeação ao Prêmio Laurence Olivier de Melhor Ator.
Garfield é amplamente considerado um dos atores mais talentosos de sua geração e um dos britânicos mais famosos e bem-sucedidos em Hollywood. Além disso, é conhecido por sua preparação para seus papéis, tendo, inclusive, utilizado O Método durante a composição de seu personagem homossexual Prior Walter, da peça teatral Angels in America (2017-18). Tamanha foi a intensidade de seu comprometimento que, no processo, ele afirmou: "Sou um homem gay neste momento sem o ato físico — isso é tudo.", citação que gerou alguns comentários negativos. Outro papel que lhe exigiu muito foi o do jesuíta Sebastião Rodrigues, no filme Silence (2016), para o qual tivera de perder 20 quilos e passar muitos meses na Ásia, onde se passa a história, o que fez com que o artista ficasse distante e perdesse o contato com sua então namorada, Emma Stone. Diante do comprometimento dele para com o trabalho e a distancia entre eles, a atriz resolveu terminar o relacionamento. Marc Webb, que o dirigiu em The Amazing Spider-Man e sua sequência, elogiou sua atuação sem esforço e seus talentos extraordinários. "Ele tem uma rara combinação de inteligência, sagacidade e humanidade. Marque minhas palavras, você vai amá-lo como Peter Parker." O ator afirmou que não usara O Método para o papel nestes filmes, mas que definitivamente dedicara-se a ele e quisera ter certeza de que realizara o trabalho da melhor forma possível "e certificamo-nos de que o personagem se apresente da maneira que deveria ser". Posteriormente, o artista declarou que não dorme muito bem após a finalização das filmagens de seus filmes, uma vez que, em suas palavras, dedica sua vida a interpretar suas personagens.
A imagem pública de Garfield está ligada ao seu carisma; ele é descrito pela imprensa como um símbolo sexual. Sobre esta classificação, afirmou: "Eu era um garoto magro. Porém, estou aqui para dizer a todos os outros rapazes que, sê-lo, está [tudo] bem. Você ainda pode tornar-se um bom jogador de rugby; e ainda pode ser o Homem-Aranha." Em 2016, o ator contou que tentara o papel principal de The Chronicles of Narnia: Prince Caspian em 2008, mas acabou sendo recusado por causa de sua aparência: "Eu realmente queria o papel. Isto é tão bobo. Era um filme de Nárnia. O filme de Caspian… Mas Ben Barnes acabou ficando com ele. O feedback que me deram foi: 'ele não é bonito o bastante'. O que eu poderia fazer? Eu não sou bonito o bastante para ser o Príncipe Caspian." Em sua analise à Vanity Fair, Joanna Robinson escreveu que a não escalação de Garfield foi um ponto positivo para sua carreira, dado que o segundo filme de Crônicas de Nárnia, estrelado por Barnes, arrecadou cerca da metade do que o filme original angariara e teve criticas menos favoráveis. E com apenas mais uma continuação que foi ainda menos favorável, The Voyage of the Dawn Treader, também com Barnes, a franquia de Nárnia foi totalmente arquivada. A escritora completou que o ator ter ficado de fora da franquia não o prejudicou de qualquer modo, posto que ele conseguiu papéis aclamados pela crítica e nomeações a prêmios como ao Oscar, BAFTA, Critic's Choice, Globo de Ouro e ao SAG. No que se refere à sua imagem, Holly Coletta, da revista Speakeasy, notou que ele "não é o extravagante britânico sensual como Daniel Craig, ou o indecente e atraente britânico [favorito dos grupos] das pré-adolescentes como Robert Pattinson, mas Andrew é tão desajeitado e humilde e adorável que é extravagantemente sexy." A Empire descreveu-o como "Espirituoso, profundamente autodepreciativo, genuinamente engraçado e um pouco geek — o que não amar em Andrew Garfield?". A mídia cita seus grandes olhos castanhos e cabelo comprido como suas marcas registradas.
Garfield colaborou com diversas causas e instituições de caridade ao longo de sua carreira. Em 2011, tornou-se o Embaixador do Esporte da fundação Worldwide Orphans Foundation (WWO), cujo intuito é transformar a vida das crianças órfãs. Sua escolha deu-se depois de ter se tornado tio e, ao ver o amor e as oportunidades que os filhos gêmeos de seu irmão tinham, quis dar a mesma chance às crianças de todo o mundo. Ele fez sua primeira viagem como representante da organização à Etiópia e declarou seu desejo de ser capaz de dar muito tempo à fundadora da instituição, Jane Aronson, e ao seu trabalho maravilhoso. Jane observou que o fato de o ator ter interpretado o ícone da infância dele, Homem-Aranha (um dos órfãos mais famosos da cultura pop), ajudou-o a entender o sentimento de estar desamparado: "A parceria de Andrew com a WWO é sobre [a existência] desse super-herói dentro de cada criança". Em novembro do ano posterior, ele participou de um jogo do programa Ellen cujo desígnio foi realizar diferentes tipos de danças para angariar dinheiro para a instituição: o ator conseguiu dez mil dólares.
Defesa dos direitos LGBT
Garfield apoia ativamente os direitos LGBT em todo o mundo. Em abril de 2013, expressou publicamente o seu apoio à legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo e exprimiu sua oposição à injustiça de como os homossexuais são tratados, o desequilíbrio que ainda existe em termos de direitos e julgamentos. "É claro que sou a favor da igualdade no casamento. Os casais do mesmo sexo devem ter os mesmos direitos que qualquer outra pessoa. Não há argumento contra a igualdade. Como alguém pode argumentar contra a compaixão e a compreensão?" Ele também pronunciou-se contra a decisão da Suprema Corte americana que deu razão a um confeiteiro que se negou a preparar um bolo de casamento a um casal gay. "Vamos fazer um bolo para todo mundo que quer que um bolo seja feito", disse o artista. Foi indicado ao Prêmio Dorian em 2011.
Garfield tem dupla cidadania norte-americana e britânica e, em 2009, afirmou ao Sunday Herald que "se sente igualmente em casa" em ambos os países e "gosta de ter uma existência cultural variada". Habitualmente, dá entrevistas sobre seu trabalho, mas não discute publicamente os detalhes de sua vida privada. O ator também contou que, quando era bebê, quase morreu após ter contraído meningite. "Meus pais ouviram dos médicos que, se eu sobrevivesse, teria graves deficiências físicas e mentais. Mas fora isso não tive de lidar muito com doenças." Entre os anos de 2008 a 2011, teve um relacionamento com a atriz Shannon Woodward. Durante as gravações do filme The Amazing Spider-Man, em 2011, Garfield começou a namorar sua coprotagonista Emma Stone. Por um tempo, foram o casal favorito de Hollywood. Todavia, após algumas discrepâncias relacionada ao trabalho, principalmente ao dele, que estava gravando Silence na Ásia, separaram-se em 2015, embora permaneçam próximos. Ela declarou que ele "é alguém que eu ainda amo muito".
Religião
Apesar de não se considerar um religioso, Garfield revelou que, durante a preparação para o filme Silence, desenvolveu o que chama de um relacionamento "profundo com Jesus Cristo". De antemão, ele não tinha relação com Jesus e o considerava apenas o líder do cristianismo. Além disso, o ator julgava-se "panteísta, agnóstico, ocasionalmente ateu e um pouco judeu, mas principalmente confuso.[...] Eu não diria que tive uma crise de fé. Eu estou sempre tendo uma crise de fé, com tudo. As pessoas certas têm medo de mim. É assim que as guerras religiosas começam." Além disso, destacou que é importante notar que ambos filmes Hacksaw Ridge e Silence, nos quais interpreta religiosos, transcendem a religião específica. "[Embora] Desmond Doss fosse, obviamente, um cristão, um adventista do sétimo dia, presumo que suas ações na história transcendem a religião específica em que ele se encontrava. Suas ações vão além especificamente de ser cristão." O padre James Martin, que lhe serviu de professor para se portar tal qual um sacerdote jesuíta em Silence, continua sendo seu conselheiro espiritual, guiando o ator em sua própria "relação muito específica com Jesus".
Ao longo de sua carreira, Garfield já foi indicado e venceu diversos prêmios, notavelmente suas nomeações para o Oscar de Melhor Ator (2017), ao BAFTA de Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Estrela em Ascensão e Melhor Ator (2011 e 2017); Globo de Ouro para Melhor Ator Coadjuvante em Cinema e Melhor Ator em Filme Dramático (2011 e 2017); Prêmios Satellite de Melhor Ator Coadjuvante em Cinema (2011) e aos Prêmios Screen Actors Guild de Melhor Elenco em Cinema e Melhor Ator (2011 e 2017). Ele já venceu o Prêmio AACTA de Melhor Ator (2017), BAFTA de Melhor Ator em Televisão (2008), Critics Choice de Melhor Ator em Filme de Ação, Palm Springs de Atuação do Ano (2017), Satellite de Melhor Ator em Cinema (2017), o Prêmio Saturno de Melhor Ator Coadjuvante em Cinema (2011), entre diversos outros. Já no teatro, obteve indicações ao Prêmio Drama League de Desempenho Destaque (2012 e 2018, esta qual ganhou), Prêmios Evening Standard Theatre de Melhor Novato e Melhor Ator (2006 e 2017), Prêmio Laurence Olivier de Melhor Ator (2018) e ao Prêmio Tony de Melhor Performance de um Ator em um Papel de Destaque (2012) e ganhou o Drama Desk (2018) e o Tony de Melhor Ator em uma Peça.


