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García Hurtado de Mendoza

García Hurtado de Mendoza y Manrique foi um militar espanhol, Governador do Chile e vice-rei do Peru. Muitas vezes, conhecido simplesmente como "Marquês de Cañete".

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 19/07/2026
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Juventude

Era filho de Andrés Hurtado de Mendoza, terceiro marquês de Cañete - também um vice-rei do Peru - e Magdalena Manrique, filha do Conde de Osorno. Seus pais pertenciam a algumas das famílias mais importantes da aristocracia espanhola. Em 1552, Hurtado de Mendoza fugiu de casa com a intenção de servir a seu rei, Carlos I (imperador Carlos V), em uma expedição que se preparava contra Córsega. Ele demonstrou grande valor nesta campanha e também em Toscana, quando o ducado tentou dissolver o Estado Imperial. Fez parte do exército imperial em Bruxelas e estava com Carlos V quando este foi derrotado na batalha de Renty. Ao saber que seu pai tinha sido nomeado vice-rei do Peru, ele retornou à Espanha e pediu para ser enviado para a América. Durante a viagem conheceu Jerónimo de Alderete, que tinha sido escolhido pelo rei para ser o sucessor de Pedro de Valdivia como governador do Chile. Aconteceu que Alderete ficou doente e morreu durante a viagem. O pai de Hurtado reuniu um grupo de representantes chilenos e, depois de terem decidido que nem Francisco de Aguirre ou Francisco de Villagra eram qualificados como um sucessor para o cargo, nomeou o seu próprio filho. Esperava que seu filho iria trazer mais espanhóis para o Chile e, adicionalmente, seria capaz de unir as duas facções lutando para o cargo de governador do Chile. Também esperava-se que seria capaz de lidar com sucesso com os índios rebeldes.

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Governador do Chile

Hurtado de Mendoza deixou o Peru e foi para o Chile à frente de uma força de 500 espanhóis. Uma parte dessa força viajou por terra sob o comando de Luis de Toledo e Pedro de Castillo. Esse grupo partiu em janeiro de 1557. A outra parte, sob o comando do novo governador, viajou por mar, partindo em fevereiro do mesmo ano. O vice-rei deu um banquete para seu filho, depois que a frota saiu do porto ao som de marchas militares e uma salva de canhões. Hurtado de Mendoza navegou com uma comitiva de homens ilustres, incluindo Alonso de Ercilla y Zúñiga, Francisco de Irarrázaval y Andía, Fráncisco Pérez de Valenzuela, Frade Gil González de San Nicolás, o franciscano Juan Gallegos e o jurista Hernando de Santillán. A expedição parou em Arica em 5 de abril de 1557 e lá permaneceu por quatro dias. Continuando a viagem para o sul, eles desembarcaram em La Serena em 23 de abril de 1557. Os pobres de Coquimbo foram surpreendidos com o maior contingente de soldados - mais de 500 - já visto naquela região, armados com arcabuzes e canhões, usando armadura e elmos de plumas. Eles logo ganharam o apelido de emplumados.

Francisco de Aguirre e Francisco de Villagra

Francisco de Aguirre recebeu o novo governador hospitaleiramente em La Serena. Quase ao mesmo tempo, Francisco de Villagra chegou em La Serena por terra. Sabendo da aversão entre Aguirre e Villagra com relação a suas aspirações para o governo do Chile, García Hurtado não hesitou em prendê-los em La Serena, isolando-os em um navio. Este ato foi considerado injusto pelos colonizadores espanhóis no Chile. Mariño de Lobera relata em sua crónica que Aguirre, já a bordo, cumprimentou Villagra em sua chegada, apertou sua mão e disse: Veja, Meritíssimo, Señor General, como são as coisas do mundo: ontem nós dois não cabíamos em um mesmo reino e hoje Don García nos fez caber em uma simples prancha.

Relações com os povos indígenas

Ele chegou oito dias depois na baía de Concepción no meio de uma estação perigosa. As tropas desembarcaram na ilha de La Quiriquina durante uma chuva torrencial e ergueram um acampamento provisório. Uma vez instalado em Concepción, Hurtado tentou uma política amigável com os índios, que aceitaram as regras do governador, mas não estavam dispostos a aceitar a ocupação de seus territórios pelos espanhóis recém-chegados. Lincoyan e outros líderes indígenas sabia que a cavalaria estava vindo por terra de Santiago, e elaborou um plano para atacá-los em Andalicán, perto de Concepción. Hurtado soube do plano dos indígenas e foi informado de que os mapuches interpretaram sua atitude como um sinal de fraqueza e medo, ele decidiu, portanto, mudar radicalmente a sua atitude para com eles.

Consequências da guerra

Neste período Hurtado de Mendoza foi desprezado por aqueles que ele tinha roubado. Seu caráter colérico e sua arrogância lhe renderam muitos inimigos, inclusive Hernando de Santillán. Santillán tinha estabelecido a Tasa de Santillán, que regulava a servidão dos índios, permitindo que muitos espanhóis abusassem dos indígenas. Ele plantou as sementes de futuras rebeliões, em particular a dos huilliches. Algum tempo depois, o governador foi informado que seu pai, o vice-rei, tinha sido substituído pelo rei e que Francisco de Villagra seria o novo governador do Chile. Hurtado esperava receber de Villagra as mesmas humilhações que este havia sofrido e, por esta razão, ele decidiu sair imediatamente do Chile. Foi direto para Santiago, uma cidade que nunca tinha visitado durante seu governo.

Juicio de residencia

No Peru, foi submetido a um juicio de residencia pelas ações arbitrárias do seu governo no Chile (o confisco das encomiendas, os maus tratos dos soldados, etc.) Hurtado foi o primeiro governador do Chile cujo desempenho foi julgado sob as leis da Espanha. O tribunal o considerou culpado de 196 acusações, mas deixou a decisão para a Real Audiência de Lima. Sua sentença foi que ele permanecesse detido na cidade de Lima, até que fosse absolvido de todas as acusações ou pagasse a multa a que foi condenado.

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Retorno à Espanha

Imagem: Unknown authorUnknown author Unknown authorUnknown author · CC0 · Openverse

No entanto, Hurtado de Mendoza já tinha partido do Peru para a Espanha, para relatar o seu governo e suas campanhas para o rei Filipe II e para o Conselho das Índias. O prestígio de sua família, suas informações sobre os serviços prestados pela Audiência de Lima, e as recomendações de alguns capitães de confiança que começaram a chegar do Chile permitiram que as acusações de seus inimigos fossem logo esquecidas. Além disso, ele foi reconhecido como o vencedor da Guerra de Arauco. Em Madri, ele entrou para a Guarda Real. Também foi representante do rei em Milão.

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Vice-rei do Peru

Imagem: Igallards7 · BY · Openverse

Hurtado retornou à América em 1590, agora como vice-rei do Peru, cargo que ocupou até meados da década seguinte. Foi uma grande ajuda para os espanhóis no Chile, o fato de ter alguém que conhecia bem a situação daquela região. Hurtado tinha desentendimentos frequentes com Toríbio de Mongrovejo, arcebispo de Lima, sempre que as jurisdições eclesiásticas e civis se cruzavam. Mogrovejo instituiu o seminário dando origem a uma controvérsia, a colocação do brasão de armas do bispo na parte superior da entrada. Também teve participação na excomunhão de Juan Ortiz de Zárate, prefeito de Lima, quando as forças armadas prenderam um criminoso que havia recebido asilo político em uma igreja. Ao final de seu mandato, Hurtado deixou Lima e retornou à Espanha, onde morreu em 1609.

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Fontes consultadas

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