Andréa Beltrão
Andréa Vianna Beltrão é uma atriz e produtora brasileira. Artista de inúmeras facetas e versátil, iniciou sua carreira nos palcos do Tablado e, mais tarde, tornou-se popular na televisão e no cinema. Beltrão é ganhadora de vários prêmios, incluindo um Grande Otelo, dois APCA, três Prêmios Shell e três Prêmios Qualidade Brasil, além de ter sido indicada a oito Prêmios Guarani e um Emmy Internacional.
1978—89: Formação e primeiros trabalhos
Andréa iniciou sua carreira nos palcos do renomado teatro O Tablado, fundado por Maria Clara Machado, com apenas 14 anos de idade. Em sua estreia profissional, interpretou João Grilo numa montagem do clássico O Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna. Em seguida, a atriz passou a integrar o elenco de diversos grupos teatrais. Participou por três anos do grupo Arco da Velha, apresentando espetáculos em orfanatos e hospitais infantis. No início da década de 1980, ingressou no Manhas e Manias, grupo teatral do diretor José Lavigne, onde também atuava Débora Bloch, Chico Diaz e Pedro Cardoso. Em entrevistas, Andréa revela não saber ao certo como se deu o início de sua carreira profissional. Segundo a atriz, com os grupos teatrais, ela trabalhou em diversas produções, incluindo teatro de rua, com montagens no Brasil inteiro. Ela ainda participou do Manhas de Cabaré, grupo que promoveu a reforma do teatro Gláucio Gil com espetáculos de dança, música e cursos de teatro.
1990—99: Consolidação na televisão e protagonismo nas telenovelas
Após o fim de Armação Ilimitada, Andréa ficou um ano sem realizar trabalhos na televisão. Em 1990, foi convidada por Sílvio de Abreu e Jorge Fernando para o elenco da novela Rainha da Sucata, sendo eles o autor e o diretor da novela, respectivamente. A produção dessa novela foi realizada para comemorar os 25 anos da TV Globo e reuniu os grandes astros da teledramaturgia brasileira em homenagem. Na trama, interpreta "Ingrid de Bresson", filha de "Isabelle" (Cleyde Yáconis), que retorna com ela da Europa. "Ingrid" é descrita como uma personagem viva, esperta, animada, de ótimo caráter, que expressa suas ideias e influencia as pessoas ao seu redor. Ela tem um grande interesse em descobrir o verdadeiro Brasil e, apesar de ter interrompido seus estudos de sociologia na Sorbonne para vir para o Brasil, continua demonstrando uma curiosidade ingênua ao fazer perguntas às pessoas. Sua aparição ocorre somente após o capítulo 30. Ainda nesse ano, estreou nos cinemas brasileiros a comédia O Escorpião Escarlate, dirigida por Ivan Cardoso, com Andréa protagonizando o papel da estilista "Glória". Sua atuação nesse papel lhe garantiu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cinema e TV de Natal.
2000—09: Amadurecimento e consagração artística no teatro
Em 2001, protagonizou com Eliane Giardini e Ana Beatriz Nogueira a peça A Memória da Água, adaptação do texto de Shelagh Stephenson e direção de Felipe Hirsch. Na obra Memória da Água, três irmãs separadas por longos períodos se reúnem após a morte da mãe. Enquanto aguardam o funeral em uma vila à beira-mar, revisitam lembranças, resolvem questões pendentes e ponderam sobre o curso de suas vidas. A interpretação de Beltrão nesta obra gerou muitos elogios e ela foi indicada ao Prêmio Qualidade Brasil como Melhor Atriz Teatral de Drama. Segundo o crítico Macksen Luiz, a performance dela como "Maria" é marcada por uma intensa interiorização, evitando clichês psicológicos.
2010—19: Sucesso em Tapas & Beijos e indicação ao Emmy Internacional
Em dezembro de 2010, protagoniza o especial de fim de ano Programa Piloto, com Fernanda Torres, Alexandre Borges e Fernanda de Freitas. O especial acompanha os bastidores de uma novela brega paquistanesa, cuja sinopse concentra-se em "Carmen" (Beltrão), que tenta resgatar seu marido "Edgar" (Borges) do hospital, onde está sob os cuidados da enfermeira "Naja" (Torres). Paralelamente, os atores da novela enfrentam conflitos pessoais, especialmente com a chegada de Fabiana (Fernanda de Freitas), que tenta usurpar o lugar das estrelas Renata (Fernanda Torres) e Beatriz (Andréa Beltrão). No mesmo ano, aparece no filme de comédia dramática O Bem-Amado, dirigido por Guel Arraes. No filme, ela interpreta "Dulcinéia Cajazeira", que completa o trio das "Irmãs Cajazeiras" ao lado de Zezé Polessa e Drica Moraes.
2020—presente: Volta às telenovelas e trabalhos recentes
Em 2020, protagonizou o filme de drama Verlust, de Esmir Filho, interpretando a empresária do ramo musical "Frederica". No filme, "Frederica" enfrenta uma crise em seu casamento enquanto organiza uma festa de réveillon. Sua filha está partindo para estudar no exterior, e ela precisa lidar com as pressões de administrar a carreira de uma pop star (interpretada por Marina Lima). Quando uma criatura marinha encalha na praia, desencadeando uma crise, "Frederica" é confrontada com seu maior medo: a perda. O filme teve um lançamento limitado e não teve uma boa recepção da crítica, no entanto Andréa recebeu sua 11ª indicação ao Grande Otelo e sua 8ª ao Prêmio Guarani, dessa vez ambas na categoria de Melhor Atriz.
Em 1983 começou a namorar o ator e cineasta Guel Arraes. Em 1984 foram morar juntos, mas em 1989 separaram-se. Teve um relacionamento com o diretor de televisão, Rogério Gallo, de 1990 a 1992. Após outros relacionamentos, em 1994 iniciou um romance com o produtor e diretor Maurício Farias. Em 1995 foram viver juntos. Dessa união, tiveram três filhos: Francisco (n. 1996), Rosa (n. 1997) e José (n. 2000). Em entrevistas, Andréa revelou ser ateia, e que toda sua família era cética. Também informou que estudava no Colégio Pedro II, onde sua mãe era professora, e que seus filhos estudaram lá, mas que os tirou devido às greves contínuas. Referiu que fazia questão de levar uma vida simples, e que ela e os filhos utilizavam alimentação orgânica. Disse ter tido problemas com uso de álcool e drogas durante a adolescência e início da vida adulta, e por muitos anos frequentou psicoterapia e grupos de alcoólicos anônimos e narcóticos anônimos, mas que rapidamente se recuperou. Encontrou uma válvula de escape no teatro como meio profissional, e na atividade física, como hobby, os quais tiveram papel decisivo no seu bem estar emocional.
Andréa Beltrão já foi reconhecida em múltiplas premiações em diversas áreas do teatro, cinema e televisão. Ela acumula indicações nos principais principais festivais e eventos do país, bem como também foi prestigiada em premiações internacionais. Por seus trabalhos no cinema, ela se tornou uma das atrizes com mais indicações pela Academia Brasileira de Cinema ao Grande Otelo. Na categoria de melhor atriz, ela possui seis indicações, se saindo vitoriosa em uma delas por Hebe: A Estrela do Brasil, em 2020. Já na categoria de melhor atriz coadjuvante ela possui cinco indicações, sem vitórias até então. Em festivais de cinema, destacam-se suas vitórias no Festival de Brasília, onde ela já foi premiada quatro vezes com o Troféu Candango: a primeira foi em 1985 por seu desempenho em Minas-Texas; a segunda vitória se deu na categoria de atriz coadjuvante por Vai Trabalhar, Vagabundo II; já em 2021 ela voltou a receber o troféu por seu desempenho em Ela e Eu, nas categorias de melhor atriz e melhor roteiro. No Los Angeles Brazilian Film Festival, ela foi vencedora na categoria de melhor atriz por Salve Geral em 2010. No mesmo ano foi honrada com uma homenagem especial no Miami Brazilian Film Festival. Esses dois são os principais festivais de cinema brasileiro nos Estados Unidos.


