Mauro Mendes
Mauro Mendes Ferreira é um empresário, engenheiro eletricista e político brasileiro filiado ao União Brasil (UNIÃO). Presidiu a Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso (Fiemt) e o sistema Sesi/Senai entre os anos de 2007 e 2010. Foi governador de Mato Grosso de 2019 a 2026 e prefeito de Cuiabá de 2013 a 2016.
Natural de Goiás, filho de Antônio Mendes e Abadia Sena, Mendes mudou-se para Cuiabá aos 16 anos. O político é casado com a economista e empresária Virgínia Mendes e pai de três filhos: Ana Carolinne, Luis Antônio e Maria Luíza. Nos anos de 1984 e 1985, com cerca de 20 anos, Mauro fez parte da movimento estudantil, ganhando a disputa das eleições do Diretório Central dos Estudantes (DCE) por meio da chapa Reflexão e Luta, herdando pautas da gestão anterior, Semear, que enfrentava problemas de permanência estudantil, como moradia e alimentação. Na capital do estado de Mato Grosso, formou-se em engenharia elétrica pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e fundou a Bimetal, fabricante de torres de telecomunicações. Por seis anos, foi o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso, chegando a ser vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria. Em junho de 2020, Mauro Mendes anunciou que foi diagnosticado com o novo coronavírus.
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Mauro Mendes é sócio do Grupo Bipar, que engloba a Bimetal Indústria Metalúrgica Ltda, a Bipar Energia S.A., a Bipar Investimentos e Participações S.A e Mavi Engenharia e Construções Ltda. Em 2015, o grupo entrou com uma ação judicial para efetuar um pedido de recuperação financeira da empresa, tendo em vista a declaração de uma dívida de 126 milhões de reais. Nas declarações do político, desde 2014 a empresa sofreu uma perda de rendimentos ocasionada pelas projeções da Operação Ararath, já que a partir do início das investigações, os bancos limitaram o acesso à créditos e financiamentos ao Grupo Bipar. Posteriormente, a justiça arquivou a investigação pela da falta de provas protocoladas e, por isso, a Bipar entrou com um pedido de recuperação judicial em 2015, obtendo o plano para o pagamento de débitos homologado no ano seguinte.
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Em 2008, Mauro disputou as eleições municipais de Cuiabá, candidato ao cargo de prefeito, e não conseguiu ser eleito. Em 2010, também disputou a eleição para o governo do Estado e perdeu novamente a disputa. Eleito em 2012, venceu o pleito em segundo turno com 169.688 votos (54,65%). Durante o mandato, a administração do prefeito foi aprovada por aproximadamente 80% da população cuiabana, sendo considerado um dos melhores prefeitos da capital. Segundo a pesquisa realizada pelo Instituto Gazeta Dados, a gestão obteve diversos avanços, como a entrega do Hospital São Benedito; da UTI pediátrica; do Centro de Distribuição de Medicamentos; cinco escolas; 16 creches (reformando outras 12); parques como o Tia Nair e Parque das Águas; a Orla do Porto; e a realização do programa de asfaltamento e recapeamento do município, cobrindo uma área de 500km. Entre os anos de 2013 e 2015, Mauro Mendes assumiu a presidência do Partido Socialista Brasileiro (PSB) em um momento de tensão interna. Na época, o partido se reconstituía depois da saída de Valtenir Pereira para o PMDB, que se desfiliou junto à 11 dos 12 prefeitos filiados. Após a reestruturação das bases do partido, Mendes fora questionado sobre o apoio e privilégio dado à determinadas candidaturas em sua administração, que resultaram em inquietações no interior do grupo durante as eleições de 2014. Apesar das diversas problemáticas, o nome de Mauro fora cogitado na troca administrativa da presidência do PSB em 2017, mas a indicação não se consolidou, dando lugar a posse de Valtenir, que retornou ao partido no mesmo mês da votação para o cargo de chefia.
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No dia 1 de janeiro de 2019 assumiu como Governador de Mato Grosso, declarando no discurso de posse que os grandes inimigos do estado seriam "desigualdade social" e "péssima qualidade dos serviços públicos", ressaltando a situação fiscal precária do estado, também criticando a dita "velha política" que afirmou que a população brasileira estava cansada e indicou a eleição de Jair Bolsonaro a presidência como sendo uma prova disso. Nos primeiros meses de seu governo, o político decretou estado de calamidade financeira em Mato Grosso, alegando a redução de despesas para o pagamento de 4 bilhões em dívidas herdadas da gestão anterior, porém essa calamidade financeira não foi reconhecida pelo governo federal, uma vez que a equipe financeira do governo federal após análise julgou inverídicas os argumentos apresentados. Mesmo neste contexto. Em julho de 2019, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso, aprovou a prorrogação da calamidade financeira por mais 120 dias. Mendes manteve o escalonamento dos salários dos servidores públicos, mesmo tendo prometido em sua campanha realizar os pagamentos no último dia do mês. Também realizou um empréstimo de 332 milhões de dólares com o Banco Mundial, aprovado pela Assembleia Legislativa, prorrogando a dívida e diminuindo os juros sobre o montante fiscal, tendo em vista a sustentabilidade financeira do estado e a capacidade institucional de produção.
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(DEM, PDT, PSD, PSC, MDB, PMB, PHS, PRP e PTC) (UNIÃO, Republicanos, PL, MDB, PSB, PROS, PODE, Federação PSDB Cidadania)
Imagem: Governo do Estado do Amapá · BY-NC · Openverse
Condenação em processos trabalhistas
Em 2015, Mauro Mendes foi processado por submeter cerca de 200 trabalhadores a condições degradantes de trabalho na construção de uma linha de transmissão da Eletrobras em Cacoal e pela falta de pagamento salarial e direitos trabalhistas pelo nome da empresa Mavi Engenharia e Construções Ltda. O pagamento da soma, avaliado em 35 milhões de reais, conta com o pedido do sindicato sobre o pagamento de indenização por danos morais individuais a cada ex-funcionário, tendo em vista que grande maioria dos trabalhadores era advindo de outros estados. Diante desta situação, a falta dos acertos rescisórios que não foram quitados pela empresa, que faz parte do grupo Bipar, não permitiu que os funcionários demitidos voltassem à seus locais de origem. Mendes entrou com recurso no TRT diante o resultado condenatório da tramitação e solicitou na justiça o sigilo sobre a documentação da empresa no processo. Diante a polêmica, o resultado da situação judicial foi utilizado pela oposição como ferramenta retórica em pronunciamentos midiáticos durante as campanhas eleitorais de 2018.
Improbidade Administrativa
Em abril de 2018, a 8ª Vara Federal de Cuiabá concordou com o bloqueio dos bens do governador Mauro Mendes e da juíza Carla Reita em cerca de 300 mil reais. O político e a juíza foram acusados de improbidade administrativa na ação iniciada pelo Ministério Público Federal (MPF). A investigação, datada de 2013, iniciou-se diante uma compra habitacional ilegal realizada pela juíza em 2009, em um leilão do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), por intermédio de Mauro Mendes. A juíza não poderia participar do leilão, que visava o pagamento de indenizações trabalhistas, por fazer parte do grupo de servidores da Justiça do Trabalho. O apartamento teria sido comprado pelo político e repassado para a magistrada. Em decorrência da investigação, como punição, a juíza foi sujeita à aposentadoria compulsória em 2015, com decisão de julgamento mantida pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).


