Mittermeier's Tapajós saki
O Pithecia mittermeieri, popularmente conhecido como macaco-saki do Tapajós de Mittermeier, é uma espécie de primata do Novo Mundo pertencente à família Pitheciidae. É endêmica do Brasil, com distribuição principal no interflúvio dos rios Madeira e Tapajós, na Amazônia, estendendo-se até o sul, no estado do Mato Grosso, em zonas de transição ecológica (ecótonos) com o Cerrado e o Pantanal.
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A espécie foi descrita em 2014 por Laura Marsh em sua revisão taxonômica do gênero Pithecia. Anteriormente, as populações desta espécie eram classificadas dentro do saki do Rio Tapajós (P. irrorata). A distinção foi baseada na pelagem característica. No entanto, um estudo subsequente em 2019 reavaliou a variação de cores e sugeriu que P. mittermeieri poderia estar dentro da variação de P. irrorata, defendendo a sinonímia. Apesar disso, tanto a IUCN quanto o governo brasileiro (via ICMBio) e o ITIS continuam reconhecendo P. mittermeieri como uma espécie válida.
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O P. mittermeieri é endêmico do Brasil. Sua distribuição principal ocorre a sul do Rio Amazonas, na Bacia Amazônica, na região do interflúvio entre o Rio Madeira e o Rio Tapajós, incluindo a área de drenagem do Rio Aripuanã. Está presente nos estados do Pará, Amazonas, Rondônia e Mato Grosso. A ocorrência mais meridional do gênero Pithecia foi registrada para esta espécie, em um ecótono (área de transição) entre os biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal, no estado de Mato Grosso.
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O Pithecia mittermeieri é conhecido por ser uma das espécies de saki mais variáveis em termos de coloração. São primatas de médio porte, os machos o possuem pelagem corporal majoritariamente preta, com longas faixas de pelos grisalhos (brancos). Os antebraços são cobertos por pelos brancos, curtos e densos. A característica mais distintiva é a juba laranja brilhante (ou castanha clara) ao redor da face. As fêmeas têm coloração semelhante, mas geralmente são menos grisalhas do que os machos.
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Na porção sul de sua distribuição (Rondônia), está ameaçada pela caça e perda de habitat, e nas porções mais ao norte de sua distribuição está ameaçada pelo desmatamento e fragmentação de habitat. É, portanto, classificada como Vulnerável na Lista Vermelha da IUCN.
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A espécie habita florestas de terra firme, primárias e secundárias, e demonstra alguma tolerância a áreas degradadas e florestas sazonalmente inundáveis. Sua capacidade de ocupar a zona de transição entre a Floresta Amazônica e o Cerrado/Pantanal indica flexibilidade em seu uso de habitat.
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Macacos-saki são especializados em consumir sementes, sendo classificados como frugívoros-granívoros. Sua dieta consiste predominantemente em frutos e sementes com altos níveis de resistência mecânica (duras), as quais são processadas por sua mandíbula robusta e dentes adaptados para quebrar cascas rígidas. O Pithecia mittermeieri é um primata diurno e estritamente arbóreo. Vive em grupos sociais que são, em geral, pequenos, embora dados específicos sobre o tamanho médio do grupo para esta espécie ainda sejam escassos. É conhecido por seu comportamento de salto e locomoção quadrúpede nas copas das árvores. A espécie é tolerante à presença de outros primatas e pode formar bandos mistos com outras espécies de macacos-prego, zogue-zogues e saguis na região, o que pode auxiliar no forrageamento e na vigilância contra predadores.
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A espécie está listada como Vulnerável (VU) na Lista Vermelha da IUCN devido ao declínio populacional estimado em função da perda de habitat. Têm como ameaças o desmatamento e fragmentação, a área de ocorrência de P. mittermeieri coincide com o "Arco do Desmatamento" da Amazônia, onde a floresta é rapidamente convertida para pecuária e agricultura (soja), resultando em perda e fragmentação do habitat. A caça de subsistência e predatória também é uma ameaça significativa em algumas porções de sua distribuição, como em Rondônia. O conhecimento sobre a real extensão de sua distribuição, incluindo os novos registros no Mato Grosso, é crucial para definir e implementar áreas de conservação eficazes, especialmente nas zonas de ecótono. A espécie está listada no Apêndice II da CITES (Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção), o que regula o seu comércio.


