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Congos

Os congos são um povo banto definido principalmente como os falantes do congo. Subgrupos incluem os beembes, buendes, vilis, sundis, iombes, dondos, laaris e outros.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 16/07/2026
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Etimologia

A origem do nome Kongo é incerta. Para o pesquisador Samuel Nelson, pode derivar do verbo local *konga*, que significa “reunir”. Para Alisa LaGamma, pode vir da palavra regional Nkongo, que significa “caçador” em sentido heróico. O termo também aparece com variantes como Esikongo, Mucicongo, Mesikongo e Moxicongo nas literaturas colonial francesa, belga e portuguesa. No Caribe, missionários cristãos usaram o termo Bafiote para identificar escravizados congos da costa, especialmente do povo Vili. Desde o início do século XX, o termo congo tem sido usado com mais frequência, sobretudo ao norte do rio Congo, para designar os falantes do congo e de línguas aparentadas.

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História

Segundo Jan Vansina, a região do rio Congo foi ocupada há milênios, embora as primeiras evidências arqueológicas seguras, como o sítio de Tchissanga, datem de cerca de 600 a.C. Já no século XIII, surgem pequenos reinos e principados, e no século XV, os portugueses registram a existência de um reino altamente organizado com capital em Mabanza Congo. Os congos foram um dos primeiros povos africanos a acolher os portugueses em 1483 e converter-se ao cristianismo. Protestaram contra a escravidão nos anos 1510–1520, mas acabaram envolvidos no tráfico atlântico como vítimas e agentes, especialmente nos séculos XVII e XVIII. A partilha colonial da África no século XIX dividiu os congos entre os impérios português, belga e francês. No século XX, os congos estiveram entre os grupos mais ativos nos movimentos de independência das ex-colônias.

Reino do Congo

Segundo a tradição oral conga, o Reino do Congo foi fundado antes do século XIV, possivelmente ainda no século XIII. O reino não seguia um modelo de sucessão hereditária como era comum na Europa, mas sim por eleição entre os nobres da corte conga. O rei precisava legitimar-se por meio do reconhecimento dos seus pares, da construção de consenso, do uso de insígnias e de rituais religiosos. O reino possuía muitos centros comerciais próximos a rios e também no interior, espalhados por centenas de quilômetros, e tinha como capital a cidade de M'banza Congo, situada a cerca de 200 km da costa atlântica. Os portugueses chegaram à costa da África Central, ao norte do rio Congo, entre 1472 e 1483, à procura de uma rota marítima para a Índia. Não encontraram portos ou oportunidades comerciais nessa região, mas ao sul do rio Congo encontraram o povo congo e seu reino, com governo centralizado, moeda própria (nzimbu) e mercados prontos para relações comerciais.

Outros reinos

A guerra entre o Congo e os portugueses em 1665 e o assassinato do rei hereditário pelas tropas portuguesas provocaram um vácuo político. O Reino do Congo se fragmentou em pequenos reinos, cada um controlado por nobres considerados aliados dos portugueses. Um desses reinos foi o Reino de Loango. Localizado ao norte, acima do rio Congo, Loango já era uma comunidade estabelecida do povo congo antes mesmo da guerra. Novos reinos surgiram nesse período, a partir das partes sudeste e nordeste do antigo Reino do Congo. A antiga capital do povo congo, São Salvador, foi incendiada e permaneceu em ruínas e abandonada em 1678. Os novos reinos fragmentados disputavam entre si fronteiras e direitos, inclusive com outros grupos étnicos vizinhos, gerando guerras e invasões recorrentes.

Era colonial

Após a morte de Dona Beatriz em 1706 e mais três anos de guerras com ajuda portuguesa, Pedro IV conseguiu recuperar grande parte do antigo Reino do Congo. No entanto, os conflitos continuaram ao longo do século XVIII, e a demanda por escravizados – tanto do povo congo quanto de outros grupos – aumentou, alimentando as caravanas rumo aos portos atlânticos. Embora, nos documentos portugueses, todos os congos estivessem tecnicamente sob um único soberano, isso já não correspondia à realidade a partir da metade do século XVIII. O povo do Congo estava dividido em regiões lideradas por famílias nobres locais. O cristianismo voltou a crescer, com novas capelas, serviços religiosos regulares, missões de diferentes seitas cristãs em expansão e rituais eclesiásticos incorporados à sucessão real. Houve crises de sucessão e conflitos após a morte de governantes locais, com eventuais golpes como o de Henrique III contra André II, geralmente resolvidos com intervenção portuguesa, e esse padrão se manteve até meados do século XIX.

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Criação e cosmologia

Os congos acreditam que, no início, o mundo era um vazio circular, chamado mbûngi, sem vida. O Nzambi Mpungu, o deus supremo criador, invocou uma grande força de fogo chamada Kalûnga, que preencheu esse círculo vazio. Kalûnga aqueceu o mbûngi e, ao esfriar, formou a Terra, que, após passar por quatro estágios, tornou-se um planeta verde cheio de vida. Os estágios são: surgimento do fogo; fase vermelha (queima e moldagem); fase cinzenta (resfriamento, sem vida); e fase verde (maturidade e suporte à vida). “Outra característica importante da cosmologia congo é o sol e seus movimentos. O nascer, auge, pôr e ausência do sol fornecem o padrão essencial da cultura religiosa congo. Esses ‘quatro momentos do sol’ correspondem às quatro fases da vida: concepção, nascimento, maturidade e morte. Para os congos, tudo passa por esses estágios… Este ciclo vital é representado por um círculo com uma cruz interna. No cosmograma ou dikenga, o ponto de encontro das duas linhas da cruz é o mais poderoso, onde a pessoa se posiciona.”

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Religião

A história religiosa do povo congo é complexa, especialmente após a adoção do cristianismo pela elite dirigente do Reino do Congo no início do século XVI. Segundo o historiador John K. Thornton, “Os africanos centrais provavelmente nunca concordaram entre si sobre o que é, em detalhes, sua cosmologia — resultado do que chamei de processo de revelação contínua e sacerdócio precário.” O povo congo possuía crenças religiosas diversas, com ideias tradicionais mais desenvolvidas na região norte do território congo-falante, que resistiu à cristianização e à escravidão até o século XIX. Existem descrições abundantes sobre as crenças religiosas congo em registros de missionários católicos e colonizadores, mas Thornton adverte que esses relatos são enviesados e de confiabilidade limitada. Os congos acreditavam em um deus supremo chamado Zambi sua contraparte feminina chamada Nzambici, e em vários espíritos da natureza, conhecidos como simbis, inquices, inquitas e quilundus.

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Genética

O haplogrupo L2a, uma linhagem mitocondrial (mtDNA), é comum no Congo-Quinxassa entre os povos bantos, incluindo os congos. O haplogrupo E1b1a8 é o clado mais comumente encontrado no cromossomo Y.

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Nacionalismo

A ideia de uma unidade conga surgiu no início do século XX, especialmente por meio de publicações em jornais nos diversos dialetos da língua conga. Em 1910, Kavuna Kafwandani (Kavuna Simão) publicou um artigo no jornal missionário sueco em congo Misanü Miayenge ("Palavras de Paz") conclamando todos os falantes da língua congo a reconhecerem sua identidade comum. Os congos têm expressado rivalidades étnicas e sentimentos nacionalistas através de esportes como o futebol. Os jogos são organizados por equipes étnicas e os torcedores apoiam seus times conforme essas divisões, como em partidas entre os povos poto-poto e os congos. Contudo, em competições internacionais, essas barreiras étnicas são superadas como forma de afirmar sua independência frente à igreja e ao Estado, segundo Phyllis Martin.

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