Andebeles
Os andebeles (ndebele) ou andebeles meridionais são um grupo étnico de origem angune que vivem em território sul-africano.
A história dos andebeles meridionais está relacionada a formação dos povos angunes que ocupavam as planícies costeiras orientais da África do Sul. Entre os anos 1400 e o início de 1800, vários pequenos clãs de soto-tsuanas (que habitavam o planalto de Dracoberga) e se dividiram e se fundidiram com alguns clãs angunes para formar novos clãs, que passaram a habitar o planalto. Foi o chefe Mafana o primeiro líder de um clã angune a migrar do plantalto de Dracoberga em direção ao norte. Este fato histórico é identificado como evento fundador dos povos andebeles meridionais. O sucessor de Mafana, Mhalanga, teve um filho chamado Musi que se afastou mais ainda de seus povos irmãos em 1600 e estabeleceu-se nas colinas de Gautengue. Após a morte de Musi, seus dois filhos, Manala e Andzundza, entraram em conflito pela chefia do clã, o que ocasionou a divisão em dois clãs: os manalas e os andzundzas. O Conflito Manala-Andzundza forçou uma grande migração na região. Enquanto os manalas permaneceram no norte, eventualmente sendo absorvidos pelos povos soto-tsuanas, os andzundzas migraram para o leste e para o sul.
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Estruturas políticas e sociais
A autoridade andebele era pertencente ao chefe tribal que é auxiliado por um conselho familiar ou interno. As alas eram administadas pelos chefes das alas e grupos familiares que eram governados pelos chefes das famílias. A unidade residencial da família (umuzi) era constituída pelo chefe de família e se ele tivesse mais de uma esposa, o umuzi era dividido em duas metades, uma para cada esposa. Ás vezes, o umuzi se transformava em uma unidade residencial mais complexa quando os filhos casados do chefe e os irmãos mais novos uniam-se à família. Cada tribo consistia em vários clãs que reuniam um grupo de indivíduos cujo ancestral na linha paterna era o mesmo.
Casamento
Quando estão na idade ideal para o matrimônio, as mulheres recebem um xale que simboliza o status de mulher casada e uma boneca cujo nome atribuído pela dona será dado a sua primeira filha. No casamento, a noiva não deve sorrir, pois se espera que ela demonstre tristeza ao sair da casa de seu pai. Outro ritual relativo às mulheres é que a noiva tem seu cabelo raspado na frente para poder colocar um acessório de casamento em sua cabeça que é confeccionada com fibras vegetais. Além disso, a mulher também usa um painel central endurecido com uma mistura de terra e migau de ardósia decorado com miçangas e uma pena de ave rara para poder cobrir a peça em sua cabeça. O corpo da noiva é pintado com gordura de ardósia e em seu rosto é aplicada vaselina para dar brilho a sua face, com o intuito de deixá-la atraente. A cerimônia de casamento é demorada e deixar o acessório cair da cabeça ou quebrar, durante a cerimônia, é uma vergonha.
Crenças
A sociedade andebele tradicional, acreditava que forças externas ocasionavam doenças, como feitiços ou maldições. O curandeiro oficial da tribo tira o poder de derrotar essas forças. Os médicos tradicionais eram médiuns que possuiam a capacidade de invocar espíritos ancestrais.
As paredes traseiras e laterais das casas eram pintadas com tons terrosos e formas geométricas modeladas com os dedos. As bordas eram pintadas com cores escuras, forradas de branco, em janelas menos importantes no pátio interno e nas paredas externas. Os artistas andebeles contemporâneos utilizam uma paleta de cores com uma variedade maior de tons e matizes do que os artistas tradicionais que costumavam utilizar tons terrosos produzidos com ocre moído, argilas de cores naturais ( marrom, verrmelho escuro, branco, rosa e amarelo ouro, verde, azul) e o preto era extraído do carvão vegeta e as pinturas eram feitas com os dedos. As cores vivas eram feitas na ordem do dia. E, conforme o contato dos andebeles com a cultura ocidental foi aumentando, os artistas passaram a empregar certas mudanças em sua arte. Além da adição das cores vivas, foram adicionadas representações estilizadas aos desenhos geométricos tradicionais.


