Exército Branco
Exército Branco ou Guarda Branca foi o nome dado ao braço militar do Movimento Branco, durante a Guerra Civil Russa. Era formado por forças nacionalistas e contrarrevolucionárias russas, tinha representação de organizações anti-comunistas, conservadores e, em alguns casos, pró-czaristas,os defensores da antiga República Russa, mencheviques, socialistas revolucionários além de outras facções, que, após a Revolução de Outubro, lutaram contra o Exército Vermelho dos bolcheviques na Rússia.
O Exército de Voluntários no sul da Rússia, tornou-se o mais proeminente e a maior das várias forças brancas. Começando como uma pequena e bem organizada força militar em Janeiro de 1918, o Exército Voluntário logo cresceu. Os cossacos de Kuban juntaram-se ao Exército Branco, e o recrutamento de camponeses e cossacos começou. No final de Fevereiro de 1918, 4000 soldados sob o comando do general Aleksei Kaledin foram forçados a recuar a partir de Rostov do Don devido ao avanço do Exército Vermelho. Na que ficou conhecida como "Marcha de gelo", eles viajaram para Kuban, a fim de unir-se com o cossacos (a maioria dos quais não apoiavam o Exército de Voluntários). Em Março, 3 000 homens sob o comando do general Victor Pokrovsky juntaram-se ao exército voluntário, aumentando sua participação para 6 000, e em Junho, para 9 000. Em 1919, os cossacos do Don uniram-se ao exército que começou a recrutar camponeses ucranianos. Naquele ano, entre Maio e Outubro, o Exército Voluntário cresceu de 64 000 para 150 000 soldados e teve mais adesão que o seu inimigo Exército Vermelho. O Exército Branco foi composto por anti-bolcheviques, como cossacos, nobres e camponeses, como conscritos e como voluntários.
Em vários momentos os aliados ocidentais da Tríplice Entente e forças de intervenção estrangeiras proporcionaram importante assistência ao Exército Branco. Isto levou alguns a vê-lo como representante dos interesses da potências rivais, o que a propaganda comunista aproveitou plenamente, divulgando que os oficiais "brancos" apenas obedeciam ordens da França e Reino Unido contrariando os interesses da Rússia. No campo de batalha, o Exército Branco contou, ocasionalmente, com o auxílio de forças japonesas, britânicas, canadenses, estadunidenses, entre outras. Entre Março e Abril de 1918, criou-se um corpo expedicionário para intervir na Sibéria Oriental. No oriente, o Exército Branco dependia completamente do Império do Japão que tinha grande interesse econômico na Sibéria.
Os brancos e os vermelhos lutaram na Guerra Civil Russa de Novembro 1917 até 1921, e batalhas isoladas continuaram acontecendo no Extremo Oriente até 1923. O Exército Branco, auxiliado pelas forças aliadas (Tríplice Entente) de países como Japão, Reino Unido, França, Itália, Estados Unidos e (às vezes) as forças de potências centrais como a Alemanha e Áustria-Hungria, lutou na Sibéria, Ucrânia e Crimeia. Eles foram derrotados pelo Exército Vermelho devido à desunião militar e ideológica, bem como a determinação e crescente unidade do Exército Vermelho e os esforços consideráveis do Exército Makhnovista. O Exército Branco operou em três frentes principais:
Frente Sul
A atividade dos brancos no sul teve início em 15 de Novembro de 1917 (calendário gregoriano) sob comando do general Mikhail Alekseyev (1857-1918). Em Dezembro de 1917, o general Lavr Kornilov assumiu o comando militar do recém-formado Exército de Voluntários até sua morte em Abril de 1918, depois que o general Anton Denikin assumiu, tornando-se chefe do Forças Armadas do Sul da Rússia em Janeiro de 1919. A Frente do sul caracterizou-se por operações de enorme escala e mostrou ser a ameaça mais perigosa para o governo bolchevique. Inicialmente, dependia inteiramente voluntários russos, principalmente cossacos (entre os primeiros a se oporem ao governo bolchevique). Em 23 de Junho de 1918 o Exército de Voluntários (8 000-9 000 homens) iniciou a sua chamada Segundo Campanha de Kuban com o apoio de Piotr Krasnov. Em Setembro, o Exército de Voluntários era composto de 30 000 a 35 000 membros, graças à mobilização dos cossacos de Kuban que reuniram-se no Cáucaso do Norte. Assim, o Exército de Voluntários tomou o nome do Exército Voluntário do Cáucaso. Em 23 Janeiro de 1919 o Exército de Voluntários sob Denikin derrotou o 11º exército soviético e, em seguida, capturou a região do Norte do Cáucaso. Depois de capturar Donbass, Tsaritsin (Volgogrado) e Kharkov em Junho, as forças de Denikin aproximaram-se de Moscou em 3 de Julho de 1919. Planos previam que 400 000 combatentes sob o comando do general Vladimir May-Mayevsky atacariam cidade.
Frente Norte/Noroeste
Chefiada pelo Nikolai Yudenich, Yevgeny Miller e Anatoly Lieven, as forças brancas no Norte demonstraram menor cooperação com o Exército do Sul do general Denikin. O Exército do nordeste aliado com tropas da Estônia, e de Lieven com a Nobreza do Báltico. Aventureiros liderados por Pavel Bermondt-Avalov e Stanisław Bulak-Bałachowicz tiveram também um papel. A ação mais notável nesta frente, a "Operação Espada Branca" (Guerra de Independência da Estônia), tentou um avanço sem sucesso para a capital russa de Petrogrado no Outono de 1919.
Frente Oriental (Sibéria)
A Frente Oriental começou na primavera de 1918, como um movimento secreto entre oficiais do exército e forças socialistas moderadas. Nessa frente, eles lançaram um ataque em colaboração com as Legião Checoslovaca (então retida na Sibéria pelo governo bolchevique, que a impedia de deixar a Rússia) e com os japoneses, que também intervieram para ajudar os brancos no leste (ver: Intervenção na Sibéria). O almirante Aleksandr Kolchak chefiou o exército contrarrevolucionário oriental e um governo provisório russo; apesar de algum sucesso significativo em 1919, eles foram derrotados e forçados a voltar ao extremo leste da Rússia, onde continuaram lutando até Outubro de 1922.
Os antibolcheviques russos derrotados foram para o exílio, reunidos em Belgrado, Berlim, Paris, Harbin, Istambul, São Paulo e Xangai. Eles estabeleceram redes militares e culturais que duraram até a II Guerra Mundial, por exemplo, os russos de Harbin e os russos na Xangai). Depois disso, os ativistas anticomunistas russos brancos estabeleceram uma base nos Estados Unidos, para onde numerosos refugiados imigraram. Além disso, nos anos 1920 e 1930, o Movimento Branco estabeleceu organizações fora da Rússia, que foram feitas para depor o governo soviético por meio de guerra de guerrilhas, por exemplo, a União Geral de Combatentes Russos, a Irmandade da Verdade Russa, e a Aliança Nacional de Solidaristas Russos, uma organização anticomunista de extrema-direita fundada em 1930 por um grupo de jovens emigrados brancos em Belgrado, Iugoslávia. Alguns emigrantes brancos nutriam simpatias pró-soviéticas e foram chamados de "patriotas soviéticos". Essas pessoas formaram organizações como a Mladorossi, os eurasianistas, o Smenovekhovtsy.


