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Anarconaturismo

O anarconaturismo, também referido como naturismo anarquista e anarquismo naturista, apareceu no final do século XIX como a união das filosofias anarquista e naturista. Em muitas das comunidades alternativas estabelecidas na Grã-Bretanha no início de 1900, "nudismo, anarquismo, vegetarianismo e amor livre eram aceitos como parte de um modo de vida politicamente radical". Na década de 1920, os habitantes da comunidade anarquista em Whiteway, perto de Stroud em Gloucestershire, "chocaram os residentes conservadores da área com sua nudez descarada". Principalmente, teve importância dentro dos círculos anarquistas individualistas na Espanha, França, Portugal e Cuba.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 29/07/2026
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História

Influências iniciais

Uma importante influência inicial no naturismo anarquista foi o pensamento de Henry David Thoreau, Leo Tolstoy e Élisée Reclus. Thoreau foi um autor, poeta, naturalista, resistente a impostos, crítico de desenvolvimento, agrimensor, historiador, filósofo e importante transcendentalista americano. Ele é mais conhecido por seu livro Walden, uma reflexão sobre a vida simples em ambientes naturais, e seu ensaio A Desobediência Civil, um argumento para a resistência individual ao governo civil em oposição moral a um estado injusto. A vida simples como rejeição de um estilo de vida materialista e a autossuficiência eram os objetivos de Thoreau, e todo o projeto foi inspirado na filosofia transcendentalista. "Muitos viram em Thoreau um dos precursores do ecologismo e do anarcoprimitivismo representado hoje em John Zerzan. Para George Woodcock esta atitude pode ser motivada também por certa ideia de resistência ao progresso e de rejeição ao crescente materialismo que é a natureza da sociedade americana em meados do século XIX." O próprio John Zerzan incluiu o texto "Excursions" (1863) de Thoreau em sua compilação editada de escritos anticivilizacionais chamada Against Civilization: Readings and reflections de 1999.

França

Para o geógrafo anarquista francês Élisée Reclus, nascido em 1830, o vestuário constitui uma expressão da corrupção da sociedade, com sua hierarquia de classes e repressão sexual. Ele argumentava que viver nu era mais higiênico do que usar roupas, acreditava que era mais saudável para a pele ficar totalmente exposta à luz e ao ar para que pudesse retomar sua "vitalidade e atividade naturais" e ao mesmo tempo tornar-se mais flexível e firme. Ele também argumentava que a nudez tinha uma vantagem estética: pessoas ficam mais bonitas nuas. De acordo com ele, devido às roupas “as curvas naturais são substituídas por fileiras de botões, saias e blusas”. Reclus também cria que, sem a libertação do corpo e a liberdade para apreciá-lo plenamente, era impossível alcançar o pleno desenvolvimento da arte. Sua principal objeção ao vestuário era, contudo, moral; ele compreendia que a fixação pelas roupas causava um foco excessivo nas partes do corpo que estavam cobertas.

Espanha

Essa relação entre anarquismo e naturismo foi bastante importante no final da década de 1920 na Espanha: Isaac Puente, um influente anarquista espanhol durante as décadas de 1920 e 1930 e um importante propagandista do anarconaturismo, foi militante do sindicato anarcossindicalista CNT e da Federação Anarquista Ibérica. Puente era um defensor do feminismo, dos métodos contraceptivos, e dos cuidados de saúde gratuitos. Publicou em 1933 o livro El Comunismo Libertario y otras proclamas insurreccionales y naturistas (pt:Comunismo libertário e outras proclamações insurrecionais e naturistas), que vendeu cerca de 100,000 exemplares,:4 e escreveu o documento final para o Congresso Confederal Extraordinário de Zaragoza de 1936 que estabeleceu a principal linha política da CNT para aquele ano. Puente foi um médico que abordou sua prática médica de um ponto de vista naturista. Ele via o naturismo como uma solução integral para as classes trabalhadoras, ao lado do neomalthusianismo, e acreditava que ele dizia respeito ao ser vivo enquanto o anarquismo dirigia-se ao ser social. Ele acreditava que as sociedades capitalistas colocavam em risco o bem-estar dos humanos, tanto do ponto de vista socioeconômico quanto sanitário, e promovia o anarcocomunismo ao lado do naturismo como solução.

Cuba

O historiador Kirwin R. Schaffer, em seu estudo sobre o anarquismo cubano, relata o anarconaturismo como "[uma] terceira vertente dentro do movimento anarquista da ilha" ao lado do anarcocomunismo e do anarcossindicalismo. O naturismo ofereceu um movimento alternativo global de saúde e estilo de vida. Os naturistas se concentraram em redefinir a vida de uma pessoa para viver de forma simples, comer dietas vegetarianas baratas, mas nutritivas, e cultivar sua própria comida, se possível. O campo foi apresentado como uma alternativa romântica à vida urbana, e alguns naturistas até promoveram o que consideravam os benefícios saudáveis do nudismo. Globalmente, o movimento naturista contou com anarquistas, liberais e socialistas como seus seguidores. No entanto, em Cuba, uma dimensão “anarquista” particular evoluiu liderada por pessoas como Adrián del Valle, que liderou o esforço cubano para mudar o foco do naturismo de apenas saúde individual para o naturismo tendo uma função “social emancipatória”.

Outros países

O naturismo também conheceu o anarquismo no Reino Unido. "Em muitas das comunidades alternativas estabelecidas na Grã-Bretanha no início dos anos 1900, o nudismo, o anarquismo, o vegetarianismo e o amor livre eram aceitos como parte de um modo de vida politicamente radical. Na década de 1920, os habitantes da comunidade anarquista em Whiteway, perto de Stroud em Gloucestershire, chocou os residentes conservadores da área com sua nudez descarada." Na Itália, durante o IX Congresso da Federazione Anarchica Italiana em Carrara em 1965, um grupo decidiu se separar desta organização e criou o Gruppi di Iniziativa Anarchica. Nos anos setenta, era composto principalmente por "anarquistas individualistas veteranos com orientação pacifista, naturista, etc,...".

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Criticismo

O anarcossindicalista americano Sam Dolgoff mostra algumas das críticas que algumas pessoas de outras correntes anarquistas da época faziam às tendências anarconaturistas. "Falando da vida na Colônia Stelton de Nova York na década de 1930, observou com desdém que ela, "como outras colônias, estava infestada por vegetarianos, naturistas, nudistas e outros cultistas, que desviaram os verdadeiros objetivos anarquistas." Um morador "sempre andava descalço, comia comida crua, principalmente nozes e passas, e se recusava a usar trator, opondo-se a máquinas, e não queria abusar de cavalos, então ele mesmo cavou a terra". Esses autoproclamados anarquistas eram na realidade "anarquistas de carro de boi", disse Dolgoff, "que se opunham à organização e queriam retornar a uma vida mais simples". Em uma entrevista com Paul Avrich antes de sua morte, Dolgoff também resmungou: "Estou farto desses artistas e poetas medíocres que se opõem à organização e querem apenas brincar com seus umbigos".

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Fontes consultadas

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