Anarquismo queer
Anarquismo queer é uma corrente do anarquismo que defende o anarquismo e a revolução social como um meio da liberação queer e a abolição de hierarquias como a heteronormatividade, monossexismo, cissexismo, alossexismo, amatonormatividade, diadismo e binarismo. Pessoas que fizeram campanha pelos direitos LGBT tanto fora como dentro dos movimentos anarquistas e LGBT incluem John Henry Mackay, Adolf Brand e Daniel Guérin. O anarquista individualista Adolf Brand publicou Der Eigene de 1896 a 1932 em Berlim, a primeira publicação dedicada a discutir questões queer.
Primórdios
A natureza precursora da defesa das liberdades individuais pelos anarquistas fez acreditar vários observadores, tanto dentro da comunidade anarquista como fora, que estes abraçariam com naturalidade a defesa da dissidência sexual. Em Das Kuriositäten-Kabinett (1923), Emil Szittya escreveu sobre a homossexualidade: “muitos anarquistas têm essa tendência. Encontrei em Paris um anarquista húngaro, Alexander Sommi, que fundou um grupo anarquista homossexual com base nessa ideia”. Sua visão foi confirmada por Magnus Hirschfeld em seu livro de 1914, Die Homosexualität des Mannes und des Weibes: “Nas posições de um partido relativamente pequeno o anarquista parecia-me proporcionalmente mais homossexual e efeminado do que os outros”. O anarquista italiano Luigi Bertoni (que Emil Szittya também acreditava ser homossexual) observou: “Os anarquistas exigem liberdade em tudo, assim também na sexualidade. A homossexualidade leva a um saudável senso de egoísmo, pelo qual todo anarquista deve se esforçar”.
História contemporânea
O movimento de libertação gay inicial compartilhou muitos fundamentos teóricos e filosofias com movimentos anarquistas em meados do século XX. Cantos como “destrua a igreja, destrua o estado!” eram populares na época das rebeliões de Stonewall, estabelecendo o tom para um movimento de direitos queer baseado no pensamento anarquista. As duas campanhas se concentram na rejeição do pensamento normativo e do estado em favor da liberdade e do prazer pessoal. Anarquismo e Teoria Queer rejeitam estruturas paternalistas de estado que dependem do capitalismo e da família nuclear. Em vez disso, ambos favorecem formas de autodeterminação e reordenamento da sociedade. Um exemplo de interseção de anarquismo e queer pode ser encontrado naqueles que se envolvem em relacionamentos não monogâmicos, estes sendo inerentemente anárquicos, pois estão rejeitando as estruturas de poder tradicionais que moldam a família nuclear. Este conceito foi cunhado como “anarquismo relacional”.
Anarquistas queer têm sido ativos em protestos e ativismo, usando ação direta contra o que é visto como consumismo homonormativo e capitalismo rosa. Anarquistas queer criaram squats e zona autônomas, bem como comunidades urbanas para a população queer e LGBT. As comunidades rurais frequentemente dependem das redes sociais para desenvolver movimentos e redes anarquistas, devido ao fato de essas comunidades estarem geograficamente isoladas dos centros urbanos. Muitos anarquistas queer abraçam a noção de individualismo radical, influenciado por filósofos individualistas como Max Stirner. Organizações como a ACT-Up, uma organização punk anti-racista e anti-fascista apoiada e composta por organizações queer anarquistas que apoiavam radicais queer e ação direta. Mais tarde, durante os protestos da OMC queer anarquistas desempenharam um papel vital na organização dos protestos de massa, os protestos levariam à explosão do movimento antiglobalização.
Na cultura popular
“Seja gay, cometa crimes” é um slogan popular nas Paradas do Orgulho contemporâneas, protestos relacionados à sexualidade e em pichações. Em 2018, foi popularizado no Twitter por um meme criado por Io Ascarium do coletivo ABO Comix, que vende quadrinhos feitos pela população carcerária LGBT. Ascarium descreve a frase como vinda “do saco comum de slogans homossexuais anti-assimilacionistas. Como ‘ACAB’ ou ‘Stonewall was a Riot’, foi retirada do éter caótico, originou-se em lugar nenhum e não pertence a ninguém”, embora Google Trends sugira que existe interesse desde pelo menos 2011. A viralização do slogan “seja gay, cometa crimes” é um exemplo de maior acessibilidade nas correntes de pensamento anarquista.


