Anais de Quedlimburgo
Os Anais de Quedlimburgo foram escritos entre 1008 e 1030 no convento da Abadia de Quedlimburgo. Em anos recentes um consenso emergiu que a analista era uma mulher. Os anais são principalmente dedicados à história do Sacro Império Romano-Germânico. Eles também contêm a primeira menção escrita do nome da Lituânia (Litua), datada de 1009. O documento original desapareceu, sobrevivendo apenas como uma cópia do século XVI mantida em Dresda.
A cidade de Quedlimburgo, na Alemanha, foi mencionada pela primeira vez em um documento datado de 922. Santa Matilde fundou uma comunidade religiosa para mulheres na abadia local, servindo como abadessa de 966 a 999. A abadia tornou-se uma importante instituição de ensino para nobres mulheres da Saxônia, e manteve sua missão por aproximados 900 anos. A cidade serviu como um palatinado imperial dos imperadores saxões, sendo inclusive o local onde Henrique I, o Passarinho (r. 919–936), o fundador da dinastia otoniana, foi enterrado. Quedlimburgo está situada não muito longe de Magdeburgo, a assembleia real do império, e seus analistas poderiam, por conseguinte, confiar na informação genuína da casa real e obter testemunhos oculares. A cidade perdeu um pouco de seu estatuto sob o reinado de Henrique II (r. 1014–1024), que quebrou com a tradição de celebrar a páscoa ali. Os anais tratam-no desfavoravelmente, e demonstram a extensão do direito do mosteiro real para criticar seu monarca.
Os anais iniciam com uma crônica da história do mundo do tempo de Adão ao Terceiro Concílio de Constantinopla em 680-681, baseado nas crônicas de Jerônimo, Isidoro e Beda, o Venerável. A narrativa é amplamente um empréstimo de múltiplas fontes mais antigas até o ano 1002, embora relatos originais de tão cedo quanto 852 estão presentes. Começando em 993, a narrativa começa incluindo eventos em Quedlimburgo e imediações e que representam o testemunho ocular da própria analista. A quantidade de detalhes aumenta significativa de 1008 em diante, levando alguns estudiosos a concluir que 1008 era a data que os anais foram compilados pela primeira vez, embora Robert Holzman argumente por uma data inicial de 1000. Tem sido sugerido que a analista temporariamente abandonou o projeto entre 1016 e 1021. As razões exatas para esta suspensão do trabalho são desconhecidas. O trabalho no projeto continuou entre 1021 e 1030, quando seus autores foram capazes de relatar uma vitória militar contra Miecislau II (r. 1025–1031)
A primeira ocorrência escrita do nome da Lituânia foi traçada nos Anais de Quedlimburgo e data de 9 de março de 1009. Na passagem se lê: [Em 1009] São Bruno, um arcebispo e monge, que era chamado Bonifácio, foi escravizado por pagãos durante o 11º ano desta conversão na fronteira Rus e Lituânia, e junto com 18 de seus seguidores, entrou no céu em 9 de março. De outras fontes que descrevem Bruno de Querfurt, é certo que esse missionário tentou cristianizar o rei pagão Netímero e seus vassalos. Contudo, o irmão de Netímero, recusando-se a aceitar o cristianismo, matou Bruno e seus seguidores. O historiador Alfredas Bumblauskas sugeriu que a história relata a primeira tentativa de batismo na história da Lituânia.


