Anaco, o Parta
Anaco, também conhecido como o Parta, foi um nobre de origem parta. Segundo a tradição armênia, ele era o pai de Gregório, o Iluminador, figura central na conversão da Armênia ao cristianismo no início do século IV. Acredita-se que Anaco assassinou o rei Cosroes II, agindo sob instigação dos sassânidas. Esse ato teria levado ao seu próprio assassinato e ao extermínio de sua família, com exceção de seu filho Gregório, que foi levado para território romano. A veracidade e os detalhes desse relato são temas de debate entre historiadores.
Pontos-chave
- Anaco foi um nobre parta, pai de Gregório, o Iluminador.
- Ele é creditado com o assassinato do rei armênio Cosroes II, a mando dos sassânidas.
- O assassinato resultou na morte de Anaco e de sua família, com exceção de Gregório.
- Gregório, o Iluminador, converteu a Armênia ao cristianismo no século IV.
- A historicidade dos eventos envolvendo Anaco é questionada por historiadores.
O nome Anaco (Anacus) é a versão latina do nome armênio Anaque (Անակ, Anak). Alguns estudiosos sugerem que o nome deriva de uma palavra parta ou persa média que significa "mal" (anāg). Essa interpretação o sugere como um epíteto para o assassino do rei Cosroes, em vez de um nome próprio. Outra possibilidade é que o nome signifique "não mal" (*an-aka-*).
Conforme a narrativa atribuída a Agatângelo, aceita na tradição literária armênia, Anaco era um nobre armênio com ascendência parta e parente do rei da Armênia. Histórias posteriores, como a de Moisés de Corene, indicam que ele pertencia à nobre casa parta de Surena. Durante os conflitos do século III entre a Armênia arsácida e o Império Sassânida, o rei sassânida (identificado por Agatângelo como Artaxer) teria recrutado Anaco para assassinar o rei Cosroes da Armênia (possivelmente Cosroes II). Em troca, Anaco receberia de volta seu domínio. Anaco viajou para a Armênia, ganhou a confiança de Cosroes e o assassinou. Em seguida, foi morto por nobres armênios enfurecidos, juntamente com toda a sua família. Agatângelo descreve que Anaco e seu irmão abordaram o rei em Valarsapate, enquanto ele se preparava para uma campanha contra os persas, e o mataram com suas espadas. Ao tentarem fugir a cavalo, foram perseguidos por príncipes armênios e lançados da ponte Taperacã (sobre o rio Araxes, perto de Artaxata), onde morreram. Um dos filhos de Anaco, o futuro Gregório, o Iluminador, foi salvo por sua ama de leite e levado para o território romano. O filho de Cosroes, Tiridates, também foi resgatado e levado a Roma. Após a morte de Cosroes, os persas assumiram o controle da Armênia. Mais tarde, Tiridates retornou com apoio romano para reclamar o trono armênio. Gregório, que foi educado como cristão em Cesareia da Capadócia, também voltou à Armênia na vida adulta e, eventualmente, converteu Tiridates e seu reino ao cristianismo. Essa narrativa é repetida em diversas outras fontes armênias, com a exceção de Eliseu, o Armênio, que atribui o assassinato de Cosroes a irmãos não identificados.
Parentesco e Descendência
A relação exata de Anaco com Cosroes não é especificada na versão principal de Agatângelo. No entanto, uma recensão garxuni da obra de Agatângelo afirma que Anaco era irmão de Cosroes. A esposa de Anaco e mãe de Gregório, o Iluminador, é chamada de Vogui (Ոգուհի, Voguhi) na história atribuída a Zenóbio de Glaque. Agatângelo menciona dois filhos de Anaco que sobreviveram ao massacre de sua família: Gregório e outro filho que foi levado para a Pérsia, sobre o qual não há mais informações. Em contraste, Moisés de Corene relata que apenas um filho de Anaco, Gregório, foi salvo. Zenóbio de Glaque se refere a um irmão de Gregório como Surena.
Historiadores enfrentam dificuldades em reconstruir a história da Armênia no século III e a cronologia dos eventos narrados por Agatângelo e outras fontes. Cyril Toumanoff questiona a veracidade da história do assassinato de Cosroes por Anaco, preferindo a versão de Eliseu, onde Cosroes é morto por seus irmãos. Toumanoff propõe que Cosroes II (rei entre 279/80–287) tornou-se rei da parte ocidental da Armênia, controlada pelos romanos, em 279/80, e foi assassinado e sucedido por seu irmão Tiridates III. Ele sugere que a história do assassinato por um agente iraniano pode ter sido criada posteriormente para encobrir um "fratricídio". Marie-Louise Chaumont também considera mais provável a versão em que Cosroes é assassinado por seus irmãos. O historiador Nicholas Adontz sugere que pode ter havido duas tradições distintas sobre as origens de Gregório, o Iluminador, ambas conferindo ao fundador da Igreja Armênia uma origem nobre, que foram posteriormente combinadas na versão principal de Agatângelo. A história de Anaco serviria para ligar Gregório à dinastia arsácida através de sua descendência do clã parta de Surena, além de espelhar a juventude de Gregório com a de Tiridates de forma épica. Adontz também levanta a possibilidade de a história de Anaco ter sido influenciada pela tradição épica persa sobre Artaxer, fundador do Império Sassânida. Ele aponta paralelos entre a história de Anaco e a figura de Banaque no texto em persa médio "Livro dos Feitos de Artaxes, Filho de Pabeco" (Kār-Nāmag ī Ardašīr ī Pāpakān), bem como a semelhança de seus nomes. Nos "Feitos", Banaque é um príncipe parta que trai o rei parta Ardavã (Artabano IV) e auxilia seu inimigo Artaxer. Tanto Anaco quanto Banaque são partas que traem um rei e ajudam Artaxer: Anaco ao matar Cosroes, e Banaque ao se aliar a Artaxer contra seu próprio soberano Ardavã.


