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Sofia da Prússia

Sofia Doroteia Ulrica Alice da Prússia foi a esposa do rei Constantino I e rainha consorte do Reino da Grécia de 1913 a 1917 e depois entre 1920 e 1922. Era a filha do imperador Frederico III da Alemanha e de Vitória, Princesa Real do Reino Unido.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 13/07/2026
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Origens

Sofia nasceu a 14 de junho de 1870 no Novo Palácio de Potsdam, na Prússia. Era filha do então príncipe-herdeiro Frederico Guilherme da Prússia (que se tornaria mais tarde imperador da Alemanha), e da sua esposa, Vitória, Princesa Real, filha mais velha da rainha Vitória do Reino Unido e do seu marido, o príncipe Alberto. Foi baptizada no mês seguinte numa cerimónia na qual todos os homens estavam vestidos de uniforme, uma vez que a Prússia tinha declarado guerra à França pouco tempo antes. A sua mãe descreveu o acontecimento da seguinte forma à rainha Vitória: "O baptizado correu bem, mas foi triste e sério. Rostos ansiosos e olhos chorosos, e uma melancolia e prenúncio de toda a miséria que nos aguarda ensombraram a cerimónia que deveria ser de alegria e agradecimento". Sofia era chamada de "Sossy" quando era criança (é provável que este nome tenha sido escolhido porque rimava com "Mossy", a alcunha da sua irmã mais nova, a princesa Margarida). Sofia era também irmã do kaiser Guilherme II da Alemanha, das princesas Carlota e Vitória da Prússia e dos príncipes Henrique, Valdemar e Segismundo da Prússia.

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Princesa-herdeira da Grécia

Morte do pai

Após uma longa estadia em Inglaterra para celebrar o Jubileu de Ouro da sua avó, Sofia conheceu melhor o príncipe-herdeiro Constantino da Grécia ("Tino") no verão de 1887. A rainha observava a sua relação cada vez mais próxima e escreveu: "Haverá alguma hipótese de a Sofia se casar com o Tino? Seria muito agradável para ela e para ele é excelente". No entanto, este período coincidiu com uma época infeliz para a família de Sofia, uma vez que o seu pai, o imperador Frederico III, estava a morrer de forma agonizante devido a um câncer na laringe. A sua esposa e filhos estavam sempre presentes no seu quarto no Novo Palácio, e foi no dia do aniversário de Sofia que o estado do imperador piorou de forma irreversível. Nesse dia, o pai de Sofia tinha planeado fazer um piquenique com a família para celebrar a ocasião, mas, depois de uma madrugada muito complicada, às sete da manhã, um dos criados pegou no ramo de flores que Frederico tinha encomendado para a filha e colocou-o ao seu lado na cama. O imperador morreu no dia seguinte. O irmão mais velho de Sofia, agora imperador da Alemanha, não demorou a explorar as coisas do pai, na esperança de encontrar "provas incriminatórias" de "conspirações liberais". Sabendo que as suas três filhas mais novas dependiam mais dela para encontrar apoio moral, a imperatriz-viúva dedicou-se mais a elas. "Tenho as minhas três doces meninas - de quem ele gostava tanto - e que são a minha consolação".

Casamento e controvérsia com a família

Durante este período triste, Sofia aceitou o pedido de casamento do príncipe-herdeiro Constantino, algo visto como um desenvolvimento pouco surpreendente tendo em conta a atmosfera fúnebre que prevalecia em casa da sua mãe viúva. A 27 de outubro de 1889, Sofia casou-se com Tino em Atenas, na Grécia. Os dois eram primos em terceiro grau através do czar Paulo I da Rússia e primos em segundo grau através do rei Frederico Guilherme III da Prússia. Havia uma antiga profecia grega que dizia que quando Constantino e Sofia reinassem, a Grécia voltaria a ser grande e a cidade de Constantinopla caíra nas suas mãos. Segundo a avó de Sofia, a rainha Vitória, 'Tino', "não é muito inteligente, mas tem um bom coração e um bom carácter (...) e isso vale muito mais do ser esperto."

Nascimento do primeiro filho e conversão à Igreja Ortodoxa

A 19 de Julho de 1890, Sofia deu à luz o seu primeiro filho, um herdeiro a quem chamou Jorge. O parto não foi fácil e colocou a vida da mãe e da criança em perigo. Já antes do nascimento, a mãe de Sofia, Vitória, tinha mostrado alguma preocupação com a escolha de um médico grego para dar à luz a criança, uma vez que os médicos nos Balcãs não eram conhecidos pela sua qualidade. No entanto, mesmo após vários apelos aos sogros de Sofia, foi decidido que o nascimento do primeiro filho do príncipe e da princesa herdeiros da Grécia era um evento nacional e que a presença de médicos estrangeiros seria mal vista. Numa carta dirigida à avó de Sofia, a sua mãe afirmou que "é uma crueldade colocar a saúde e a vida da minha filha em perigo por causa de susceptibilidades nacionalistas. Não sei como pode ser benéfico para a nação grega ou para a dinastia do rei que ela tenha de sofrer mais do que o necessário por não poder receber conselhos médicos melhores".

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Rainha da Grécia

Constantino sucedeu ao seu pai a 18 de março de 1913, tornando Sofia na rainha-consorte da Grécia. Durante a Primeira Guerra Mundial, a rainha Sofia envolveu-se a um certo nível nos assuntos de estado do país e mantinha-se em contacto frequente com o seu irmão mais velho. Nas palavras de G. Leon, Sofia permaneceu alemã e os interesses alemães estavam, para ela, acima dos interesses do seu país adoptado ao qual dava pouca importância. Na verdade, Sofia nunca teve qualquer simpatia pelo povo grego. Outras fontes dizem o oposto, tendo por base os seus trabalhos caritativos e esforços para melhorar a vida do povo grego na capital e arredores. A má reputação de Sofia tem origem principalmente durante o período de Cisma Nacional na Grécia, já que a rainha serviu de bode expiatório no esforço republicano por denegrir a família real apenas por ser irmã do kaiser Guilherme II da Alemanha. Em 1916, a rainha e o rei estavam em Tatoi quando começou um misterioso incêndio que destruiu a residência principal e grande parte da floresta que a rodeava. A rainha Sofia pegou na sua filha mais nova, a princesa Catarina, e correu durante quilómetro e meio com ela nos braços. O incêndio durou quarenta-e-oito horas e suspeita-se que se tratou de fogo posto.

Exílio

Sofia deixou a Grécia ao lado do marido (que tinha abdicado do trono devido a acusações de ser pro-germânico) no dia 11 de Junho de 1917 e o casal foi exilado para a Suíça. Seriam chamados novamente ao trono pouco depois da morte do filho Alexandre derivada de uma infecção causada pela mordida de um macaco. Constantino seria novamente forçado a abdicar após a derrota grega na guerra com a Turquia em 1922 e acabaria por morrer no início desse ano.

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Morte e enterro

Nos seus últimos anos de vida, Sofia foi diagnosticada com cancro e acabaria por morrer no exílio em Frankfurt, na Alemanha em 1932 onde foi inicialmente sepultada. Com a restauração da monarquia na Grécia, os restos mortais da rainha foram transferidos para o cemitério real de Tatoi em 1936, tendo Sofia sido enterrada junto do seu marido, o rei Constantino.

Legado

Sofia é avó paterna da rainha Sofia de Espanha, que recebeu o nome em sua honra, e do ex-rei Constantino II dos Helenos. A rainha Sofia de Espanha é, por seu lado, avó da infanta Sofia de Espanha, filha de Filipe e Letícia de Espanha.

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Fontes consultadas

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