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Alice de Battenberg

Vitória Alice Isabel Júlia Maria de Battenberg foi a esposa do príncipe André da Grécia e Dinamarca e mãe do príncipe Filipe, Duque de Edimburgo, sendo assim a sogra da rainha Isabel II e avó paterna do atual rei Carlos III. Durante a Segunda Guerra Mundial, ela ficou na Grécia e ajudou a esconder uma família judia do regime nazista, pelos quais foi honrada como Justa entre as Nações por Yad Vashem. Nos anos seguintes, ela fundou uma ordem de freiras ortodoxas gregas, a Irmandade Cristã de Marta e Maria, e passou a maior parte de sua vida em obras de caridade e serviço religioso. Alice viveu seus últimos anos no Palácio de Buckingham, onde faleceu em 1969.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 09/07/2026
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Início de vida

Vitória Alice Isabel Júlia Maria nasceu em 25 de fevereiro de 1885 no Castelo de Windsor, Berkshire, Reino Unido, na presença de sua bisavó, a rainha Vitória do Reino Unido. Era a filha mais velha do príncipe Luís de Battenberg e sua esposa, a princesa Vitória de Hesse e Reno. Sua mãe era a filha mais velha da princesa Alice do Reino Unido, a segunda filha menina da rainha Vitória com o príncipe Alberto de Saxe-Coburgo-Gota. Seu pai era o filho mais velho do príncipe Alexandre de Hesse e Reno através de um casamento morganático com Julia de Hauke. Alice tinha três irmãos mais novos: Luísa, Jorge e Luís. Ela foi batizada em 25 de abril na cidade de Darmstadt. Alice teve seis padrinhos: seus três avós ainda vivos, Luís IV, Grão-Duque de Hesse e Reno, o príncipe Alexandre e Julia de Hauke; suas tias a grã-duquesa Isabel Feodorovna e a princesa Maria de Battenberg; e sua bisavó a rainha Vitória.

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Casamento

Alice conheceu e se apaixonou pelo príncipe André da Grécia e Dinamarca, o quarto filho do rei Jorge I da Grécia e sua esposa Olga Constantinovna da Rússia, em 1902 durante a coroação do rei Eduardo VII do Reino Unido. Eles se casaram em 6 de outubro de 1903, em uma cerimônia civil em Darmstadt. Houve duas cerimônias religiosas no dia seguinte: uma luterana e outra ortodoxa grega. Ela adotou o estilo de seu marido, se tornando "Princesa Alice da Grécia e Dinamarca". Os dois tinham relações familiares próximas com as famílias reais: britânica, alemã, russa, dinamarquesa e grega; seu casamento foi uma das grandes reuniões dos descendentes da rainha Vitória e do rei Cristiano IX da Dinamarca antes da Primeira Guerra Mundial. Alice e André tiveram cinco filhos: Margarida em 1905, Teodora em 1906, Cecília em 1911, Sofia em 1914 e Filipe em 1921. André continuou sua carreira militar depois do casamento e Alice ficou envolvida em trabalhos de caridade. Ela visitou o Império Russo em 1908, para o casamento da grã-duquesa Maria Pavlovna com o príncipe sueco Guilherme, Duque de Sudermânia. Lá, ela conversou com sua tia Isabel Feodorovna, que estava criando planos para fundar uma ordem religiosa de freiras. Alice compareceu na cerimônia de colocação da pedra fundamental da nova igreja da tia. A grã-duquesa começou a doar suas posses no mesmo ano na preparação para uma vida mais espiritual. André e Alice descobriram ao voltarem que a situação política na Grécia estava piorando, já que o governo tinha recusado apoio ao parlamento da ilha de Creta, e que estava pedindo por uma união com a Grécia (na época, a ilha pertencia nominalmente ao Império Otomano). Um grupo de oficiais militares insatisfeitos formaram uma liga militar nacionalista que posteriormente fizeram o príncipe André renunciar seus cargos e levaram a ascensão de Elefthérios Venizélos ao poder.

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Crises

André foi restaurado no exército com o advento da Primeira Guerra Balcânica e Alice atuou como enfermeira, auxiliando operações e estabelecendo hospitais de campo, trabalho pelo qual o rei Jorge V do Reino Unido lhe presenteou em 1913 com a Cruz Vermelha Real. Seu cunhado, o rei Constantino I da Grécia, seguiu uma política de neutralidade durante a Primeira Guerra Mundial, apesar do governo democraticamente eleito de Venizélos apoiar os aliados. Alice e seus filhos, foram forçados a se protegerem nos porões do palácio real durante o bombardeio francês de Atenas, em 1 de dezembro de 1916. A política de neutralidade do rei ficou tão insustentável em junho de 1917 que Constantino foi forçado a abdicar, em favor de seu filho Alexandre, forçando Alice e todos os outros membros da família real grega a partirem para o exílio na Suíça. A primeira guerra mundial efetivamente acabou com o poder político de várias casas reais europeias. A carreira naval do príncipe Luís, pai de Alice, havia ruído no início do conflito por causa do sentimento anti-germânico no Reino Unido. Ele abriu mão em 14 de julho de 1917 de seu título de Príncipe de Battenberg, à pedido de Jorge V e anglicanizou seu nome familiar para Mountbatten. O rei lhe criou o título de Marquês de Milford Haven no dia seguinte. Alice nunca mudou seu nome para Mountbatten, ou assumiu o título de cortesia de uma filha de marquês, por estar casada com um membro da realeza grega. Suas tias Alexandra Feodorovna e Isabel Feodorovna foram assassinadas por bolcheviques, um ano depois durante a Revolução Russa de 1917. Com o fim da guerra os impérios russo, alemão e austro-húngaro caíram, com Ernesto Luís, Grão-Duque de Hesse e tio de Alice, sendo deposto.

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Segunda Guerra Mundial

Alice ficou na difícil posição durante a Segunda Guerra Mundial por ter um filho na Marinha Real Britânica e genros lutando no lado alemão. Seu primo, o príncipe Vítor de Erbach-Schönberg era o embaixador alemão na Grécia, até a ocupação de Atenas em abril de 1941 pelas forças do Eixo. Sua cunhada, a grã-duquesa Helena Vladimirovna da Rússia viveu em Atenas durante a maior parte do conflito, enquanto que a maior parte da família real grega ficou em exílio na África do Sul. Alice se mudou para um pequeno apartamento no centro de Atenas que era propriedade de seu cunhado, o príncipe Jorge. Ela trabalhou para a Cruz Vermelha, ajudando a organizar distribuições de sopa para a população faminta e viajando para a Suécia, sob o pretexto de visitar sua irmã Luísa a fim de trazer suprimentos médicos. Ela organizou abrigos para crianças órfãs e abandonadas e trabalhou como enfermeira em bairros pobres.

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Viuvez

Alice voltou para o Reino Unido em abril de 1947, para comparecer em novembro ao casamento de seu filho Filipe com a princesa Isabel, a filha mais velha e herdeira presuntiva do rei Jorge VI. Ela fez com que algumas de suas jóias restantes fossem utilizadas no anel de noivado da princesa. O rei criou para Filipe o título de Duque de Edimburgo no dia do casamento. Alice sentou como chefe de sua família durante a cerimônia na Abadia de Westminster, do outro lado do rei, da rainha Isabel Bowes-Lyon e da rainha Maria de Teck. Foi decidido não convidar as irmãs de Filipe por causa do sentimento anti-germânico ainda forte no Reino Unido depois da Segunda Guerra. A princesa fundou uma ordem de freiras ortodoxas grega enfermeiras em janeiro de 1949, a Irmandade Cristã de Marta e Maria, modelada a partir do convento criado em 1909 por sua tia Isabel Feodorovna na Rússia. Ela treinou na ilha de Tinos, estabeleceu a sede da ordem em um lugarejo ao norte de Atenas e realizou duas viagens para os Estados Unidos em 1950 e 1952 para levantar fundos. Sua mãe ficou perplexa com suas ações, perguntando "O que pode se dizer de uma freira que fuma e joga canasta?". Sua nora Isabel se tornou em 1952 rainha dos Reinos da Comunidade de Nações e Alice compareceu a coroação em junho do ano seguinte, usando um vestido com dois tons de cinza e um véu semelhante ao de uma freira. Entretanto, a ordem posteriormente fracassou pela falta de aplicantes adequadas.

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Morte e enterro

Alice permaneceu lúcida, porém fisicamente frágil, até o final da sua vida, apesar de alegações que ela estaria ficando senil. Ela morreu em Buckingham no dia 5 de dezembro de 1969. A princesa não deixou nenhuma posse, tendo doado todos os seus pertences. Seus restos foram inicialmente enterrados na cripta real da Capela de São Jorge, porém antes de morrer, Alice tinha expressado seu desejo de ser enterrada na Igreja de Santa Maria Madalena, no jardim de Getsêmani localizado no sopé do Monte das Oliveiras em Jerusalém (e perto de Isabel Feodorovna, depois uma santa ortodoxa). Quando sua filha a princesa Sofia reclamou que seria muito longe para visitar seu túmulo, ela respondeu dizendo: "Besteira, há um serviço de ônibus perfeitamente bom!". Seu desejo foi realizado em 8 de agosto de 1988, quando seus restos foram transferidos para seu local de descanso final na cripta abaixo da igreja. Em 31 de outubro de 1994, seus dois filhos ainda vivos Sofia e Filipe foram para o Yad Vashem (o memorial do holocausto) em Jerusalém para testemunhar uma cerimônia honrando sua mãe como Justa Entre as Nações por seus esforços ao esconder a família Cohen em Atenas durante a Segunda Guerra Mundial. Filipe comentou sobre as ações de Alice: "Acredito que ela nunca pensou que suas ações eram de alguma forma especiais. Era uma pessoa de profunda fé religiosa, e ela teria considerado uma reação humana perfeitamente natural para um igual em perigo". A princesa foi postumamente honrada em 2010 pelo governo britânico ao ser nomeada uma Heroína do Holocausto.

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