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Jorge III do Reino Unido

Jorge III foi o Rei da Grã-Bretanha e da Irlanda de 25 de outubro de 1760 até a união dos dois países em 1 de janeiro de 1801, tornando-se o primeiro Rei do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda até sua morte. Também foi duque e príncipe-eleitor do Eleitorado de Brunsvique-Luneburgo no Sacro Império Romano-Germânico até sua promoção a Rei de Hanôver em 12 de outubro de 1814. Além de Rei da Córsega por um curto período entre 1794 e 1796. Jorge foi o terceiro monarca britânico da Casa de Hanôver.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 18/07/2026
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Início de vida

Jorge Guilherme Frederico (George William Frederick) nasceu na Casa Norfolk, Londres, em 4 de junho de 1738, filho mais velho de Frederico, Príncipe de Gales, e Augusta de Saxe-Gota e também neto do rei Jorge II da Grã-Bretanha. Como nasceu dois meses prematuro, e acreditava-se que não iria sobreviver, foi batizado no mesmo dia por Thomas Secker, o Bispo de Oxford. Secker o batizou novamente um mês depois em uma cerimônia pública. Seus padrinhos foram o rei Frederico I da Suécia (representado por lorde Charles Calvert, 5º Barão Baltimore), seu tio Frederico III, Duque de Saxe-Gota-Altemburgo (representado por lorde Henry Brydges, Marquês de Carnarvon) e sua tia-avó a rainha consorte Sofia Doroteia de Hanôver (representada por Charlotte Edwin). Jorge cresceu como uma criança saudável, porém reservada e tímida. A família se mudou para a Praça Leicester, onde ele e o irmão Eduardo foram educados por professores particulares. Cartas mostram que ele podia ler e escrever em inglês e alemão, além de comentar eventos políticos já aos oito anos de idade. Foi o primeiro monarca inglês a estudar ciências sistematicamente. Além de química e física, seus estudos incluíam astronomia, matemática, francês, latim, história, música, geografia, comércio, agricultura e direito constitucional, também incluindo dança, esgrima e equitação. Sua educação religiosa foi totalmente anglicana. Aos dez anos, Jorge participou de uma encenação familiar da peça Cato, de Joseph Addison, e disse no prólogo "O que, tu menino! Pode-se dizer com verdade, um menino nascido na Inglaterra, na Inglaterra criado". O historiador Romney Sedgwick diz que essa fala parece "ser a fonte da única frase histórica com a qual ele está associado".

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Reinado

No final de 1810, no auge de sua popularidade, porém sofrendo de dores de reumatismo e praticamente cego com catarata, Jorge adoeceu seriamente novamente. Na sua opinião, a recaída foi causada pelo estresse sofrido na morte de sua filha mais nova e favorita, a princesa Amélia. A enfermeira da princesa relatou que "as cenas de desespero e de choro todos os dias ... eram melancólicas além de qualquer descrição". Ele aceitou a necessidade para o Ato de Regência de 1811, com o Príncipe de Gales atuando como regente pelo restante da vida de Jorge. Apesar de sinais de uma recuperação em maio de 1811, ao final do ano o rei ficou permanentemente insano e viveu em reclusão no Castelo de Windsor até sua morte. Spencer Percival foi assassinado em 1812 (o único primeiro-ministro britânico a morrer desta maneira), e foi substituído por lorde Robert Jenkinson, 2.º Conde de Liverpool. Ele supervisionou a vitória britânica nas Guerras Napoleônicas. O subsequente Congresso de Viena levou a significantes ganhos territoriais a Hanôver, que foi elevada de eleitorado para reino.

Ascensão e casamento

Em 1759, Jorge se apaixonou por Sarah Lennox, irmã de lorde Charles Lennox, 3.º Duque de Richmond, porém lorde Bute aconselhou contra a união e Jorge acabou abandonando seus pensamentos de casamento. "Eu nasci pela felicidade ou miséria de uma grande nação", escreveu, "e consequentemente devo frequentemente agir de encontro às minhas paixões". Mesmo assim, existiram tentativas do avô para casá-lo com a duquesa Sofia Carolina de Brunsvique-Volfembutel, que acabaram encontrando resistência em Augusta. Jorge II morreu em 25 de outubro de 1760 e Jorge ascendeu ao trono aos 22 anos de idade. A procura por uma esposa adequada se intensificou. O novo rei acabou se casando com a princesa Carlota de Mecklemburgo-Strelitz em 8 de setembro de 1761 no Palácio de St. James; os dois se encontraram pela primeira vez no dia do casamento. Duas semanas depois, ambos foram coroados na Abadia de Westminster. Extraordinariamente, Jorge nunca teve uma amante (ao contrário de seu avô e seus próprios filhos), e o casal teve um casamento genuinamente feliz. Eles tiveram 15 filhos, nove meninos e seis meninas. Jorge comprou a Casa Buckingham em 1762 para ser usada como retiro familiar. Suas outras residências eram o Palácio de Kew e o Castelo de Windsor. St. James foi mantido para uso oficial. Ele não viajou muito, passando toda sua vida no sul da Inglaterra. Na década de 1790, o rei e a família real passavam férias em Weymouth, Dorset, assim popularizando uma das primeiras estâncias marítimas na Inglaterra.

Início

Em seu discurso de ascensão ao parlamento, Jorge proclamou: "Nascido e educado neste país, glorifico-me em nome da Bretanha". Ele inseriu a frase no discurso, escrito por lorde Philip Yorke, 1.º Conde de Hardwicke, para demonstrar seu desejo de distanciar-se de seus antecessores germânicos, que eram vistos como se importando mais com Hanôver do que com a Grã-Bretanha. Apesar de sua ascensão ter sido inicialmente bem recebida por políticos de todos os partidos, os primeiros anos de seu reinado foram marcados por instabilidade política, em grande parte gerada pelo resultado de desacordos sobre a Guerra dos Sete Anos. Jorge era visto como favorecendo ministros tories, que o levou a ser denunciado por whigs como um autocrata. Na época de sua ascensão, as terras da coroa produziam relativamente poucas rendas; a maior parte das rendas eram geradas através de impostos e impostos especiais de consumo. Jorge entregou o controle das propriedades da coroa ao parlamento em troca de uma lista civil de anuidade para sustentar sua criadagem e os gastos do governo civil. Afirmações que ele usou esse dinheiro para recompensar apoiadores com subornos e presentes são contestadas por historiadores que dizem que tais alegações "residem em nada além de falsidades postas para fora pela oposição descontente". Dívidas acumuladas em até três milhões de libras esterlinas durante o reinado de Jorge foram pagas pelo parlamento, e a lista civil de anuidade foi sendo aumentada de tempos em tempos. Ela ajudou a Academia Real Inglesa com grandes doações vindas de suas reservas particulares, e pode ter doado mais da metade de sua renda pessoal para a caridade. De sua coleção de artes, as duas compras mais notáveis são A Aula de Música, de Johannes Vermeer, e um conjunto de Canalettos, porém ele é mais lembrado como um colecionador de livros. A Biblioteca do Rei foi aberta e disponibilizada a acadêmicos, sendo a fundação de uma nova biblioteca nacional.

Independência dos Estados Unidos

A Guerra de Independência dos Estados Unidos foi a culminação da Revolução Americana civil e política, resultado do iluminismo americano. Foi causada pela falta de representação americana no parlamento, que era vista como uma negação de seus direitos como ingleses e frequentemente focadas nos impostos diretos cobrados pelo parlamento nas colônias sem sua aprovação, com os colonos passando a resistir ao governo direto após a Festa do Chá de Boston. Criando províncias autônomas, eles contornaram o aparelho de governo britânico em cada colônia por volta de 1774. Conflitos armados entre soldados britânicos e a milícia colonial estouraram em abril de 1775 nas Batalhas de Lexington e Concord. Depois de petições para que a coroa interviesse no parlamento terem sido ignoradas, os líderes rebeldes foram declarados traidores e iniciou-se um ano de lutas. As colônias declararam sua independência em 4 de julho de 1776, listando queixas contra o rei e parlamento ao mesmo tempo que pediam o apoio da população. Entre as queixas a Jorge, a declaração dizia, "Ele abdicou o governo aqui ... saqueou nossos mares, devastou as nossas costas, queimou nossas cidades e destruiu a vida de nosso povo". A estátua equestre de Jorge em Nova Iorque foi derrubada. Os britânicos capturaram a cidade ainda em 1776, porém perderam Boston e o grande plano estratégico de invadir do Canadá e tomar a Nova Inglaterra falhou com a rendição do tenente-general britânico John Burgoyne na Batalha de Saratoga.

Luta constitucional

Com o colapso do ministério de lorde North em 1782, o whig lorde Rockingham se tornou primeiro-ministro pela segunda vez, porém morreu poucos meses depois. O rei então nomeou lorde William Petty, 1.º Marquês de Lansdowne para substituí-lo. Entretanto, Charles James Fox se recusou a servir sob Shelburne, exigindo a nomeação de William Cavendish-Bentinck, 3.º Duque de Portland. Em 1783, a Câmara dos Comuns forçou a saída de lorde Shelburne e seu governo foi substituído pela Coligação Fox–North. Lorde Portland se tornou primeiro-ministro, com Fox e lorde North assumindo os cargos de secretário estrangeiro e secretário interno, respectivamente. Jorge odiava Fox, tanto por seus alinhamentos políticos quanto por sua personalidade; ele o considerava inescrupuloso e uma má influência para o Príncipe de Gales. Jorge estava angustiado por ter de nomear ministros que não gostava, porém o ministério de Portland rapidamente construiu uma maioria na Câmara dos Comuns e não poderia ser dispensado com facilidade. O rei ficou ainda mais consternado quando o governo apresentou um projeto de lei da Índia, que propunha uma reforma no governo indiano ao transferir o poder da Companhia Britânica das Índias Orientais para comissários parlamentares. Apesar de Jorge ser a favor de um maior controle da companhia, os comissários propostos eram todos aliados de Fox. Imediatamente depois de aprovado pelos comuns, o rei autorizou lorde George Nugent-Temple-Grenville, 1.º Conde Temple, a informar a Câmara dos Lordes que consideraria inimigo qualquer um que votasse a favor do projeto. Foi rejeitado pelos lordes e o ministério de Portland foi dispensado três dias depois, com William Pitt, o Novo, sendo nomeado primeiro-ministro e Temple secretário de estado. Em 17 de dezembro de 1783, o parlamento votou a favor de uma moção condenando a influência do monarca nas votações, com lorde Temple sendo forçado a renunciar. A saída de Temple desestabilizou o governo e três meses depois o governo perdeu sua maioria no parlamento, que acabou sendo dissolvido por Jorge. Na eleição subsequente, Pitt conseguiu um mandato firme.

Crise da regência

Para Jorge, a nomeação de Pitt foi uma grande vitória. Mostrou que ele podia nomear primeiros-ministros baseando-se em sua própria interpretação do humor do povo sem precisar seguir as escolhas da maioria na Câmara dos Comuns. Através do ministério de Pitt, o rei apoiou muitos dos objetivos políticos do primeiro-ministro e criou novos pariatos em velocidade sem precedentes para aumentar o seu número de apoiadores na Câmara dos Lordes. Durante e após o ministério de Pitt, Jorge foi extremamente popular na Grã-Bretanha. O povo britânico o admirava por sua religiosidade e por ser fiel à esposa. Ele gostava de seus filhos e ficou devastado pela morte de dois deles ainda na infância em 1782 e 1783. Mesmo assim, ele colocava os filhos em um rígido regime. Esperava-se que comparecessem nas aulas às sete da manhã, vivendo vidas de observação religiosa e virtuosidade. Quando não cumpriam seus princípios de justiça, como seus filhos fizeram como jovens adultos, Jorge ficava consternado e desapontado.

Guerras contra a França

Depois da recuperação de Jorge, sua popularidade e a de Pitt continuaram a crescer às custas da do Príncipe de Gales e Fox. Seu tratamento digno e compreensivo para dois agressores insanos, Margaret Nicholson em 1786 e John Frith em 1790, contribuíram para sua popularidade. A tentativa malsucedida de James Hadfield de matar o rei no Teatro Drury Lane em 15 de maio de 1800 não foi motivada por política, mas sim por alucinações apocalípticas de Hadfield e Bannister Truelock. Aparentemente Jorge não ficou abalado pelo incidente, tanto que adormeceu durante o intervalo. A Revolução Francesa de 1789, que havia derrubado a monarquia francesa, preocupava muitos donos de terras britânicos. A França declarou guerra contra a Grã-Bretanha em 1793. No esforço de guerra, Jorge permitiu que Pitt aumentasse os impostos, convocasse exércitos e suspendesse o direito a habeas corpus. A Primeira Coligação contra a França revolucionária, que incluía a Áustria, Prússia e Espanha, se rompeu em 1795 quando a Prússia e a Espanha fizeram tratados de paz individuais com a França. A Segunda Coligação, que incluía a Áustria, Rússia e o Império Otomano, foi derrotada em 1800. Apenas a Grã-Bretanha continuou a lutar contra Napoleão Bonaparte, o Primeiro Cônsul da Primeira República Francesa.

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Legado

Jorge viveu por 81 anos e 239 dias, reinando por 59 anos e 96 dias; tanto sua vida quanto seu reinado foram mais longos que qualquer um de seus predecessores. Desde então, apenas as rainhas Vitória e Isabel II viveram e reinaram por mais tempo. Jorge recebeu a alcunha de "Jorge Fazendeiro" por humoristas, primeiramente para zombar de seu interesse em questões mundanas ao invés de políticas, mas depois para contrastar sua frugalidade caseira com a grandiosidade de seu filho e sucessor Jorge IV, além de representá-lo como um homem do povo. Sob Jorge III, que era muito interessado e adorava agricultura, a Revolução Agrária Britânica alcançou seu pico e foram feitos grandes avanços em campos como ciência e indústria. Sua coleção de instrumentos matemáticos e científicos agora está guardada no Museu da Ciência, em Londres; ele financiou a construção e manutenção do enorme telescópio de William Herschel, o maior já construído até então. Quando Herschel descobriu o planeta Urano em 1781, ele primeiro o chamou de Georgium Sidus (Estrela de Jorge) em homenagem ao rei.

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Títulos, estilos e brasões

Títulos e estilos

Na Grã-Bretanha, seu estilo oficial era "Jorge Terceiro, pela Graça de Deus, Rei da Grã-Bretanha, França e Irlanda, Defensor da Fé, e assim por diante". Em 1801, quando a Grã-Bretanha se uniu a Irlanda, ele abandonou o título de "Rei da França" que havia sido usado por todos os monarcas britânicos desde a reivindicação ao trono francês de Eduardo III na Idade Média. Seu estilo passou a ser "Jorge Terceiro, pela Graça de Deus, do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda, Rei, Defensor da Fé". Na Germânia, era o "Duque de Brunsvique-Luneburgo, Arquitesoureiro e Príncipe-Eleitor do Sacro Império Romano-Germânico" até o fim do império em 1806. Ele continuou como duque até o Congresso de Viena o declarar em 1814 como "Rei de Hanôver".

Brasões

FilhosJorge II, Rei da Grã-BretanhaSofia Doroteia, Rainha da Prússia FilhosFrederico, Príncipe de GalesAna, Princesa de OrangePrincesa AméliaPrincesa CarolinaPríncipe Jorge GuilhermeGuilherme, Duque de CumberlandMaria, Condessa de Hesse-CasselLuísa, Rainha da Dinamarca e Noruega FilhosJorge IV, Rei do Reino UnidoFrederico, Duque de Iorque e AlbanyGuilherme IV, Rei do Reino UnidoCarlota, Rainha de WürttembergEduardo, Duque de Kent e StrathearnPrincesa Augusta SofiaIsabel, Condessa de Hesse-HomburgoErnesto Augusto I, Rei de HanôverAugusto Frederico, Duque de SussexAdolfo, Duque de CambridgeMaria, Duquesa de Gloucester e EdimburgoPrincesa SofiaPríncipe OtávioPríncipe AlfredoPrincesa Amélia

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