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Mwene Nzinga Mbandi

Mwene Nzinga Mbandi ou Ana de Sousa foi a rainha reinante (angola) do Reino do Dongo entre 1624 e 1626 e fundadora e rainha do Reino da Matamba, reconhecida por Portugal como Ana I e reinando de 1631 até sua morte em 1663.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 06/07/2026
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Origem do nome

Nzinga Mbandi teve seu nome registrado na documentação colonial como Jinga, Ginga, Zinga, Zingua e Singa. Também era conhecida por seu nome de batismo cristão, Ana de Sousa. Este nome foi dado quando batizada, em homenagem à portuguesa que atuou como sua madrinha de batismo. Seu sobrenome veio em homenagem ao governador de Luanda em exercício, João Correia de Sousa. Como rainha da Matamba, seu nome oficial foi Angola Nzinga. O nome "angola" era um título para o governante de Dongo e Matamba.

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Primeiros anos

Rainha Nzinga nasceu em cerca de 1582, filha do Angola Quilombo Quiacasenda (r. 1592–1617) e de Guenguela Cacombe da etnia ambundo, uma das escravas de seu pai e sua concubina favorita. Tinha como irmãos Ambande (r. 1617–1624), Mucambu (Bárbara) e Quifunji (Graça). De acordo com a lenda, o parto de sua mãe Guengela foi complicado pois Nzinga nasceu com o cordão umbilical enrolado em seu pescoço (em quimbundo Kujinga significa torcer ou girar). Tal fato na crença nativa era de que a pessoa seria um alguém poderoso e orgulhoso. Quando tinha cerca de dez anos, seu pai Quilombo tornou-se o rei ("angola") do Dongo. Ela sempre foi muito favorecida por seu pai por se destacar entre as filhas do rei e não ser herdeira ao trono, facilitando uma maior dedicação à jovem sem despertar atritos com seus irmãos homens. Em seu crescimento a jovem Nzinga foi treinada nas artes militares e políticas na corte do pai, chegando a servi-lo como conselheira jurídica e diplomata com os portugueses. Além disso ela foi ensinada por missionários portugueses a ler, escrever e falar português.

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Sucessão

Embaixada em Luanda

Em 1617, o rei Quilombo morre e Ngola mbandi, irmão de Ginga o sucede como rei (angola). Ginga e Ambande sempre foram rivais e Ambande se tornou paranoico de que o filho recém-nascido de sua irmã um dia o poderia assassinar, por isso ordenou que a criança fosse morta e Ginga fosse esterilizada. Temendo por sua vida ou por ressentimento por seu filho, Ginga fugiu para a região da Matamba logo após o ocorrido, permanecendo em exílio até que seu irmão o chamara outra vez em 1621 para servir como embaixatriz do reino do Dongo em Luanda. A escolha de Mbandi devia-se a que não conseguia combater os portugueses com a força e decidiu por pedir ajuda à irmã que falava, escrevia e lia em português e era uma exímia diplomata para tratar a paz com os portugueses. Ginga aceitou e em 1622 viajou até Luanda ao encontro de João Correia de Sousa, governador português. Enquanto outros líderes do Dongo se vestiram com trajes ocidentais, Ginga optou por utilizar vestimentas tradicionais com a intenção de demonstrar sua não submissão aos portugueses. Segundo a lenda, no momento em que Ginga chegou ao salão onde conversaria com João Correia de Sousa não havia cadeiras para os líderes africanos conversarem com o governador, apenas uma almofada no chão onde se sentariam em uma posição de submissão ao governador. Entretanto, Ginga ordenou que um soldado se posicionasse de quatro no chão para que Ginga se sentasse em suas costas como uma cadeira, ficando assim cara a cara com o governador. Ela era uma negociadora feroz e fez um acordo com os portugueses, onde em troca da abertura da rota de comércio e o estudo e conversão ao cristianismo dos governantes do Dongo, os portugueses retirariam suas tropas e reconheceriam a soberania do Dongo como um estado soberano, sem precisar de pagar um tributo anual e nem a vassalagem do reino.

Reinado e conflitos

Após a paz com os portugueses, a paz entre os imbangalas e os dongos ruiu e uma nova guerra estourou. Na situação o rei Angola Ambande fugiu de Cabassa com sua corte e alguns seguidores. Os portugueses não estariam dispostos à prosseguir com a paz conseguida com os dongos se o rei estivesse exilado e não convertido. Como resultado a paz entre os portugueses e os dongos conseguida por Ginga foi anulada e os mesmos continuaram à invadir as terras nativas e a capturar africanos como escravos. Em 1624 o rei Angola Ambande morreu de causas misteriosas (alguns afirmam envenenamento e outros, um suicídio). Antes de morrer Ambande deixou clara a vontade de que Ginga o sucedesse. Ela foi entronizada pouco depois do opulento funeral de seu irmão, que teve partes de seu corpo preservado em um misete (Um tipo de relicário).

Os Holandeses

Em 1641 a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais invadiu e ocupou Luanda com auxílio do Reino do Congo, fazendo com que maior parte da região fosse uma colônia holandesa. Nzinga fez uma aliança com os holandeses contra os portugueses, que agora se concentravam no interior na cidade de Massangano. Com isso Nzinga também muda a capital do reino para Cavanga, ao norte do Dongo na esperança de recuperar algumas terras perdidas. Em 1644 a rainha derrotou os portugueses em Angoleme, mas não conseguiu prosseguir com as vitórias. Em 1646 ela foi derrotada em Cavanga pelos portugueses, que no processo capturaram sua irmã Mucambu e foi descoberto que ela mantinha correspondências com Quifunji na cidade, onde revelava planos dos portugueses de conquista. Após a descoberta da traição a princesa Quifunji foi morta afogada no Rio Cuanza. Afirma-se também que ela na verdade fugiu para a atual Namíbia.

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Anos finais

Em 1656 ela conhece missionários capuchinhos e se converte ao cristianismo e também permitindo que missionários adentrassem o reino para converter os nativos a religião que inicialmente fora contra. Em 24 de novembro de 1657 os portugueses decidem por cessar a guerra e os planos de conquista de Dongo e Matamba em uma carta ratificada pelo rei D. Afonso VI. Após a paz ela tentou reconstruir sua nação que a anos havia sido devastada pela guerra e pela agricultura em excesso. No entanto ela conseguiu desenvolver Matamba como uma potência comercial na região, uma porta de entrada para a África Central. Ela se opôs a que a princesa imbangala Nzinga Mona a sucedesse com soberana após sua morte, por isso no tratado de paz pediu para que os portugueses ajudassem sua família a permanecer no trono. Na falta de um herdeiro que a sucedesse, ela fez sua irmã Mucambu se casar com João Guterres Angola Canini, do poderoso clã Canini. Esse casamento porém não foi permitido pelos capuchinhos já que João Guterres já teria uma esposa em Ambaca.

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Legado

Nzinga hoje é lembrada como a Mãe de Angola por ter lutado e negociado por seu povo. Ela ainda é reverenciada na história da África como uma das mulheres mais admiráveis e perspicazes da história. Relatos de sua vida são geralmente romantizados, porém mesmo assim ela é considerada um símbolo de luta contra a opressão. Nzinga finalmente conseguiu moldar seu estado em uma forma que tolerou sua autoridade, embora certamente o fato de que ela sobreviveu a todos os ataques a ela e construiu uma forte base de apoiadores leais ajudou tanto quanto a relevância dos precedentes que ela citou. Embora Nzinga obviamente não tivesse superado a ideia de que as mulheres não podiam governar no Dongo durante sua vida, e tiveram que 'se tornar um homem' para manter o poder, suas sucessoras mulheres enfrentaram poucos problemas em serem aceitas como governantes. Jinga foi abraçado como um símbolo do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) durante a guerra civil.

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