Cecília de Meclemburgo-Schwerin
Cecília Augusta Maria de Meclemburgo-Schwerin (em alemão: Cecilie Auguste Marie Herzogin zu Mecklenburg-Schwerin; Schwerin, 20 de setembro de 1886 – Bad Kissingen, 6 de maio de 1954 foi a última princesa herdeira da Prússia e do Império Alemão, de 1905 a 1918, como esposa do príncipe herdeiro Guilherme.
Primeiros anos
Nascida em 20 de setembro de 1886 em Schwerin, Cecília era a filha mais nova do grão-duque Frederico Francisco III de Meclemburgo-Schwerin e da grã-duquesa Anastásia Mikhailovna da Rússia. Ela passou a maior parte de sua infância em Schwerin, nas residências reais do Palácio Ludwigslust e do pavilhão de caça Gelbensande, a poucos quilômetros da costa do mar Báltico. Seu pai sofria muito de asma e o clima úmido e frio de Meclemburgo não era bom para sua saúde. Como resultado, Cecília passava muito tempo com sua família em Cannes, no sul da França, cidade favorecida na época pela realeza europeia, incluindo alguns membros que Cecília conheceu, como a imperatriz Eugênia da França e o tio-avô de seu futuro marido, o rei Eduardo VII do Reino Unido. Foi em uma visita a Cannes no inverno de 1897, que a irmã de Cecília, Alexandrina, conheceu seu futuro marido, o príncipe herdeiro Cristiano da Dinamarca, o futuro rei Cristiano X da Dinamarca, pouco antes da morte de seu pai, aos 46 anos. Depois de retornar a Schwerin, Cecília passou um tempo com sua mãe viúva na Dinamarca. O casamento de sua irmã ocorreu em Cannes, em abril de 1898. Após a morte de seu pai, ela viajou todos os verões, de 1898 a 1904, visitando seus parentes na Rússia. Cecília residiu lá em Mikhailovskoe, na baía de Kronstadt, a casa de campo de seu avô materno, o grão-duque Miguel Nikolaevich da Rússia.
Casamento
Durante as festividades do casamento de seu irmão, o grão-duque Frederico Francisco IV de Meclemburgo-Schwerin, em Schwerin, em junho de 1904, Cecília, então com 17 anos, conheceu seu futuro marido, o príncipe herdeiro Guilherme, filho do imperador Guilherme II da Alemanha e da imperatriz Augusta Vitória. Em 4 de setembro de 1904, ficou noiva do príncipe herdeiro no pavilhão de caça Gelbensande. Três quartos de ano depois, em 6 de junho de 1905, casou-se com Guilherme em Berlim. O casamento foi um dos eventos mais espetaculares do ano, celebrado com uma procissão ricamente decorada desde o Portão de Brandemburgo, ao longo da avenida Unter den Linden, até o Palácio de Berlim.
Princesa herdeira da Alemanha
Como princesa herdeira da Alemanha, Cecília rapidamente se tornou um dos membros mais queridos da família imperial alemã. Ela era conhecida por sua elegância e bom gosto para moda. Não demorou muito para que seu estilo fosse copiado por muitas mulheres em todo o Império Alemão. Após o término das festividades do casamento, o casal principesco estabeleceu sua residência de verão no Palácio de Mármore em Potsdam. Todos os anos, no início da temporada da corte, em janeiro, o casal retornava ao Palácio do Príncipe Herdeiro em Berlim, na Unter den Linden. O primeiro filho de Cecília nasceu em 4 de julho de 1906 e recebeu o tradicional nome de "Guilherme". Na época, a monarquia alemã parecia estar muito segura.
Revolução e a queda da monarquia alemã
A situação política e econômica no último ano da Primeira Guerra Mundial tornou-se cada vez mais desesperadora. Em 6 de novembro de 1918, o novo chanceler imperial alemão, príncipe Maximiliano de Baden, reuniu-se com o ministro Wilhelm Solf para discutir o futuro do Império Alemão. Ambos compartilhavam da opinião de que a monarquia só sobreviveria com a deposição do imperador e de seu filho, o príncipe herdeiro, e o estabelecimento de uma regência sob o governo nominal do jovem filho da princesa herdeira Cecília. Tal ideia logo se dissipou com a ascensão de Friedrich Ebert ao cargo de chanceler e a proclamação da república poucos dias depois. Tanto o imperador quanto o príncipe herdeiro cruzaram a fronteira em busca de exílio nos Países Baixos. A monarquia entrou em colapso com a derrota da Alemanha no final da guerra. Cecília, com seus filhos pequenos, vivia em Potsdam durante o período revolucionário. Ela havia se mudado de sua nova residência, Cecilienhof, com os filhos para se juntar à sogra na relativa segurança do Novo Palácio. Foi lá que a imperatriz Augusta Vitória informou sua nora: "A revolução eclodiu. O imperador abdicou. A guerra está perdida."
Vida posterior
A ex-princesa herdeira mostrou-se realista quanto à nova situação política que sua família e a Alemanha enfrentavam. A ex-imperatriz exilou-se para se juntar ao marido. A princesa herdeira estava disposta a fazer o mesmo, mas desejava permanecer na Alemanha com os filhos, se possível. Isso lhe foi permitido e, em 14 de novembro, ela deixou discretamente o Novo Palácio e retornou à sua residência particular, Cecilienhof. Em decorrência da mudança de circunstâncias, Cecília reduziu sua equipe doméstica pela metade. O tutor de seus filhos também deixou o serviço e, como resultado, seus dois filhos mais velhos, os príncipes Guilherme e Luís Fernando, foram os primeiros príncipes da dinastia Hohenzollern a frequentar uma escola pública, que ficava perto do palácio. Cecília tinha grande compaixão pela situação do povo alemão. Em resposta a um discurso da União das Mulheres Alemãs em Berlim, a ex-princesa herdeira declarou: "Não preciso de compaixão. Tenho a bela situação que pode acontecer a qualquer mulher alemã: a educação dos meus filhos como bons cidadãos alemães."
Títulos e estilos
O terceiro título é meramente simbólico, desde que a monarquia alemã foi abolida.
Honras
O Palácio Cecilienhof em Potsdam, recebeu o seu nome em homenagem a Cecília, bem como o navio de cruzeiro Herzogin Cecilie, que mais tarde foi renomeado como SS Kronprinzessin Cecilie.


