Ana Dalassena
Ana Dalassena foi uma importante nobre bizantina que teve um importante papel na ascensão dos Comnenos aos poder no século XI. Como augusta, um título concedido a ela por seu filho Aleixo I Comneno, mas não à sua imperatriz-consorte, guio o império durante as muitas ausências do filho, sempre em campanha contra os turcos ou outros invasores do império. Como imperatriz-mãe, tinha muito mais influência que a nora, Irene Ducena, que ela detestava por causa de antigas disputas com a família Ducas.
Primeiros anos
Ana era filha de Aleixo Caron, o tenente imperial na Itália, e Adriana Dalassena. A família de sua mãe, os Dalassenos, é originária de Dalasa, no rio Eufrates. O fato de ela ter mantido o sobrenome por toda a vida, mesmo depois de casada, é uma indicação de que a família de sua mãe era mais prestigiosa na época que a dos Comnenos. Contrária ao protocolo e expectativa normal da corte bizantina e de forma similar à sua antecessora, Eudócia Macrembolitissa, Ana tornou-se o novo modelo de matriarca de uma família poderosa. Em 1044, Ana foi casada com João Comneno, cujo irmão, Isaac Comneno, havia sido escolhido por uma facção dos generais bizantinos rebeldes para suceder ao já idoso e inepto Miguel VI, o Estratiótico. Como resultado, João recebeu os títulos de curopalates e doméstico das escolas do ocidente (comandante-em-chefe dos exércitos ocidentais). Ana, por sua vez, recebeu o equivalente feminino dos mesmos títulos, como se evidencia em seus sinetes ("curopalatissa" e "domesticissa"), o que a tornou a segunda mulher mais importante da corte, segunda apenas em relação à imperatriz e sua filha. O filho mais velho dela, Manuel, nasceu em 1045, e ela acabou tendo oito filhos.
Rivalidade com os Ducas
Como resultado desta tentativa fracassada de tomar o trono imperial, Ana teve que suportar a amargura dos Ducas e "viveu para a intriga até conseguir colocar seu próprio filho no trono". Depois da morte do marido, em 1067, Ana passou a comandar a família como matriarca, manobrando constantemente para avançar sua própria família. Depois do fim do reinado de Constantino X Ducas (r. 1059–1067), ela inteligentemente apoiou a viúva de Constantino, Eudócia Macrembolitissa e o novo marido dela, Romano IV Diógenes (r. 1068–1071) contra a família de Constantino, que não aprovava o novo casamento. Ana seria a partir daí a maior defensora do novo imperador e encorajou seus filhos a servirem nas campanhas militares. Apesar de ter apenas quatorze anos, Manuel foi nomeado curopalates e estratego autocrator (comandante). Embora tenha sido capturado pelos turcos, ele foi libertado através dos esforços diplomáticos de Crisóculo. Manuel, porém, morreu de uma infecção auditiva em 1071 e, depois de seu funeral, Ana enviou seu terceiro filho, Aleixo, para servir em seu lugar. Porém, como o segundo filho de Ana, Isaac, já servia no exército, Romano Diógenes não o aceitou em consideração à mãe.
Papel na revolta comnena
Ana teria um papel preponderante no golpe de estado de 1081 juntamente com a imperatriz Maria da Alânia. Casada primeiro com Miguel VII Ducas e depois com Nicéforo III Botaniates, Maria estava preocupada com o futuro de seu próprio filho com Miguel, Constantino Ducas, pois Nicéforo planejava deixar o trono para seus próprios parentes. A situação empurrou a imperatriz para os Comnenos e a principal força por trás do acordo foi Ana Dalassena. Já muito próxima dos Comnenos através do casamento de sua prima Irene com Isaac Comneno, os irmãos Comnenos conseguiram se encontrar com a imperatriz sob o pretexto de uma visita familiar. Além disso, para ajudar na conspiração, Maria adotou Aleixo como seu filho, mesmo ele sendo apenas cinco anos mais novo do que ela. Maria foi convencida a fazê-lo por seus assessores, alanos como ela, e eunucos, estes, por sua vez, convencidos por Isaac. Sabendo do controle que Ana Dalassena mantinha sobre a família, é muito provável que ela também tenha aprovado o arranjo. Como resultado, Aleixo e Constantino, o filho de Maria, se tornaram irmãos adotivos e ambos juraram defender seus direitos ao trono. Maria se mostrou, por sua vez, uma poderosa aliada dos Comnenos ao fornecer-lhes informações secretas sobre a casa real.
Ascensão ao poder
Isaac e Aleixo marcharam triunfalmente na capital em 1 de abril do mesmo ano. Porém, mesmo este auspicioso resultado não impediu que Ana excluísse os Ducas da coroação imperial ˆ— ela jamais aprovou o casamento de Aleixo e Irene Ducena e a situação se tornou ainda mais aguda depois que a adolescente Irene tornou-se augusta como ela. Embora a candidatura de Aleixo ao trono já tivesse sido concordada entre os Ducas e os Comnenos em Esquiza, o primogênito Isaac Comneno ainda tinha apoiadores. O fato de Aleixo ter sido coroado em 4 de abril enquanto Irene só o tenha sido uma semana depois levantou suspeitas. É provável que Ana e Maria da Alânia tenham planejado se livrar dela para governar com Aleixo, a primeira como mãe e a segunda, como esposa. Maria já havia sido imperatriz por duas vezes e tinha muito mais experiência que a inocente, adolescente Irene, que ainda nem mãe tinha sido. Em seu relato sobre os eventos, Ana Comnena, filha de Aleixo, afirma que os Comnenos se recusaram a expulsar Maria do palácio por causa de sua gentileza e por que "ela estava num país estranho, sem parentes, sem amigos, com ninguém de seu próprio povo".
Reinado de Aleixo I
Da ascensão dos Comnenos em 1081 até sua morte ou banimento em 1100 ou 1102, Ana teve uma vida pública muito ativa, administrando serviços civis e militares do império. Seu filho Aleixo esteve, por muitos anos, sob sua influência. Porém, ela esteve em conflito constante com sua nora Irene e assumiu, de forma rude e flagrante, total responsabilidade pela criação e educação de sua neta Ana Comnena. Dada a cultura e tradição do Império Bizantino grego, era pouco usual que uma mulher tivesse tanto poder sobre seu filho e sobre o império. Embora ele precisasse de conselhos confiáveis e essencialmente devesse à mãe sua ascensão , ela ter permanecido no poder por quinze anos, de sua ascensão até os seus quarenta anos, é impressionante. Conforme se aproximava a meia idade, Aleixo se convencia cada vez mais de que queria governar sozinho. Depois que as campanhas militares da década de 1080, ele conseguiu ficar mais tempo na capital, o que só serviu para frustrá-lo por causa do estrito controle mantido por sua mãe sobre a administração do império, independentemente de quão produtiva era a situação. Zonaras afirmou que Ana estava no poder por tanto tempo que Aleixo se frustrava por ser imperador no nome apenas.Ana, sempre muito sensível às mudanças em sua sorte, percebeu a situação e decidiu partir antes que fosse expulsa e retirou-se para seus apartamentos particulares anexos ao mosteiro da Igreja de Cristo Pantepoptes. As sementes do descontentamento de Aleixo podem ter sido plantadas já em 1089 quando, em uma comunicação imperial, Aleixo reclamou da generosidade de Ana para com um mosteiro em Doquiário.
De seu casamento com o doméstico das escolas João Comneno, Ana teve:


