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Jacó Armínio

Jacó (português brasileiro) ou Jacob (português europeu) Armínio foi um teólogo, pastor e professor neerlandês da época da reforma protestante. Sua visão soteriológica tornou-se a base do Arminianismo e do movimento neerlandês Remonstrante.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 12/07/2026
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Juventude

Armínio, que nasceu em Oudewater, Utrecht, ficou órfão enquanto ainda era jovem. Seu pai Herman (o nome Arminius representa a forma latinizada de Hermanszoon, "filho de Herman") morreu, deixando a sua mulher viúva com crianças pequenas. O pastor Theodorus Aemilius adotou então Jacó por volta do ano de 1572, e o pôs na escola de Utrecht. Contudo, esse pastor veio a falecer em 1574, e outro nativo de Oudewater, Rudolph Snellius, levou-o a estudar em Marburgo, onde Snellius era professor. A família de Armínio morreu durante o massacre espanhol de Oudewater em 1575. Em 1576, Armínio retornou à Holanda e continuou seus estudos de teologia na então recém-fundada Universidade de Leiden, onde permaneceu até 1582.

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Estudos teológicos

Armínio permaneceu estudando em Leiden de 1576 a 1582. Entre seus professores de teologia estavam homens como o calvinista Lambertus Danaeus, o hebraísta Johannes Drusius, Guillaume Feuguereius, e Johann Kolmann. Kolmann acreditava e ensinava que o alto calvinismo tornava Deus um tirano e carrasco. Embora a Universidade em Leiden fosse reformada, ela tinha influências de visões luteranas, zwinglianas e anabatistas. Caspar Coolhaes, um dos pastores de Leiden, afirmava, de maneira contrária a Calvino, que as autoridades civis não têm jurisdição em alguns assuntos eclesiásticos, que era errado punir e executar hereges, e que os luteranos, calvinistas, e anabatistas poderiam unir em torno de princípios fundamentais. O astrônomo e matemático Willebrord Snellius usou a filosofia ramista numa tentativa para incentivar os seus alunos a buscar a verdade, sem excesso de dependência de Aristóteles. Sob a influência desses homens, Armínio estudou com dedicação e plantou sementes que começariam a se desenvolver em uma teologia que posteriormente competiria com a dominante teologia reformada de João Calvino. O sucesso que ele mostrou em seus estudos motivou o sindicato dos mercadores de Amsterdã a financiar os próximos três anos de seus estudos.

Recomendações de Beza e Grynaeus

Após a conclusão dos estudos de Armínio e um pedido para que ele fosse pastor em Amsterdã, Teodoro de Beza respondeu aos líderes em Amsterdã com a seguinte carta: — Teodoro de Beza para Amsterdã, Carta de 3 de Junho de 1585 Por meio desta carta, parece que a tensão anterior devido à atração de Armínio pela filosofia ramista havia se dissipado e Armínio era conhecido até mesmo por Beza como um excelente teólogo em desenvolvimento. Três meses depois, Johann Jakob Grynaeus, da Universidade de Basileia, enviou esta carta de recomendação: — Johann Jakob Grynaeus, professor de literatura sagrada e decano da Faculdade de Teologia, Escrito com minha própria mão. Basileia, 03 de Setembro de 1583.

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Ministério pastoral

Armínio respondeu ao chamado de pastor em Amsterdã, em 1587, pregando aos domingos e no meio da semana. Depois de ser testado pelos líderes da igreja, foi ordenado em 1588. Nessa condição, ganhou reputação como um bom pregador e fiel pastor. Em 1590 ele se casou com Lijsbet Reael, filha de Laurens Jacobsz Reael, um proeminente mercador e poeta de Amsterdã que ajudou a estabelecer a Igreja Reformada na região. Ele também foi contratado para organizar o sistema educacional de Amsterdã. Distinguiu-se grandemente pela fidelidade aos seus deveres, em 1602, durante uma praga que varreu por Amsterdã, entrou em casas infectadas que os outros não se atreveriam a entrar, a fim de dar água aquelas famílias, e supriu os seus vizinhos com os fundos para cuidar deles.

Controvérsia

Em Amsterdã, Armínio ensinou, através de "uma série de sermões sobre a epístola de Romanos", em 1591, ao discutir Romanos 7, que o homem, pela graça e novo-nascimento, não tem que viver na escravidão do pecado, e que Romanos 7.14 estava falando de um homem que vive sob a lei, sendo convencido do pecado pelo Espírito Santo, mas ainda não regenerado. Isso foi recebido com alguma resistência, e alguns detratores rotularam-no de pelagiano por ensinar que um homem não regenerado podia sentir convicção e desejo de salvação, mesmo com a influência da Lei e do Espírito Santo. No mesmo ano, o seu colega Petrus Plancius, respondendo ao desenvolvimento teológico de Armínio, começou a disputar abertamente contra ele. Durante uma reunião de ministros, Armínio insistiu que não estava ensinando qualquer coisa contrária a Confissão de Heidelberg e outras normas da ortodoxia, que os teólogos da Igreja primitiva tinham opiniões semelhantes às suas, e que ele repudiava veementemente a heresia pelagiana. Além disso, Armínio manifestou alguma surpresa por não lhe ser permitido interpretar esta passagem de acordo com os ditames de sua própria consciência e dentro do padrão da ortodoxia histórica. Os burgomestres de Amsterdã intervieram, num esforço para manter a paz e conter as divisões na população, instando-os a coexistir pacificamente e que Armínio não ensinasse nada em desacordo com o pensamento reformado acordado naquele momento, a menos que consultasse o concílio da Igreja ou outros organismos.

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Professor em Leiden

Em 1603, Armínio foi chamado de volta à Universidade de Leiden para ensinar teologia. Isto aconteceu após as mortes quase simultâneas em 1602 de dois professores da faculdade, Franciscus Junius, O Velho e Lucas Trelcatius, O Velho, em um surto da peste. Lucas Trelcatius, O Jovem (1573-1607) e Armínio (apesar do protesto de Plancius) foram nomeados, a decisão coube em grande parte à Franciscus Gomarus, membro da faculdade sobrevivente. Enquanto Gomarus cautelosamente aprovara Armínio, cujas opiniões já eram suspeitas de heterodoxia, a sua chegada abriu um período de debate, em vez de fechá-lo. A nomeação teve também uma dimensão política, sendo apoiada por Johannes Wtenbogaert, em Haia, e Johan van Oldenbarnevelt.

Controvérsia com Gomarus

Gomarus era um refugiado flamengo que estava em Leiden desde 1594, tem sido descrito como "um estudioso muito medíocre", mas "um forte defensor da doutrina calvinista... um homem de profunda fé". Em contrapartida, Armínio tem sido descrito como "um buscador, um cético". Sobre a questão da predestinação Gomarus era supralapsariano e foi sobre este ponto de debate que o conflito entre os dois começou. A animosidade era ainda mais exasperada, devido ao fato de Armínio defender a revisão da Confissão Belga e do Catecismo de Heidelberg, mas não publicamente, até muito mais tarde, quando o debate tornou-se um conflito aberto. A disputa entre os professores tomou um rumo público em 07 de fevereiro de 1604, quando Willem Bastingius em sua disputa intitulada De divina praedestinatione defendeu uma série de teses de Armínio. O próprio Armínio presidiu a disputa. Isso levou Gomarus a fazer Gruterus Samuel argumentar posições opostas a essas teses em 14 de outubro de 1604, num evento que não foi incluído no calendário oficial. Em sua resposta Gomarus não chamou Armínio pelo nome, em vez disso atribuiu as posições ao adversário de Calvino Sebastian Castellion (um dos primeiros proponentes cristão reformado de tolerância religiosa) e ao seu seguidor, Dirck Volckertszoon Coornhert. Embora Armínio firmemente usava a Bíblia para defender as suas posições, os pontos de vista expostos pelos "patriarcas de Genebra gradualmente adquiriram força de Res judicata, de modo que a resistência contra ela não era mais tolerada.

Debate final e últimos dias

Armínio permaneceu como professor em Leiden, até sua morte, e foi estimado por seus alunos. Ainda assim, o conflito com Gomarus se ampliou para uma cisão em larga escala dentro do calvinismo. Do clero local, Adrianus Borrius apoiou Armínio, enquanto Festus Hommius se opôs. Os amigos mais próximos, alunos e simpatizantes de Armínio foram Johannes Drusius, Conrad Vorstius, Antonius Thysius, O Velho, Johannes Halsbergius, Petrus Bertius, Johannes Arnoldi Corvinus, os irmãos Rembert e Simon Episcopius. Seu sucessor em Leiden (novamente selecionado com o apoio de Wtenbogaert e Oldenbarnevelt) foi Vorstius, que exerceu influência sobre Armínio por seus escritos.

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Teologia e legado

Na tentativa de defender a predestinação calvinista contra os ensinamentos de Dirck Volckertszoon Coornhert, Armínio começou a duvidar de aspectos do calvinismo e a modificar algumas partes de sua própria visão. Ele tentou reformar o calvinismo, e emprestou seu nome a um movimento -- Arminianismo -- que resistiria a alguns dos princípios calvinistas (predestinação incondicional, expiação limitada). Os primeiros seguidores holandeses de seu ensinamento ficaram conhecidos como Remonstrantes depois de terem emitido um documento, intitulado Remonstrantiæ (1610), contendo cinco pontos de desacordo com a corrente principal do calvinismo. Armínio ensinava sobre uma "preventiva" (ou preveniente) graça que era conferida a todos pelo Espírito Santo e esta graça seria "suficiente para crer, apesar de nossa corrupção pecaminosa, e, portanto para a salvação". Armínio declarou que: "...atribuo à graça o início, a continuidade e a consumação de todo o bem, de tal forma que, sem a sua influência, um homem, mesmo já estando regenerado, não pode conceber, nem fazer bem algum, nem resistir a qualquer tentação do mal, sem esta graça emocionante e preventiva, que coopera com o homem". William Witt afirma que "Armínio tem uma teologia muito nobre sobre a graça. Ele insiste enfaticamente que a graça é gratuita porque é obtida através da redenção de Deus em Cristo, e não através do esforço humano".

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