Tapirus
O gênero Tapirus é o único representante da família Tapiridae, pertencente à ordem Perissodactyla. Popularmente conhecidas como antas ou tapirs, essas criaturas habitam tanto o continente americano quanto o Sudeste Asiático. São os maiores mamíferos dos Neotrópicos e os únicos mamíferos neotropicais da ordem dos ungulados de dedos ímpares. Atualmente, cinco espécies viventes são reconhecidas.
Pontos-chave
- Tapirus é o único gênero da família Tapiridae, com cinco espécies viventes.
- São os maiores mamíferos dos Neotrópicos e os únicos ungulados de dedos ímpares na região.
- Habitam o continente americano e o Sudeste Asiático.
- Possuem uma tromba flexível e hábitos noturnos e solitários.
- Sua evolução remonta ao Eoceno, com divergência entre espécies asiáticas e americanas há milhões de anos.
O nome popular "anta" tem sua origem no termo árabe "lamta". Já o nome "tapir" deriva do tupi original "tapi'ira", refletindo a rica herança linguística associada a esses animais.
O gênero Tapirus foi formalmente descrito por Mathurin Jacques Brisson em 1762. Antes disso, Linnaeus havia classificado as espécies de Tapirus dentro do gênero Hippopotamus. A família Tapiridae foi estabelecida por John Edward Gray em 1821. Historicamente, algumas espécies como Tapirus bairdii e Tapirus indicus foram alocadas em gêneros separados (Tapirella e Acrocodia, respectivamente), mas hoje todas estão agrupadas em Tapirus. Os primeiros tapirídeos, como Heptodon, surgiram no Eoceno, sendo menores e sem probóscide. Os tapirídeos verdadeiros apareceram no Oligoceno, e no Mioceno, o Miotapirus já era indistinguível do Tapirus atual. A divergência entre tapirídeos asiáticos e americanos ocorreu entre 20 e 30 milhões de anos atrás, com os ancestrais das antas migrando para a América do Sul há cerca de 3 milhões de anos durante o Grande Intercâmbio Americano. Antas foram comuns na América do Norte, extinguindo-se há aproximadamente 10.000 anos, com espécies como T. merriami, T. veroensis, T. copei e T. californicus desaparecendo no Pleistoceno. O 'tapir-gigante' Megatapirus sobreviveu na China até cerca de 4.000 anos atrás.
As Cinco Espécies Viventes
Atualmente, são reconhecidas cinco espécies do gênero Tapirus, sendo que a quinta foi descrita em 2013. Suas distribuições geográficas são as seguintes: - **Tapirus bairdii (Anta-centro-americana):** Belize, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, El Salvador (extinta). - **Tapirus indicus (Anta-malaia):** Indonésia (ilha de Sumatra), Malásia, Myanmar, Tailândia. - **Tapirus pinchaque (Anta-da-montanha):** Bolívia (extinta), Colômbia, Equador, Peru, Venezuela (extinta). - **Tapirus terrestris (Anta-brasileira):** Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana Francesa, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Venezuela. - **Tapirus kabomani (Anta-pequena):** Descrita em 2013, com distribuição na Amazônia.
As antas podem pesar até trezentos quilogramas. Possuem três dedos nos pés traseiros e um adicional, menor, nos dianteiros. Uma característica marcante é sua tromba flexível, preênsil e com pelos, utilizada para sentir cheiros e umidade. Habitam florestas úmidas e áreas próximas a rios, onde frequentemente tomam banhos de água e lama para se livrar de parasitas como carrapatos e moscas. São herbívoras monogástricas seletivas, alimentando-se de folhas, frutos, brotos, ramos, plantas aquáticas, grama e pasto. Podem até ser vistas em plantações de cana-de-açúcar, arroz, milho, cacau e melão. Passam quase dez horas por dia forrageando em busca de alimento. Com hábitos noturnos, escondem-se na mata durante o dia e saem para pastar à noite. São animais solitários, encontrados juntos apenas durante o acasalamento e a amamentação. A fêmea geralmente tem apenas um filhote, e o casal se separa logo após o acasalamento. A gestação dura de 335 a 439 dias. Os machos marcam território urinando sempre no mesmo lugar e também possuem glândulas faciais que deixam rastros olfativos.
A carne da anta é comestível para seres humanos. Sua pele também pode ser utilizada como couro; historicamente, os povos indígenas brasileiros, antes da chegada dos portugueses, confeccionavam escudos com o couro da anta.
Criação de Antas
Atualmente, existem iniciativas isoladas de criação de antas por seres humanos, principalmente em criadouros conservacionistas, hotéis-fazenda e resorts, visando a conservação e, em alguns casos, a educação ambiental ou o turismo.


