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Amor e Revolução

Amor e Revolução é uma telenovela brasileira que foi produzida e exibida pelo SBT em 5 de abril de 2011 até 13 de janeiro de 2012, em 204 capítulos, substituindo a reprise de A História de Ana Raio e Zé Trovão e foi substituída por Corações Feridos.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 13/07/2026
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Produção

Tiago Santiago começou a elaborar o esboço da novela em 1995, quando ainda era colaborador na Rede Globo, porém não encontrou espaço para produzi-la no canal. No período em que foi o principal autor da RecordTV, entre 2004 e 2009, o autor optou por escrever outras histórias focadas no romance e na ficção científica. Além disso, Tiago decidiu não apresentar a sinopse na emissora, uma vez que outra produção sobre a ditadura militar foi exibida em 2006, a novela Cidadão Brasileiro, de Lauro César Muniz. Antes do início das filmagens, por se tratar de uma sinopse histórica, a direção proporcionou para todo o elenco e produção um workshop sobre a ditadura militar entre os dias 3 e 4 de janeiro, inteirando-os sobre o assunto. O workshop foi conduzido pela jornalista Joyce Ribeiro e teve depoimentos de torturados pela ditadura, começando pelo músico Luiz Ayrão, o político Ricardo Zarattini, Carlos Russo Jr. e a jornalista Rose Nogueira, que teve seu filho, recém-nascido, ameaçado de ser queimado vivo em sua frente pelos militares.

Ditadura militar na teledramaturgia

A ditadura militar do Brasil foi utilizada como temática algumas vezes na televisão, mas sempre como pano de fundo somente, sendo apresentada nas telenovelas Irmãos Coragem (1970), O Bem-Amado (1973), Gabriela (1975), Roque Santeiro (1975), Saramandaia (1976), Guerra dos Sexos (1983), Vereda Tropical (1984) e a primeira fase de Senhora do Destino (2004). A ditadura foi tema central apenas em duas produções: na minissérie Anos Rebeldes (1992), da Rede Globo, e na telenovela Cidadão Brasileiro (2006), da RecordTV, que trouxe como foco central a luta dos estudantes contra os militares. Desta forma, Amor e Revolução foi a segunda telenovela a trazer o tema como foco principal.

Gravações e cenografia

As gravações da novela começaram dia 10 de janeiro de 2011, com um treinamento militar, os atores tiveram aulas sobre como manejar armas e atirar com Sérgio Farjalla Jr., preparador do elenco da grande produção cinematográfica brasileira Tropa de Elite. Para as cenas de ação, os atores aprenderam sobre artes marciais, aulas de expressão corporal e coreografia de luta para a composição de cenas e caracterização de personagens. As gravações se encerraram no dia 26 de agosto de 2011, completando mais de 6 meses de gravações. Entre os dias 5 e 7 de fevereiro de 2011 diversas cenas envolvendo tortura ainda não exibidas na novela foram vazadas no Youtube.

Escolha do elenco

Tiago Santiago queria Ana Paula Arósio como a protagonista da novela ainda em 2010 quando soube que ela abandonou as gravações de Insensato Coração e rescindiu o contrato com a Rede Globo, porém ela recusou por não querer mais trabalhar como atriz. Alice Braga foi convidada na sequência, uma vez que o autor queria ser responsável por lançar a sobrinha de Sônia Braga nas novelas, mas ela não aceitou por não querer fazer televisão ou se ausentar de sua carreira internacional por muito tempo. Tiago ainda tentou tirar algumas atrizes da RecordTV com quem tinha trabalhado, como Bianca Rinaldi e Renata Dominguez, porém ambas recusaram. Day Mesquita e Graziella Schmitt fizeram os testes, sendo que a segunda ficou com o papel. Patrícia de Sabrit havia abandonado a carreira de atriz em 2003 e se mudado para a Europa com seu marido, aceitando o convite para fazer uma participação especial de duas semanas na novela após conversas com o diretor. Após a boa recepção da personagem, a atriz aceitou permanecer na novela até o final, morando temporariamente no Brasil para isso.

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Enredo

Imagem: Hugo Gamelas · BY-NC-ND · Openverse

Ambientada no Rio de Janeiro e em São Paulo, a trama tem início com o Golpe de 1964 e perpassa pelo período mais obscuro da ditadura militar, os chamados anos de chumbo. “A intenção é narrar a história de personagens diretamente ligados ao tema da ditadura, seja a favor ou contra, como militares, guerrilheiros, torturadores, artistas, jornalistas, advogados e estudantes nos anos brutais da repressão. É possível que avancemos até a guerrilha do Araguaia, no começo da década de 70”, observa Tiago Santiago. “Amor e Revolução” conta a grande história de amor vivida pelo militar José Guerra e pela guerrilheira Maria Paixão, casal protagonista do folhetim. À primeira vista, o amor entre os dois é impossível, pois Maria é líder do movimento estudantil e vai para a luta armada, e José Guerra é um militar da Inteligência, contra a ditadura, democrata, porém filho de um general da linha-dura. Os dois têm rivais: o jovem dramaturgo de esquerda Mário Vieira e a bela e glamurosa atriz Miriam, e surpresas podem acontecer.

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Exibição

Imagem: Hugo Gamelas · BY-NC-ND · Openverse

"É uma mudança no modo de fazer da emissora. Houve um diálogo com o Silvio Santos sobre a importância de a novela ser gravada ao mesmo tempo em que é exibida para poder reagir e interagir com a opinião do público, porque a gente tem a oportunidade de, se o público achar muito violenta, diminuir isso." — Tiago Santiago sobre ter exigido que a novela fosse exibida enquanto era gravada, diferente das produções anteriores da emissora que iam ao ar totalmente gravadas. Tiago Santiago colocou como condição que a novela fosse exibida ao mesmo tempo em que era gravada, tendo as filmagens realizadas apenas alguns capítulos à frente do que ia para a televisão, um diferencial, uma vez que as novelas do SBT costumavam ir ao ar totalmente gravadas e, algumas vezes, passavam anos engavetadas antes de serem exibidas. Amor e Revolução estreou com 40 capítulos escritos e 24 gravados. Tiago também avaliou que, pela temática militar, a novela deveria ter um ritmo mais lento no início para apresentar todos os fatos históricos antes de iniciarem as cenas de ação.

Chamadas

As prévias da produção passaram a ser exibidos em 22 de fevereiro de 2011, com 15 segundos de duração, anunciando a produção para abril. O SBT exibiu, no dia 9 de março de 2011, uma chamada de 5 minutos com cenas da trama, em que resumia toda a história e dizia "Só o SBT tem a coragem de passar a limpo a história recente do nosso país". A chamada foi vista como um ataque à Rede Globo, acusada de ter apoiado e de ter sido favorecida pela ditadura militar.

Depoimentos

Para encerrar todos os capítulos de Amor e Revolução, foram usados depoimentos de pessoas que sofreram com a ditadura militar entre 1964 a 1985, seu tempo de duração. José Dirceu foi o primeiro a gravar o depoimento, que durou cerca de 70 minutos. O material captado foi elogiado pelo diretor da trama Reynaldo Boury: "Foi maravilhoso, tranquilo". Dirceu foi um líder estudantil na época, preso no final da década de 1960 e liberado após o sequestro de um embaixador americano arquitetado por guerrilheiros, se exilou na Cuba e após o fim da ditadura virou um político importante. A produção da telenovela aguardou o sinal verde da assessoria da Presidente da República Dilma Roussef, a qual também tem forte identificação com o período político, a mesma negou. Muitos políticos ou apoiadores da causa, na época, negaram dar depoimento, alegando ter medo de que mudem o que falaram na edição do vídeo:

Outras mídias

A telenovela Amor e Revolução está disponível no aplicativo de streaming SBT vídeos, desde 2020 com seus 204 capítulos da exibição original.

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Música

Laércio Ferreira é o diretor musical da novela. e a capa é estampada com os protagonistas Graziela Schmitt e Claudio Lins A trilha conta com grandes nomes da MPB, com músicas que protestam a ditadura militar.

Outras canções

Algumas canções que tocam ao decorrer da novela que não foram incluídas na trilha sonora oficial, lançada em compact disc. Mas ambas canções podem estar no volume de número dois da trilha sonora, que poderá ser lançado em breve.

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Repercussão

Imagem: Hugo Gamelas · BY-NC-ND · Openverse

Recepção da crítica

O jornalista e crítico Leonardo Ferreira do jornal-site Extra começou elogiando a abertura da trama, dizendo: "O melhor momento do primeiro capítulo [...] ficou para o fim: a abertura. Ao som de "Roda viva", de Chico Buarque, ela mostra jornalistas, estudantes e outros personagens sumindo em cena, numa alusão aos desaparecidos ou capturados pelo regime militar.", o mesmo crítico, diz que o maior pecado do capítulo foi a direção, e diz que as atuação ainda não são julgáveis, mas destacou as atrizes Patrícia de Sabrit e Gabriela Alves como as melhores. O crítico Mauricio Stycer, do site UOL, disse que a produção era "Uma boa novela", comentou sobre o depoimento final "Essa posição ficou explícita no final do primeiro capítulo, encerrado com o emocionado depoimento da ex-presa política Maria Amélia Teles, cujos filhos, então crianças, a viram ser torturada. Foi o momento mais impressionante em um capítulo frouxo, que deixou no ar a dúvida se “Amor e Revolução” será capaz, mesmo com todo o vento a seu favor, de seduzir o público." Mauricio acabou a crítica dizendo "O primeiro capítulo de “Amor e Revolução” foi, enfim, frustrante. Um tema ótimo, num bom momento, não é o suficiente para segurar uma novela."

Audiência

A direção colocou como meta 10 pontos de audiência, uma vez que o autor vinha de bons trabalhos na RecordTV que chegaram a 20 pontos – como Prova de Amor e Caminhos do Coração. A estreia marcou 7 pontos com picos de 9, ficando em terceiro lugar atrás de Tapas e Beijos na Rede Globo com 19,2 e de Ribeirão do Tempo na RecordTV com 12,9, porém representando um aumento de três pontos em relação ao primeiro capítulo da última telenovela inédita da emissora, Uma Rosa com Amor. Logo na primeira semana a trama começou a cair na audiência e passou a marcar entre 4 e 5 pontos. Em maio, no entanto, a trama já marcava apenas 3 pontos. A expectativa da direção era de que o beijo entre as personagens Marcela e Marina conseguisse finalmente atingir o segundo lugar, porém o capítulo atingiu apenas 6 pontos com picos de 9, ficando em quarto lugar atrás da Rede Globo, RecordTV e Band.

Beijo lésbico

"A relação das duas até causa estranhamento porque é nos anos 60. Mas hoje em dia não há motivos para se chocar. É preciso começar a tratar os gays de forma natural porque não há nada de anormal em relação a eles. Não tem mais porque ter medo de mostrar." A cena do beijo entre as personagens Marcela e Marina foi erroneamente tratada como a primeira da história da teledramaturgia brasileira. No entanto, o real primeiro beijo entre duas pessoas do mesmo sexo ocorreu entre Vida Alves e Geórgia Gomide no episódio "Calúnia", do seriado TV de Vanguarda, na TV Tupi, em 1963. Em 1990, 27 anos depois, também foi exibido o primeiro beijo entre dois homens, entre Raí Alves e Daniel Barcellos, na minissérie Mãe de Santo, exibida pela Rede Manchete. A cena em Amor e Revolução foi exibida no dia 12 de maio de 2011 e teve boa repercussão nas redes sociais, além de dobrar a audiência naquele capítulo dos demais dias, atingindo 6 pontos com picos de 9.

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Controvérsias

Imagem: Hugo Gamelas · BY-NC-ND · Openverse

Semelhanças com a vida real

Após divulgados alguns perfis dos personagens, foram especuladas coincidências entre a vida real e a ficção. Políticos que lutaram contra a ditadura militar poderiam estar sendo adaptados e usados nos perfis das personagens. Após a evidência da história de Dilma Rousseff, que lutou contra a ditadura militar, houve especulações que a protagonista da próxima novela de Tiago seria inspirada na história da presidente, desde já, Tiago nega a inspiração e deixa claro que qualquer personagem que tenha semelhança a vida real de qualquer pessoa é uma mera coincidência.

Reação dos militares

Logo após a estreia, um grupo de militares pediu o fim da exibição da novela ao Ministério Público Federal através de um abaixo-assinado apresentado pelo Portal Militar, por não concordarem com o que estava sendo exibido. Em 18 de abril, o pedido foi arquivado. O autor do abaixo-assinado é José Luiz Dalla Vecchia, membro da diretoria da Associação Beneficente dos Militares Inativos da Aeronáutica (ABMIGAer). O documento acusa o governo federal de ter feito um acordo com o SBT para facilitar a aprovação da Comissão Nacional da Verdade, em troca de anular a dívida do Banco Panamericano, de Silvio Santos, dono da emissora. Texto do abaixo-assinado: Diante de o Governo Federal através da Comissão da Verdade, recém criada, estar, como tudo indica, participando do acordo em exibir a novela “Amor e Revolução” no SBT (trata-se de um acordo firmado com o empresário Silvio Santos, visando o saneamento do “Banco Panamericano” do próprio empresário, envolvido em escândalo no sistema financeiro nacional). Sendo assim, o efetivo das Forças Armafas, tanto da ativa como inativos e pensionistas, vêm respeitosamente através desse abaixo-assinado, como um instrumento democrático, solicitar do digno Ministério Público Federal, representado acima, providências em defesa da normalidade constitucional, vista o cumprimenro da lei de anistia existente, conforme já decidiu o Supremo Tribunal Federal. Nestes termos pede deferimento em caráter urgentíssimo.

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Fontes consultadas

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