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Serra Leoa

A Serra Leoa, oficialmente República da Serra Leoa, é um país da África Ocidental. É delimitada pela Guiné a norte e nordeste, pela Libéria a sudeste, e pelo Oceano Atlântico a sudoeste. Abrange uma área total de 71 740 km² e sua população em 2021 era estimada em 6,8 milhões de habitantes. O país tem um clima tropical, com um ambiente diversificado variando de savana para florestas tropicais. É uma república constitucional que compreende quatro províncias, tendo Freetown como capital e outras cidades notáveis como Bo, Kenema, Koidu e Makeni. O país abriga a universidade mais antiga da África Ocidental, Fourah Bay College, fundada em 1827, além de possuir o terceiro maior porto natural do mundo.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 22/06/2026
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Etimologia

Originalmente, o nome do país é atribuído à passagem do explorador português Pedro de Sintra pelo território da África Ocidental, ocorrida em 1462. Com este nome, Sintra referia-se à toda região montanhosa situada ao sul de Freetown, hoje conhecida como Montanhas do Leão. Pouco após a passagem do explorador pela região, este nome passou a ser usado como topônimo para identificar todo o litoral da atual área ocidental de África. Conforme o cosmógrafo e militar português Duarte Pacheco Pereira, Pedro de Sintra denominou a região com esta identificação considerando a paisagem serrana, que lhe parecia "agreste e selvagem", e ele metaforicamente a associava a um leão. Ainda que a origem do nome seja atribuída a Pedro de Sintra, esta informação já foi contestada. Segundo o historiador serra-leonês Cecil Magbaily Fyle, o nome do país é oriundo da denominação dada por outro explorador português desconhecido, ainda antes de 1462, com Sintra tendo sido responsável apenas pela documentação do território em um mapa de navegação. Outra passagem, atribuída a Luís de Cadamosto, afirma que um grupo de portugueses, durante as trovoadas, ouviram trovões "rugindo como um leão, vindo da montanha, com o vento soprando da montanha para o mar", daí a razão pela qual nomearam a região com este nome.

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História

Em sua história recente, o país enfrentou uma epidemia provocada pelo vírus Ebola entre 2014 e 2016. A epidemia teve um impacto significativo no país, levando Serra Leoa a declarar estado de emergência e a adoção de uma quarentena nacional de três dias, chamada de Ouse to Ouse Tock. Em 16 de março de 2016, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a nação livre do vírus ebola. Nos últimos anos, a política do país tem se mantido estável. Eleições livres e multipartidárias, supervisionadas por entidades internacionais, tem sido realizadas desde o fim da guerra civil. As ações e os crimes de guerra registrados durante a guerra civil foram julgados em um Tribunal Especial, cuja atuação recebeu apoio da ONU. Entre as deliberações do Tribunal Especial, estão a condenação do ex-presidente liberiano Charles Taylor, por sua intervenção nos acontecimentos na Serra Leoa e a suspensão do embargo de armas ao país. A Serra Leoa também teve boa parte de sua dívida externa perdoada por credores internacionais.

Período pré-colonial

Achados arqueológicos mostram que Serra Leoa foi habitada continuamente por pelo menos 2 500 anos, absorvendo sucessivas ondas migratórias provenientes de outras partes de África. O uso do ferro veio a ser introduzido na região por volta do século IX e a agricultura passou a ser praticada por tribos do litoral por volta do ano 1000. Com o tempo, o clima transmudou consideravelmente, alterando limites entre diferentes zonas ecológicas e afetando a migração e a conquista da região. Com base na historiografia tradicional, conclui-se que os habitantes viveram com vários conquistadores sucessivos. No entanto, de acordo com estudos linguísticos, os povos sherbros, timenés e limbas têm suas vivências, nas áreas costeiras, registradas há muito tempo. Além disso, povos falantes de línguas mandês, como os mendés, vais e lokos, também tiveram suas longínquas vivências na região exaradas.

Contato europeu

A Serra Leoa foi uma das primeiras nações de África Ocidental a ter contato com os povos europeus no século XV. Pedro de Sintra, explorador português, mapeou as colinas onde agora está situado o porto de Freetown, em 1462, acabando por influenciar em sua etimologia. A tradução, na língua espanhola, desta formação geográfica atribuída a Sintra tornou-se conhecida como "Serra Leoa". Mais tarde, esta tradução foi adaptada e, com erros ortográficos, tornou-se o nome atual do país. Logo após a expedição de Sintra, os comerciantes portugueses chegaram ao porto. Em 1495, eles construíram um posto comercial fortificado na costa. Exploradores ligados à República dos Países Baixos e ao Reino da França também estabeleceram comércio na região. Inicialmente, o ouro e o marfim eram o principal atrativo dos portugueses, neerlandeses e franceses, sendo comercializados em particular. Entretanto, a partir da década de 1550, os escravos se tornaram o principal interesse dos europeus, com cada uma destas nações utilizando Serra Leoa como um ponto estratégico para o comércio de escravos. Muitos destes escravos eram trazidos por comerciantes africanos de áreas interioranas que passavam por guerras e conflitos por território. Em 1562, o Reino da Inglaterra iniciou o Comércio Triangular, momento no qual se obteve o registro de que o almirante Sir John Hawkins, da Marinha Real Britânica, transportou trezentos escravos africanos - adquiridos "pela espada e em parte por outros meios" - para a colônia espanhola de Santo Domingo, em Hispaniola, para a área do Mar do Caribe, para as ilhas das Índias Ocidentais e para outras regiões das novas colônias da América, onde ele os vendeu.

Período colonial

No final do século XVIII, época marcada pela conquista da independência pelos Estados Unidos, muitos afro-americanos em situação de escravatura reivindicaram a proteção da Coroa Britânica. Havia milhares de lealistas negros - pessoas de ascendência africana que se juntaram às forças militares britânicas durante a Guerra Revolucionária Americana. Muitos desses lealistas foram escravos que escaparam para se juntar aos britânicos, atraídos por promessas de liberdade (emancipação). A documentação oficial, conhecida como Livro dos Negros, cataloga milhares de escravos libertos que os britânicos evacuaram dos Estados Unidos e reassentaram em colônias existentes em outras partes da América do Norte Britânica (do norte ao Canadá ao sul das Índias Ocidentais), com outros passando a viver na própria Inglaterra.

Independência

Em 1951, líderes do protetorado de diferentes grupos, incluindo Sir Milton Margai, Lamina Sankoh, Siaka Stevens, John Karefa-Smart, Sir Albert Margai, Amadu Wurie e Sir Banja Tejan-Sie se juntaram aos poderosos chefes supremos no protetorado para formar o Partido Popular da Serra Leoa (SLPP), principal organização político-partidária do protetorado. Liderado por Sir Milton Margai, o SLPP negociou com os britânicos e a colônia dominada pelos Krios, visando alcançar a independência. A elite do protetorado foi instada a unir forças com os chefes supremos, em face da intransigência dos krios. Posteriormente, Sir Milton Margai venceu os líderes da oposição e os krios tidos como moderados, para alcançar a independência do Reino Unido. Em novembro de 1951, Margai supervisionou a elaboração de uma nova constituição, responsável por unir as legislaturas separadas da Colônia e do Protetorado e forneceu uma estrutura para a descolonização. Dois anos após, em 1953, Serra Leoa recebeu poderes ministeriais locais, com Margai sendo eleito ministro-chefe da Serra Leoa. A nova constituição garantiu ao país um sistema parlamentar dentro da Comunidade das Nações. Em maio de 1957, Serra Leoa realizou sua primeira eleição parlamentar. O SLPP, que era então o partido político mais popular na colônia da Serra Leoa, além de ser apoiado pelos poderosos chefes supremos nas províncias, ganhou a maioria dos assentos no Parlamento e Margai foi reeleito Ministro-Chefe com uma vitória esmagadora.

Golpes militares e unipartidarismo

As eleições nacionais de 1967, ainda que fortemente contestadas, deu ao Congresso de Todo o Povo (APC) uma pequena maioria no parlamento. Como resultado, o líder do partido, Siaka Stevens, foi empossado como primeiro-ministro em 21 de março de 1967. Poucas horas após assumir o cargo, Stevens foi deposto em um golpe militar sem derramamento de sangue, liderado pelo general David Lansana, comandante das Forças Armadas da Serra Leoa. Ele era um aliado próximo de Albert Margai, que o havia nomeado para o cargo em 1964. David Lansana colocou Stevens em prisão domiciliar em Freetown e insistiu que a determinação deste como primeiro-ministro deveria aguardar a eleição dos representantes tribais para a Câmara. Após sua libertação, Stevens foi para o exílio na Guiné.

Guerra Civil (1991-2002)

Em outubro de 1990, devido à crescente pressão dentro e fora do país por reformas políticas e econômicas, o presidente Momoh criou uma comissão de revisão constitucional para avaliar a constituição unipartidária de 1978. Com base nas recomendações da comissão, o sistema multipartidário foi restabelecido, o que se deu mediante a aprovação de uma nova constituição pelo parlamento, que entrou em vigor em outubro de 1991. A brutal guerra civil que estava ocorrendo na vizinha Libéria desempenhou um papel significativo no início dos combates na Serra Leoa. Especula-se que Charles Taylor, então líder da Frente Patriótica Nacional da Libéria (FPNL), teria ajudado a formar a Frente Revolucionária Unida (FRU) na Serra Leoa, sob o comando de Foday Saybana Sankoh, ex-militar que havia sido preso em 1970. Foday Sankoh havia passado por treinamento de guerrilha na Líbia. Taylor objetivava que o FRU atacasse as bases das tropas de manutenção da paz dominadas pela Nigéria na Serra Leoa, que se opunham ao seu movimento rebelde na Libéria. O primeiro ataque da Frente Revolucionária Unida (FRU) deu-se em 23 de março de 1991, em Kailahun, um distrito ao leste, rica em diamantes. O governo da Serra Leoa, que passava por sérios problemas econômicos e de corrupção, foi incapaz de oferecer uma resistência significativa. Após um mês de guerra civil, a FRU controlava grande parte das províncias do leste, ricas em diamantes. Desde o início, o recrutamento de meninos-soldados foi uma das estratégias dos rebeldes.

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Geografia

Serra Leoa está localizada na costa oeste de África, situada principalmente entre as latitudes 7° e 10° N (a pequena área fica ao sul do 7°) e longitudes 10° e 14° W. A área total é de 71 740 km², sendo 71 620 km² de superfície terrestre e 120 km² de água, fazendo da nação a 119ª maior do mundo em área territorial. O país tem quatro regiões geográficas distintas. No leste predomina o planalto, intercalado com altas montanhas, onde o Monte Bintumani - ponto mais elevado do país - atinge 1.948 metros. A parte superior da bacia de drenagem do rio Moa está localizado no sul da região. Seu território é abrangido por um único fuso horário, sendo este o UTC+0. O país faz fronteira com a Guiné ao norte e nordeste, a Libéria ao sul e sudeste e o Oceano Atlântico a oeste. Seus maiores limites fronteiriços são com a Guiné (794 quilômetros), seguido do Oceano Atlântico e Libéria, com 402 e 299 quilômetros, respectivamente.

Topografia

O centro do país é uma região de planícies de baixa altitude, que contêm florestas, matas, bush e campos agrícolas, que ocupa cerca de 43% da área terrestre da Serra Leoa. A parte norte desta foi classificada pelo World Wildlife Fund, como parte da ecorregião guineense mosaico floresta-savana, enquanto o sul é dominado por planícies florestadas de chuva e terra. Serra Leoa tem cerca de 400 quilômetros de limites com o Oceano Atlântico, dando-lhe recursos marinhos abundantes e um potencial turístico. A costa litorânea tem áreas de baixa altitude e pântano. A região que encobre a capital do país fica em uma península costeira, situada ao lado do Porto Nacional da Serra Leoa.

Clima

O clima presente na Serra Leoa é o tropical, que pode ser registrado como um clima tropical de monções. O território do país também os efeitos dos climas equatorial e tropical de savana, dada sua proximidade geográfica com países e territórios dominados por estes tempos meteorológicos. Por conta disto, há o posicionamento de que o clima tropical existente na Serra Leoa pode ser descrito como uma transição entre um clima de floresta tropical continuamente úmido e um clima de savana tropical. Existem duas estações definidas bem definidas, que determinam o ciclo agrícola: estação seca, de novembro a maio, quando ventos frescos e secos sopram do Deserto do Saara; e estação chuvosa, de junho a outubro. Dezembro e janeiro são os meses mais frios do ano, embora as temperaturas ainda possam ultrapassar os 40° C, a umidade relativamente baixa a moderada torna o calor nesta época do ano mais tolerável. Por outro lado, março e abril são tidos como os meses com maior influência da estação seca, com temperaturas em torno de 33° C a 36° C, além de uma umidade sólida de 50%, tornando o índice de calor superior à temperatura real. A temperatura mínima média é de 16° C e a máxima média é de 36° C, sendo que a temperatura média fica em torno de 26° C.

Meio ambiente e biodiversidade

Até 2002, a Serra Leoa não dispunha de um sistema de manejo florestal devido à guerra civil que causou dezenas de milhares de mortes. As taxas de desmatamento aumentaram 7,3% desde o fim da guerra civil. Por força de lei, desde 2003 há 55 áreas protegidas, encobrindo 4,5% do território serra-leonês. O país tem 2 090 espécies conhecidas de plantas superiores, 147 mamíferos, 626 aves, 67 répteis, 35 anfíbios e 99 espécies de peixes. A Fundação para a Justiça Ambiental documentou que o número de pescas ilegais em navios nas águas serra-leonesas se multiplicaram nos últimos anos. A quantidade de pesca ilegal tem empobrecido significativamente unidades populacionais de peixes, privando as comunidades piscatórias locais de um importante recurso para a sobrevivência. A situação é particularmente grave, uma vez que a pesca constitui a única fonte de renda para muitas comunidades em um país que ainda se recupera de mais de uma década de guerra civil.

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Demografia

A população da Serra Leoa, conforme dados do Worldometer em 2021, era de 8 144 924 habitantes (111 habitantes por quilômetro quadrado), com 43,3% da população definida como urbana. A densidade populacional varia muito, segundo a região. O West Area Urban, incluindo Freetown, a capital e maior cidade, tem uma densidade populacional de 1 224 pessoas por quilômetro quadrado, enquanto que o maior distrito em área territorial, Koinadugu, tem uma densidade baixa, de 21,4 pessoas por quilômetro quadrado. O país possui uma taxa de crescimento populacional de 2,216% ao ano (2015). A população do país é majoritariamente jovem, com a idade média sendo de 19,4 anos. Como resultado da migração para as cidades, a população está cada vez mais urbana, com uma taxa estimada de crescimento da urbanização de 2,9% ao ano. De acordo com a Pesquisa Mundial de Refugiados de 2008, publicado pelo Comitê dos Estados Unidos para Refugiados e Imigrantes, Serra Leoa registrou 8 700 refugiados e requerentes de asilo, no final de 2007. Cerca de 20 000 refugiados liberianos retornaram voluntariamente à Libéria, ao longo de 2007. Dos restantes refugiados na Serra Leoa, quase todos eram liberianos. O país tem sido uma fonte e um destino notável de refugiados, uma vez que a guerra civil deslocou internamente cerca de 2 milhões de pessoas, com quase 0,5 milhão buscando refúgio em nações vizinhas (370 000 serra-leoneses fugiram para a Guiné e 120 000 para a Libéria).

Composição étnica e urbanização

Segundo dados de 2019 da Central Intelligence Agency (CIA), a maioria dos serra-leoneses são pertencentes aos grupos étnicos Temne (35,4% da população) e Mende 30,8% (da população), existindo ainda minorias étnicas como os Limba (8,8%), Kono (4,3%), Korankoh (4%), Fullah (3,8%), Mandingo (2,8%) e Loko e Sherbro, com 2% e 1,9% da população, respectivamente. Descendentes de escravos jamaicanos libertos, que se estabeleceram na região de Freetown no final do século XVIII, são conhecidos no país como krios, consistindo em 1,2% da população. Outros 5% integram outros grupos étnicos. As estimativas mais recentes indicam que os maiores aglomerados urbanos da Serra Leoa são a capital, Freetown (800,6 mil habitantes), Bo (174,3 mil), Kenema (143,1 mil), Koidu (124,6 mil) e Makeni (87,6 mil).

Religiões

Ao contrário de outros países africanos, os conflitos religiosos e étnicos na Serra Leoa são muito raros, devido a relação geralmente amigável entre as religiões na sociedade serra-leonesa, que contribuiu para a liberdade religiosa. A constituição do país garante a liberdade democrática na fé, em particular, o governo defende a disposição, e reage fortemente à natureza religiosa de abusos discriminatórios. Não há dados confiáveis sobre o número exato dos que praticam grandes religiões no país. No entanto, a maioria das fontes estimam que a população é de 60% de muçulmanos, 30% cristã, e 10% dos praticantes de religiões tradicionais indígenas e tribais. Não há informações sobre o número de ateus no país. Existem ainda muitas práticas sincréticas, e até 20% da população pratica uma mistura de islamismo com as religiões tradicionais indígenas e o cristianismo. Historicamente, a maior parte da população muçulmana concentra-se nas áreas ao norte do país, enquanto os cristãos se localizam majoritariamente no sul, sendo comum o casamento interreligioso. No entanto, a guerra civil de onze anos resultou em grandes movimentações populacionais.

Idiomas

O inglês é a língua oficial, ensinada nas escolas e usada nas instituições públicas, governo, comércio e na mídia. O krio (derivado do inglês e de várias línguas tribais africanas) é a língua do povo krio, sendo a língua mais falada em praticamente todas as partes da Serra Leoa. O krio é falado por mais de 90% da população do país, e une todos os diferentes grupos étnicos, especialmente no comércio e nas interações uns com os outros. Existem também outras línguas, com o mende, limba e temne sendo as mais faladas.

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Governo e política

O Parlamento da Serra Leoa é unicameral, com 124 assentos, sendo que cada um dos catorze distritos (sendo 12 distritos rurais, e a capital, Freetown, dividida em dois distritos) do país tem sua representação. 112 membros são eleitos simultaneamente às eleições presidenciais, e outros 12 assentos são ocupados por chefes supremos de cada um dos 12 distritos administrativos do país. O parlamento atual é composto de três partidos políticos: O Congresso de Todo o Povo (APC) ganhou 59 dos 112 assentos parlamentares; o Partido Popular da Serra Leoa (SLPP) ganhou 43 assentos; e o Movimento Popular para a Mudança Democrática (PMDC) ocupou 10 assentos. Para ser candidato a membro do Parlamento, a pessoa deve ser um cidadão serra-leonês, ter pelo menos 21 anos de idade, e ser capaz de falar, ler e escrever o inglês num grau de proficiência que lhe permita participar ativamente nos processos no Parlamento; e não deve ter qualquer condenação criminal.

Crime, aplicação da lei e direitos humanos

A aplicação da lei é principalmente da responsabilidade da Polícia da Serra Leoa que, por sua vez, é subordinada ao Ministério de Assuntos Internos. A Polícia da Serra Leoa foi estruturada pela colônia britânica em 1894, consistindo numa das forças policiais mais antigas da África Ocidental, e positivada na constituição da nação. Sua estrutura é voltada para a prevenção de crimes, proteção da vida e da propriedade, identificar e investigar criminosos, garantir a manutenção da ordem pública e da segurança e proteção e melhoramento do acesso à justiça. A polícia é chefiada pelo Inspetor-Geral da Polícia, cuja nomeação dar-se-á pelo presidente do país, com Ambrose Sovula atualmente no cargo. É dividida internamente em seis distritos policiais: Freetown Oeste, Freetown Leste, Noroeste, Nordeste, Sul e Leste, com um número total de cerca de 12 000 membros.

Forças armadas

As Forças Armadas da República da Serra Leoa (RSLAF, na sigla em inglês), são as forças armadas unificadas, responsáveis ​​pela segurança territorial da fronteira da Serra Leoa e pela defesa dos interesses nacionais no âmbito das suas obrigações internacionais. As forças armadas foram formadas após a independência em 1961, com base em elementos da antiga Força Real Britânica da Fronteira Ocidental da África, presente no país. As Forças Armadas da Serra Leoa consistem em cerca de 15.500 efetivos, compreendendo-se pelo Exército da Serra Leoa, Marinha da Serra Leoa e a Ala Aérea da Serra Leoa. O Presidente da Serra Leoa é o Comandante em chefe das Forças Armadas, sendo o Ministro da Defesa responsável pela política de defesa e pela formulação das Forças Armadas. O atual Ministro da Defesa do país é o major Alfred Paolo Conteh. Os militares da Serra Leoa também têm um Chefe do Estado-Maior de Defesa, um oficial militar uniformizado, responsável pela administração e controle operacional dos militares.

Política externa

O Ministério de Relações Exteriores e Cooperação Internacional da Serra Leoa é o órgão responsável pela política externa do país. A nação tem relações diplomáticas estabelecidas com países como Reino Unido, China, Rússia, Israel e Quênia. O governo mantém um total de 16 embaixadas e altas comissões em todo o mundo. Serra Leoa tem boas relações com o Ocidente, incluindo os Estados Unidos, e manteve laços históricos com o Reino Unido e outras ex-colônias britânicas por ser membro da Commonwealth. O Reino Unido desempenhou um papel importante no fornecimento de ajuda à ex-colônia, juntamente com ajuda administrativa e treinamento militar, ao momento em que interveio para encerrar a Guerra Civil em 2000. As relações da Serra Leoa com o Brasil e Portugal também são cordiais, sendo que o Brasil proveu uma doação de R$ 25 milhões a agências da ONU para o combate ao vírus ebola no país em 2014.

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Subdivisões

A República da Serra Leoa é composta por cinco regiões: Província do Norte, Província do Noroeste, Província do Sul, Província do Leste e a Área do Oeste, sendo que esta última abrange a capital do país, Freetown, e possui status de província. Estas quatro províncias e a Área do Oeste são consideradas subdivisões de primeiro nível. As províncias são divididas em distritos provinciais, os quais são considerados subdivisões de segundo nível. Há 16 distritos provinciais no país. Os distritos provinciais, por sua vez, estão divididos em 186 chefias, tradicionalmente lideradas por chefes supremos, reconhecidos pela administração britânica em 1896 na altura da organização do Protectorado da Serra Leoa. No contexto da governança local, os distritos são governados como localidades. Cada um tem um conselho distrital local eleito diretamente para exercer autoridade e realizar funções em nível local. No total, há dezenove conselhos locais e treze conselhos distritais, um para cada um dos doze distritos e um para a Área Rural Ocidental. Seis cidades também elegem conselhos locais. Os seis municípios incluem Freetown - que funciona como governo local para o Distrito Urbano da Área Ocidental - Bo, Bonthe, Kenema, Koidu e Makeni.

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Economia

Serra Leoa detém uma economia de mercado relativamente aberta, sendo tida como a 157ª maior do mundo, com um PIB PPC de US$ 13,425 bilhões em 2019. Em termos de PIB per capita, o país apresenta um total de US$ 1 718 (estimativa de 2019), um dos índices mais baixos do mundo, caracterizando-o como extremamente pobre no sentido econômico. Conforme dados da Central Intelligence Agency, em 2017 a taxa de crescimento real do PIB foi de 3,7%, com a inflação atingindo 14,8% em 2019. Os Relatórios de Desenvolvimento Humano, do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas, apontam que o investimento estrangeiro direto corresponderam a 5,3% do PIB em 2019 e que apenas 15,2% da mão de obra do país é qualificada, considerando-se a população acima de quinze anos de idade. A moeda é o leone. O banco central é o Banco da Serra Leoa. O país opera uma flutuação da taxa de câmbio do sistema, e moedas estrangeiras podem ser trocadas em qualquer um dos bancos comerciais, de câmbio reconhecido. O uso do cartão de crédito é limitado, utilizado, sobretudo, no turismo. O desemprego é alto, principalmente entre os jovens.

Turismo

O setor de turismo no país é administrado pelo Ministério do Turismo e Assuntos Culturais. Trata-se de um setor pouco explorado economicamente, de modo que pouco contribui para a economia serra-leonesa. De acordo com a Organização Internacional do Trabalho, aproximadamente 8 000 serra-leoneses estão empregados na indústria do turismo. O ponto de entrada principal é o Aeroporto Internacional de Freetown, com as principais atrações turísticas consistindo em praias, reservas naturais e montanhas.

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Infraestrutura

Educação

O sistema educacional serra-leonês é dividido em quatro estágios: educação primária com duração de seis anos, educação secundária júnior de três anos, três anos de educação secundária sênior ou educação vocacional técnica e quatro anos de universidade ou outra educação superior. A educação no país é legalmente obrigatória para todas as crianças a partir dos três anos de idade, no nível primário, e de seis anos de idade no ensino secundário geral. Entretanto, a falta de escolas e professores no país tem resultado numa educação desigual. O analfabetismo atinge aproximadamente dois terços da população adulta do país. Durante a guerra civil que desolou o país, 1 270 escolas primárias foram destruídas, o que resultou em 67% de crianças em idade escolar vivendo fora das instituições de ensino. Desde então, a educação tem atingido resultados consideráveis nos últimos anos, com a duplicação das matrículas nas escolas primárias entre 2001 e 2005, e a reconstrução de muitas escolas, desde o fim da guerra. Os estudantes de escolas primárias possuem geralmente, idades entre 6 a 12 anos, e nas escolas secundárias, a idade escolar varia entre 13 a 18 anos. A educação primária, para além de obrigatória, é oferecida em escolas públicas situadas em todas as regiões do país. Em 2007, os distritos de Kenema e Tonkolili eram os que possuíam o maior número de escolas primárias estruturadas, com 559 e 489, respectivamente.

Saúde

A saúde é de responsabilidade do poder público, sendo gerida em âmbito nacional pelo Ministério da Saúde. Desde abril de 2010, o governo instituiu a Iniciativa Unidade Livre de Saúde, que se compromete a fornecer serviços gratuitos para mulheres grávidas e lactantes, além de crianças menores de 5 anos. Esta política tem sido apoiada pelo Reino Unido e é reconhecido como um movimento progressivo que outros países africanos poderão seguir. Cerca de 16,1% do PIB nacional é voltado para despesas e investimentos em saúde pública, o que se revela a maior porcentagem entre os países da África Subsaariana. A expectativa de vida ao nascer é estimada em 60,19 anos em 2021, fazendo do país a 218ª nação no quesito expectativa de vida. No geral, as mulheres serra-leonesas vivem em torno de 5,49 anos a mais que os homens serra-leoneses.

Energia

Serra Leoa é o 188º maior consumidor da energia do planeta. Entre as nações africanas, apenas o Chade, República Centro-Africana, São Tomé e Príncipe e Comores consomem menos energia que o país. A matriz energética serra-leonesa é baseada em fontes renováveis, sobretudo a energia hidrelétrica. A produção de energia a partir de fontes não renováveis também é significativa, especialmente no interior do país. Entretanto, a utilização de fontes não renováveis como o petróleo e o gás natural, na produção de energia, é praticamente inexistente. Após a Guerra Civil, a infraestrutura do país estava em más condições e falhas de energia eram comuns. Em 2019, cerca de 26% da população serra-leonesa tinha acesso à eletricidade. Na área urbana, o acesso à eletricidade é maior que na área rural, com 52% e 6%, respectivamente. Dos habitantes atendidos por energia elétrica, 10% ficavam na capital Freetown e os 90% restantes do país usavam 2% da eletricidade nacional. A maioria da população depende de combustíveis de biomassa para sua sobrevivência diária, com lenha e carvão usados ​​mais prevalentemente, cerca de 23% da capacidade instalada total. A conclusão da primeira fase da Usina Hidrelétrica de Bumbuna II, em 2009, e a conclusão de duas grandes usinas movidas a diesel - com apoio estrangeiro - em 2010 e 2011 melhoraram significativamente o fornecimento de eletricidade.

Transportes

Existem vários sistemas de transporte na Serra Leoa, que tem uma infraestrutura rodoviária, aérea e aquática, incluindo uma rede de rodovias e vários aeroportos. Existem 11 300 quilômetros de rodovias na Serra Leoa, dos quais apenas 904 quilômetros são pavimentados (cerca de 8% das estradas). As estradas da Serra Leoa ligam o país a Conacri e Monróvia, na Guiné e Libéria, respectivamente. Serra Leoa possui o maior porto natural do continente africano, permitindo o transporte marítimo internacional através do Queen Elizabeth II Quay, na área de Cline Town, no leste de Freetown, ou através do Government Wharf, no centro de Freetown. Existem 800 quilômetros de canais na Serra Leoa, dos quais 600 quilômetros são navegáveis ​​durante todo o ano. As principais cidades portuárias são, além da capital do país, Bonthe, na Ilha Sherbro, e Pepel.

Mídia e comunicações

Os meios de comunicação na Serra Leoa começaram com a introdução da primeira prensa móvel da África no início do século XIX. Uma forte tradição jornalística desenvolveu-se com a criação de alguns jornais. Na década de 1860, o país tornou-se um centro do jornalismo da África, com profissionais que viajavam ao país de todos os lugares do continente. Ao fim do século XIX, a indústria entrou em declínio e quando o rádio foi introduzido na década de 1930, ele tornou-se o meio de comunicação principal do país. O Serviço de Transmissão da Serra Leoa (SLBS) foi criado pelo governo em 1934, tornando-se a primeira emissora de rádio em língua inglesa do oeste da África. Em 1963 o SLBS iniciou a transmissão para TV, alcançando todos os distritos do país em 1978.

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Cultura

Música e dança

As formas tradicionais de música folclórica são populares no interior da Serra Leoa, mas a música popular ocidental também tomou conta das cidades do país. Muitos instrumentos musicais são comuns a muitas nações. Entre estes, destaca-se o tambor Sangbai, também conhecido como yimbei e jimberu pelos povos Koranko e Fula, respectivamente. Ele é encontrado em todo o país e acaba por assumir várias formas, sendo utilizado por muitos grupos étnicos. Trata-se de um tambor de madeira, tocado com as mãos e equipado com uma extensão de chocalho. Outros instrumentos musicais notáveis encontrados em Serra Leoa incluem o Bundu, o Bote e o Drum. O Bundu é um tambor cilíndrico de madeira manipulado pelas mulheres sandes, uma sociedade de iniciação feminina. O Bote também é um tambor, porém, em forma de tigela e tocado por uma vara, estando associado aos Sossos. Já o Drum é uma baqueta compilada na forma da letra L, utilizada para bater tambores.

Literatura

A literatura serra-leonesa tem como pano de fundo a história do povo, a situação socioeconômica, a natureza e os valores tradicionais. Embora o país tenha uma rica tradição oral, a ficção escrita não se desenvolveu de fato até o século XX. No entanto, algumas obras literárias já apareceram no século XIX, como os livros e panfletos de Africanus Horton e uma obra sobre a história da ABC Sibthorpe na Serra Leoa. Até pouco antes da independência, a literatura era acessada principalmente por meio de jornais impressos, com destaque para o Weekly News, que disponibilizava uma ampla seção literária, especialmente aquelas oriundas do mundo ocidental. Os primeiros escritores serra-leoneses conhecidos na contemporaneidade foram Adelaide Casely-Hayford, que foi uma das primeiras poetisas a tratar sobre a África subsaariana e a sociedade serra-leonesa em seus poemas, além de George Crispin e Jacon Stanley Davi. Em meados da década de 1950, Thomas Decker promoveu o uso da linguagem krio na literatura nacional, compilando poemas folclóricos, traduzindo obras de Shakespeare para o krio e publicando seus próprios poemas e peças. Dada sua iniciativa, a literatura em língua krio começou a se espalhar.

Artes visuais

Historicamente, a arte visual serra-leonesa consistia em artesanato. Máscaras de madeira com figuras humanas ou de animais costumam ser feitas para várias danças. Um ornamento típico é uma máscara alongada de cômoros com um penteado alto ornamentado e vários colares. As esculturas de marfim são especialmente populares entre os sherbros (também chamados de bollons) e os temnes que habitam a costa litorânea e partes do norte do país. Esculturas serra-leonesas conhecidas também incluem figuras humanas feitas de pedra-sabão chamada nomoli. Elas são usadas ​​em rituais locais voltados a uma boa colheita, mas no passado provavelmente eram usadas ​​na adoração dos mortos e em rituais de fertilidade.

Culinária

O arroz é o alimento básico na Serra Leoa e é consumido em praticamente todas as refeições diárias. O arroz é preparado de várias maneiras, e coberto com uma variedade de molhos feitos a partir de alguns recheios, feitos de folhas de batata, folhas de mandioca, corchorus, sopa de quiabo, peixe frito e ensopado de amendoim. Ao longo das ruas das vilas e cidades de toda a Serra Leoa, encontram-se alimentos compostos por frutas e vegetais, entre os quais mangas, laranjas, abacaxis, bananas, cerveja de gengibre, batata e mandioca fritas com molho de pimenta, pão, milho assado ou espetos de carne grelhada ou camarão. A cerveja de gengibre é tipicamente uma bebida caseira não alcoólica, feita de gengibre puro e adoçada com açúcar, com cravo-da-índia e suco de lima às vezes adicionados para dar sabor. O poyo é uma bebida popular da Serra Leoa. É um vinho de palma doce, levemente fermentado, sendo encontrado em bares nas cidades e aldeias de todo o país.

Esportes

O futebol é o esporte mais popular na Serra Leoa. O país nunca participou de qualquer edição da Copa do Mundo FIFA. Em maio de 2021, o ranking mundial da FIFA classificava a Seleção de Futebol do país como a 114ª melhor do mundo. Na Copa Africana de Nações, a Serra Leoa se classificou duas vezes, mas em ambas as ocasiões não conseguiu avançar do bloco inicial.[carece de fontes?] Em 2016, as ligas de futebol do país ainda estavam se recuperando dos efeitos da epidemia de Ebola, que havia restringido os jogos nos dois anos anteriores. A Serra Leoa participou dos Jogos Olímpicos de Verão onze vezes desde 1968, mas nunca alcançou lugares de medalha. Alguns atletas no mundo nasceram ou possuem ascendência serra-leonesa, como Eunice Barber, natural de Freetown e que fugiu do país durante a guerra civil, tendo competido pela França nos eventos desportivos internacionais.

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Fontes consultadas

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