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O Barril de Amontillado

O Barril de Amontillado é um conto de Edgar Allan Poe, publicado originalmente na edição de novembro de 1846 da revista feminina Godey's Lady's Book. Na narrativa da história, que se passa na Itália durante o carnaval de um ano não especificado, Montresor é um homem imbuído do desejo de vingança em relação a um homem que ele julga tê-lo ofendido. Como muitas das histórias de Poe, e mantendo a fascinação do século XIX pelo tema, a narrativa fala sobre uma pessoa sendo enterrada viva - no caso, por emparedamento. Como em O Gato Preto e O Coração Revelador, Poe narra a história a partir do ponto de vista do assassino. Neste conto, o enfoque é dado aos fatos em si e aos condicionamentos psicológicos das personagens.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 08/07/2026
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Sinopse

Imagem: Fortimbras · BY-NC-ND · Openverse

O narrador da história, Montresor, fala a uma pessoa não especificada, que o conhece muito bem, sobre o dia em que se vingou de Fortunato (termo italiano para "afortunado"), um nobre. Revoltado em relação a muitas injúrias, e a uma em especial, Montresor planeja matar Fortunato durante o carnaval, quando Fortunato estiver bêbado e usando uma roupa de bobo da corte. Montresor atrai Fortunato para uma jornada privada de degustação de vinho, dizendo que adquiriu um barril de vinho contendo uma rara safra de amontillado. Ele propõe confirmar o conteúdo do barril convidando um amigo especialista em vinho, Luchesi, para uma degustação privada. Montresor sabe que Fortunato não irá resistir a exibir seus conhecimentos sobre vinho, e que Fortunato irá dizer que sabe mais sobre amontillado que Luchesi, que "não consegue distinguir um amontillado de um xerez". Fortunato vai com Montresor até a adega deste último, que se localiza em uma catacumba. Montresor oferece vinho (primeiro Médoc, depois De Grave) a Fortunato, com o objetivo de deixá-lo bêbado. Montresor alerta Fortunato, que tosse muito, sobre a umidade do local, e sugere que ambos vão embora, mas Fortunato insiste em ficar, alegando que "não irá morrer por causa de uma tosse". Durante a caminhada, Montresor menciona o brasão de sua família: um pé dourado sobre um fundo azul pisando uma cobra que abocanha o calcanhar do pé, com o lema nemo me impune lacessit ("ninguém me provoca e fica impune").

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História da publicação

Imagem: Fortimbras · BY-NC-ND · Openverse

"O Barril de Amontillado" foi publicado pela primeira vez na edição de novembro de 1846 da revista Godey's Lady's Book, que era, na época, o mais popular periódico dos Estados Unidos. A história só foi publicada mais uma vez durante a vida de Poe, na edição de 14 de novembro de 1846 de New England Weekly Review.

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Análise

Embora o tema da história de Poe seja um assassinato, "O Barril de Amontillado" não é uma história policial, como Os Assassinatos da Rua Morgue e A Carta Roubada; não há investigação sobre o crime de Montresor, e o próprio criminoso conta como cometeu o crime. O mistério em "O barril de amontillado" é o motivo do crime. Sem um detetive na história, é o leitor que fica encarregado de resolver o mistério. Desde o começo da história, torna-se claro que Montresor exagera quanto a suas queixas contra Fortunato, e que sua punição também é exagerada. Montresor nunca especifica seu motivo além de vagos "mil injúrias" e "quando ele ousou insultar". É fornecido algum contexto, incluindo a observação de Montresor de que sua família já foi grande, porém não é mais, e a depreciativa observação de Fortunato de que Montresor não pertence à maçonaria. À falta de evidências claras, muitos comentadores sugerem que Fortunato pode ser louco, embora esta hipótese também seja questionável, devido à complexidade da trama.

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Inspiração

Uma lenda apócrifa assegura que a inspiração para "O barril de amontillado" veio de uma história que Poe ouviu na Ilha do Castelo, no Sul de Boston, em Massachusetts, quando Poe era um soldado estacionado no Forte Independência. De acordo com essa lenda, ele viu um monumento para o tenente Robert Massie. Historicamente, Massie foi morto num duelo de espada no natal de 1817 pelo tenente Gustavus Drane, depois de uma disputa durante um jogo de cartas. A lenda assegura que, posteriormente, outros soldados se vingaram de Drane embebedando-o, atraindo-o para uma masmorra, acorrentando-o à parede e selando-o num vão. Esta versão da morte de Drane é falsa: Drane foi julgado por uma corte marcial pelo assassinato, foi inocentado e viveu até 1846. A maior fonte de Poe pode ter sido o livro "Um homem erigido numa parede", de Joel Headley, que conta como o autor viu um esqueleto aprisionado numa parede de uma igreja na Itália. A história de Headley possui detalhes muito semelhantes a "O barril de amontillado": além de emparedar um inimigo num nicho escondido, a história conta a lenta colocação dos tijolos, o motivo da vingança, e o gemido agonizante da vítima. Poe também pode ter visto temas similares em La Grande Bretèche (Democratic Review, novembro de 1843), de Honoré de Balzac, e em The Quaker City, or The Monks of Monk Hall (1845), de seu amigo George Lippard. Poe pode ter tirado o lema da família de Montresor nemo me impune lacessit da obra O último dos moicanos (1826), de James Fenimore Cooper.

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Fontes consultadas

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