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Maomé Almadi

Maomé Almadi, também conhecido como Maomé ibne Haçane Almadi, é uma figura central no xiismo duodecimano. Ele é reverenciado como o último dos doze imames e o escatológico Mádi, que ressurgirá no fim dos tempos para estabelecer a paz e a justiça, restaurando o Islã. Frequentemente referido por títulos como imami Asre e Saíbe Azamane, ele é o filho do décimo primeiro imame xiita, Haçane Alascari. Identificado como o décimo segundo imã após a morte de seu pai, ele compartilha o nome do Profeta, Abu Alcácime Maomé. Nascido em Samarra em 256/868, viveu sob a tutela de seu pai até 260/872. Seus apelidos incluem Almadi, Almontazar, Alhuja, Alcaim e Baquiatulá. Ele viveu em ocultação, conhecido apenas por uma elite xiita. Após a morte de Haçane Alascari, houve incerteza entre os xiitas sobre a existência de um sucessor. Aqueles que formariam o corpo principal dos xiitas duodecimanos acreditaram que o filho de Haçane, Maomé, tornou-se imame e entrou em ocultação por Comando Divino em 260/874. Desde então, ele se comunica apenas através de representantes, em circunstâncias excepcionais.

Fonte: Wikipédia (pt)Texto didático por IAAtualizado em 27/08/2026

Pontos-chave

  • Maomé Almadi é o décimo segundo e último imame no xiismo duodecimano.
  • Ele é considerado o Mádi escatológico, que retornará para estabelecer justiça e paz.
  • Sua existência foi mantida em segredo devido à perseguição, levando à sua 'ocultação'.
  • A crença em sua ocultação e eventual retorno moldou a doutrina e a prática xiita.
  • Ele possui diversos títulos honoríficos, como Almontazar (o Esperado).
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Origem do Termo 'Almadi'

O termo 'Mádi', que significa 'o bem guiado', não aparece diretamente no Alcorão, mas sua raiz árabe (h-d-y) é frequentemente usada para indicar orientação divina. O Alcorão menciona 'alHada' (o Guia) em referência a Allah. Inicialmente, 'Mádi' foi usado como um epíteto honorífico sem conotação messiânica, aplicado a figuras como os quatro primeiros califas sunitas (al-Khulafa' al Rashidun Almadiyyun). Solimão ibne Surde usou o termo para se referir a Huceine após seu martírio. Teologicamente, Alhimari é citado como o primeiro a falar de Almadi como o Salvador. Curiosamente, o segundo califa, Omar ibne Alcatabe, já havia mencionado a ideia de ocultação, comparando Maomé a Moisés. O termo ganhou força como designador de um governante esperado para restaurar o Islã, especialmente com a figura de Abdallah ibn al-Zubayr, cuja carreira influenciou a imagem posterior do Mádi.

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Contexto Político e Religioso

Os séculos IX e X foram cruciais para o desenvolvimento do xiismo. A tradução de obras científicas e filosóficas do grego e siríaco para o árabe estimulou o estudo das ciências intelectuais. O califa abássida Almamune (813-833), com suas tendências mutazilitas, promoveu a liberdade de pensamento e debate religioso, permitindo que teólogos e estudiosos xiitas expandissem suas atividades acadêmicas e ensinamentos. Almamune também reconheceu os oito imames xiitas como seus sucessores, proporcionando aos descendentes do Profeta e seus seguidores um período de relativa liberdade governamental. Mais tarde, no século IV/X, a fraqueza do governo abássida central e a ascensão dos buídas (xiitas) no poder, inclusive em Bagdá, fortaleceram ainda mais o xiismo, permitindo-lhes defender suas posições contra oponentes e propagar suas crenças abertamente.

O Século IV/X e o Fortalecimento Xiita

No século IV/X, a ascensão dos buídas, uma dinastia xiita com grande influência política na Pérsia e na capital abássida, Bagdá, proporcionou aos xiitas um ambiente mais favorável. Essa nova força política permitiu que os xiitas confrontassem seus oponentes com mais confiança e propagassem suas doutrinas livremente, marcando um período de fortalecimento para o movimento.

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A História da Crença no 12º Imame

Esta seção explora as visões históricas sobre a crença em Hajate ibne Alhaçane como o 12º imame e Mádi, e sua subsequente ocultação na sociedade xiita.

Divergências sobre o Filho de Haçane Alascari

A maioria das fontes xiitas e sunitas concorda que Maomé imame Almadi foi o único filho do imame Alascari. As fontes divergem sobre o ano exato de seu nascimento, com datas variando entre 255/869 e 261/875. Sua mãe, Narjis Khatun, é descrita em algumas fontes como uma escrava de origens diversas, enquanto outras a identificam como neta de um imperador bizantino. A narrativa sobre seu nascimento, segundo a tia do imame, Hakima, envolveu um véu de torpor ou ocultação, e a ausência de sangue no pano de nascimento, um sinal distintivo para os imames. Devido às perseguições abássidas, Haçane Alascari escondeu a existência de seu filho, revelando-o apenas a poucos seguidores. Por essa mesma razão, o filho entrou em ocultação (gaiba) logo após a morte de seu pai em 260/873-4.

Evolução da Crença no 12º Imame e Ocultação

Pesquisadores sugerem que a crença no número de doze imames e na figura do Mádi se desenvolveu gradualmente. Evidências indicam que, desde cedo no Islã, havia a expectativa de um homem da linhagem de Huceine que restauraria o Islã. Fontes do período de confusão pós-ocultação revelam incertezas e lacunas doutrinárias, incluindo o número exato de imames e a noção de 'ocultação' (gaiba). Textos mais antigos, como os de Abu Jafar Barqi e Ṣaffār Qomi, não detalham o número doze ou a ocultação. Somente com autores posteriores, como ibne Babuia e Ali ibn Ebrahim Qomi, a lista completa dos doze imames e a ocultação do décimo segundo imame tornaram-se mais proeminentes. A coleção de hadiths de Kulayni e obras subsequentes como Kitāb algaiba de Ebn Abi Zaynab Noʿmāni e Kamāl al-din de ibne Babuia consolidaram essas crenças, adaptando tradições mais antigas.

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A Era do Imamato e da Ocultação

Do ponto de vista xiita duodecimano, a ocultação do décimo segundo Imame divide-se em duas fases: a Ocultação Menor (gaibat-i sughra), de 260/872 a 329/939 (cerca de 70 anos), e a Ocultação Principal (gaibat-i kubra), iniciada em 329/939 e que perdura até hoje.

A Ocultação Menor (Gaibat-i Sughra)

Após a morte de seu pai em 260/874, o décimo segundo imame, ainda criança, entrou na Ocultação Menor, que durou aproximadamente 70 anos lunares. Durante este período, o Imã Oculto teria se comunicado com seus seguidores através de quatro delegados ou representantes intermediários. Essa necessidade de comunicação indireta surgiu devido às perseguições 'Abássidas e à busca por um novo meio de contato com a congregação. O sistema de comunicação subterrânea (alTanzim alSirri), conhecido como al-Wikala, foi estabelecido para coletar contribuições financeiras e realizar tarefas para o imame. A ausência de contato direto aumentou o papel religioso e político do Wikala, com os agentes ganhando autoridade e experiência na organização dos partidários em unidades regionais.

Os Quatro Agentes

Abu Jafar Maomé ibne Usmã al-Samman é descrito como um associado próximo e agente confiável do décimo e décimo primeiro Imames. Iniciou sua carreira como agente do décimo imame, Ali Alhadi, aos onze anos. Foi nomeado agente do décimo primeiro imame, Alascari, por volta de 256/869-70. Al-Samman, que exercia o ofício de vendedor de gordura para ocultar sua verdadeira identidade, realizou os ritos fúnebres de Alascari. Sua agência para o décimo segundo imame foi de curta duração, com seu filho, Abu Jafar Maomé, assumindo um papel mais proeminente e tendo sua agência confirmada por Alascari.

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A Era da Ocultação Maior

A Ocultação Maior (algaibat al-tamma) iniciou-se em 329/941 e continua até os dias atuais, marcando um período sem intermediários diretos entre o Imã Oculto e seus seguidores.

Nomes e Apelidos

O Salvador escatológico dos Imamitas é Abu Alcácime Maomé ibne Haçane Alascari, o décimo segundo e último Imame. Ele compartilha o nome e a 'cúnia' (Abu Alcácime) do Profeta Maomé, cumprindo um hadith que prevê um homem de sua descendência com essas características, destinado a encher a terra de justiça. Este hadith, considerado 'mashhūr' (bem conhecido), foi forjado em alguns contextos para apoiar reivindicações de liderança, como a de Mohammad ibne Hanafia.

Nascimento e Vida

Detalhes sobre Hojate ibne Haçane Almadi surgiram no século X e foram consolidados no século seguinte. Sua mãe, com nomes variados como Narjis, Rayḥāna ou Sawsan, é descrita ora como escrava de origem núbia, ora como neta de um imperador bizantino. Segundo esta última versão, ela foi capturada e vendida como escrava, sendo dada em casamento a Haçane, o futuro décimo primeiro imame, após o décimo imame reconhecê-la como a futura mãe do Mádi. A data mais comum para seu nascimento é 15 Shaban 256/18 de julho de 870, embora algumas fontes apontem para meados de Shaban 255/julho de 869.

Algaibat (Ocultação)

O termo 'gaibat' refere-se à ocultação do Imã Oculto. A ocultação do décimo segundo imame é dividida em Menor (gaibat-i sughra), de 260/872 a 329/939, e Maior (algaiba al-kubra), iniciada em 329/939. Durante a Ocultação Menor, o imame teve quatro representantes (na'ib) que serviam de canal de comunicação. Em uma carta final, o último representante, Ali al-Samarri, foi instruído a não nomear um sucessor, marcando o início da Grande Ocultação, que, segundo suas últimas palavras, seria 'assunto somente de Deus'.

A Ocultação Completa (Algaibat Al-Kubra)

A Ocultação Completa representou um período de desafio para os teólogos imamitas, que precisavam justificar o atraso na ascensão do décimo segundo imame. A ausência de mediadores diretos aumentou o desconforto entre os xiitas, que viam esse período como um teste e purificação. Ibne Babuia, ao escrever sobre a algaiba, foi motivado pelas dúvidas dos xiitas sobre a ocultação prolongada. O vácuo deixado pelo fim da representação especial foi preenchido pelos juristas imamitas, que se tornaram os líderes dos xiitas durante a Ocultação Completa.

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Reaparecimento e Governo Mundial

A crença no retorno do Mádi é um corolário direto da doutrina da ocultação, com seu papel messiânico enfatizado em seu regresso para estabelecer o domínio islâmico.

O Retorno do Mádi

Diversas religiões mencionam a vinda de um salvador, e o Islã, através de hadiths aceitos por todos os muçulmanos, como 'O Mádi é da minha descendência', refere-se a essa figura. O retorno do Mádi, após uma longa ocultação, é a consolidação de sua posição como restaurador da pureza islâmica. Os termos 'qiyam' (ascensão), 'zuhur' (aparecimento) e 'khuruj' (surgimento) são usados para descrever seu reaparecimento. Esperava-se que o imame messiânico Alcaim 'se levantasse' para preencher o mundo com justiça e equidade, atendendo às esperanças quiliásticas dos xiitas.

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Visão de Outras Escolas Islâmicas

Almadi, 'o bem guiado', é o nome do restaurador da religião e da justiça que, segundo a crença muçulmana, governará antes do fim do mundo.

Visão Sunita

Os sunitas esperam que o Mádi seja o último califa do Profeta. Embora apoiada por alguns tradicionalistas e sufis, a crença no Mádi nunca se tornou central na doutrina sunita. Muitos estudiosos renomados, como Algazali, evitaram o tema. Críticas abertas, como a de ibne Caldune, que refutou a autenticidade de hadiths sobre o Mádi, foram raras. Ibne Caldune resumiu a posição sunita sobre o restaurador futuro da fé em sua obra Muqaddima.

Visão Sufi

Ibne Arabi descreveu o Mádi como o Selo dos Santos (khatm al-awṣiya'), descendente de Haçane, que imporá a lei islâmica com a espada, com Jesus como um de seus vizires. Ele seria infalível em seu ijtihad. Outras doutrinas sufis divergiram, como a do xeique indiano Abedalá Alhindi Macdum Almulque, que afirmava que o Mádi e Jesus aplicariam a doutrina legal de Abu Hanifa. Ali Alcari censurou essa visão e a de outros que acreditavam que seus antigos xeques eram o Mádi.

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Fontes sobre a Ocultação

A ideia de um imame da descendência do Profeta que se ocultaria para ressurgir como Alcaim Almadi é antiga na história imamita. Essa ocultação é um sinal do verdadeiro Alcaim Almadi.

Livros sobre a Questão da Algaiba

Tradições sobre a ocultação, atribuídas ao Profeta e aos Imames, foram compiladas por muitos escritores xiitas. Essas tradições foram usadas por diversos grupos xiitas para legitimar seus líderes, que reivindicavam o título de Alcaim Almadi. Inicialmente, algumas foram usadas para apoiar a ideia de que um imame falecido era o Alcaim Almadi. Posteriormente, foram empregadas pelos Imamitas para afirmar que o Décimo Segundo Imame era o próprio Alcaim Almadi. As obras sobre algaiba podem ser divididas em três grupos, baseados nas datas de autoria.

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Crença no 12º Imame: História e Atualidade

O título Almadi, com suas implicações messiânicas, tornou-se proeminente no credo xiita após a Ocultação Menor. A prolongada ocultação do imame contribuiu para a interiorização da função de Mádi, visto como o Esperado e o Mádi dos Últimos Dias, especialmente quando a justiça islâmica se tornou inatingível no futuro próximo sob o califado.

Período Abássida (750-945)

As perseguições abássidas tornaram-se intoleráveis, e a vida do imame esteve frequentemente em perigo. Esse período coincidiu com um sentimento de desânimo entre os xiitas imami, que haviam desistido de obter poder por meios radicais. O desaparecimento do imame ofereceu atrativos políticos e doutrinários, pois a ocultação era vista como um sinal do verdadeiro Mádi.

Período Buída (945-1055)

A ascensão dos buídas, uma dinastia xiita, ao poder em Bagdá em 334/945, marcou um ponto de virada. Os buídas simpatizavam com o xiismo duodecimano, permitindo aos Imamis uma maior liberdade de ação. Essa cooperação aproximou-os do centro do poder e permitiu-lhes reivindicar seus direitos com mais franqueza. O enfraquecimento da autoridade central abriu caminho para um fluxo mais livre de ideias, resultando no florescimento da literatura e doutrina xiita. O imame vivo deu lugar a um ser oculto, no qual as esperanças messiânicas se concentravam.

Período Seljúcida (Séculos 11-12)

A chegada dos seljúcidas, sunitas fervorosos, representou um revés inicial para os xiitas. O jurista xiita Xeique Tuci foi forçado a fugir de Bagdá, e o xiismo foi publicamente amaldiçoado. No entanto, após o assassinato do influente ministro Nizã Almulque, a pressão diminuiu. Este período viu o surgimento de obras polêmicas xiitas que defendiam suas crenças contra ataques sunitas, definindo melhor questões teológicas e preparando o terreno para desenvolvimentos futuros.

Período Ilkhanid (Séculos 13-14)

As invasões mongóis devastaram o mundo islâmico, mas não foram um golpe tão grande para o xiismo quanto para o sunismo. O governo mongol, inicialmente não muçulmano, tratou xiitas e sunitas de forma igualitária, melhorando a posição dos xiitas como minoria oprimida. A queda de Bagdá e o assassinato do califa abássida desestabilizaram a teologia sunita, enquanto o imame oculto xiita permaneceu inalterado. A presença de estudiosos xiitas na corte mongol e a conversão do governante Oljeitu ao xiismo tornaram-no a religião oficial do estado em 709/1309.

Período Timúrida (Séculos 14-15)

Timur, embora sunita, não era hostil aos xiitas. Seu filho Shah-Rukh e sua esposa simpatizavam com o xiismo, e o sultão Huceine ibn Bayqara manteve uma corte culturalmente brilhante. Embora tenha considerado tornar o xiismo a religião do estado, foi dissuadido.

Período Safávida (Séculos 16-18) até o Início da Era Moderna

O estabelecimento da dinastia Safávida em 907/1501 marcou uma nova era para o xiismo duodecimano. Shah Ismail declarou o Xiismo Twelver a religião oficial de seu estado, apresentando-se como representante do imã oculto. O período Safávida testemunhou um renascimento das ciências islâmicas e estudos xiitas. Após a queda dos Safávidas, Nadir Shah tentou impor o sunismo, mas as dinastias Zand e Qajar subsequentemente reafirmaram o xiismo como a religião do estado.

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Fontes consultadas

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