Barra brava
Barra brava é um tipo de movimento de torcedores futebolísticos muito popular na América Latina, conhecida por incentivar suas equipes com cantos intermináveis e fogos de artifício. Costumam localizar-se nas arquibancadas e atrás dos gols, acompanhando as partidas sempre de pé. Ao contrário das torcidas organizadas não possuem uniformes próprios, mas possuem uma forte estrutura hierárquica e um número maior de membros.
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As barra bravas na Argentina são muito tradicionais, mas também consideradas perigosas. Representam a alma e garra das equipas locais. Estas são responsáveis pelo apoio incondicional a equipe. São famosas por cantarem até quando o time está perdendo e no momento em que sofre um gol. Contudo, as mesmas são responsáveis por espetáculos de violência e também do narcotráfico, afetando socialmente toda a Argentina. Desde o primeiro assassinato ocorrido em 1923 até o princípio de 2000, foram registradas 138 vítimas fatais e uma enorme quantidade de feridos em confrontos entre as barra bravas. As mais fortes são La Barra Del Rojo (do Independiente), La Hinchada Más Popular (do Newell's Old Boys), Jugador Nº12 (do Boca Juniors), Los Borrachos del Tablón (do River Plate), Los Guerreros (do Rosario Central) e La Butteler (do San Lorenzo de Almagro). Na história das barra bravas as que mais se destacaram foram: a La Barra Del Rojo com seu capo (líder) "Gallego" (anos 1980 e 1990), Jugador Nº 12 com José "Abuelo" Barrita (anos 1980 e 1990) e a de Chacarita Juniors com os capos "Muchinga" e Roque (anos 1970 e 1980).
Origem
Tem-se notícia de que o primeiro confronto violento entre torcedores tenha ocorrido em uma partida entre a Argentina e o Uruguai em 16 de julho de 1916 no estádio do Gimnasia y Esgrima de Buenos Aires. Foram vendidas 40 mil entradas para o jogo, sendo que o local só poderia receber a metade. Como resultado, parte do estádio acabou sendo incendiado. Curiosamente, o primeiro jogo entre Boca Juniors e River Plate na era profesional, disputado em 20 de setembro de 1931 também terminou com distúrbios. Três jogadores do River foram expulsos e se negaram a sair de campo, logo, a torcida revoltou-se e iniciou uma batalha contra a boquense. Em 14 de maio de 1939, no estádio de Lanús, a violência teve suas primeiras vítimas fatais. Em um jogo da quarta divisão entre o Boca e o time da casa, após uma falta cometida por um jogador do Lanús, os futebolistas começaram a se enfrentar, sendo ajudados pelo público. Ao ver isso, a torcida do Boca tentaram derrubar o alambrado e invadir o relvado, mas foram impedidos pelo policial Luis Estrella, que disparou um tiro à arquibancada, acertando e matando dois espectadores, Luis López e Oscar Munitoli, menor de 9 anos.
A consolidação da violência (1958–1985)
A partir da morte de Linker, o futebol argentino começa uma fase de acostumação da violência relacionado às barra bravas, tendo um aumento do número de mortes. Entre 1958 e 1985, houve 100 mortes relacionadas ao futebol, uma média de uma morte a cada três meses. Dentre estas ocorrências, incluem-se também fatos que aconteceram entre membros das barras dentro e fora dos estádios, a repressão policial frente à desordem, entre outros casos de violação à segurança. Pode-se classificar esta fase das barra bravas em três etapas: a espontânea, que contava, até 1965, com a participação de muitos jovens; a instituicionalização, entre 1966 e 1976, em que as barra bravas são reconhecidas publicamente, aceitadas e financiadas como grupos de choque; e a terceira "de ganhar um lugar ao sol", em que as barras começaram a interferir diretamente na vida dos clubes, participando decisivamente na compra de futebolistas, trocas de treinadores, participação de treinamentos e visitas à vestiários.
A identificação e o aguante
Diferentes especialistas dizem que as torcidas passam a ter cada vez mais identificação com as equipes, em lugar dos "jogadores-símbolo" e dos dirigentes mais dedicados. Era comum a rápida venda de jogadores de todas as equipes, dificultando sua identificação devido ao curto período em cada clube. Logo, as torcidas começavam a aclamar as cores, os símbolos e o estádio em oposição ao adversário. Este processo cria fragmentações externas e internas. A externa gera divisões dentro das barras em regiões, cidades, bairros e até ruas. A fragmentação interna trata de agrupações dentro da própria barra brava, dividindo poderes e influências quanto aos meios de financiamento, normalmente concentrados em um único grupo. Este fenômenos de fragmentações gerou mais violência por parte dos membros excluídos em busca de meios econômicos e de respeito. Nasce então o aguante, um ranking imaginário que define supostas hierarquias sobre quem defende melhor a instituição na vitória ou na derrota, sob dolo ou desilusões. O aguante passa a ser meios de defesa do espaço mediante ao corpo a corpo e aos métodos de intimidação. Um canal de televisão argentino chamado TyC Sports transmitiu nessa época um programa denominado El Aguante, no qual os torcedores de cada equipe concorriam nos estádios demonstrando o que sentiam por seus clubes e pelos rivais.
Financiamento
O financiamento de cada barra brava se dá por meios particulares. Porém, um meio comum e frequente dá-se pelo dinheiro concedido por atletas, dirigentes e políticos, venda de drogas e revenda de ingressos. Desde o princípio, os dirigentes dos clubes contribuíram com ingressos, sejam para a entrada gratuita ou para a revenda. Porém, atualmente, a barra bravas não mais são usadas apenas para suas funções originais na Argentina, mas também para pressionar os jogadores a acertarem recisões contratuais menos favoráveis. Os dirigentes contratam os grupos para garantir a segurança dos espetáculos promovidos pelo clube, bem como a pressionar possíveis adversários políticos em eleições internas. Contudo, muitas vezes, os próprios dirigentes são pressionados a contribuir com os barrabravas através de ameaças de distúrbios durante as partidas.
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Em 2001, no estado do Rio Grande do Sul, a influência vinda dos países vizinhos (Argentina e Uruguai) começaram a estimular jovens torcedores a criarem suas próprias Barras. Estes jovens buscavam ter em seus times uma torcida que apoiasse e cantasse para a equipe durante todo o decorrer do jogo, ganhando ou perdendo, e também fugir das tradicionais torcidas organizadas (ideologia de torcida que prevalece em todo o Brasil).
As barras bravas do Rio Grande do Sul
A Geral do Grêmio é tida como a primeira barra brava do país, a Geral do Grêmio foi criada em 2001, em Porto Alegre, inspirada nas barras argentinas e uruguaias, essa parte da torcida do Grêmio passou a ter uma postura de apoiar o time em todos os momentos. A Copa do Brasil de 2001 foi o primeiro título do Grêmio comemorado na Geral. A Guarda Popular, barra brava do Internacional foi criada em 2004, também em Porto Alegre. Se tornou barra brava após a união da Popular do Inter e da Guarda Colorada que passaram a se reunir no famoso Portão 7 do Estádio Beira-Rio. Em 2011, a Guarda Popular enfrentou dificuldades quando parte de sua liderança chegou a dissidir-se voltando com a Popular do Inter, mas depois conseguiram se estabilizar e a torcida voltou a ser uma só.
As barras bravas do Rio de Janeiro
Com o crescimento das Barras Bravas gaúchas, a cultura desse tipo de torcida se expandiu para as torcidas de outros estados, um deles foi o Rio de Janeiro. Com as Torcidas Organizadas frequentemente se envolvendo em confusões dentro e fora dos estádios, a alternativa vinda do sul do país caiu no agrado dos jovens torcedores dos grandes clubes cariocas, por sua filosofia de paz nos estádios, não ter um núcleo de liderança, uso da camisa do time e não das torcidas e o apoio total ao clube durante as partidas. A primeira Barra Brava carioca foi a Loucos pelo Botafogo criada em 2006, com o afastamento da maior Organizada do clube a Fúria Jovem do Botafogo, devido a confusões com outras torcidas, em alguns períodos principalmente na época do rebaixamento do Botafogo em 2014 e em 2015 quando disputou a Série B, muitos torcedores passaram a frequentar mais a Loucos.
As barras bravas de São Paulo
As Barras nunca se tornaram populares entre os torcedores dos 4 grandes clubes de São Paulo, a não ser no Santos com a já extinta Barra "A10 Santista" muito oprimidas pelas torcidas organizadas do alvinegro praiano. Mas em 2024 o movimento voltou com força no alvinegro praiano e os torcedores do Santos substituiu "A10 Santista" para uma nova Barra Brava pro clube, a Guarda Real 1912 que promete se establecer na Bancada e cantar os 90 minutos na Vila Belmiro e no Pacaembu. Mas (com exceção do Santos) se disseminaram em alguns clubes menores do estado, como o "Ferroviários" do Ituano, "Febre Amarela" do São Bernardo, "Os Jecas" do Taubaté e o Setor 2 do Juventus do italiano bairro da Mooca (zona leste da cidade de São Paulo), criada em 2003.
As barras bravas do Paraná
A maior barra brava é a Curva 1909 do Coritiba fundada em 29/03/2017. Sendo composta por remanescentes do Povão Coxa-Branca, Coxaceiros,Mancha verde e novos torcedores simpatizantes do ideal, a Curva 1909 vem crescendo muito a cada ano e atraindo à todos com o seu jeito de torcer, nunca deixando de cantar durante a partida músicas de incentivo ao Coritiba. Ficam localizados no setor Mauá (setor oposto a da principal organizada do clube), também são conhecidos como Portão 09 (P09) devido ao portão principal que dá acesso ao setor Mauá. A Curva também é uma das principais torcidas do Coritiba Foot Ball Club que realizam muitas caravanas em jogos distantes da capital paranaense. A barra mantém amizades com a Barra da Chape, Movimento M90 (ABC F.C) , Movimento Brava Bolívia (Sampaio Corrêa), Movimento Turma Tricolor (Bahia Esporte Clube), Lobos do Esquadrão (Paysandu), Setor Alvinegro (Ceará E.C), Loucos da Papada (Juventude E.C), além de uma forte amizade com a Los Piratas de Alberdi do Belgrano (tida como a primeira barra da Argentina) .
As barras bravas no Nordeste
Nesse contexto, destaca-se a Bravo 18, torcida organizada do Fortaleza Esporte Clube, fundada em 18 de junho de 2015. Inspirada diretamente no movimento das Barras Bravas, a Bravo 18 foi responsável por consolidar esse modelo no Nordeste do Brasil, tornando-se uma das principais referências da região. A torcida é reconhecida por seu incentivo permanente, independentemente do resultado da partida, e pelo lema “Sem demonstrar cansaço”, que simboliza seu compromisso com o apoio incondicional ao clube. Ao longo dos anos, a Bravo 18 ampliou sua presença territorial, organizacional e cultural, sendo frequentemente citada como a maior Barra Brava do Nordeste, tanto pelo número de integrantes quanto pela relevância no cenário do futebol regional. Sua atuação contribuiu para a difusão do modelo de Barra Brava em outros estados nordestinos, influenciando novas torcidas e fortalecendo a identidade sul-americana nas arquibancadas da região.
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Dentro os materiais utilizados pelas barra bravas encontram-se:
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Para gerar um som alto e empolgante, as barra bravas precisam de instrumentos musicais, que variam de grupo para grupo, mas frequentemente usam alguns como estes:


